
Quando se quer matar uma polémica, ou uma suspeita, fala-se verdade. Assim como diz o cartaz do BE que o Tiago recuperou: olhos nos olhos. O apagão do debate entre Louçã e Alegre é de facto misterioso mas a sua ausência não faz desaparecer o material essencial para a leitura do problema presidencial.
Alegre continua a ser a figura de regime que já era mas está conjunturalmente pior do que esteve nas últimas eleições presidenciais. À data concorria contra o PS e contra o Governo e hoje corre com o PS e com o Governo. Em 2006, Louçã concorreu contra Alegre. Hoje, Louçã apoia Alegre. Fala-se da legitimidade das organizações políticas mudarem de posição. Concordo. Em política quase tudo é dinâmico. Agora o respeito pela mudança de opiniões é proporcional à qualidade das respostas. Mudar sem justificar pode ser legítimo mas é muito pouco inteligente quando procuramos que as pessoas mudem de opinião connosco. No caso, mais do que mudar de opinião, o BE mentiu.
Estive empenhado na candidatura do Francisco Louçã, a última em que o fiz pelo BE, e sei que se passou a campanha a falar pior do Alegre do que de todos os outros. Porquê? A Alda de Sousa, do BE e do PSR, explica aos seus camaradas internacionais o motivo no texto de balanço dessas presidenciais:
Enquanto não aparece o vídeo do debate, recorde-se ainda como a corrente do Louçã (e a reboque o BE) caracterizou a candidatura de Alegre:
Este texto, clarificador, divulguei-o em conjunto com algumas perguntas simples destinadas a alegristas complexos, mas até hoje continuo sem resposta. No intervalo, o silêncio fala por si. Da minha parte, espero que cada cidadão que ajudei a convencer a votar no Francisco Louçã, não vá, pelos mesmíssimos motivos, votar em Alegre no próximo escrutínio. Afinal, “Manuel Alegre é um membro do PS desde sempre, …faz discursos contra os partidos políticos, … não criticou o Governo, … faltou a sessões parlamentares para não ter que votar o orçamento e continua vago num conjunto variado de questões.” Em suma, é o candidato oficial do Governo.
Hoje em dia ainda se pode ler no site desta organização que há que “recusar uma orientação política que favoreça aproximações ou a participação num governo PS”, mas depois da Fantasia do Fazenda, sabemos que no BE o que hoje é verdade, amanhã é mentira.
Recordemos pois:



