PORQUE É QUE O ‘QUEER LISBOA’ TEM HOJE UM ESPAÇO EM BRANCO NA PROGRAMAÇÃO?

John Greyson retira os seus filmes do Festival Queer Lisboa 14

Na sexta-feira 17 de Setembro, dia da inauguração do festival de cinema Queer Lisboa 14, um grupo de activistas manifestou-se frente ao cinema São Jorge contra o facto de este festival ter aceitado um apoio da embaixada israelita. Desde 2005, Israel encontra-se sob uma campanha internacional de boicote, à imagem do que aconteceu com a África do Sul no tempo do apartheid. Os êxitos desta campanha são numerosos, sendo um dos mais recentes a decisão do ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos de cancelar a visita de uma delegação de autarcas israelitas, depois de ter descoberto que essa delegação integrava autarcas de vários colonatos da Cisjordânia. As organizações promotoras* desta acção de protesto reuniram-se com os organizadores do festival, não conseguindo convencê-los a devolver o apoio recebido, como têm feito outros festivais de cinema em vários países. A aceitação do patrocínio de um Estado de ocupação colonial visado pela campanha BDS – Boicote-Desinvestimento-Sanções – é uma atitude política que torna a direcção do festival cúmplice do apartheid israelita. Ao tomar conhecimento deste facto, o realizador canadiano John Greyson, distinguido no festival do ano passado com o prémio do melhor documentário, retirou (além de várias curtas-metragens) o seu novo filme, que deveria ser exibido hoje no âmbito do festival. Abaixo, segue a carta (traduzida por nós) que Greyson enviou à direcção do Queer Lisboa 14, na pessoa do seu presidente.

*Comité de Solidariedade com a Palestina – UMAR, União Mulheres Alternativa e Resposta – SOS Racismo – Panteras Rosa, Frente de Combate à LesBiGayTransfobia – Pobreza Zero – GCAP – Portugal Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque – Colectivo Múmia Abu Jamal – Ass. Amizade Portugal-Sahara Ocidental

