Elogio marxista ao fast-food

Há um complexo, na esquerda, com a comida rápida. Sem nenhum problema, eu próprio assumo o meu. Durante anos evitei ir a qualquer que fosse a cadeia alimentar, com medo de ferir duplamente o meu orgulho revolucionário e a minha saúde. Nada mais hipócrita.

Um dos momentos que me ajudou a tomar consciência do problema foi durante o lançamento do jornal Mudar de Vida, na Casa Viva, no Porto. Durante o debate, que se queria sobre a importância da informação alternativa face aos meios de comunicação social dominante, a intervenção de uma vegan furiosa transformou um debate interessante numa sessão sobre frangos de aviário.

Segundo a rapariga, no dia e na hora da revolução, a par dos seres humanos, havia que libertar os bichos. Tudo em igualdade de circunstâncias. Deveria impedir-se os famélicos da terra de entrar porta a dentro do aviário para depenar e devorar os pitos. Ao desenvolver a teoria, os argumentos eram tão válidos como a equiparação do direito daquelas aves aos humanos, que entre outras características tem em sua posse um polegar opositor e um encéfalo altamente poderoso. Debati este tema com outros vegetarianos mais sérios e fundamentados, ou mesmo com omnívoros de princípios rígidos, mas o fim da linha é sempre a compreensão do problema produtivo.

Enquanto não podemos, todos, comer comida biológica, serei sempre a favor da subserviência dos frangos aos dentes das pessoas e à tirania dos electrochoques.

Não está em causa a defesa do fast-food tal como o conhecemos. Imagino que todos os que lutam por uma sociedade alternativa procurem que o homem novo refaça o mundo a partir do que existe e não a partir de abstracções. Nesse sentido, a capacidade técnica de levar comida rápida, potencialmente saudável e a baixos custos, a todas as bocas do planeta é naturalmente uma possibilidade que deveria seduzir todos os humanistas.

Assim sendo, fará sentido fechar as portas dos aviários e encerrar compulsivamente cada uma das unidades de comida rápida? Porque será que todo o reformista defende que o parlamento, a televisão, o jornalismo, a cidadania, todo e cada um dos capítulos da vida, são conceitos que podem ser refundados em nome de uma lógica mais solidária, e nunca assumem que isso pode perfeitamente acontecer com o Mac Donalds?

Todos os argumentos caem por terra. A destruição da floresta amazónica é uma catástrofe mas ela acontece não porque existe fast-food mas porque não há uma política agro-pecuária de e para o povo. A qualidade da comida é ela mesma uma faca de dois gumes. Lutaremos por ela, como é evidente, mas pergunte-se a quem passa fome se prefere má comida ou comida nenhuma. De resto, e sem um agravamento significativo dos custos, poderia tornar-se o fast-food em algo “ainda” mais saudável. Não estamos sequer muito longe disso.

Uma vez mais um caso prático. Quando posso escolher como sempre em casa e com a comida transformada pelas minhas mãos. Mesmo com alimentos de merda consigo fazer alguns milagres. Além de mim, boa parte dos meus amigos sublinham que a minha cozinha é de facto um dos melhores restaurantes da cidade. Ontem, porém, tive que almoçar e jantar fora por questões de ordem prática, o que para quem tem um filho redobra os esforços selectivos. O almoço foi no Mac e custou cinco euros por cabeça. Eu comi um Mac Menu qualquer sem molho, e o meu puto comeu filetes de peixe, cenoura crua e sumo de laranja natural. Ao jantar, num reputado restaurante da cidade, paguei 15 euros por cabeça, eu comi um bife cheio de gordura que parecia uma sola de sapato, frito em óleo e com o indispensável ovo estrelado. O meu puto teve que se contentar com um bacalhau à Brás com mais sal que ovo e quase sem bacalhau. Algo me diz que qualquer um dos dois ficou melhor servido ao almoço.

Para lá dos que organizam a alimentação em função das suas convicções, há os que têm as suas convicções determinadas pelas suas carências alimentares. Estou certo que eles darão uma resposta bem mais humana do que aqueles que fundam a sua consciência na alegada liberdade das galinhas.

Elogio marxista ao fast-food I

Elogio marxista ao fast-food II

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36 Responses to Elogio marxista ao fast-food

  1. luísa diz:

    este texto é tão blasé, que de marx só tem mesmo o título.

  2. umavoltanoparque diz:

    O equivalente menstrual do Macdonalds é o Tampax (por aí, vizinhos).
    Durante algum tempo usou-se a esponja marinha mas a dada altura decidiu-se que era (estúpido/abusivo/desnecessário-risque o que não interessa) usar animais mensalmente. Não CARO. Isso não estava em questão. Não SAUDAVEL, parece q até era bem. Era mesmo a questão de usar um ANIMAL (não planta).

    O que é completamente diferente da questão de dispor de comida em ambiente urbano. Como na cantina africana do MM ou no antigo pd do arco do cego, que tinha mesas para fazer a sandes (intencionais ou não, lá estavam a servir para isso). Um restaurante serve para saborear-a-pedido, não para se alimentar decentemente.

  3. umavoltanoparque diz:

    achei o post um bocado sarna-contra-os-zombis-comedores-de-cerebros-carnívoros; não ficou bem a nenhuma das partes…eh eh

  4. Renato Teixeira diz:

    Luísa, o seu comentário usa de forma mais inopinada o “blasê” do que eu uso o marxismo. Quanto ao resto, tenho um pressentimento que se ao invés de um Mac Donalds estivermos a falar de um kebab do médio-oriente, uma cantina afro ou uma lanchonete no brasil já achará alguma piada… Terei acertado?

    Uma volta no parque, zombies comedores de cérebros??? Da-se… Vai lá vai. Também já ou ouvi quem não beije carnívoros com o argumento do cinzeiro.

  5. Fernando diz:

    Leia o artigo do LMDiplomatique do mês passado, relativo à alimentação em tempos de crise. É incontornável: os pobres têm maior incidência de obesidade porque o que a cadeia produtiva consegue devolver a baixo custo tem péssima qualidade.

    É evidente que os anarco-vegetarianos que refere seriam ultra-autoritários ao obrigar a sociedade a aceitar os direitos dos animais. Eu digo desde já que me recusaria a vergar perante semelhante atitude. É uma questão interessante, contudo.

  6. O facto de ter escolhido um péssimo sítio para jantar não faz do sítio onde almoçou um bom restaurante. Por 15€ janta-se bem melhor em Lisboa (e no Porto então, 15€ pagam 2 bons jantares).

    Suponho também que aquilo a que chama “filetes de peixe” seja na realidade um equivalente ao aglomerado de madeira e que o “sumo de laranja natural” pouco mais tenha da laranja além da cor e do sabor. Daí que os fast foods e as suas apelativas escolhas “saudáveis” e saladas (com a alface nutricionalmente mais pobre, nozes velhas, etc) não sejam exactamente a melhor escolha nutricional para quem quer gastar 5 € para se alimentar.

    Há duas questões que a mim me parecem relevantes e que ficaram aqui de lado: 1), a dos grandes grupos empresariais versus o pequeno comércio, versão alimentar; e 2), as questões económico-alimentares. É que a proteína não vem apenas da carnicha nem é preciso comê-la todos os dias ao almoço e ao jantar. Há alternativas proteicas e tradicionais mais baratas, como por exemplo as lentilhas (ricas também em ferro).

  7. anonimo diz:

    “Enquanto não podemos, todos, comer comida biológica, serei sempre a favor da subserviência dos frangos aos dentes das pessoas e à tirania dos electrochoques.”

    O que tem a comida biológica a ver com o frango? O frango pode ser comida biológica também.

    Breve comentário ao texto: inconsistente, descuidado e idiota.

    Recomendo que faças o trabalho de casa. Depois separa os seguintes elementos:
    (1) sustentabilidade (e em como uma alimentação com menos carne é mais sustentável) e;
    (2) ética aplicada (James Rachels e Peter Singer, por exemplo).

  8. Renato Teixeira diz:

    anónimo, a referencia aos frangos está implícito o modo de produção intensivo.

    O texto é seguramente inconsistente se o olhar como a tentativa de fazer teoria geral sobre o assunto. Não é. É uma simples, e inconsistente, provocação.

