Mas, afinal, o que quer, o que é o Bloco de Esquerda?

O ultimo post do Tiago pôs-me a pensar um pouco no significado que tem hoje em dia o BE na Esquerda portuguesa. O aparecimento do Bloco como a congregação de vários politicos de esquerda com diminuta expressão eleitoral há uma década e qualquer coisa atrás parecia(pelo menos, a mim) alentar uma esperança para uma construção de uma esquerda com E grande. Um contributo que podia ser dado junto com o PCP (mas não só) a construir um projecto de poder sólido assente na solidariedade, na democracia participativa, na construção de um Portugal menos desigual. Confesso que tive (às vezes ainda tenho) essa ilusão.

O BE apresentava-se não como um partido, mas como um movimento. Uma plataforma, um sitio de encontro onde todas as esquerdas anti-capitalistas podiam se reunir. E essa ideia, a mim parecia-me bonita. Realmente uma ideia bonita, podiam-se respeitar as diferenças das esquerdas em prol da construção de umas bases minimas de entendimento para um novo Projecto Social.

Pensava eu, e mal, que algumas picardias entre as esquerdas iam esmorecer. Que era possível um momento histórico onde as várias Esquerdas olvidassem sectarismos e divergências (algumas delas que nada têm de politico e chegam ao nivel pessoal). Era um sonho bonito e ainda não o perdi de vista, embora cada vez mais me pareça um sonho longinquo…

Para que não haja confusões, acredito que muitos interlocutores válidos da Esquerda estão no Bloco e será com eles também que se construirá o combate por uma Sociedade mais Igual, mas, infelizmente parece-me a mim que está a ganhar força dentro deste Partido politico (o movimento, a plataforma de encontro de esquerdas já desapareceu) uma via tendencialmente interessada em preparar um discurso do possível, das cedências necessárias e nem de perto, nem de longe o vejo como uma cedência ao Governo imediato do PS. Não.

A minha análise, e espero estar profundamente enganado, é que existe um pensamento cada vez mais dominante no Bloco que implica a sua mais perfeita social-democratização a todos os niveis. Uma social democratização que começa a preparar agora uma relação com um PS pós-Sócrates, um pouquito mais à esquerda. Um PS que aceitará um reformismo do capitalismo, um PS que não se importe em não dar tantos privilégios aos que mais podem. E aí, estarão criadas as condições para um entendimento. Aí, o Bloco poderá aparecer como o “aliado temporal da burguesia” ou coisa que o valha.

Mas até aí, tudo bem. Mas, e a seguir?  A seguir, é a diferença entre aceitar a exploração como inevitável e o combate desenfreado contra a opressão do capital. A seguir,  é a diferença entre o dirigismo e o dirigente, entre reforma e revolução, entre a normalização e a ambição, entre contentar-se com “remendos e côdeas” ou lutar pelo “casaco” e pelo “pão por inteiro”.

Eu, actualmente,  pouco acredito no potencial revolucionário do Bloco porque parece começar a existir uma teoria não escrita, uma linha de pensamento dominante -não sei se puramente estratégico ou não- que a radicalização da forma do discurso é inversamente porporcional à radicalização do conteúdo. Quando o BE fala de socialismo, de que socialismo nos fala? O que é o socialismo do Bloco? Em que se materializa? Qual o modelo, o ideal -a ideia deleuziana- deste Socialismo? Qual é a ambição, a motivação, o quadro programático do socialismo do Bloco?

Como se pode ser socialista no século XXI e guiar-se/ ser guiado pelos media dominante? Como se pode ser socialista no século XXI e enjeitar posições, mesmo que de forma pontual, com a Direita internacional? Como se pode acreditar mais no Inimigo que no nosso camarada de luta? Como se pode mentir, mentir despuradamente contra o nosso Irmão de batalha? Como se pode esquecer a História, o contributo de practicamente todos os revolucionários do século XX? Como se pode ser socialista no século XXI e ter a pretensão de querer começar a História do zero, apagando da memória o sangue de milhões de revolucionários que deram a vida por uma sociedade livre da exploração, do fascismo, do racismo, da homofobia, do colonialismo e do pós-colonialismo, do intervencionismo e do imperialismo? Como se pode ser socialista no século XXI e ter vergonha dos socialistas do século XX? Como se pode ser socialista no século XXI e não ser revolucionário?

Eu, um dia, tive um sonho bonito e depois acordei…

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47 respostas a Mas, afinal, o que quer, o que é o Bloco de Esquerda?