“Caro João escrevi-te há uns dias, manifestando as minhas preocupações sobre o financiamento que o vosso excelente festival Queer Lisboa recebe da Embaixada israelita (bilhete de avião, envio de material impresso, etc.). Como sublinharam activistas queer, tanto palestinianos como portugueses, este financiamento viola o apelo de 2005 da sociedade civil palestiniana, que pede aos artistas e académicos para boicotarem o Estado israelita, em protesto contra a ocupação que prossegue. Respondeste-me (e aprecio o teu esforço, sabendo como certamente estás ocupado!), que este financiamento é usado apenas para apoiar a participação de realizadores de filmes israelitas no vosso festival – não é usado para turismo ou branqueamento, ou para promover de qualquer modo o Estado israelita. E no entanto … não é precisamente isso que a PACBI (Palestinian Academic and Cultural Boycott of Israel) identifica como a cortina de fumo da “normalização”, a ilusão do business-as-usual — intercâmbio cultural “inocente” com o Estado israelita como forma de desviar as atenções da sua guerra em Gaza, do seu massacre da flotilha, da sua construção de novos colonatos? Receamos que o Estado israelita continue a proceder como um energúmeno pária, ignorando toda a pressão internacional, enquanto um intercâmbio cultural desse tipo continuar a recompensá-lo, emprestando-lhe verniz à sua alegação de ser um Estado pró-queer. Dizes tu que simpatizas com as questões levantadas – e, na verdade o Queer Lisboa é a justo título reconhecido como um dos mais respeitados festivais queer do mundo, com a vossa notável programação passada e presente a atestar a vossa esclarecida visão do cinema queer, que destaca as nossas diversas vozes, as lutas globais e as aspirações de activistas. Dizes que não há tempo para tratar agora desta questão – que a tua equipa se debruçará sobre ela uma vez que tiver acabado o festival deste ano. E, no entanto (embora eu possa certamente imaginar as circunstâncias específicas que vocês vivem), parece-me que do ponto de vista logístico é possível recusar HOJE o patrocínio da Embaixada israelita e encontrar uma fonte alternativa para pagar ainda o bilhete de avião em causa (Tel-Aviv-Lisboa, ida e volta, anda pelos 600 dólares). Podemos trabalhar juntos para encontrar uma solução. Lembra-te que ninguém te pediu para cancelares a presença do filme ou do realizador – exactamente o contrário. O que te pedimos para cancelares é o financiamento do próprio Estado israelita. Isto é o que Ken Loach pediu ao Festival de Edimburgo em 2007, quando soube que eles tinham aceitado 33 libras do consulado israelita. Depois da devida ponderação, o festival concordou com ele e recusou o financiamento, encontrando outras fontes para cobrir os custos e alojar os seus realizadores israelitas. Não poderás tu fazer a mesma coisa’. Eu senti-me muito honrado quando o meu filme Fig Trees recebeu o prémio para o melhor documentário no ano passado. Senti-me muito honrado quando vocês escolheram o meu filme Covered para o vosso festival deste ano. E contudo, não posso em boa consciência participar de um festival que (passivamente) ajude a branquear o Estado israelita, mesmo que indirectamente. Se para vocês não é possível recusarem este financiamento da Embaixada, então é com grande tristeza que tenho de retirar o filme Covered do vosso festival. Este último ano foi palco de uma notável vaga de solidariedade queer para com a Palestina. Activistas queer como Judith Butler, Zackie Achmat, Sarah Shulman e Haneen Maikey pronunciaram-se, juntando as suas vozes às de grupos em Madrid, São Francisco, Toronto, Israel, na Margem Ocidental e agora em Lisboa, todos eles levando a cabo acções em apoio ao movimento de base BDS (boicote, desinvestimento e sanções), que é cada vez mais visto como a nossa maior oportunidade de contribuir para uma paz justa e duradoura na região. Junto com muitos outros, eu tenho a firme convicção de que nós, realizadores queer (e festivais queer) temos de cerrar fileiras e responder ao apelo dos nossos irmãos e irmãs da Palestina, protestando contra a violência de uma ocupação que atinge toda a gente, sejam gays ou heteros. Recusem o financiamento. Façam passar o chapéu para cobrir o preço do bilhete. Juntem-se a nós.

Sinceramente, John Greyson”

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25 respostas a PORQUE É QUE O ‘QUEER LISBOA’ TEM HOJE UM ESPAÇO EM BRANCO NA PROGRAMAÇÃO?

  1. antifa diz:

    O que é o “Colectivo Múmia Abu Jamal”?

  2. xatoo diz:

    a EGEAC que é a entidade que gere o São Jorge é useira e vezeira neste tipo de manipulações grosseiras.
    Aconteceu o mesmo ali há pouco anos com a estreia em Portugal do filme “Sandino” protagonizado pelo Joaquim de Almeida e inédito no país (nos EUA as cópias para as distribuidoras foram todas compradas pel CIA, porque o realizador era um chileno exilado em Madrid e estava ainda quente o golpe do Pinochet)
    A EGEAC vendeu bilhetes para a sessão e realmente o filme começou a ser exibido.. mas pelas últimas sequências, pela parte final cuja duração não ultrapassou os 10 minutos. Descoberto o logro pela pateada dos espectadores a sessão foi suspensa, não houve explicações, o dinheiro dos bilhetes foi devolvido com um lacónico “houve um engano no envio do distribuidor, só nos chegou a última bobine”.
    Concluindo, “Sandino” continua inédito em Portugal