    Para fazer teoria geral teríamos que ler Josué de Castro e a Geopolítica da Fome. Aqui uma abordagem mais ancorada: http://www.revistarubra.org/?page_id=58

    Lígia Paz, lentilhas vai muito bem mas ao segundo dia já não as posso ver. A questão não é do palato, mas da possibilidade de com os mecanismos tecnológicos do fast-food seria mais fácil vencer a guerra contra a fome. Seguramente que não conseguiríamos exportar um Gambrinus para cada canto onde a miséria persiste, mas umas boas rações de combate seria uma ajuda preciosa para o défice proteico de um terço do mundo.

    Relativamente à primeira questão que levanta importa dizer que o pequeno comercio estará sempre condenado enquanto as pessoas viverem abaixo do limiar de dignidade. Quem quer poupar não vai ao comércio justo. Vai ao Belmiro ou produz uma horta nas traseiras de casa.

    Não pretendo aqui discutir o problema da carne. Há fast-food vegetariano. Uma boa solução para a Índia, por exemplo.

    Fernando, confesso que deixei de ler o Le Monde Diplo. Eram demasiados artigos sobre a intensidade da democracia, sobre a cidadania activa, e sobre a alter-globalização. Preso em saber que voltou aos velhos tempos. Vou espreitar o do mês passado a ver o artigo de que fala.

  9. Por pequeno comércio não me referia ao comércio justo. E há exemplos de comércio pequeno, tradicional, que subsiste, nomeadamente através de estratégias como o cooperativismo e associativismo com as quais conseguem manter os preços competitivos. Pode não ser assim em Portugal, mas noutros sítios, é.

    Sendo a questão a fome no mundo – creio ter lido mais do que uma vez que – já há tecnologia e meios para a eliminar; assim como comida de sobra. Há apenas desperdício, má distribuição, e nenhuma vontade política.

    Pessoalmente parece-me que a atribuir a macro-empresas de fast-food a exploração do mercado alimentar global abrirá mais a porta aos trangénicos e etc (aos frangos do Evo Morales, por ex. 😉 ) do que a uma solução efectiva do problema.

  10. Pedro Pousada diz:

    Obrigado Renato por me dares a conhecer a obra e o homem Josué de Castro; aprender, sempre a aprender dizia Lénine e o pensamento deste insigne brasileiro abafa as frases ocas de muitos opinion makers desta terra desgraçada que fazem da fome um fenómeno natural como a chuva.

  11. o da boa-fé diz:

    Aviários: rações com óleo de camião usado; luz permanentemente ligada; berços de vírus, gripes e pandemias;

    Mc Donalds: onde a engenharia do aroma alcançou o auge na manipulação do sabor; transforma estômago humano em lixeira e merda humana em resíduo nuclear (5 euros parece-me muita massa para financiar tamanha transformação); dieta irracionalmente centrada na carne (a boca humana tem 32 dentes e apenas 4 caninos!!! arranquemos pois os outros 28 que não servem para comer carne); mega plantações de soja transgénica para alimentar o gado e desflorestar massivamente a floresta; obesidade, pois claro;

    Comida rápida/fodas rápidas: se até o gado come/fode devagar, porque terá o homem de comer/foder à pressa?

  12. xatoo diz:

    realmente é verdade, a gaja vegan dos frangos não interessa nem para uma canja aguada, mas como tal não deve esgotar nem desviar a atenção do essencial
    Um dos meios usados pela burguesia transnacional (a quem aproveitam as multinacionais) para “combater” a Pobreza é engordar artificialmente os pobres injectam-lhes comida rápida barata à base de sebo gorduroso nos centros comerciais. Um tipo que ingere aquilo fica com a sensação de saciado, isto é, que nem é pobre, mas apenas um gajo da classe média com aspiração a ser rico, mas que estará a passar por uma crise temporária (lol)
    Se ajuda alguma coisa, o artigo é de Isabel do Carmo no MDiplo e chama-se «O rendimento desce, a obesidade cresce»
    (não está online)

