A pergunta é simples, Fabian: Reforma ou Revolução?

O Fabian Figueiredo, através desta posta numa tasca umas portas mais à direita (bem mais à direita!), vem assumir a defesa da ortodoxia dirigista bloquista. Antes de mais, comete o erro de confundir a minha opinião com o que são  as posições de um colectivo partidário onde me insiro, o PCP. Nada mal para quem tanto apregoa o respeito pela diversidade cultural e de pensamento. Quem o leia, até parece que está a falar de um membro da Comissão Politica, ou (arrepiem-se os anti-burocratas burocratizados) de um funcionário (o meu amigo Fabian não será um, pois não?)…

Mas adiante, a minha opinião vincula-me a mim e mais ninguém.  Continuando na linha de ataque aos “burgueses vermelhos” (esta partiu-me todo!), o Fabian (re)lança o anátema da homofobia vermelhusca, que já deu pano para mangas em tudo o que é critica reaccionária e que as tomadas de posição do PCP (e também dos Verdes, esse partido melancia como muitos amiguitos bloquistas gostam de o apelidar) vieram desmentir cabalmente. Quanto à legalização das drogas leves, muito mal andaria o mundo, se esta fosse uma reivindicação revolucionária (a pesar de eu até ser a favor)…

Continuando o rol de parvoices, o Fabian vem falar da importância do grupo parlamentar do BE para a Esquerda, não  sei porque carga de água se lembrou de dizer isso a propósito  do meu texto, mas ele lá saberá. É que em nenhum momento, sequer comento a pertinência de haver mais ou menos deputados bloquistas, o que eu questiono é se o BE tem como horizonte a Revolução – e podemos dar muitas voltas ao assunto, mas reforma e revolução são conceitos diametralmente opostos…

Mas pior que tudo, e confirmando em absoluto a minha tese, o Fabian tem pena de que não  se preveja “uma onda de regresso aos princípios da social-democracia” por parte do PS – ou seja deduzo que o Fabian até admite que se o PS reassumisse o seu papel reformista (um pouquito mais à esquerda, como havia dito), seria o companheiro ideal do Bloco (e esqueçamo-nos lá dessa porra de revoluções, que essa merda dá muito trabalho). A questão central fica respondida, o que leio do Fabian é que ele não se importa com a manutenção de um sistema capitalista reformado, ou seja, não tem no horizonte a revolução.

Quase a terminar, e fico contente por poder fazer alguém rir, o Fabian questiona os dois últimos parágrafos da minha posta anterior, sem sequer saber quais são as minhas referencias de revolucionários e de  revoluções, de experiencias positivas, de avanços, mas também de erros e de crimes (e esquecendo oportunisticamente que o PCP já fez a sua critica e autocritica relativamente aos países de leste e de forma colectiva!) Pumba! Este gajo é do PC, por isso é um stalinista, pensou o Fabian (tenha cuidado que essa merda é sectarismo burocrático, Fabian, não queira ser confundido…)

Reproduzo aquí um comentario que tinha feito a um (assumido) reformista seu companheiro:

“donde depreende que eu branqueio Stalin? Por falar em revolucionarios? E é assim, ou sao todos ou nao é nenhum? nao me dá o direito de me identificar com aqueles que foram cruciais e que contribuiram de forma mais positiva para o que hoje podemos entender como socialismo? Entao, e os defensores do capitalismo? Do Adam Smith ao Keynes comem tudo?”

Saiba o amigo Fabian que encontro aportações válidas ao Socialismo em Lenine, em Fidel, em Amilcar Cabral, em Rosa Luxemburgo, em Bakunine, em Guevara, no sub-comandante Marcos e até em Chavez e, pasme-se, até em Trostki e Mandel, entre muitos outros.

Quanto às sugestões que deixa o Fabian, agradeço-as do fundo do meu coração stalinista, debaixo desta carcaça empedernecida e fria, mas não posso deixar de notar a dificuldade que ele teve em encontrar signos de afirmação ideologica, de assunção clara de um projecto revolucionário do Bloco. Creio, desminta-me se estou enganado, mas nenhuma destas iniciativas aparece com o selo claro e estampado do Bloco, pois não? Aparece uma associação cultural que não é o Bloco, pois não? Ou o BE já não se importa de assumir claramente a satelização das organizações que lhe são próximas? Só para saber… é que de revolucionários envergonhados e fantasmas do passado, já ando um bocadinho farto.

