A paz dos cemitérios

Quando se fala em recolocar o processo de paz nos carris é de esperar um novo banho de sangue, dizia-me Robert Fisk a propósito de mais uma “tentativa” lançada por Washington. Hillary, qual Bill, tenta repetir com Benjamin Netanyahu e Mahmud Abbas o embuste que já tinha sido o encontro entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat.

Quase vinte anos depois de Oslo, cada acordo de paz mais não é do que um novo acto de guerra. A subtileza, no entanto, parece estar a perder-se. Enquanto, à data, Rabin era o menos selvagem dos líderes israelitas e Arafat um líder corrupto mas eleito, hoje, Netanyahu bate todos os recordes de fanatismo e Abbas não representa nenhum palestiniano.

Coerente com o eco da diplomacia, Israel nomeou o comandante da invasão a Gaza, Yoav Galant, Major General das Forças Armadas de Israel. Em sentido inverso, o Hamas disparou mais rockets para lembrar que o governo eleito não foi convidado para se sentar à mesa das negociações.

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47 respostas a A paz dos cemitérios

  1. Discordo da caracterização de Rabin e de Arafat, Renato.
    Rabin faz parte do chamado “trabalhismo” israelita e, como diz obviamente muito bem Ilan Pappe, os trabalhistas foram os sionistas mais selvagens de todos os selvagens.
    Quanto a Arafat, é preciso um outro post, um ou mais livros, para o definir, e considerar a sua luta na GLOBALIDADE. Não deveria ter aceite Oslo em 1992, é certo.
    Mas, hoje e sempre, não haveria nada a que se pudesse chamar “Palestina” ou “palestinianos” se não fosse o seu nome mais importante, o mais respeitado de todos, o homem que colocou tudo isto há décadas no mapa dos assuntos centrais mundiais.
    Lembra-te que foi Arafat que desmentiu o slogan sionista “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Foi Arafat que disse e provou “aqui está já um povo”, “aqui habita um povo”, isto não é um deserto, etc., etc., etc.
    História e estórias. Também memórias inapagáveis. (Sim, o absurdo Oslo 92 não apaga o legado de Arafat: atenção. Longa história, certo, mas a tempo houve uma emenda: Arafat nada assinou com Barak. Depois, resistiu como se sabe – nobremente.)

  2. Renato Teixeira diz:

    Carlos, poderás ter alguma razão no excesso de bonomia no “elogio” a Rabin (o “quebra-ossos”) mas não posso estar de acordo sobre Arafat. Ao contrário do que dizes, sou levado a pensar que se amanhã Israel arrasar (também em nome de Oslo, sempre em nome de Oslo) a Palestina, Arafat ficará como um dos seus carrascos.

    Não consigo deixar de olhar para o legado de Arafat como alguém que reprimiu mais o seu próprio povo do que a potencia colonial.

    O fim que teve foi mais humilhante que heróico e é o resultado directo das sucessivas capitulações em que foi caindo em seu nome e em nome da sua fantasia (uma vez mais, Oslo).

  3. Carlos Vidal diz:

    A palavra aos palestinianos:
    Não, não creio que haja alguém por aquelas bandas tão respeitado e admirado historicamente.
    Dois nomes:
    O político-militar: Arafat.
    O intelectual: Said.
    Apesar de tudo (no primeiro caso), merecidamente.

  4. Carolina diz:

    Sobre Said, o “intelectual.”

    Página 19

    http://www.tau.ac.il/dayancenter/framemel.htm

    Sobre Arafat:

    http://www.meforum.org/645/arafats-swiss-bank-account

    http://www.cbsnews.com/stories/2003/11/07/60minutes/main582487.shtml

    http://www.haaretz.com/print-edition/news/where-did-tens-of-millions-of-dollars-of-palestinian-assets-disappear-to-1.290044

    http://eufunding.org.uk/accountability/AbuIssah.html

    Said, fraude intelectual.

    Arafat, mafioso.

    Quanto ao Fisk, nem vale a pena. O homem nem atina com as datas. É o que na lingua de Shakespeare se define como: ignoramus. Mas serve para os comunas. Mais do que suficiente.