  13. Renato Teixeira diz:

    Muitas das preocupações que a Lígia e o da Boa Fé levantam são muito válidas. O quem e como produz determina todos os vossos, nossos, problemas. Vejamos.
    A qualidade e a manipulação. Qualquer um de vós, imagino, cozinha. Experimentem agora fazê-lo para 10, 20, 50 ou 100 pessoas. Sozinhos não irão conseguir, muito menos nas vossas cozinhas, urbanas ou rurais, de reduzida dimensão. Com produtos da horta, lá se ia a reserva do ano. E comprando com qualidade no comércio tradicional lá se ia o salário do mês inteiro.
    Aqui a Lígia avança uma solução interessante. Cooperativas e associações. Perfeito. O problema da dependência do Belmiro estaria resolvido. Mas como levar os bens, e a capacidade de os cozinhar, sem aquelas magníficas cozinhas onde tudo pode ser feito? Sem o espaço pensado para servir muitos (mesmo que menos bem) em detrimento dos espaços pensados para servir poucos (mesmo que muito bem)? Como conceber “cantinas” capazes de encher as barrigas do mundo?

    Aqui é o Xatoo a chamar à razão. O excesso de sebo; a alimentação saturada para os pobres; etc. Ora, como fiz questão de salvaguardar o que defendo é a técnica, não método nem o tempero.

  14. o da boa-fé diz:

    Agora um nadinha mais a sério:

    A política neo-liberal do Banco Mundial e do FMI, que tem no último meio século levado os países do chamado Terceiro Mundo a abdicar dos seus pequenos produtores/mercados locais (de cereal, fruta, cacau, carne, algodão…) e a seguir políticas de abertura ao mercado mundial dominado pelas corporations, é a grande responsável pela fome e miséria que proliferam em meio planeta. Com a abertura ao ‘mercado mundial’ sem aduanas desses países, um pequeno produtor do Chade ou do Quénia (ou de Portugal) não pode competir com os grandes produtores dos EUA, da Alemanha ou da Espanha. Tem por isso que deixar de produzir para o mercado local (que assim, em menos de nada, desaparece) e emigrar para a favela da metrópole mais próxima. Hoje, estima-se que 1 sexto da população viva nas favelas silenciadas pelos média.

    O sr. Teixeira defende a produção em massa de comida para alimentar os pobres. Usa pois uma metodologia patrocinada e testada pelo FMI e pelo Banco Mundial (de certo menos preocupados do que você com os pobres) para erradicar a fome. Poderá até conseguir erradicar a fome, mas aumentará substancialmente a dependência dos pobres relativamente às Corporations do agro-alimentar.

  15. Fernando diz:

    Deixem-se só fazer mais uma achega. Este é o típico confronto entre a esquerda socialista “antiga” e a “moderna” (chamemos-lhe assim). A primeira vê o comunismo como uma oportunidade de aproveitar os meios de produção do capitalismo, já muito desenvolvidos, e utilizar essas vantagens de massificação para satisfazer necessidades. A segunda, na minha opinião aquela que se vê mais a ir parar ao BE, segue uma filosofia mais “small is beautiful” e encara a própria existência da massificação como um fenómeno monstruoso, venha do capitalismo ou do socialismo centralizado.

    Eu revejo-me muito no Proudhon, que calha na segunda categoria. Adoraria que o Homem voltasse a gastar tempo a produzir as suas coisas, libertar-se do trabalho e voltar a produzir arte no dia-a-dia. (“Visão pequeno-burguesia”, segundo Marx…)

  16. Renato Teixeira diz:

    Boa fé o FMI e o Banco Mundial preocupados em acabar com a fome? O que eles procuram é aprofundar o monopólio, querem lá saber das proteínas, das vitaminas, das fibras ou dos produtos lácteos.

    Afirma que eu defendo a produção em massa de comida para alimentar os pobres e eu pergunto-lhe como é que o faz sem a produção em massa de comida?

    Quando às corporações leia o meu comentário anterior. Estamos a falar de produzir em massa mas onde no lugar da corporação surge a cooperativa. Se assim for o celeiro americano e francês produzirão mais, mas o valor dos produtos é definido em função de outra coisa mais linda do que o lucro.

