O drama dos 4.000 caracteres e dramas bem mais graves

Pergunta: Como é que se enfiam 3 anos de pesquisa e reflexão em 4.000 caracteres?

Resposta: Não se enfiam, seu estúpido!

 

Embora me considere um escriba razoavelmente sintético, foi esta a resposta que descobri ontem, ao escrever este artigo de opinião para o jornal Público.

Espero que a minha frustração por não conseguir meter o Rossio na Rua da Betesga não impeça que o artigo possa ser útil a quem o leia.

Mas aquilo que vos aconselho mesmo (e mesmo, mesmo) é que leiam esta impressionante reportagem de João Vaz de Almada, feita ontem numa zona de Maputo onde passo muito do meu tempo, quando lá estou.

E, claro, o artigo principal, da autoria de Sofia Lorena.

 

adenda: Na caixa de comentários deste e dos anteriores posts (e, suponho, dos que vierem), poderão os Exmos. leitores acompanhar, tipo direito ao contraditório, a empenhada postagem do reprodutor residente da retórica daquilo a que em Moçambique chamam a “ala bronca” do partido governamental. Conforme escrevi numa das caixas de comentários, não lhe voltarei a responder até o estimado e pseudonómico comentador ter a hombridade de esclarecer se o faz a cargo do Serviço de Informações e Segurança do Estado, de uma outra instituição estatal, do partido governante ou uma das suas facções, de alguma organização ou empresa com interesses em Moçambique, ou por sua autónoma caturrice. É claro que se poderia sempre aconselhar tais empenhados escribas (também conhecidos na gíria por “emplastros”) a exporem as suas doutas opiniões e as declarações oficias num blog que fosse seu. Mas, então, quem os leria? Apelo, por isso, à paciência do estimado auditório.

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5 Responses to O drama dos 4.000 caracteres e dramas bem mais graves

  1. Leo diz:

    “O que está a acontecer agora é que os marginais começam a saquear as lojas”, revelou o escritor moçambicano Mia Couto.

    O levantamento popular que hoje está a decorrer em Maputo (Moçambique) “parece ter acalmado”, segundo o escritor moçambicano Mia Couto, que adiantou que se vive agora o momento do vandalismo e dos saques.
    “O que está a acontecer agora é que os marginais começam a saquear as lojas”, revelou Mia Couto, que se encontra em casa, seguindo a advertência transmitida pelos meios de comunicação social moçambicanos, que aconselham os populares a permanecerem nas respetivas habitações.

    http://aeiou.expresso.pt/maputo-a-situacao-esta-mais-calma-diz-mia-couto=f601679

  2. Leo diz:

    Sofia Lorena, desde Lisboa, ouviu os amigos em Maputo:

    O sociólogo Carlos Serra, o realizador de cinema Camilo de Sousa, a engenheira Teresa Correia Lopes, o Paulinho Gentil das ONG’s, o gerente de supermercado Emanuel Gomes da Silva, a professora na Escola Internacional Cristina Sanches.

    Nenhum deles nada viu porque ficaram em casa (a excepção é o realizador de cinema Camilo de Sousa, que apanhou boleia da polícia desde o aeroporto até casa).

    Tudo o que nos contam é o que ouviram contar (via TV, Rádio, SMS e internet), incluindo o caso de “Carlos Serra, autor do blogue Diário de um Sociólogo, (que) também passou a manhã agarrado à televisão, à rádio e ao e-mail. Às 9h28 escreveu: “Creio que a situação agora é grave. A polícia tenta impedir a generalização dos tumultos.” Menos de 15 minutos depois: “Na Avenida Acordos de Lusaca, e não obstante os tiros da polícia, cerca de 100 jovens bloquearam a estrada, espalhando lixo e cantando”.

    Presumo que sejam estes garotos aquilo a que o João Vaz de Almada chama de “turba”.

    Como se vê estão todos sintonizados, o Granjo, a Sofia e o tal Vaz de Almada. E a Renano também, já veio exigir a demissão do ministro do Interior por causa da…violência.

