Um post muito curto e rápido sobre as considerações do meu colega Renato Teixeira em torno de Vítor Dias, a Greve Geral, o PCP e a CGTP…

Bom, eu se estivesse no lugar do Renato não me ocuparia a abrir um conflito com o PCP, nem com o Vitor Dias, que respeito mas não conheço pessoalmente, nem preciso de o conhecer para o respeitar.
E não abriria este conflito não por eu ser simpatizante do PCP (sou um comunista sem partido, mas eleitor do PCP), mas por três razões claras, das quais destaco a última, pelo que se perceberá:

1. O PCP é hoje o único lugar de oposição ao regime demo-liberal em vigor e ao actual governo e suas políticas concertadas com os poderes financeiros nacionais e institucionais internacionais. O BE é passado, inconsistência, cedência e compromisso. O seu anterior e aparente radicalismo deu no que deu, e que me abstenho de comentar. O fim triste de Alegre será ao mesmo tempo, muito provavelmente, o fim do BE (tal como ele existiu até hoje). Não duvido grandemente disso.

2. Por outro lado, uma greve geral, talvez ao contrário do que pensas, Renato, não pode nem deve ser vista como um culminar-encerramento de um processo, mas antes um passo entre outros de um processo vasto de luta, ou, como diria o meu mui caro Mao Tse-Tung, um passo numa “guerra prolongada” (e prepara-te para a “guerra prolongada” e não apenas para dia 24 de Novembro) . E ao dizer que é um passo entre outros, até talvez num determinado contexto táctico pudesse mesmo ser dispensável (pois a luta social também se faz com formas novas de contestação, inéditas e surpreendentes – mas agora, sim, é tempo de greve geral). Há muitas formas de lutar e tentar arrasar esta economia vigente, o demo-liberalismo assassino.
Além do mais, uma greve geral isoladamente e em si nada pode representar ou ter por consequência, serão necessárias outras formas de luta e outras greves gerais.
Se achas que esta greve vem tarde, imagina-a como sendo a segunda ou a terceira já, pois é aí que teremos de chegar, e isso terá de suceder (sob pena de tudo se quedar como está). Advogo pois mais greves, sectoriais e/ou gerais.

3. Além do mais, Renato, se tivesses reparado há um detalhe importantíssimo: se em Espanha houve uma greve geral decretada pelas CCOO e pela União Geral (a UGT de lá), isso significa unidade. Em Portugal, os lacaios da UGT poderão não aderir à greve (não lhes conheço a resposta ao convite de Carvalho da Silva), e por cá pode mesmo não haver unidade por causa da central do Partido Sucialista, partido que a controla de cima a baixo. E estes cobardes ainda representam alguma coisa e tudo podem dificultar. Portanto, são estes os nossos inimigos e não o PCP, nem a influência do PCP na CGTP, etc., etc. Portanto, sigamos os passos da “UGT”, segue os passos da UGT portuguesa, que de sindical pouco ou nada tem, e tudo fará para abortar a nossa greve geral. Oxalá me engane.

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25 Responses to Um post muito curto e rápido sobre as considerações do meu colega Renato Teixeira em torno de Vítor Dias, a Greve Geral, o PCP e a CGTP…

  1. Basteu diz:

    Convocar-se a Greve Geral a seguir à manifestação de 300 mil pessoas em Lisboa faria mais sentido, contudo, ainda bem que foi convocada.
    Mas não basta convoca-la, é necessario prepara-le bem, para que este greve não seja igual a de 2007 e os trabalhadores saiam mais enfraquecidos do que fortalecidos da Greve geral.
    A CGTP teve um comportamento no minimo vergonhoso ao fazer manifestações descentralizadas a seguir a Manifestação de 29 de Maio, em vez de as pessoas sentire um crescente de luta, com a manifestação de ontem, sentem um decrescimo na luta e sentem-se mais desmoralizadas.
    Relativamente às centrais sindicais espanholas CCOO e UGT, uma é irma da outra, são as duas controladas pelo PSOE, a questão é que peante a pressão da sua base tiveram que ceder.
    Mas fizeram tudo para que corresse mal, mais lixaram-se.
    Apesar do sucesso da Greve Geral e seguindo o que a CGTP faz em Portugal, já afirmaram que estão prontos para negocioar com o Governo.
    Tal como o Carlos diz, a greve geral não pode ser um fim em si mesmo, mas um meio. E a seguir tem que continuar a luta, mas num processo de intensificação. Ao contrario do que a CGTP costuma fazer, a seguir a uma boa manifestação nacional marca pretstos descentralizados…consequência: desmoralização dos manifestantes…a Cgtp e o PCP infelizmente são os grandes organizadores de derrotas dos trabalhadores…o be são outro travão, a questão aqui é que tanto o PC e a Cgtp devido a sua maior influência acabam por ter um papel mais grave neste processo.

  2. Carlos Vidal diz:

    (Uma pequena correcção, caro Basteu:
    as primeiras comisiones obreras, nos anos 50, foram criadas pelo PCE, e não pelos socialistas. São dados históricos. Além do mais, Marcelino Camacho, o seu mais destacado líder, foi deputado comunista.)

  3. Basteu diz:

    Exacto Carlos, a questão é que o PCE se diluiu na Izquierda Unida que apoia sempre o PSOE.
    Cá o PC tem umdiscurso em que parece que não apoia, mas depois é ir ver os exemplos sindicais quando se estava a beira de aumentar a luta.
    Luta dos Professores?? Memorando de entendimento do burocrata Mario Nogueira.

  4. Abilio Rosa diz:

    A mais que provável derrota do bardo Alegre vai ocasionar a implosão do Bloco de Esquerda e o desmembramento do Partido «Sucialista».

    Se fôr para o bem e limpeza da Esquerda, que o estrondo seja grande e audível na estratosfera!

  5. augusto diz:

    E quando é que o Carlos Vidal apela ao voto em Cavaco Silva….

  6. Carlos Vidal diz:

    Já alguém por aqui anotou que augusto raciocinava como um atrasado mental.
    Não me recordo quem foi, mas a pergunta que augusto faz certifica qualquer coisa de “estranho”….

  7. xatoo diz:

    a Greve vai dar em nada, porque só menos de 20 por cento dos trabalhadores é que estão sindicalizados.
    Como sempre, é o salve-se quem puder…
    porque o tecido dito empresarial português é feito de trabalhadores por conta própria em quase 90 por cento. Obviamente, desde a radicalização do neoberalismo após o golpe de estado da tanga 2001 é este tecido precário que tem vindo a ser destruido a bom ritmo em favor das grandes empresas multinacionais que ficaram donas do mercado em exclusivo.
    Quanto à UGT não é de considerar os seus filiados como sendo “trabalhadores”, mas isso já é outra questão mais complexa, sobre o que é o trabalho terciário, onde não existe trabalho no sector primário dado que o país veio sendo des-industrializado desde à 30 anos, (o trabalho alienado de Marx, etc).

  8. Renato Teixeira diz:

    Carlos,

    antes de mais duas notas secundárias. Primeiro, tudo menos “colega”. Camarada, amigo, comparsa, partigano, vale quase tudo. Colega, como se diz na minha terra, são os “outr@s”.
    Segundo, não fui eu (ainda) que teci considerações sobre a condução da luta política contra o governo Sócrates, que como sabemos está praticamente em exclusivo ao leme do PCP. Quem não se sente não é filho de boa gente e se reparares muito poucos foram os “radicais” que foram falando que a oportunidade de uma greve geral já existia (objectivamente e subjectivamente) desde o PEC1.

    Como, por muitas das razões que levantas, tenho priorizado o pólo da unidade com o PCP, isso não significa que prescinda de lhe fazer as críticas que entendo justas. Com toda a frontalidade e com muitos dos seus militantes com muita fraternidade.

    Em particular no campo sindical, serás o primeiro a reconhecer que a falta de radicalidade e de combatividade são diapasão demasiado permanente, isto sem falar do problema da burocratização e do acomodamento dos seus quadros. (desenvolverei mais tarde em posta).

    Sou o primeiro a reconhecer que a precarização e consequente radicalização dos seus militantes, que a par da social-democratização do BE, recuperou o PCP para o campo do combate ao socialismo democrático, mas sei que a tua memória tem um pouco mais de prazo do que os últimos 4-5 anos.

    O argumento da UGT não é argumento porque a força sindical e política do PCP garante qualquer Greve Geral. De resto, acabou de chamar uma sem saber a resposta amarela.

    A reboque da discussão sobre o PCP, fiquei sem saber a tua opinião sobre a recusa do PCP (via CPPC) em aderir à iniciativa do contra cerco a Gaza a convite do Viva Palestina, que divulguei aqui:
    e as declarações do Jerónimo pós encontro com o Cavaco, fazendo unidade com a patranha do Louçã, do Alegre e no caso toda a direita, no abraço contra a crise política. Essa. Com que todos sonhamos trazer a convulsão necessária para outra coisa possível.

    Aquele abraço.

  9. portela menos 1 diz:

    à luz de alguns posts/comentários dos últimos tempos no 5Dias, acerca das presidenciais e do papel do BE, concluo que convidar a direcção da UGT/PS-psd para a greve geral de 24/11 é o mesmo que, ao votar Manuel Alegre, apoiar o PS-sócrates.

  10. Renato Teixeira diz:

    Esqueci de deixar o aqui da Palestina: http://5dias.net/2010/09/23/entrevista-exclusiva-com-george-galloway-no-5dias-e-na-visao/
    e o aqui das declarações regimentares do PCP pós encontro com o Cavaco:
    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=445723

  11. Carlos Vidal diz:

    “Partijano”, que fique pois assim, certíssimo, dou-te toda a razão.

    Muito rapidamente, a minha ideia é a de que uma greve geral não tem resultados milagrosos (até te posso dizer que uma ou mais greves selvagens poderia tê-los, mas esse seria outro assunto). Muito mais será necessário, outras greves gerais, desobediências várias, por aí fora….
    E parece-me obsessiva e fechada a tua confiança numa greve geral.
    É fundamental, mas relativiza a coisa, sff.

    De resto, o PCP. O PCP é o único pólo de luta geral em que nesta sociedade se pode confiar globalmente. Mas, como me tens lido, digo muita coisa que o PCP não diz (a minha total distanciação em relação ao parlamentarismo, por exemplo). O PCP é uma instituição, e é, por sinal, uma instituição em que me revejo. Mas mantenho-me “independente”. Porque digo muito que o PCP não diz nem tem de dizer (e também sei que lá dentro há, há sim senhor, vozes diversas).
    Neste particular, não me são simpáticas a defesa da estabilidade política, nem a reacção ao Viva Palestina, neste caso particular do Viva Palestina do contra-cerco a Gaza. Mas, por outro lado, estes dois temas, na maioria das circuntâncias e momentos também é no PCP que encontram o seu mais sólido suporte crítico. Ou seja, é no PCP e através do PCP que melhor se desmontam as falácias da estabilidade e é na massa de apoiantes do PCP que mais comprometimento há com os palestinianos.
    Disso estamos certos. Globalmente.

  12. Abilio Rosa diz:

    Plenamente de acordo, prof. Carlos Vidal.

  13. António Figueira diz:

    Fui eu, Carlos.

  14. Carlos Vidal diz:

    (Grato, António: é que não percebo o indivíduo, nem me vou esforçar para tal, por certo.)

  15. J.Jardim diz:

    o tal de augusto não só raciocina como um anormal como é um anormal,
    Ainda não expiou os seus pecados por ter apoiado o regime de Pol pot.

    Coitado

  16. Karl diz:

    Que é isso do “partijano”? Não queriam escrever “partigiano”?