  3. Orlando diz:

    É com tristeza que vejo que os organizadores do 14 Festival Queer Lisboa não dão voz a quem sistematicamente tem sido calado durante anos. A opressão, seja ela de que tipo for é sempre de condenar, tal como a discriminação. Posso dizer que no entanto fui ver já dois filmes a este festival, mas sinto-me triste, a meu ver a organização não precisa de ter o apoio de quem discrimina pessoas e exerce sobre elas as mais cruéis barbaridades. Toda e qualquer minoria deve ser respeitada, os gays e lésbicas sempre foram perseguidos ao longo da história, por amarem de maneira “diferente”. Os organizadores do festival não tiveram isso em conta, tem se mostraram solidários para com aqueles que neste momento sofrem na pele a ocupação de um estado que não é o de Israel, mas sim terra de Palestinianos. Enquanto o festival acontece, quantos palestinianos foram mortos ou torturados, por estarem a reivindicar a terra que é sua por direito.
    Meus senhores não havia necessidade.
    Não me digam que aceitariam também fundos vindos de associações ou partidos como a Frente Nacional do Le Pen ?????????
    Para o ano revejam esta situação que a meu ver vos deixa um pouco embaraçados.
    Quanto ao festival, nada a dizer, muito bom, sem duvida, um dos melhores que Lisboa assiste.

  4. Não percebo nada disso.

    Mas estive à conversa com uns amigos meus de antanho que vão lá hoje, do Estoril, ver umas “curtas” de um gajú John qq. coisa que eles axam que vale a pena…

  5. Pelo visto, já não vão…

    🙁

  6. kabé diz:

    Louvo a posição do QUEER 14 em não ceder a pressões e ameaças de boicote. Acredito que o objectivo do Festival é simplesmente divulgar bom cinema, de temáticas QUEER, sem qualquer tipo de preconceito, quer em termos de género, raça/etnia, sexualidade, religião ou filiação política. Acredito no trabalho sério dos programadores e no seu empenhamento na escolha dos filmes. Nunca senti em nenhum filme qualquer tipo de propaganda gratuita relativamente a que temática fosse.

  7. Orlandinho diz:

    Caro Orlando sabe o que os muçulmanos/palestinianos fazem aos queer?

    Enfim… A cegueira é muita.

  8. Kabé, a questão não é nem nunca foi o conteúdo dos filmes, mas a colaboração com uma das vias escolhidas pelo estado de Israel para se vender como país de direitos humanos, quando sujeita a população palestiniana a uma opressão que viola toda e qualquer dignidade humana, todo e qualquer respeito pela vida. E está enganado, o Queer Lisboa, que é um festival de cinema, não deixa de ser um festival enquadrado num movimento social que luta por direitos. Por isso mesmo, tem uma carta de princípios (ex. recusa “de todas as formas de racismo”), e eles são claramente violados com a aceitação deste apoio.

    Orlandinho, pior do que a cegueira é a demagogia. Depreendo do seu comentário duas ideias: 1) a de que a homofobia de Estado em alguns países árabes justifica o massacre de populações palestinianas por Israel – ou seja, uma violação dos direitos humanos justifica outra ainda pior…
    2) uma cegueira completa quanto aos países árabes. Para si, são todos iguais, comportam-se todos da mesma forma. Naturalmente, nesses países, são todos homofóbicos (ou seja, não há árabes ou muçulmanos queer)… E no entanto, se pesquisar na internet, é tão fácil aprender que não é assim. No Líbano (contra o qual Israel travou uma guerra suja muito recentemente, deixando o país, mais uma vez, em escombros), na Síria, em Marrocos, na Argélia, em vários outros países árabes do magreb e médio oriente, as situações são diversas, existem movimentos LGBT emergentes ou já relativamente desenvolvidos, e não ajuda em nada ao crescimento desses movimentos LGBT, para que transformem as suas sociedades como temos feito com a nossa, ignorá-los, apagá-los e tratar o mundo árabe ou muçulmano todo por igual. Lamento se o desiludo, mas isso da vida a preto a branco, ou de categorias que abrangem por igual regiões inteiras do mundo e milhões de pessoas, é uma ficção sua. Nem a vida, nem o mundo são assim tão simples. Muito menos a situação d@s queer no Médio Oriente: nem Israel é um paraíso (mas tem havido avanços na abolição das leis homofóbicas), nem os países seus vizinhos são todos como o Irão, nem as pessoas LGBT são violentamente perseguidas em todos eles, pelo menos não mais do que o eram em Portugal há 10 ou 15 anos atrás.