  5. Carolina diz:

    página 19 deste pdf

    Prof. Bernard Lewis and Prof. Itamar Rabinoch

  6. Renato Teixeira diz:

    E já agora Carolina, além de desfazer o que constrói?

    Que referências tem na região? Até tenho medo de adivinhar…

  7. Carolina diz:

    “Não consigo deixar de olhar para o legado de Arafat como alguém que reprimiu mais o seu próprio povo do que a potencia colonial.”

    Começas a acertar em alguma coisa, jovem Renato.
    O Hamas reprime o seu próprio povo infinitamente mais do que Arafat.
    Os Árabes são assim. A sua cultura política é assim. Foi assim. É assim. E será sempre assim. Estão enclausurados pela sua cultura política. O autoritarismo e o nepotismo vem de baixo, constituidos pelas mais elementares práticas culturais e políticas. Nada mudou. As moscas mudam, mas a merda é exactamente a mesma. Há muito. Eles não são um povo oprimido. São um império deprimido. Algo muito pior. São, por outras palavras, culturalmente atrasados (em relação aos direitos e valores democráticos do presente).

  8. Renato Teixeira diz:

    Fico contente por concordar que Arafat foi brando a combater o ocupante.
    Começa a acertar em alguma coisa jovem Carolina.

    Herzl? Ben Gourion? Rabin? Sharon? Bibi? Qual afinal lhe anima a alma democrática?

  9. Carolina diz:

    Não tenho referências nenhumas na região.O resto não vale uma pevite que seja. Da Arábia Saudita, Irão até ao Sudão e Indonésia. São todos uma cambada de f.d.p autoritários, nepotistas, machistas, xenofobos, enfim, uma perfeita miséria franciscana.

    O único país que merece o meu respeito naquele mundo nojento em que se encontra é Israel.

    Não cite Fisk. Fica-lhe mal. Fisk é um imbecil Brit com a mania da responsabilidade (sempre condescendente) colonial pelos povos que a Metropolis “abandonou.” É um totó oxford wanna be (coisa que nunca foi ou poderia ser, por razões óbvias…falta-lhe a pronuncia e as notas!!) É um perfeito mediocre. Sempre foi. A sua propensão para o “controversial” é inversamente proporcional às suas capacidades intelectuais. Não o cite. Até Você é mais inteligente do que ele. Muito mais. (o que não é dificil)

    Passe bem. Comunas a glorificar mafiosos políticos.

  10. Renato Teixeira diz:

    Herzl, Ben Gourion, Rabin, Sharon e Bibi, portanto. Tudo claro.

    E no jornalismo, já que desdenha RF, quem lhe apresenta melhor o Médio Oriente?

  11. André diz:

    Se me permite, respondo-lhe à pergunta que fez à radical Carolina:(não sei se ela concordaria com esta lista improv.)

    bbc (com reservas) Panorama

    channel 4 (dispatches)

    le.monde/proche orient

    le monde diplomatique (a ler com atenção artigos de F Burgat e de A Roussillon, já falecido)

    liberation.fr

    pbs (frontline)

    ifri.org

    chatham

    iiss.org

    nytimes (at war) (com reservas)

    MEMRI

    washington institute of near east…

    cultures&conflits

    sipri (suécia)

    diis.dk (dinamarca)

    middle east quarterly

    british journal of middle eastern studies

    france24 (com reservas)

    Os investigadores são os que melhor apresentam o médio oriente, Renato. O Médio Oriente dá muito trabalho. Não se chega lá com Fisks.
    Kierkegaard identificou superlativamente bem o fascínio dos jornalistas pela superficialidade. Fisk é a mais pura expressão desta tendência. Evite jornalistas a todo o custo. Nunca li um único jornalista que conhecesse deveras o assunto que aborda. Saltam de notícia em notícia. Elas e eles são as putas dos bytes. Coisa para mentes menores.:)

    Sei lá, leia Jurgensmeyer, kepel, Myriam Benraad…

    http://www.juergensmeyer.com/files/Sivan-The_Class_within_Islam.pdf

    http://www.meforum.org/237/eavesdropping-on-radical-islam

    Leu o que a radical Carolina deixou aqui?? Já viu como é que a tese do Orientalismo não faz qualquer sentido. É um absurdo, como diz Bernard Lewis no pdf que a Carolina lhe forneceu. Um absurdo transformado em “verdade Rortiana” (o consenso é = à verdade). Coisa superficial, própria de propagandistas.