O Bloco diz-se uma força do futuro, então que se assuma, por onde passa o futuro, Fabian? Reforma ou revolução?

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17 Responses to A pergunta é simples, Fabian: Reforma ou Revolução?

  1. querido rafael, já não tinha o Gramsci gasto pestanas a mais nesta?

  2. Vasco Ramos diz:

    Parece-me que a receita é reformismo até à revolução. Mas se não chegarmos lá, (Fabian) fica contente se ficarmos mais parecidos com a Finlândia ou a Suécia.

  3. augusto diz:

    O colectivo partidário a que pertence , o PCP, há muito que desistiu de fazer revoluções, se é que alguma vez teve esse objectivo.

    A não ser no periodo em que defendeu, uma coisa, chamada Revolução DEMOCRÁTICA E NACIONAL…..

    Ou será que desconhece o partido a que pertence,,,,

  4. rafael diz:

    Falo de horizonte, de perspectiva, de obejctivos, Gui. Ou entre um “gramsciano” (nao sei se esta palavra existe!) e um social democrata nao encontras diferenças?

  5. Não sei quem seja o supracitado, todavia essa questão (se é que é uma questão…) já foi respondida há séculos, e não era preciso ir a Paris, havia na “Barata” (Lxª) e em ‘tuga’…

    http://socialistregister.com/index.php/srv/article/view/5272

  6. rafael, viste a minha resposta ao teu outro post? sobre o BE? a ti e ao fabian?

    o horizonte é a revolução. do que conheço do fabian, concordará comigo. até lá (até termos apoio popular mundial para mudarmos, de preferência democraticamente e sem sangue, o sistema político e económico mundiais) o caminho só poderá ser meio-reformista, sim… não com o objectivo de chegarmos a uma social democracia, mas com o objectivo de, não perdendo o que já foi conquistado pela social democracia (estado social etc), irmos lutando pelos valores socialistas anticapitalistas, apresentando soluções e negociando sem perder terreno com o poder, em nome dos que não o têm. parece-me que o pcp também faz isso. não?

    http://oblogouavida.blogspot.com/2009/03/s-word.html
    http://oblogouavida.blogspot.com/2009/10/nao-aldrabes-e-faz.html

    e parem la de fazer posts ‘pessoalizados’, pa. que seca quando o debate passa a ser ataque pessoal…

  7. rafael diz:

    vi, Gui. Conheço-te e sei que és bem intencionada, mas sei que tambem tu partilhas de muitas das criticas que faço (dirigismo, burocracia, sectarismo) à direcçao do Bloco. A minha grande questao nao é reformismo com vista à revoluçao, mas sim qual o horizonte politico do BE e eu creio cada vez mais, pelo que expus e pelos comentarios recebidos, que a resposta é a reforma do capitalismo nao a sua superaçao…

  8. augusto diz:

    Acho interessante que alguns militantes do PCP tentem colar ao Bloco de Esquerda o rotulo de REFORMISTA, que certamente é, por contraponto ao PCP que seria um partido revolucionário.

    Nada mais falso, o PCP NUNCA foi , NEM È um partido revolucionário, e quem se interessar um pouco pela história do PCP , verá que durante todo o periodo da ditadura, o PCP foi acima de tudo um partido do reviralho, aliado á burguesia republicana.

    A única altura em que houve algo que se parecesse com um movimento revolucionário, foi a greve geral de 1934, que sectores do PCP apelidaram de anarqueirada, e que na realidade foi dirigida pelo que restava dos sindicatos anarquistas.

    A partir daí , continuámos a ter tentativas de golpes de estado fomentados por militares , que acabaram por triunfar no 25 de Abril.

    O PCP empenhou-se em muitas lutas operárias, mas nunca apontou um caminho para um caminho realmente revolucionario, porque temia perder o apoio de sectores burgueses, descontentes com Salazar.