  9. Luís Hipólito diz:

    Sou o primeiro a solidarizar-me com a causa Palestiniana. Contudo, sou mais pelos embargos políticos, a quem de direito (falo obviamente das mais altas patentes que têm o poder decisório), e não tanto pelos embargos culturais (sobretudo porque em Portugal a cultura tem pouca visibilidade política). Também não sou pelos entraves vindos de dentro, quando só remando no mesmo sentido se pode fazer alguma coisa de edificante e construtiva pela causa…falo agora da causa que também vocês pretendem defender: a da sexualidade, e que, o Festival Queer, promulga de forma tão única e seria. Mas claro que é mais fácil começar a “ceifar” o elo mais fraco o que, curiosamente, é uma medida contraditória com o propósito do Vosso manifesto e mesmo do Vosso percurso, não?

  10. Leo diz:

    “nem Israel é um paraíso (mas tem havido avanços na abolição das leis homofóbicas), nem os países seus vizinhos são todos como o Irão” ????

    Acho incrível que o Sérgio Vitorino instrumentalize os palestinianos para atacar o Irão! Temos afinal gato escondido com rabo de fora. Vergonhoso, simplesmente vergonhoso!

  11. O que eu acho incrível é o seu perfil provocatório, Leo. O Irão é um país que aplica pena de morte para actos homossexuais, a mulheres por adultério e noutros casos – sou contra a pena de morte em qualquer caso. É neste contexto que falamos, não pretendo demonizar o Irão, nem nenhum outro país. Mas você já não está a falar comigo há algum tempo, e eu felizmente não tenho de o aturar.

  12. Para o Luis Hipólito: ceifar o elo mais fraco implicaria que estivéssemos a apelar a um boicote ao Queer Lisboa ou que tivéssemos desenvolvido algum tipo de acção hostil para com o mesmo. Não o fizemos – a atitude do realizador John Greyson, aliás, é de mote próprio), e isto apesar de estarmos a alertar o evento para o problemático apoio da embaixada de Israel há já um ano – tempo mais do que suficiente para o Queer Lisboa tomar uma atitude de mote próprio.
    Ceifar o elo mais fraco, implicaria também que o Queer Lisboa fosse o único alvo da campanha mundial pelo boicote a Israel cá em Portugal. Não é, não está a ser e não será. O próprio folheto distribuído à porta do Queer Lisboa listava uma série de outras intervenções já decorridas.
    Querer ceifar o que quer que fosse, implicaria também que os/as activistas LGBT envolvidos nesta situação não entendessem o valor e a importância do Queer Lisboa. Por isso mesmo se tentou por várias vias convencer o evento a dissociar-se do apoio da embaixada de Israel sem uma intervenção pública dolorosa, sem nenhum ataque dirigido ao próprio Festival, pelo contrário, valorizando-o. Na verdade, exigir a dissociação do Queer Lisboa do apoio da embaixada de Israel é defender o evento, recordar-lhe os princípios da sua própria carta de princípios (sim, não é só cinema, é cinema num contexto nascido do movimento LGBT), protege-lo da associação a um Estado cujo comportamento exige uma “lavagem de cara” internacional à qual o tema LGBT tem dado muito jeito. Se é realmente solidário com a causa Palestiniana, entenderá isto mesmo.

  13. Abilio Rosa diz:

    Tenham a santa paciência, mas o camarada Abílio não «queer» nada.
    Não lhe apetece…

  14. Leo diz:

    “É neste contexto que falamos, não pretendo demonizar o Irão” mas foi precisamente isso que fez. A cegueira é tal que nem repara no que faz.