    http://www.juergensmeyer.com/?q=node/13

    http://www.youtube.com/watch?v=5ldpYoTGhpI

    http://www2.lse.ac.uk/IDEAS/events/events/2009/091013-Kepel.aspx

    http://www.france24.com/en/20081001-iraq-shiite-sunni-army-baghdad

    http://www.youtube.com/watch?v=E8vxc2yqyMs

    Espero que isto lhe sirva para alguma coisa. Então o sr acha que o Fisk é quem melhor apresenta o Médio Oriente. O Fisk VENDE jornais com as suas polémicas à George Galloway. É um macaco mediático. Nada mais do que isto. Até parece que o sr não conhece os media, o poderoso lobby do petrol e a manifesta fraqueza e imbecilidade das sociedades civis ocidentais.

  12. Carolina diz:

    Já lhe respondi, Renato. Às tantas perdeu o meu comentário algures na inhternet. A minha política preferida de todos os tempos do Médio Oriente foi Golda Meir.

    A figura preferida do André (camarada e companheiro) é o “Motta Gur”.
    Satisfeito?

  13. Justiniano diz:

    André e Carolina, meus caros!!
    Não crer em E. Said, é coisa perfeitamente compreensível ! Agora utilizar o argumento pueril de Bernand Lewis, aqui linkado, apenas ajudará a ajuizar a Said algum rigor que se lhe não possa anteriormente reconhecer!! Francamente!!

  14. Niet diz:

    Isto está a ficar muito bom, caro Renato Teixeira. E então a D. Carolina parece ser coisa sumptuosa e magistral, carregada de esquemas e muita legenda.Com posições muito afiançadas sobre a classe política árabe, que não erram o alvo. Abbas parece que jogou o seu ” Último Tango ” em Washington, perante um Bibi inédito e muito ” pombinha “…Ou será ” raposice ” de Netannyaho para acabar de vez com as veleidades de uma moribunda Autoridade Palestiniana?
    Trabalho colectivo do post+comentários de grande qualidade, o que faz pensar na hipótese de um Mediapart à portuguesa dentro de meses!!! A profundidade de análise implica e sustenta um horizonte estimulante de pontos de vista diferentes e contraditórios, como é curiel e essencial! Salut! Niet

  15. José diz:

    “A paz dos cemitérios”: whisful thinking?

  16. ezequiel diz:

    Justiniano,

    Apoiando-se em Foucault etc, Said argumenta que o orientalismo como regime discursivo tem as suas origens no imperialismo.

    “My contention is that Orientalism is fundamentally a political doctrine willed over the Orient because the Orient was WEAKER than the West, which elided the Orient’s difference with its weakness. . . . As a cultural apparatus Orientalism is all aggression, activity, judgment, will-to-truth, and knowledge” (Orientalism, p. 204).

    “The four elements I have described – expansion, historical confrontation, sympathy, classification – are the currents in eighteenth-century thought on whose presence the specific INTELECTUAL and INSTITUTIONAL structures of modern Orientalism depend” (120)

    in (apenas menciono citações dado que não posso postar o livro de Said aqui)

    http://en.wikipedia.org/wiki/Orientalism_(book)

    Said pressupõe a confluência Império-Orientalismo.

    Bernard Lewis, de uma forma bastante simples, DEMONSTRA a falsidade da tese. O império era outro. A GB ainda não era império quando surgem as cadeiras de Estudos Árabes em Oxford e Cambridge. A confluência foucauldiana (império-orientalismo) de Said é posta em causa.

    Sim, argumentar contra argumentos simplistas que assentam na mais profunda ignorância é muito fácil. Pueril, infantil, de facto. A GB ainda não era império quando o “orientalismo” foi fundado. Ponto final. Nem vale a pena discutir mais.

    Questionar a credibilidade intelectual de Bernard Lewis é que me parece simplesmente absurdo.

    Said provém do mundo pós-moderno Americano onde se misturam alhos com bogalhos (teoria literária pós moderna combinada com um dash de anti-colonianlismo etc). É um assortment de banalidades e de leituras fragmentadas.