  17. Renato Teixeira diz:

    É uma esquematização possível, Fernando. Não obstante, note, que a esquerda moderna nem sequer se dispõe a mudar o modo de produção capitalista, quanto mais caminhar rumo a Proudhon…

  18. paulo diz:

    que feio renato….censura

  19. Abílio Rosa diz:

    Quanto ao «fast-food» só tenho uma proposta a fazer a este «colectivo»: PROIBI-LO!

    Esses antros do consumismo desbragado (MCs, Chickens,telepizzas, pans,etc, etc) envenenam a nossa juventude e provocam obesidade mórbida, flacidez nos músculos e nos neurónios.

    Comidada saudável; exercício físico; contacto com a natureza;hábitos de leitura e aprendizagem; ocupações culturais e cientificas; serviço militar obrigatório,etc., eis as linhas gerais dum bom programa para a nossa juventude.

    Só com uma juventude sã, motivada e consciente é que poderemos atingir outros patamares de desenvolvimento.

    Não é com «fast food» numa mão, telémóvel noutra e mp3 no bolso ligado aos ouvidos com auriculares, que chegaremos a algum lado.

    Jovens: recusai estes «bens de consumo» que vos envenenam e alieniam.

  20. Renato Teixeira diz:

    Exactamente Paulo. Um comentário sobre Cuba achei que não ia ajudar à conversa. Vai um MacNugets?

    Com o último comentário do Abílio lá se vai a análise do Fernando…

  21. paulo diz:

    ok aceito mas fico À espera de um post
    quanto à fast food abomino, o comentário do abilio parece da mocidade portuguesa .)

  22. o da boa-fé diz:

    Sr. Teixeira,

    Não disse que a dupla FMI-BM queira acabar com a fome. Disse simetricamente o contrário: ela acabou com os pequenos produtores de todo o mundo quando impôs o mercado único no último recanto do planeta; e isso sim provocou a fome.

    Com isto, ela abriu as portas às corporations (do fast food e do resto) para, com a produção em massa (mediante os mecanismos tecnológicos que você tanto louva) de mercadorias, lucrarem com o fim dos pequenos produtores. E é nas ruínas da pequena produção que emerge o negócio milionário do fast-food (é um negócio não é?).

    Mas eis que o sr. Teixeira também já fala de cooperativas, de comida de qualidade, de crítica do lucro, de dignidade… O que resta afinal de ‘fast-food’ naquilo que defende? (É apenas a capacidade para produzir alimento em massa para todos?)

    (ps: que tipo de avença tem com a Mc Donalds? Pagam bem? É que também estou desempregado…)

  23. Abílio Rosa diz:

    Sr. Renato Teixeira:

    Realmente a visão proudhoniana do amigo Fernando sobre produção e a sociedade, faz-me lembrar aqueles fascículos das Testemunhas de Jeová, onde todo o mundo está calmo e sereno, e até o tigre convive em paz e harmonia com o cordeiro…

    Bonito sonho para uma noite de Setembro ao luar…

  24. Renato Teixeira diz:

    Exactamente Boa Fé. Só isso me atrai no fast-food. Sabia que um interlocutor com a sua perspicácia saberia numa curta troca de galhardetes, chegar ao cerne da questão.

    (ps: Mac não. Trabalhei em tempos para o Mac das pizzas. Um horror. Tudo artificial. Zero produtos naturais. E o salário uma merda.)

  25. Abílio Rosa diz:

    Paulo:

    Você nunca foi pioneiro nem conhece a história dos Pioneiros e da Juventude Comunista nos ex-países do bloco soviético, pois não?

    Os bons hábitos e as boas práticas não são de esquerda nem de direita.

    Mas para atingirmos objectivos tem que haver disciplina, aplicação e organização.

    Os soviéticos foram os pioneiros no espaço e noutras matérias porque incentivaram a sua juventude a estudar.

    Não se vai à Lua com um garrafão de Cartaxo debaixo do braço, compreendes?

  26. Fernando diz:

    Abílio Rosa mas se o poder caísse nas suas mãos para proibia a fast-food ou simplesmente lutaria para que ela não fosse o melhor preço do mercado, promovendo e talvez subsidiando alternativas saudáveis? Nada deve impedir uma cooperativa de trabalhadores livres e honestos de vender fast-food. Por esse andar fechava as roulottes de farturas.