    Foi assim com o grande movimento pela democracia , a seguir á guerra, com a grande mobilização em torno da campanha de Delgado,e até com inicio da Guerra Colonial e durante os 13 anos que ela durou.

    Mesmo no pós 25 de Abril, o PCP utilizou toda a sua capacidade de mobilização para travar o movimento de massas, e só quando viu que podia tirar dividendos , na disputa de lugares no aparelho de estado com a burguesia, então tentou cavalgar o movimento de massas, não para o levá-lo a uma radicalização e mesmo a uma alteração do regime , para uma nova etapa da construção do socialismo, e sim como se viu para o 25 de Novembro, só para manter algumas das grandes conquistas do processo revolucionário de 74-75.

  9. (essa do ‘bem intencionada’ até doeu, camarada. LOL)

    críticas internas à parte, e os nossos partidos têm ambos muitas arestas a limar (não me esqueço que vocês não têm direito de tendência, portanto enquanto tu sabes que eu tenho cá as minhas críticas à direcção do BE, que eu posso assumir e debater sem medo de ser convidada a sair do BE, eu não sei se tu tens ou não críticas relativamente à tua… =), como se calhar qualquer partido, a ‘maioria’ do bloco define-se como anticapitalista. ponto.

    não alinha pela mesma bitola do ps, que é, quando o tempo está bom, social-democrata. (como vocês não alinhavam quando apoiaram o soares à presidência…) ponto.

    não quer uma social-democracia. ponto.

    quer o socialismo e a superação do capitalismo. ponto.

    … como lá chegamos e o que o socialismo será é outra questão. essa podemos debater e eu até quero, como se fazem alianças e com quem, para o quê. mas não entrem em querelas divisionistas e em críticas aos partidos uns dos outros ou em lutas pessoais, que a direita só se fica a rir…

  10. Rafael Fortes diz:

    deculpa lá, nao era intençao magoar…a minha liberdade pratico-a em toda a parte e expresso-a em todos os lados (nao preciso de uma tendencia para me apoiar -nao te estou a criticar a ti concretamente…)

    os pontos que tu poes sao bonitos, mas nao acredito neles. Acredito que tu acredites, acredito que muita gente no Bloco acredite neles mas a mim têm de me convencer…

    abreijos

  11. paulo diz:

    quer o socialismo e a superação do capitalismo. ponto.
    partindo do pricipio que um dia la se chega
    oque acontece a quem não é “socialista”?

  12. Renato Teixeira diz:

    Ora Rafael, nunca ouviste falar no “reformismo revolucionário”? Teses modernas, tens que ler.

  13. Rafael Fortes diz:

    desconfio muito das modernices, Renato, muito mesmo…

  14. Rui F diz:

    Rafael

    Ainda não percebi a tua tara…dizes
    ” …Antes de mais, comete o erro de confundir a minha opinião com o que são as posições de um colectivo partidário onde me insiro, o PCP…”
    Se és do PCP porque perdes tempo com o Bloco? Queres levar o pessoal da FER para o PCP? Mas o pessoal da FER quer é o Bloco e não o PCP.

    Imagina o que seria do PCP, se os autarcas te levassem à letra! Os capitalistas, as multinacionais, etc, serem corridas dos concelhos PC e as fábricas entregues ao proletariado!
    Em TEORIA defendem a revolução…na prática são exactamente como o PS, o PSD!

    Deixa-te estar sossegado e fala de coisas sérias.

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  16. (um àparte pessoal e personalizado para a Gui).

    Minha querida camarada e amiga Gui, tu escreveste:
    “(não me esqueço que vocês não têm direito de tendência, portanto enquanto tu sabes que eu tenho cá as minhas críticas à direcção do BE, que eu posso assumir e debater sem medo de ser convidada a sair do BE, eu não sei se tu tens ou não críticas relativamente à tua… =)
    E eu deixei escapar um sorriso amarelo!
    Não em relação ao PCP e às suas não tendências, isso não me faz sorrir, é uma das razões porque nunca militei no PCP…mas em relação ao que escreves em relação às criticas no BE, nomeadamente àquela de não nos convidarem a sair e assim…

    Amarelo, mesmo!

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