    O Orientalismo, tal como Said o define, nunca existiu. Ele, Said, tal como fisk, nem sequer atina com as datas, como dizia a Carolina ou o André.

  17. ezequiel diz:

    Carolina & André,

    Não estão a exagerar um pouco?? Então o mundo árabe é assim tão monolítico? Os iraquianos não votaram en masse, tal como os afegãos? Não existem democratas no mundo árabe?

    Igualmente absurdo, parece-me.

  18. José diz:

    A Carolina e o André são a outra face da moeda que por aqui muito circula: o extremismo cego.
    Uns, pró-palestinianos, pró-árabes, de tal forma cegos que nada reprovam ao Irão, ao Hamas ou ao Hezbollah, não vá a sua censura prejudicar a marcha para a vitória islãmica.
    A Carolina e o André ficariam satisfeitos se os árabes desaparecessem e deixassem de os incomodar.
    Na realidade, com pessoas assim, com les uns et les outres, o diálogo é de surdos.
    Bem que eu preciso de ir ao otorrinolaringologista…

  19. Justiniano diz:

    Ezequiel, vamos lá ver o seguinte.
    Primeiro – Não disse que secundava E. Said nem o pretendo secundar, apenas disse o seguinte:
    – Estabelecer que o Império Turco era um Império extra europeu, oriental é, quanto a mim, profunda ignorancia (pior que não atinar nas datas)
    – Referir a pirataria para escudar uma suposta fragilidade da GB face ao mundo Árabe, berbére, no sec. XVII é o quê, caro Ezequiel!!?
    Que dirás de alguém que te explica que império e imperialismo serão a mesma coisa!!?? Ou que, não discutindo a genealogia do império britanico no sec. XVII, apresenta, simplesmente, um não facto como sendo um facto!!
    Ora, diremos que a Alemanhã de Hitler só se tornou imperialista aquando da invasão da Polónia!!??
    O meu ponto é que, podendo discutir tudo isto, não chega como argumento para ridicularizar Said!! Muito pelo contrário!! É pobre, ponto final.

  20. Sioux diz:

    Give peace a chance.

    Era assim que começava a musica… e bem.

    Israel já demonstrou, ao longo da história, que quando a contraparte nas negociações tem boas intenções, o acordo e cedência de territórios ocupados faz-se rapidamente.

    É bom de ver; O Sinai, parte de territórios da Jordania, A faixa de Gaza são disso exemplo cabal. Israel retirou os assentamentos daqueles locais.

    Infelizmente, Gaza foi tomada pelo fundamentalismo, e mesmo tendo sido retirados Todos os assentamentos, os seus lideres continuaram a enviar misseis e rockets para Israel.

    Os fundamentalistas estão a financiar o terrorismo. O irão e a siria, financiam as organizações de terror do hizbulah e hamas.

    Mas estão isolados do mundo; do próprio mundo arabe. Ninguem apoia acusas terroristas, há excepção dos próprios regimes fundamentalistas e recentemente e estranhamente as esquerdas politicas.

    É evidente, as esquerda perdem com este apoio. E muito. As pessoas sensatas não se reveem nos terroristas que as esquerdas tem apoiado. É altura das esquerdas reorientarem as suas ambições e estratégias.

    Abbas representa a Palestina. É o mais credivel lider dos Palestinos. Se não houver interferencias terroristas, Israel e Abbas chegarão a acordo. Aliás a Cisjordania tem sido um local aonde o entendimento tem sido eficaz. Ambos (Isarel e Palestina)controlam e trocam infosmações militares e ajudam-se mutuamente no patrulhamento do território.

    Na minha opinião, caso o Hamas bloqueie este acordo de Paz, a faixa de gaza deve ser deixada de lado e os terroristas que façam daquele território o que muito bem entenderem, enquanto o povo deixar… há situações em que só mesmo o tempo pode resolver. A seu tempo a população de Gaza revoltar-se-á com o Hamas.

    A Palestina só tem hipotese de sustentabilidade economica em parceria com Israel. E Israel só pode desenvolver-se mais se estiver em paz com os territórios vizinhos, nomeadamente a Cisjordania.

    Os palestinianos anseiam poder trabalhar em Israel e melhorar as condições de vida das suas familias.

    Estou convencido e esperançado que vai haver acordo.