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  4. Leo diz:

    Presidente Guebuza considera que manifestantes foram “usados” e apela “à calma e serenidade” da população

    01/09/2010

    O presidente Armando Guebuza, considera que os cidadãos que se deixaram usar nos distúrbios ocorridos ao longo do dia de hoje, nas cidade de Maputo e da Matola, estão apenas a contribuir para trazer luto e dor no seio da família moçambicana, e para o agravamento das condições de vida no país.

    Nas primeiras horas desta manhã os cidadãos de Maputo e Matola foram abalados por uma onda de protestos contra a subida do custo de vida.

    Num discurso a nação proferido no início da noite, o estadista moçambicano deplorou o facto de, ao contrário de uma manifestação pacífica e ordeira, ter-se assistido a distúrbios que resultaram em mortes e feridos graves, que também resvalaram para cenas de vandalismo, bloqueio de vias de acesso e destruição e saque de bens.

    Aparentemente, explica Guebuza, saquear uma barraca, loja ou armazém, vandalizar uma viatura ou uma residência pode parecer um retrocesso apenas para o seu proprietário.

    Contudo, o estadista moçambicano adverte que “no meio da emoção esquecemos que também representa um retrocesso para aqueles que dele dependiam para abastecimento, para transporte ou emprego, que também inclui mesmo alguns indivíduos envolvidos nesses actos”.

    Prosseguindo, Guebuza disse que “destruir mercados, estradas e outras infra-estruturas sociais e económicas é atentar exactamente contra aquilo que nos tem estado a ajudar a combater a pobreza na nossa Pátria Amada”.

    Guebuza asseverou que o governo está consciente da situação em que vive a população moçambicana, “que é agravada por factores externos, tais como a crise financeira e de alimentos e a subida dos preços dos combustíveis”.

    Para conter o impacto destas crises na vida do cidadão, o governo adoptou uma série de medidas entre as quais se destacam os subsídios para combustíveis e para a importação do trigo, explicou o estadista moçambicano.

    Acresce ainda, a implementação do Plano de Acção de Produção de Alimentos (PAPA) e uma maior ênfase na luta contra a pobreza nos meios urbanos e no campo.

    Segundo Guebuza, registam-se progressos na implementação do PAPA, bem como no abastecimento de água e saneamento do meio, nos transportes e comunicações, na saúde e educação e na melhoria das vias de acesso.

    Estes progressos, disse Guebuza, são resultado do trabalho dos moçambicanos que também se empenham na melhoria da sua habitação, no abastecimento em produtos diversos aos seus compatriotas bem como na aquisição de viatura para uso pessoal ou para o transporte colectivo de passageiros.

    O estadista moçambicano garante que o governo está ciente que isso ainda é pouco para o nível das necessidades dos moçambicanos, razão pela qual o governo continua empenhado na luta contra a pobreza que aparece em destaque no Programa Quinquenal do Governo.

    Na ocasião, o estadista moçambicano vincou que a observância da lei, ordem e tranquilidade públicas é também uma condição fundamental para a atracção de mais investimento nacional e estrangeiro que contribui para a geração de mais postos de trabalho.

    Por isso, Guebuza exortou aos moçambicanos para se manterem calmos e serenos e não aderirem a qualquer tipo de agitação.

    Exortou ainda aos cidadãos para dissuadirem os ingénuos, manterem a vigilância e denunciarem às autoridades os agitadores e a preparação ou organização de actos que atentem contra a lei, ordem e tranquilidade públicas. (AIM/RM)

  5. Leo diz:

    “não lhe voltarei a responder até o estimado e pseudonómico comentador ter a hombridade de esclarecer se o faz a cargo do Serviço de Informações e Segurança do Estado, de uma outra instituição estatal, do partido governante ou uma das suas facções, de alguma organização ou empresa com interesses em Moçambique, ou por sua autónoma caturrice.” ???

    O 5 Dias esqueceu-se de nos informar que o seu auto-proclamado “new kid in the blog” não passa de um cromo velhote e auto-convencido.

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