Estar do lado da luta, sempre, mas sem chantagem, nem cegueira, nem pessimismo. Só se derrota o PEC com Sócrates na rua! Será para o efeito, o senhor da foto, um aliado ou um judas?

Da discussão que se gerou por aqui, aqui, aqui, aqui e aqui,  importa antes de tudo separar o joio: se a ordem dos pategos, o clube dos fidalgos ou a entente das senhoras que jogam canastra à quarta-feira entre a Lapa e o alto de S. João do Estoril, aderirem à greve geral, eu acho que devem ser bem-vindos. Mas perdoar-me-ão se eu continuar sem gostar de pategos, fidalgos ou das senhoras do vício.

Se o Nuno tem toda a razão de que a crítica aos sindicatos não deve ser, especialmente neste momento, a crítica dos sindicatos, não entendo porque não considera salutar o debate sobre a estratégia sindical e dê a entender que este inviabiliza o combate às “políticas neoliberais”. Precisamente porque todas as lutas anteriores não foram suficientes para travar as políticas do Sócrates, a greve geral deveria ser para travar o próprio Sócrates, ou não será assim?

Sobre os debates que se cruzaram nas postas citadas e nas respectivas caixas de comentários, deixo apenas algumas notas, marcelorelinguísticamente falando, pois ando assoberbado em trabalho e pai a tempo inteiro para explicações mais prolongadas. De resto, o debate parece-me francamente simples.

A Greve Geral é uma boa notícia? É. O facto de poder vir a ser depois da votação de mais uma nova vaga de PEC e do orçamento é bom para a luta? Não. A adesão da UGT reforça sindicalmente a greve? Sim. E a sua combatividade política? Menos. É por isso que é geral? Não. É por isso que não vai exigir a demissão do governo? Também. Isso fragiliza o protesto? Sim. Torna-o desnecessário? Não. Os freios da UGT são controlados pelo PS? São. O PS está no Governo? Sim. E saudará as reivindicações dos trabalhadores? Não. Por a greve ser contra si? Sim. Então porque é que a sua central sindical adere a um protesto autofágico?

Pshiu, cala-te.

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19 Responses to Estar do lado da luta, sempre, mas sem chantagem, nem cegueira, nem pessimismo. Só se derrota o PEC com Sócrates na rua! Será para o efeito, o senhor da foto, um aliado ou um judas?

  1. LAM diz:

    Para já, para já, eu não iria tão longe: a UGT manifestou a sua adesão à greve geral. Para já fiquemos-nos por aí. Entre a manifestação de adesão e a sua concretização, no mês e meio que ainda falta, muitas cambalhotas vão haver.

  2. torr esmo diz:

    pelo estilo literário

    quase pareces o gadjo da funda

    mas o Artur Portela filho e neto de outros

    nã se chamava tei xeira

  3. JMJ diz:

    “Então porque é que a sua central sindical adere a um protesto autofágico?” é a pergunta certa.

    Quem, durante o dia-a-dia, no seu local de trabalho, vê os sindicatos da UGT a trabalhar percebe o porquê dessa pergunta.

    O que quer a UGT desta Greve Geral?

  4. Renato Teixeira diz:

    LAM, a única informação que existe é evidentemente de saudar. Aderiram. Boa. Como os pategos, os fidalgos e as atletas da canastra. A questão é que não se adere à ideia da greve geral no abstracto, mas ao concreto das suas reivindicações. Reconhecerá que não é claro ao que vem a UGT.

    Como bem diz o JMJ, importa a UGT esclarecer o que a divide do Governo e o que quer travar com a sua entrada no protesto depois de ter aplaudido as raízes das heras que agora se levantam. Sem esse esclarecimento é legitimo pensar que a sua direcção só tem más intenções.

    Uma greve geral que não exija o elementar “demito-o” do Presidente da República (Sócrates, sabemos, jamais dirá demito-me), é permitir que toda a gente se coloque simpaticamente ao lado da greve geral, mesmo que os seus objectivos sejam a sua derrota e inocuidade.

    Há assim duas coisas a dizer aos trabalhadores sindicalizados na UGT: vinde, mas olhem que quem vos dirige vem ao contrário do que vos trás aqui. E uma aos sindicalizados na CGTP: dote-se a greve das armas que ela precisa para derrotar a austeridade.

  5. O Mar, quando arrasta uma porção de areia de um ponto para outro, esta areia nem é toda arrastada ao mesmo tempo nem decanta no mesmo instante. Numa construção, tantas vezes!, é necessário deitar abaixo hoje o que se construiu ontem, mas no final a construção será a perfeição do esforço dos seus obreiros. O futuro faz pedra a pedra, ou então compra-se um futuro já construido. Onde?

  6. No dia 24 vai ser-me indiferente se a meu lado marcha o João Proença ou o Renato Teixeira.

  7. Renato Teixeira diz:

    Pela leitura da sua posta, á de moura pina, estou certo que prefere a companhia do João Proença. Já tenho mais dúvidas sobre se ele defenderá o direito à preguiça, mas isso pouco importa, né? UNIDADE! UNIDADE! UNIDADE!

  8. LAM diz:

    Não só reconheço que não é claro ao que vem a UGT, como ponho sérias dúvidas que a UGT vá onde diz que vai. Mesmo com negociações, que por certo houve e continuará a haver até lá, em que a UGT obrigará a CGTP a balizar o alcance das exigências e até das palavras de ordem, a prática ensina que ao mais leve pretexto se disporá a tirar o tapete. Por isso digo, em relação à participação da UGT na greve geral, um dia de cada vez (e faltam tantos…).

  9. Abilio Rosa diz:

    Este gajo está bem gordo.

    Ser «amarelo» faz mal ao colesterol….

  10. Renato Teixeira diz:

    LAM, a resposta que encontro é que a única intenção da UGT é chantagear a greve geral para que poupe a “cabeça” do governo Sócrates. Haverá outra?

    Abílio, esse preconceito de que a barriga é burguesa já levou o Alegre, imagine-se, a fazer poemas contra a “pança”. Atente às referências nominais do PIB e de seguida espreite-lhes a barriga. Verá que andam todos em grande forma. E olhe que isto não é para desculpar a minha, que já vai impondo o seu respeito.

  11. Tem razão. À companhia do Renato preferiria a companhia do João Proença porque o Renato não sabe o que é o sindicalismo e muito menos o que é UNIDADE. Espero que pelo menos no dia 24 faça greve.

  12. Renato Teixeira diz:

    Bem me parecia. Espero que no dia 24 o João Proença não o deixe sem companhia.
    (depois conte o que ele lhe explicou sobre sindicalismo e unidade…)

  13. Nuno diz:

    Atenção, «à de moura pina» , a Greve Geral é só no dia 24 de Novembro e até lá o «o grande lider sindical» João Proença pode
    mudar de ideia e você corre o perigo de ficar sózinho.

  14. MARGARIDO TEIXEIRA diz:

    Dá até para se “masturbarem” com essa “Unidade”… O que pretendem é “correr” com o homem, o resto são cantigas… nem que se aliem ao diabo, o que é preciso é que as “almas” vos entrem pelo “inferno” dentro… ou será que Comité Nobel e a Noruega é que são o diabo?

  15. Renato Teixeira diz:

    O que o homem não quer é correr com o Governo, Margarido.

  16. Nunca me senti sozinho com a CGTP. Mas pelos vistos o Nuno ainda espera que a CGTP desista da Greve Geral. Está difícil de digerir.

  17. Pingback: cinco dias » Causas Corporativas

  18. José diz:

    “alto de S. João do Estoril”????

  19. helder diz:

    Dá-le, Renato 😉

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