«Aventureiros, malfeitores e bandidos»

Foi desta forma que o Ministro do Interior moçambicano se referiu há pouco, na televisão STV, a pessoas como estas.

Repetiu que o Governo tem o «combate contra a pobreza absoluta como seu principal objectivo» e que estes actos – ilegais, salientou – em nada ajudam.

Imaginem as pessoas que dizem aquilo naquele link a ouvirem-no. Ele, parece não os ter ouvido, nem àquilo que, conforme sugeri dois posts mais abaixo, elas querem dizer.

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7 Responses to «Aventureiros, malfeitores e bandidos»

  1. Leo diz:

    O ministro do Interior de Moçambique, José Pacheco, considerou hoje “vandalismo” os protestos contra o aumento de preços, que estão a ser caracterizados por saques aos estabelecimentos comerciais, afirmando tratar-se de actos “ilegais”.   

    “Estamos perante actos de vandalismo a incidir sobre cidadãos honestos e trabalhadores que vêem os seus bens pessoas a serem danificados ou pilhados por malfeitores”, disse José Pacheco à Rádio Moçambique. 

    Desde as primeiras horas de hoje, as cidades de Maputo e Matola estão debaixo de protestos populares contra o aumento de preços, ações que já causaram pelo menos seis mortos e várias dezenas de feridos, segundo fontes hospitalares moçambicanas. 

    José Pacheco considerou essas acções como “actos de desacatos à ordem pública com capa de manifestação, os quais são lamentáveis e condenáveis, por serem, por um lado, ilegais e pelo seu carácter violento”. 

    “O Governo tem mecanismos de diálogo permanente com a sociedade civil”, nomeadamente através da presidência aberta, levada a cabo pelo chefe de Estado, Armando Guebuza.   

    “Apelamos à calma e serenidade de todos. Apelamos à colaboração de todos, respeito e apoio da PRM”, disse o ministro do Interior moçambicano. 

    Questionado pelos jornalistas, o ministro disse que “agora” a situação está controlada pela polícia. 

    A Lusa questionou a Presidência da República sobre os protestos, mas foi dito que para já não há comentários. 

  2. Leo diz:

    Que tal o Paulo Granjo acalmar? Isto de armar ao pirómano não é nada bonito.

  3. Leo diz:

    Parece que a preocupação do Paulo Granjo é tentar-nos convencer que nestes distúrbios não há mãozinha de reacça, partidária ou não. Mas há, Paulo. Não se instrumentalizam crianças com a facilidade aparente como se instrumentalizaram em Maputo. O que ocorreu foi gravíssimo, e quem organizou a coisa pretendia mesmo este triste resultado. Morreram crianças, sabia? Morreram crianças! Porque houve quem as instrumentalizou. Veja lá se se acalma de vez.

    • paulogranjo diz:

      Face à gravidade do que escreveu, faço uma excepção à minha decisão de só lhe responder após você fazer a sua própria declaração de interesses, conforme eu já fiz na caixa de comentários anterior.

      Acusar-me de estar a acicatar os ânimos (mesmo partindo do princípio de que al´guém se interessa por este blog em Maputo) só pode resultar de uma de três coisas: ou não leu o que eu escrevi, ou não consegue perceber o que lê, ou está de má-fé.

      Tudo isto é tristíssimo e, como diz, morreram duas crianças.
      Duas crianças mortas por disparos de polícias a quem não foi distribuído, desta vez, qualquer equipamento anti-motim, mas apenas kalashnikovs, caçadeiras e pistolas. Uma opção que, também tristemente, duvido venha a ser punida ou sequer questionada, tendo em conta o que aconteceu em 2008.

      E, provavelmente, os 4 restantes mortos até agora registados eram também jovens.
      A julgar pelas imagens que chegam, e tal como em 2008, estão famílias e vizinhanças inteiras a protestar e, tal como habitualmente nas situações de violência em Maputo (incluindo nos linchamentos), os homens e os mais novos vão para a frente, acicatados pelas mulheres.
      Talvez por isso (conforme pode verificar, pesquisando Fevereiro de 2008 no blog do prof. Carlos Serra) os alunos de uma escola se indignaram publicamente, então, quando a Governadora de Maputo lhes foi dizer isso que você está a escrever: que foram manipulados por forças obscuras.

      Mas, estando você a, para além de me fazer acusações graves, reproduzir a tese da “mão invisível” já levantada em 2008 pela Frelimo (veja http://antropocoiso.blogspot.com/2008/02/semnticas-invisveis.html) e de que o próprio Presidente da República então se distanciou, e agora de novo repetida pela mesma força política, insisto na minha exigência de que declare os seus eventuais conflitos de interesses na discussão desta matéria.

      Caso contrário, não só não lhe voltarei a responder, como passarei a apagar os seus comentários.

  4. Abilio Rosa diz:

    A actual exploração dos povos africanos é insuportável.

    Os actuais governos são corruptos e incompetentes.

    O actual neo-colonialismo é mil vezes pior que o colonialismo!

  5. Pingback: cinco dias » Malandras, malfeitoras e bandidas

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