    Sioux

  21. Renato Teixeira diz:

    Sioux, independentemente da justeza deste ou daquele acordo de paz, há uma coisa que os unifica a todos, é sempre Israel a rasgar os compromissos que assume. No deve e haver entre paz e terra, Israel leva vantagem.

    Pode haver acordo mas ele nunca será efectivo e nunca sairá do papel. Desta vez também porque excluíram o legítimo governo da Palestina que, goste-se ou não, foi ganho democraticamente pelo Hamas.

    Nunca será uma parceria cooperativa e será sempre uma espécie de OPA hostil. A parceria com Israel levará sempre à anexação total e absoluta da Palestina.

  22. Sioux diz:

    Renato, não me parece que o Hamas tenha sido excluido. O hamas auto-excluiu-se de qualquer negociação.

    O Hamas não tem qualquer intenção de chegar à Paz… a não ser uma paz assente na perseguição de uma vitória e subjugação dos inimigos figadais israelitas. Não há bom senso na cabeça dos lideres do Hamas.

    Os acordos para sairem do papel (como aqueles que respeitaram ao Sinai e Gaza) tem que ter garantias minimas de viabilidade, sobretudo no que à segurança de Israel diz respeito. Cometer os mesmo erros duas vezes é insensato.

    Sabe bem que a resposta a todo e qualquer acordo chegado foi sempre o envio de rocketes e atentados; ao que Israel responde sempre firmemente. Aliás o bloqueio a Gaza é disso prova cabal.

    É impossivel negociar com uma contraparte cuja ambição não é a coabitação pacifica entre dois países… está escrito no próprio programa do Hamas que a intenção primeira desta organização é a eliminação de Israel enquanto estado-nação.

    Embora o Hamas tenha sido eleito democraticamente, tal eleição não retira a falta de sentatez; tam-pouco retira o facto de se tratar de uma organização de malfeitores promotores do terrorismo mais sórdido.

    Mais a mais, já muito tempo passou sobre aquelas eleições. Não vejo que tenham interesse em renovar democraticamente novas eleições. Os grandes malandros da história foram de igual forma eleitos democraticamente; Hitler é um bom exemplo.

    Está na hora do povo voltar a escolher os seus lideres… e ver se realmente o sentimento ainda será o mesmo que levou o Hamas ao poder. Parece-me que não. Parece-me sinceramente que o povo palestiniano precisa (como de pão para a boca) de um entendimento com Israel. Precisa de voltar a trabalhar lá e sustentar as suas familias.

    O Hamas e os dois paises apoiantes de causas terroristas (o Irão e a Siria) anseiam a anexação de Israel pela via militar. Mesmo sendo Israel um país de direito devidamente assente no unico organismo existente no mundo com poderes para o efeito, que o legitimou ( a ONU), aqueles não desistem do sonho de ver uma nação de direito desfeita.

    Ao invés de potenciarem o país que podem desenvolver, canalizam os dinheiros que recebem para a máquina de guerra e para as suas contas particulares na suiça.

    Acorde homem, não faça o erro, comum nos comunistas, de estar sempre do lado errado da história. As esquerdas não podem ser isto…

    Sioux

  23. Renato Teixeira diz:

    Está enganado Sioux. O Hamas nunca foi reconhecido como o Governo legitimo dos Palestinianos e a votação de Abbas diz tudo sobre a sua representatividade.

  24. ezequiel diz:

    Ezequiel, vamos lá ver o seguinte.
    Primeiro – Não disse que secundava E. Said nem o pretendo secundar, apenas disse o seguinte:
    – Estabelecer que o Império Turco era um Império extra europeu, oriental é, quanto a mim, profunda ignorancia (pior que não atinar nas datas)
    – Referir a pirataria para escudar uma suposta fragilidade da GB face ao mundo Árabe, berbére, no sec. XVII é o quê, caro Ezequiel!!?
    Que dirás de alguém que te explica que império e imperialismo serão a mesma coisa!!?? Ou que, não discutindo a genealogia do império britanico no sec. XVII, apresenta, simplesmente, um não facto como sendo um facto!!
    Ora, diremos que a Alemanhã de Hitler só se tornou imperialista aquando da invasão da Polónia!!??
    O meu ponto é que, podendo discutir tudo isto, não chega como argumento para ridicularizar Said!! Muito pelo contrário!! É pobre, ponto final.

