Do patriotismo


Sou dos que não canta “A Portuguesa”. O meu hino, aquele cântico em que valorizo cada palavra, que entoo com toda a força e que me faz sentir fazer parte de um todo composto por quem comigo canta, sempre foi a “Internacional”. A luta contra a exploração e por uma sociedade mais justa, livre e democrática deve fazer-se sem fronteiras com os povos e camaradas de todas as pátrias.
Contudo, tal como não partilho a ideia que qualquer regime que se diga socialista representa um avanço, não acredito na tese negrista que todo e qualquer política que retire poderes aos estados-nação seja um passo adiante para o socialismo.
Nos últimos anos, a par da progressiva perda de poderes dos Estados europeus, emergem entidades abstractas e sem rosto que condicionam, ou melhor, impõem as medidas políticas fundamentais (ECOFIN, agências de rating ou FMI) de cada um dos governos. Se os governos são entidades objectivas que se sujeitam ao voto popular, estes organismos supra-nacionais descentram o ponto de conflito e, sobretudo, tornam-no imaterial.
Na Europa, defender que o centro de decisão se mantenha nas instituições democraticamente eleitas pelos povos de cada um dos Estados membros, é condição essencial para a determinação de objectos políticos e dos centros de luta. Assim sendo, no actual contexto, não me surpreende que a candidatura de Francisco Lopes à presidência da república se apresente como patriótica e de esquerda – tal como a de Jerónimo de Sousa há 5 anos, e também não me surpreende que o reinante e mediático anti-comunismo primário tente, até ao absurdo, confundir esta ideia com as dos movimentos nacionalistas e racistas que emergem por toda a Europa.

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18 Responses to Do patriotismo

  1. Anonimo diz:

    A justificação é fraca… Desta vez não levam o meu voto, porque definitivamente não voto em “patriotas” e outros defensores do conceito de “pátria”, em si, rançoso e a cheirar a mofo de outros tempos…

    E não existe nenhum argumento que me convença a apadrinhar tal noção… Pois não me revejo numa “pátria”… apenas vivo num país!

  2. augusto diz:

    Anti-comunismo primário….mude a cassete Tiago

  3. paulo diz:

    o que tem a internacinoal hino contra a exploração humana em comum com a portuguesa, hino de portugal.
    sinto-me longe dos problemas do mapa cor de rosa mas sinto o hino de portugl com orgulho.
    qual a razãoda sua vergonha
    a esquerda patriotica é só a fingir……………
    desculpe,mas que merda de post

  4. Diogo diz:

    Eu não me importaria de uma Europa de regiões com um governo europeu. Mas tudo com representantes eleitos. Nada de figuras pardas, como os comissários europeus, que ninguém sabe de onde saíram.

  5. Abilio Rosa diz:

    Um das maiores mistificações e fraudes intelectuais da actualidade é considerar que a ideia de «pátria» está fora de moda ou que a mesma é contraditória à ideia da luta de trabalhadores em toda a Europa e em todo o Mundo.

    Mesmo nos tempos áureos das democracias populares , o conceito de «pátria» nunca foi desprezado e toda a organização politica neste bloco politico-militar obedecia preferenciamente a este conceito, que ambrange um povo, uma cultura, uma língua, uma identidade.

    O que devemos realçar é a soma das diversas pátrias num esforço conjunto de cooperação e desenvolvimento.

    Um dos mitos dos gúrus «espirituais» da actual «globalização» é anular as identidades dos povos e das pátrias, não para atenuar as diferenças que existem (e sempre existirão!) mas para melhor implementarem o seu programa de domínio e itensificação da exploração.

    O Partido Comunista não se ilude com essas utopias. É, por tradição e história, um partido internacionalista e solidário com a luta de todos os trabalhadores no Mundo e com a luta de libertação e progresso de todos os povos e nações, mas também, por tradição e história, o Partido Comunista Comunista é um partido que tem as suas raízes neste território e onde vai buscar a sua força no seio deste povo.

    É curioso notar que o nosso Partido Comunista, é o único partido em Portugal que tem o gentílico PORTUGUÊS, ao contrário dos outros partidos (parlamentares ou não) que são agências de franchising de interesses estrangeiros e de ideias politícas importadas.

    Ser patriota e ser solidário com os trabalhadores de toda a Europa e com a luta de todos os povos não é nenhuma contradição.

    Contradição e antipatriótico é aplicar em Portugal as «receitas» legislativas, governativas e financeiras de Bruxelas, Wasghington, Frankfurt, Paris ou do FMI.

    É neste contexto que a candidatura de Francisco Lopes se apresenta: uma candidatura PATRIÓTICA e de ESQUERDA.

    Não tenhamos ilusões. Não vão ser os espanhós, alemães ou italianos que vão resolver os nossos problemas.