  15. LGF Lizard diz:

    Os gays também têm o direito de não gostar de judeus.

    O anti-semitismo grassa pela extrema-esquerda como um incêndio numa floresta portuguesa em pleno verão.

    Até quando?

  16. António Figueira diz:

    E até quando é que vamos ter de gramar imbecis a chamarem anti-semitas a todos os críticos do Estado de Israel?

  17. Orlando diz:

    Bom dia Sérgio
    Ou não me fiz entender no meu comentário, ou então o Sérgio entendeu tudo ao contrário.
    1º Não disse que os países árabes eram todos iguais, falei na discriminação: “A opressão, seja ela de que tipo for é sempre de condenar, tal como a discriminação”. Logo aqui condeno qualquer tipo de discriminação. Mas também condeno a violência perpetrada por Israel, pela hegemonia de uma determinada área de território que não é sua, que ocupou e da qual expulsou os seus habitantes, neste caso os palestinianos.
    E em 2º “Orlandinho, pior do que a cegueira é a demagogia.” Essa desculpe, mas não entendi. Eu nunca referi no meu comentário de que os países árabes seriam todos iguais, porque o não são de facto. Respeito as culturas, não respeito aqueles que apedrejam mulheres que dizem ter praticado adultério, sou determinante contra a pena de morte, seja em que circunstancias forem, sou contra a discriminação de que tipo for, contra as mulheres, contra os gays, Olhe no fundo sou pelo respeito pelo próximo e pela paz. Será que no seu entender isto é ser demagógico ???? Então serei demagógico.
    Quanto à questão em si, continuo a pensar que o festival não deveria ter aceite este patrocínio pq tal como referiu, Israel tenta-se limpar da porcaria que faz, usando este tipo de movimentos. Fora isso está tudo bem.

  18. Orlando diz:

    Desculpe Sérgio

    Agora é que eu vi, alguém colocou um comentário com o nome de Orlandinho, como me chamo Orlando, pensei que fosse para mim e me estivesse a gozar, as minhas sinceras desculpas.
    Mas é estranho, logo o meu nome que até não é muito vulgar.
    As minhas desculpas. Já percebi que a sua resposta é para o Orlandinho e não para mim o ORLANDO. Respirei de alivio, lol lol lol.

  19. Leo diz:

    Segundo o Sérgio Vitorino: “Desde 2005, Israel encontra-se sob uma campanha internacional de boicote (…). A aceitação do patrocínio de um Estado de ocupação colonial visado pela campanha BDS – Boicote-Desinvestimento-Sanções – é uma atitude política que torna a direcção do festival cúmplice do apartheid israelita. (…)”

    Só a direcção do festival deste ano é que é cúmplice do apartheid israelita? Mas ainda em 2008 – três anos depois do lançamento da campanha BDS – tinham todo o gosto em publicitar o apoio institucional da Embaixada de Israel, certo?

    As organizações promotoras (Comité de Solidariedade com a Palestina – UMAR – SOS Racismo – Panteras Rosa, Frente de Combate à LesBiGayTransfobia – Pobreza Zero – GCAP – Portugal Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque – Colectivo Múmia Abu Jamal – Ass. Amizade Portugal-Sahara Ocidental) só agora acordaram ou pura e simplesmente prestaram-se a fazer um frete recorrente ao John Greyson?

    http://www.queerlisboa.pt/fest_12/PT/iframe_acerca_fest_12_pt.html

  20. sérgio vitorino diz:

    Leo, continua a mijar fora do penico. http://panterasrosa.blogspot.com/2009/10/apoio-da-embaixada-de-israel-ao-queer.html

    Este exemplo é do ano passado, e foi a primeira vez que viemos a público com o assunto. O que não significa que não tenha havido contactos anteriores sobre o tema com o queer lisboa, mas apenas que a partir do ano passado passámos a público com o assunto.