    Caro Justiniano,

    Onde é que B Lewis diz que o Império Otomano foi meramente ou puramente oriental? B Lewis, em diversos escritos, demonstra precisamente o contrário quando, por exemplo, explora as influências ocidentais na organização burocrática e militar do dito império. Influências que persistiram até Ataturk, como é evidente.

    Acho que se está a perder em divagações menos relevantes. Said afirma, de forma contundente, que o Orientalismo, tal como ele o define, coincide temporalmente com o Imperialismo (como processo e não como potencialidade..). Ora, esta tese é absurda porque, alas, a GB não era um império. É uma critica válida, a meu ver. A critica de B Lewis refere-se à tese de Said. Nada mais. O argumento da coincidência é de Said. Não é meu. Said não fala de um imperialismo latente, inscrito nas tradições etc. Ele fala, como poderá ler no seu Orientalism, da coincidência do processo imperialista com o Orientalismo. É ele que o faz. As duas coisas são tidas como intrinsecamente ligadas (à nascença)
    B Lewis demonsta que as coisas não são assim tão simples.
    A Alemanha de Hitler já tinha feito parte de um Império. Ou seja, existia uma tradição imperial antes do aparecimento de Hitler. No caso da GB do século 16 a situação era outra. A Alemanha de Hitler é uma coisa. A GB do século 16 era algo diferente. A GB nunca foi potência imperial Europeia. Acho que deveria revisitar os livros de história Europeia.

    Este argumento de Lewis foi apresentado num ambiente informal. Mas concordo com o essencial.

    Repito: O argumento da coincidencia temporal é de Said. Foi ele que o defendeu.

    Cumprimentos

  25. ezequiel diz:

    Referir a pirataria serve apenas para ilustrar o facto de que a GB não era um império. É um ponto muito simples. Deliciosamente simples.

  26. Renato Teixeira diz:

    Ezequiel contra Ezequiel também é apetitoso.

  27. ezequiel diz:

    ezequiel contra ezequiel?

  28. ezequiel diz:

    ah, ok. o homem anda a vasculhar ip’s. não tens mais nada para fazer, renato?

    ezequiel conhece André&Carolina. estão de férias, na minha terra.

    ganda sherlock que tu me saiste? além disso, meu caro, eu poderia descobrir os vossos nicks. fácil. mas não o faço. tou-me a borrifar. ego is not important.

    what a twat! 🙂

    bisbolheteira lusa.
    é mesmo coisa de comuna paranoico.

  29. ezequiel diz:

    ó ignoramus-mor

    lê gente que valha a pena e deixa-te de pan-opticons próprios da Comité Central.

    nem acredito nisto.
    ridiculo.

    além disso, se estivesse a usar um nick ou um pseudónimo…é de bom tom respeitar a privacidade dos outros. mas não. tu, qual vendedora de peixe, sentes a necessidade de “desmascarar”…

    maga infantil.

  30. Renato Teixeira diz:

    André e Carolina??!?! A sério? Isto há cada um mais retorcido…
    Bem Ezequiel… vejo que se espalhou ao comprido. Baseio-me apenas no comentário em que discute consigo próprio. Tenho lá tempo, vagar ou interesse para confirmar ip’s:

    “Comentário de ezequiel | Editar comentário
    Data: 7 de Setembro de 2010, 13:28

    Ezequiel, vamos lá ver o seguinte.
    Primeiro – Não disse que secundava E. Said nem o pretendo secundar, apenas disse o seguinte:
    – Estabelecer que o Império Turco era um Império extra europeu, oriental é, quanto a mim, profunda ignorancia (pior que não atinar nas datas)
    – Referir a pirataria para escudar uma suposta fragilidade da GB face ao mundo Árabe, berbére, no sec. XVII é o quê, caro Ezequiel!!?
    Que dirás de alguém que te explica que império e imperialismo serão a mesma coisa!!?? Ou que, não discutindo a genealogia do império britanico no sec. XVII, apresenta, simplesmente, um não facto como sendo um facto!!
    Ora, diremos que a Alemanhã de Hitler só se tornou imperialista aquando da invasão da Polónia!!??
    O meu ponto é que, podendo discutir tudo isto, não chega como argumento para ridicularizar Said!! Muito pelo contrário!! É pobre, ponto final.”