    Vão ser os portugueses.

  6. Lamento, Tiago, mas não te acompanho nessa de não cantares o Hino Nacional. Eu canto. E canto a Internacional. E o «Avante!». E o traz outro Amigo também. E tantas.
    Quanto ao Hino: nunca tinha percebido que os homens da Carbonária cantaram «A Portuguesa» com entusiasmo. Não foram só os da Maçonaria. E nesse tempo é preciso ver quem é quem.
    Por mim, acho que deves começar a cantar o Hino, pá.

  7. Fernando diz:

    Abílio Rosa: relembro-o de um comentário em que o provoquei há uns dias, que abordou de um modo muito directo o conceito de “pátria” na URSS. Relembro-o do que disse: Moscovo até a manutenção da língua negou aos países bálticos (aos outros não sei). Comparei isso ao fascismo de Franco. Certamente estamos de acordo, ou nem por isso?

  8. J diz:

    Conquentão o FMI é uma entidade abstracta… Está boa esta.

  9. Anonimo diz:

    “Não tenhamos ilusões. Não vão ser os espanhós, alemães ou italianos que vão resolver os nossos problemas.
    Vão ser os portugueses.”

    É impressão minha ou este discurso roça de leve a xenofobia?

    No país em que vivo são as pessoas que lá estão que resolvem os problemas… não apenas aqueles que têm um bilhete de identidade português!

    E se os que fizerem algo para a mudar a actual situação forem espanhóis, alemães ou italianos… qual é o problema?

    Não engulo essa do “patriotismo” e da “soberania nacional”, e não me considero menos comunista por isso, oh camarada Abílio!

  10. helder diz:

    O anonimo é daqueles que faz essa confusão.

    Pela minha parte, jurei bandeira com 21 anos (não com 12) e tendo-o feito em consciencia pretendo honrar esse juramento.

  11. subcarvalho diz:

    …só me apetece dizer para aproveitar os fogos de verão, pelo menos os do próximo ano, para queimar tudo o que é bandeira e hino, símbolos nacionalistas e cheios de “fronteiras”…mesmo que venham para aqui alguns falar de pátria e internacionalismo!!
    Esta merda só se resolve mundialmente e nunca num só país!

  12. Abilio Rosa diz:

    Este «Sub-Carvalho» é um anarquista doido.

    Não respeita os símbolos nacionais nem a História do nosso povo.
    Este amigo tem que ser recrutado para o serviço militar obrigatória para ele saber como custa ganhar uma bandeira!!!!!

  13. Renato Teixeira diz:

    SubCarvalho, não encontro o seu mail. Pode contactar-me novamente?

    (Desculpa a intromissão Tiago. Sobre o tema continuo sem perceber muito bem esta coisa do internacionalismo patriótico, confesso. Não obstante, bom começo na tentativa de o explicares.).

  14. Fernando diz:

    O Camarada Abílio só se pode pronunciar sobre a parte obscura da História da URSS depois de consultar o Comité Central?

  15. Abilio Rosa diz:

    Fernando:

    O camarada Abílio declara para os devidos efeitos que a gloriosa história do verdadeiro socialismo (não confundir com o «sucialismo» que há por aí) e bem assim a história da libertação dos trabalhadores e dos povos, nunca foi nem é linear.

    Obviamente que houve excesso de zelo em situações de contigência, quer de «guerra quente» ou de «guerra fria».

    Situações essas que foram corrigidas e denunciadas no seio do ex-PCUS, como está registado na História.

    Mas hoje, já estamos no sec.XXI e o mundo não pára nem podemos estar sempre a chafurdar nesses erros.

    Acho que todos aprendemos com erros, embora o Partido Comunista nada tenha a ver com isso e é com muito orgulho que lhe digo que o P.C.P. é um partido com paredes de vidro, ao contrário dos outros que não passam de extenções de sindicatos financeiros, conglomerados financeiros ou sociedades secretas.
    Esta é que é essa!

  16. helder diz:

    Ó Abilio, quem luta pelo fim das fronteiras o fim de os países serem srs. do seu destino e o fim das moedas nacionais é o grande capital, não te faz pensar?
    A “grande união” só seria possível numa fase de maior igualdade entre os povos, pelo q ainda é cedo para deixar cair a bandeira.

  17. Abilio Rosa diz:

    Helder:

    Você compreendeu mal.

    Não advogo que se baixam as bandeiras nacionais.

    A bandeira portuguesa tem que estar em igualdade de circunstâncias com todas as bandeiras do mundo.

    Não te esqueças que o P.C. é português, por isso é que exibe orgulhosamente a sua sigla e logotipo PCP.

  18. helder diz:

    Rosa,
    as minhas desculpas, pensei que estavas a ser irónico.

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