    Esytá a começar a faltar-lhe a imaginação para saber por onde pegar, não é?

  21. Leo diz:

    Confirma então que até 2008 pactuaram com o apoio institucional de embaixadas estrangeiras, incluindo a de Israel. Estou esclarecidíssimo.

  22. sérgio vitorino diz:

    Leo, bardamerda, para ficar ainda melhor esclarecido.

  23. Salah ad Din diz:

    Se as burras do Queer Lisboa não puserem termo para o ano ao colaboracionismo com a embaixada da entidade nazi-sionista, terão que ser tomadas medidas mais enérgicas e dolorosas contra essas prostitutas sionistas…

  24. ezequiel diz:

    Leo,

    não vale a pena. eles já decidiram que israel é um estado apartheidesco, imperial-colonial…como tal, merece ser boicotado.

    este boicote (BDS) foi solicitado por cerca de 170 ONG’s palestinianas às se juntaram outras iniciativas europeias e norte americanas.

    a primeira pergunta: existem organizações NÃO-governamentais nos territórios da AP e do Hamas?

    a resposta é não.

    muitas destas ditas ONG’s são meras extensões de regimes que não toleram gays etc (punições sumárias etc).

    poderíamos sugerir um boicote à AP e ao Hamas por permitirem e participarem activamente na perseguição de gays na palestina, muitas vezes sob a fachada de ONG’s como as que solicitaram o boicote BDS??

    isto não interessa para estes senhores. o que interessa é que israel é um império apartheidesco opressivo. israel está a ser punido não pelo facto de ser um país onde os gays vivem em paz e liberdade mas por ser um malévolo IMPÉRIO.

    meus senhores, toda a liderança Palestiniana defende, implicitamente ou explicitamente, a exterminação do estado israelita. o egipto e a jordânia reconheceram de facto o direito da existência de israel.

    receberam em troca da paz os territórios que perderam em guerras de agressão que iniciaram (para o Abilio). é um facto histórico. que raio de império é este?

    a liderança palestiniana (incl AP) pretende a exterminação do estado de israel. enquanto defender tal propósito, jamais terá um estado. quem, em israel, é que pode querer um estado vizinho liderado por uma classe política que nega o direito de existência de israel e advoga abertamente a eliminação do estado judeu e do povo que este estado defende?

    a resposta parece-me óbvia: NUNCA.

    podem esperar sentados. nem com mil caravanas, ou com centenas de hipócritas oportunistas como Galloway…

  25. Sérgio Vitorino diz:

    O seu comentário é extraordinário, ezequiel. A pretexto de nos convencer que o conjunto da liderança palestiniana quer o extermínio de Israel (!), tenta fazer ignorar que Israel está, de facto, a exterminar a população palestiniana. Em Gaza morre-se de fome e falta de medicamentos, neste preciso momento. Israel É um país de apartheid, quem o afirmou pela primeira vez foi Botha, o dirigente sul-africano do apartheid, quando Israel era o último país que furava alegremente o boicote àquele país.
    Registo também, nos últimos dias, a súbita preocupação anti-homofóbica de tantos e tantos escribas que nunca tinha visto sequer pronunciarem-se sobre o tema.
    Como activista LGBT, mantenho: quem trate o problema da homofobia no Médio Oriente caricaturizando Israel como um paraíso homossexual e os países circundantes como sendo todos monstros homofóbicos sem nuances e diferenças, está na verdade a contribuir para oprimir ainda mais a população LGBT nesses países, destruir os movimentos LGBT emergentes numa série deles – que não, não estão a ser doentiamente perseguidos por estados fascistas – e a prejudicar o próprio movimento LGBT em Israel.
    Não nos deixaremos ir em cantigas que queiram apagar a repressão da homossexualidade nos países árabes, nem usar por discursos de ódio anti-árabes ou que neguem ou exagerem os avanços conseguidos pelos movimentos LGBT quer em Israel, quer noutros países da região.

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