  31. Justiniano diz:

    Caro Ezequiel,
    Não vou defender o que não quero defender. Também não quero misturar assuntos como pretende, sem propósito! Pois daqui a pouco estariamos a falar da natureza imperial, soberania, suserania, república…sem sentido. Se assim entender a natureza imperial, por mero efeito do “nomen iuris”, nem valerá a pena recorrermos aos livros de história!!
    É consabido que Lewis é um notório estudioso do Império Otomano, e não sou eu que o questiono nesse sentido. Mas, ainda que em ambiente de grande leveza informal, atiçar ao ridículo o outro com tão pobres argumentos!! Sinceramente, não abona grandemente lá ao personagem! (Foucault também atribui ao período vitoriano o elevar do pudor sexual na moral pública e no direito. Poderemos ridicularizá-lo pelo facto de entendermos que a legislação aí relacionável surgiu apenas 50 ou 60 anos depois desse período)
    Sinceramente, caro Ezequiel, isto nem parece seu!!

  32. ezequiel diz:

    Renato,

    foi o justiniano que disse isto. eu inclui o texto dele no meu comentario para poder responder sem ter que estar a baixar o screen.

    mas qual espalhei-me? tu n estás bom da cabeça. se tivesses tido o cuidado de ler o meu comentário poderias ter percebido que estava a responder ao iminente Justiniano, companheiro de muitas conversas.

    ok??

  33. Renato Teixeira diz:

    É verdade. Afinal era o Ezequiel a discutir com o Justiniano. Um abraço ao André e à Carolina. Isso devem estar aí umas férias e pêras. Foram até à terra santa? Decidiram abraçar de vez o Aliyah?

  34. ezequiel diz:

    Justiniano,

    Eu não estou a misturar assuntos.

    Falei e continuo a falar da tese da coincidência temporal de dois processos (imperialismo-como-processo e orientalismo como regime interpretativo predominante, aos olhos de Said).

    Referia-me e refiro-me a ESTA tese (absurda) de Said. (coincidência temporal: sem ela, a tese de que o Orientalismo qua sistema discursivo é uma construção IMPERIAL…perde plausibilidade)

    Os argumentos simples não são necessariamente pobres. Os erros-distorções de Said, tal como os de Fisk, são ELEMENTARES.

    Said afirma no seu Orientalismo que os preconceitos académicos que estruturaram toda o sistema discursivo (orientalismo) surgiram como resultado da EXPANSÃO IMPERIAL.

    http://www.youtube.com/watch?v=CBSy5VfXBoQ

    O que ele faz é substituir alguns clichés (islão= terrorismo etc) indefensáveis por outros igualmente indefensáveis. Os orientalistas clássicos de Oxford, Paris Heidelberg (etc) nem sequer sabiam o que era terrorismo islâmico.

    Em suma, meu caro Justiniano, Said é um básico. Excelente teórico da literatura (o seu métier). Péssimo Orientalista. Só isso.

    Outros argumentos poderiam ser usados contra Said. Mas este, o mais simples de todos, é absolutamente devastador.

    Repare: afirmar isto NÃO implica que toda a discursividade académica sobre o mundo Muçulmano é coisa impoluta e inocente. Não é isto que defendo. Não acredito na pureza epistemológica.

    Lamento ter-lhe desapontado. O argumento de Lewis seria UM dos argumentos contra Said. Apenas um.

    melhores cumprimentos
    ezequiel

    as minhas desculpas pelos links mas o assunto merece atenção redobrada.

    http://www.nybooks.com/articles/archives/1982/jun/24/the-question-of-orientalism/?pagination=false&printpage=true

    http://www.meforum.org/1811/did-edward-said-really-speak-truth-to-power

    http://www.geocities.com/martinkramerorg/SaidSplash.htm

    http://www.campus-watch.org/article/id/735

    http://www.campus-watch.org/article/id/3082

  35. ezequiel diz:

    Renato,

    as minhas desculpas por te chamar ignoramus.

    to each his own.

  36. Carlos Vidal diz:

    “Bernard Lewis hasn’t set foot in the Middle East, in the Arab world, for at least 40 years. He knows something about Turkey, I’m told, but he knows nothing about the Arab world.”
    Edward Said, em 2003.

