Três teses gamadas

Teses sobre a blogosfera (título gamado a José Pacheco Pereira): Tese n.º 1: na blogosfera comportamo-nos todos (enfim, uns mais do que outros) como condutores mexicanos, daqueles muito machos, que aceleram quando alguém os quer ultrapassar (concepção materialista da blogosfera gamada a Nuno Ramos de Almeida, que faz derivar de uma característica objectiva da escrita de blogs, i.e., o carácter tendencialmente anónimo ou pelo menos sem rosto do blogger, essoutra característica – subjectiva – que é da sua extrema violência verbal: perde-se o conto aos bons pais de família que, em blogando, viram feras da net); tese n.º 2: o imediatismo da escrita nos blogs (na net, em geral) é outra fonte de violência verbal (tese gamada ao Economist, que aqui há uns anos se queixava que as suas cartas ao editor, depois da chegada do e-mail e perdido que foi aquele lapso de tempo, propiciador de reflexão & reserva, que está associado ao envio de uma carta em papel, se tinham tornado largamente impublicáveis: a malta ferve, insulta e faz logo send – e depois se arrepend, claro); tese n.º 3 (ouvida ontem na Festa do Avante! e gamada ao Renato Teixeira): o excesso de susceptibilidade de muitos bloggers políticos é inversamente proporcional ao seu tempo de militância política, ou seja, mais militância mais calo, menos militância mais flores de estufa (falta-lhes endurance, ’tá claro).

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SEXTA | António Figueira
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