Do blind date ao casamento por conveniência

Quando se quer matar uma polémica, ou uma suspeita, fala-se verdade. Assim como diz o cartaz do BE que o Tiago recuperou: olhos nos olhos. O apagão do debate entre Louçã e Alegre é de facto misterioso mas a sua ausência não faz desaparecer o material essencial para a leitura do problema presidencial.

Alegre continua a ser a figura de regime que já era mas está conjunturalmente pior do que esteve nas últimas eleições presidenciais. À data concorria contra o PS e contra o Governo e hoje corre com o PS e com o Governo. Em 2006, Louçã concorreu contra Alegre. Hoje, Louçã apoia Alegre. Fala-se da legitimidade das organizações políticas mudarem de posição. Concordo. Em política quase tudo é dinâmico. Agora o respeito pela mudança de opiniões é proporcional à qualidade das respostas. Mudar sem justificar pode ser legítimo mas é muito pouco inteligente quando procuramos que as pessoas mudem de opinião connosco. No caso, mais do que mudar de opinião, o BE mentiu.

Estive empenhado na candidatura do Francisco Louçã, a última em que o fiz pelo BE, e sei que se passou a campanha a falar pior do Alegre do que de todos os outros. Porquê? A Alda de Sousa, do BE e do PSR, explica aos seus camaradas internacionais o motivo no texto de balanço dessas presidenciais:

“Francisco Louçã scored 5.3% of the vote, a little less than the score of the Left Bloc in the parliamentary elections of 2005 (6.3%). Given the difficulty of the political situation provoked by the division of the left, it was a good result which shows that a significant part of the electorate wants a left alternative which can mobilise in the coming years. Immediately after the elections, some commentators who wanted to denigrate the Bloc by insisting on the volatile, inconsistent character of its vote, claimed that nearly half the votes of the Bloc in 2005 had been transferred to Manuel Alegre. But to this presumption there is also the other side of the coin: if it was true, the conclusion would be then that among those who voted Francisco, many had never voted for the Bloc before!”

Enquanto não aparece o vídeo do debate, recorde-se ainda como a corrente do Louçã (e a reboque o BE) caracterizou a candidatura de Alegre:

“The PS split into a quarrel of fraternal enemies between Mario Soares (80 years old, former prime minister, president of the Republic between 1986 and 1996) and Manuel Alegre (former socialist leader, vice-president of the Parliament. (…) Manuel Alegre, a member of the PS since forever, was annoyed at not being the choice of Sócrates and made inflammatory speeches against the political parties (!) and their apparatuses, defending an active citizenship. He avoided criticising the government, missed the parliamentary session which voted for the 2006 budget, and remained vague on numerous questions.”

Este texto, clarificador, divulguei-o em conjunto com algumas perguntas simples destinadas a alegristas complexos, mas até hoje continuo sem resposta. No intervalo, o silêncio fala por si. Da minha parte, espero que cada cidadão que ajudei a convencer a votar no Francisco Louçã, não vá, pelos mesmíssimos motivos, votar em Alegre no próximo escrutínio. Afinal, “Manuel Alegre é um membro do PS desde sempre, …faz discursos contra os partidos políticos, … não criticou o Governo, … faltou a sessões parlamentares para não ter que votar o orçamento e continua vago num conjunto variado de questões.” Em suma, é o candidato oficial do Governo.

Hoje em dia ainda se pode ler no site desta organização que há que recusar uma orientação política que favoreça aproximações ou a participação num governo PS”, mas depois da Fantasia do Fazenda, sabemos que no BE o que hoje é verdade, amanhã é mentira.

Recordemos pois:

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