    É com Lewis, o amigo íntimo de Cheney e Bush, o homem que mandou destruir todo o Iraque, em força e rapidamente, que ezequiel tem delíquios, e com frequência?
    É Lewis a fonte de ezequiel?
    E o menino não tem vergonha?
    Israel torna-o maluquinho?

  37. ezequiel diz:

    Vidal

    O Said afirma.

    O Lewis demonstra.

    Muitos dos orientalistas que Said cita no seu “Orientalismo” (Maxime Rodinson e Hourani, por ex.) compartilham a opinião de Lewis.

    Bernard Lewis apoiou a invasão do Iraque. Por conseguinte, não vale pevite como estudioso do Islão. Heidegger apoiou Hitler. Consequentmente, a sua obra filosófica não vale nada. Foucault apoiou (inicialmente) a revolução Iraniana. Logo, a sua obra é mediocre.

    O seu argumento é mediocre, prof Vidal.

    PS: Eu (cidadãozinho) não apoiei a guerra do Iraque. Fiquei surpreendido quando soube que Lewis apoiou esta guerra. O Lewis é um excelente historiador mas um péssimo estratega. Simples.

  38. ezequiel diz:

    O que me torna “maluquinho” é a boçalidade desta esquerda retrograda que persiste num erro monumental, já cometido dezenas de vezes: tratar os inimigos do inimigo-mor como amigos, sacrificando assim a sua coerência ideológica e raison d’être.

    Não Vos interessa defender os “resistentes.”

    Interessa-vos defender o “novo comunismo.”

    Vocês, tal como Lewis, são péssimos estrategas.

  39. Carlos Vidal diz:

    Ezequiel,

    O argumento não era esse, o de quem apoiou o quê.
    Heidegger, apoiando o que quer que fosse, nunca deixaria de ser um dos pensadores decisivos de toda a história filosófica.

    O sr. é um sionista doente. Aí é absolutamente cego e facho.

    O argumento é o de que o homem Lewis não põe os pés no mundo árabe, não visita o “campo”, e não sabe nada do Médio-Oriente.
    Está lá escrito.
    Não volto a esta caixa (nem a nenhuma outra) para dialogar com a estupidez e a doença fanática de um nazi-sionista sem atenuantes.

  40. ezequiel diz:

    ouça e veja com atenção

    http://www.charlierose.com/view/interview/2874

    em 1975-76 Lewis visitou o médio oriente (Jordânia, Egipto)

    datas, mais uma vez. Said e datas.

    o homem nasceu em 1916. em 2006 fez 90 anos. percebe? além disso, não seria bem-vindo em muitos países do médio oriente. é judeu.

    Marx visitou a China antes de escrever sobre o modo de produção oriental? Maxime Rondinson visitou o mundo árabe nos últimos 25 anos da sua vida?

  41. ezequiel diz:

    errata:
    Maxime RODINSON.

    RIP

    sorry.

  42. Carlos Vidal diz:

    75-76 !!!!!!

    Pró caralho.

  43. ezequiel diz:

    O modo de produção Asiático é uma grande chatice, Vidal. 🙂

    É pelo menos tão chato como a teoria de sets “de” Badiou.

    Ficou chateado depois de ouvir e ver o B Lewis?

    Às tantas não estava à espera.

    Quem quiser estudar o médio oriente tem que ser dono de uma agência de viagens. O DO já visitou o Médio Oriente. Percebe alguma coisa daquilo? uummm. O Miguel Portas, sim. Visitou e aprendeu.

    Passe bem, sr professor.

    O desespero é mau conselheiro, Vidal.

  44. ezequiel diz:

    A very nice evening to you, Sir. LOL 🙂

  45. ezequiel diz:

    há coisas interessantíssimas. verdadeiras preciosidades.

    leia isto, sr prof.

    se lhe apetecer, claro.

    B Lewis, segundo Fred Halliday, via Maxime Rodinson…foi comuna quando era jovem e vivia no East End de Londres.

    isto não é argumento, claro.

    uma curiosidade histórica.

    espero que goste

    http://www.opendemocracy.net/globalization/Rodinson_2819.jsp

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