  27. Fernando diz:

    (E Renato, não vejo porque foi a minha análise por água abaixo! Ou V. acha o Abílio Rosa como representante da tal “esquerda velha”?)

  28. Fernando diz:

    “Realmente a visão proudhoniana do amigo Fernando sobre produção e a sociedade, faz-me lembrar aqueles fascículos das Testemunhas de Jeová, onde todo o mundo está calmo e sereno, e até o tigre convive em paz e harmonia com o cordeiro…”

    Abílio Rosa: por alturas da Comuna de Paris, a parte mais significativa do movimento acreditava nesse mundo calmo e sereno.

  29. paulo diz:

    por acaso conheci e bem os pioneiros…
    uma coisa é por a juventude a estudar outra é lavagem cerebral, mas para o camarada abilio é tudo a mesma coisa
    já agora escreva aqui um posta louvar a mocidade portuguesa qual a diferença em relação aos pioneiros?
    é que eu quero que os meus filhos pensem por eles

  30. xatoo diz:

    que confusão que para aqui vai…
    a grande produção e distribuição deve ser planificada e controlada pelo Estado e/ou organizações comunitárias abrangentes por região (expurgada de importações supérfluas e respectivo endividamento) sistema por sua vez controlado por Assembleias de Produção e Centrais de compras. Lema: prioritariamente, produzir local, consumir local. Não tem necessariamente de haver “grandes produções” em massa nem grandes deslocações de “consumidores”
    Dentro destas condicionantes, as pequenas empresas de distribuição e confecção devem ser liberalizadas e ficar ao critério dos seus fautores, consoante as suas idiossincrasias próprias
    Posto isto, não será muitissimo mais salutar o convivio numa verbena local com lojas, tascas, livros, etc, ou seja a animação cultural dos desérticos subúrbios, em vez do vicioso roçar de fundilhos por centros comerciais das grandes corporações multinacionais (uma das principais causas do nosso endividamento)?

  31. Renato Teixeira diz:

    Xatoo, vá lá explicar isso a quem não tem terra arável para produzir pevide. Quanto ao resto, mais ou menos de acordo.

  32. Jorge Monte diz:

    Há quem julgue que pode ser simultaneamente revolucionário e apoiante da ordem capitalista. Não pode.
    O fast-food não é mais prático nem eficiente na alimentação das pessoas. Já lhe foi dito isso acima.
    E não são as cozinhas e outos meios que determinam o tipo de alimentação que vai ser realizada nelas.

  33. Jorge Monte diz:

    Em defesa do postador vem este artigo com o segredo para a imortalidade da comida da McDonald’s.
    Hamburgueres, pão e batatas fritas com meses ou anos sem se decomporem? Isto seria uma maravilha para alimentar as massas esfomeadas.

  34. o boa-fé diz:

    Jorge Monte,

    Quer isso dizer, por outras palavras, que a ‘comida’ do Mac Donalds, ao não se decompor como a comida normal, não serve nem para alimentar o meu monte de composto ali na horta…

  35. Renato Teixeira diz:

    Veja as coisas pelo lado positivo Boa Fé, pode usar os produtos Mac para decorar a casa. Ou o jardim. Ou mesmo o monte de esterco da horta. 🙂

  36. lucklucky diz:

    É só nobres e aristocratas por aqui!!!

    FMI contra produtores do 3ºMundo?

    O Terceiro Mundo nunca exportou mais para para o primeiro mundo do que agora- depois de um longo esperado declínio com experiências marxistas a seguir à colonização…- e se a PAC Europeia e PAC Americana(pouco mais moderada que a Europeia) acabassem ainda mais exportariam…
    Tem também que ver com a evolução dos gostos/preços, por exemplo só assim o chocolate se tornou uma quase unanimidade, Gana e Costa do Marfim os beneficiados…
    No fim a produtividade é que conta, Cuba importa 80% do que come… a maioria vem dos EUA…hehehe(riso à Mutley http://www.youtube.com/watch?v=zCfyOXJf3ZM)…

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