Despedimentos em Cuba

A notícias da saída de 500 mil trabalhadores da função pública cubana são más. Não porque essa gente vai ficar desempregada, serão todos transferidos do sector público para o privado, mas porque o papel dos sindicatos reduz-se a dizer amém ao partido e ao Estado.
Qualquer sindicato devia primeiro consultar esses trabalhadores e defender os seus interesses, em vez de funcionar como uma repartição do Estado.
Mas isso não justifica que a malta para quem o Sócrates é a luz das sua vidinha esteja tão amofinada com os despedimentos em Cuba. Essas preocupações laborais não condizem com as sandálias. Nunca se lhes leu uma só linha sobre os milhares de pessoas que foram colocadas em listas de excedentários na função pública portuguesa. Jamais protestaram contra o facto de o Instituto do Emprego e Formação Profissional não conseguir explicar como fez desaparer mais de 300 mil pessoas das listagens de desempregados: para eles, tudo o que sirva o Sócrates, mesmo que seja a “martelar” números de desemprego é bom. Do mal o menos, saudemos a sua aproximação às questões laborais… nem que seja em Cuba.

Nota1: Já para não falar no PSD que sonha com o despedimento “livre” dos trabalhadores, a que dá o nome de causa atendível.

Nota2: O que incomoda essa gente não é que o PCP apoie o governo cubano, mas que seja contra o despedimento que eles pretendem de trabalhadores portugueses. Isso é que verdadeiramente os chateia.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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