  17. LAM diz:

    Assim como não há razões, nesta altura do campeonato, para sobrelevar diferenças e apontar vícios ao PCP, também não será boa altura para que do PCP, ou através de seus militantes, sejam a despropósito lançadas alfinetadas a quem dentro da esquerda tem perspectivas diferentes e como tal as expressa.
    Agora é ver quem atirou a primeira pedra.

  18. a heresia albigense incentivou o zelo apostólico.

  19. Niet diz:

    Olá, Carlos Vidal: Gostei muito dessa ideia..de apoio às Greves Selvagens! Égalité et Liberté! Niet

  20. Carlos Vidal diz:

    Caro amigo Niet, eu percebo muito bem aonde quer chegar, por isso serei sintético: como tenho vindo a mostrar, não me repugna nada tentar a ligação, mais do que a conciliação (não gosto do termo, e o meu amigo também não), a ligação entre os que apenas se dispõem para já a fazer greves institucionais e os outros, os que defendem as greves selvagens.
    Quero poder defender ambas e ambas tentar ligar.
    Não caio é no logro de apenas defender estas últimas, as selvagens, e mais: não caio no logro de apenas defender estas últimas para atacar os que defendem as outras (gente dessa, com esse “programa” está muito por aí disseminada).
    A luta pela emancipação social já ultrapassou a fase dos 60s, em que aos partidos comunistas e aos sindicatos se chamava sempre de instituições burocrátricas e estalinistas. Por isso é que certas correntes libertárias ou o “célebre” Castoriadis não me ineteressam NADA!, porque deles vem uma luta de resultados vazios, mortos à nascença.
    Grande amigo, grande abraço.
    CV

  21. closer diz:

    Imagino Carlos Vidal com uma xuxa a fazer birra, gritando que o BE vai implodir.

    Nessa altura, só se acalma quando Francisco Lopes, sempre portador de um zelo desvelado lhe lê, alternadamente passagens do “Radicalismo Pequeno Burguês de Fachada Socialista» e o «Esquerdismo Doença Infantil do Comunismo». Aí, o garoto acalma-se e imagina-se um membro dos CDR de Cuba.

    PS: Meu caro Tiago Mota Saraiva: Antes de chamar sectário a outros, olhe para bem perto de si e veja o que são alguns dos seus camaradas de partido e de blogue.

  22. Afonso Costa diz:

    Esta gente é como uma praga. Volta o closer com a cassete do sectarismo do PCP. Toda a gente sabe que o BE é cada vez menos sectário e cada vez mais desejoso de se sentar no colo de Sócrates em troca de uns tachitos. E o Tiago, como toda a gente, já percebeu o que o BE é. Um saco de gatos, que cada vez mais seduzidos pelo poder ou pela sua perspectiva, e bem assim aproveitam todas as ocasiões para mostrar ao PS que são tão anti-comunistas como o mais reaccionário dos “xuxas”. O post é sobre a Greve Geral e para opinar sobre isso aconselho LAM, closer e afins a pedir ao Chora para lhes dar uma missa sobre o sindicalismo do futuro (aquele tipo de sindicalismo que faz Torres Couto parecer um revolucionário). Mas tem de marcar para depois do jantar semanal com o Manuel Pinho.

  23. LAM diz:

    Afonso Costa,
    quer dizer alguma coisa…?

  24. Portela Menos 1 diz:

    (…) à luz de alguns posts/comentários dos últimos tempos no 5Dias, acerca das presidenciais e do papel do BE, concluo que convidar a direcção da UGT/PS-psd para a greve geral de 24/11 é o mesmo que, ao votar Manuel Alegre, apoiar o PS-sócrates (…)

  25. Mafalda diz:

    http://www.youtube.com/watch?v=pZonZntFU7Y e o povo pa?!o povo é quem mais ordena…e enquanto não entenderem isso não vão fazer é nada…nada de dizerem que são reaccionários!

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