  1. augusto diz:

    Quando o PCP fala de socialismo de que socialismo fala…

    Da Coreia do Norte, de Cuba da China perguntas que o Rafael Fortes tambem poderia responder……

  2. Rui F diz:

    Raul

    O problema do PC, é que os reformistas já saíram do partido faz muito tempo e não têm saudades da ortodoxia, aliás, nem admitidos seriam. O PCP não perdoa.
    Nunca existirá uma união de esquerdas válida e com substância – Lisboa foi a excepção – porque o PC jamais abdicará de ter MÃO nessa Esquerda.

    È o discurso mais reaccionário e Estalinista que já li no arrastão
    Estás em Portugal e não na URSS!
    Acorda homem…levas o tempo a sonhar com a União Soviética e ficas assim.
    Esse paragrafo a “bold” é mais reaccionário que 5 Muros de Berlim empinados uns nos outros.

    E sabes que mais, quem tem medo de ser poder pela via do voto, compra um cão!

  3. Rui F diz:

    Raul

    Diria até mais…os que restam no PC, deviam abdicar definitivamente das lamechices e pieguices e olhar o mundo á volta.
    Estrebuchem. Lutem pelo ideal.
    Uma coisa é acerta: acertaram em cheio no candidato Chico Lopes. Força.

    Em vez de combaterem o Liberalismo e os Liberais andam a combater o próprio Socialismo!

    Até metem dó.

  4. Leo diz:

    Depois de Louçã ter afirmado que o BE é o único partido comprometido em derrotar Cavaco, e de ontem Alegre ter re-afirmado o sectarismo prevalecente da sua candidatura – “É preciso saber se é uma candidatura para lutar contra este governo e abrir o caminho a um governo de Direita. Se é para lutar contra a minha candidatura, se é para ajudar a derrotar o candidato da Direita”, ousou ele dizer referindo-se à candidatura de Francisco Lopes -, o Rui F revela-se o candidato indicado para lhe carregar a mala.

  5. Diogo diz:

    Não devemos esquecer que os dirigentes do socialismo do século XX deixavam muito a desejar…

  6. Rui F diz:

    Leo

    Desculpa mas não dizes coisa com coisa.
    Quem é Francisco Lopes, o candidato a Presidente da Republica?

  7. Portela Menos 1 diz:

    “Esse paragrafo a “bold” é mais reaccionário que 5 Muros de Berlim empinados uns nos outros.”

    Ops!

  8. Rui F diz:

    GRANDE calinada a minha!!!

    “…È o discurso mais reaccionário e Estalinista que já li no 5 DIAS…”

  9. LAM diz:

    ó Rafael Fortes, é você a juju do PCP? esse texto denuncia-a(o).

  10. Leo diz:

    O Francisco Lopes é o candidato do PCP à Assembleia da República. É o mais jovem de todos os candidatos e o melhor preparado. Não frequenta o jet-set, mas é sobejamente conhecido no jet-sindical. É um cidadão muito sério, estudioso e sensato. É beirão de nascimento e deputado pelo círculo de Setúbal. E estou certo que vai fazer uma campanha eleitoral bastante dinâmica e esclarecedora. Com ele não haverá nem fretes nem favores aos inimigos dos trabalhadores, dos micro, pequenos e médios empresários e dos jovens e idosos.

  11. Rafael Fortes diz:

    Rui F, quando fala para o Raul imagino que esteja a pensar em mim e o arrastao é umas portas mais à direita… 🙂

    voce sequer sabe quais as minhas referencias revolucionarias pessoais? Sabe quais os processos revolucionarios e as formas de governo ou auto-governo que me sao proximas como modelo de referencia? vá chamar stalinista e ortodoxo a outro, tá bem?

    e reacionario? reaccionario talvez seja voce, nao? fala de luta armada, fala medo ao voto – nao sao os metodos que sao revolucionarios, sao os objectivos, antes de mais,e eu nao refiro em nenhum momento os metodos para os alcançar!!!

  12. Rui F diz:

    Portela Menos1

    Esse parágrafo é reaccionário ao quadrado! Mistura tudo, cegamente e sem distinção.
    Até os crimes Estalinistas “viraram” operações de charme!

    Em nome do Socialismo cometeram-se milhões de actos criminosos.
    Esse Socialismo tem que ser banido no séc XXI, no meu ponto de vista evidentemente.

  13. Renato Teixeira diz:

    Rafael o texto está muito bom e tem a inteligência de não tomar o BE como um todo como quase sempre faz a malta do PC.

    Apenas um reparo. Sem cair na armadilha em que caiu o Xatoo há alguns meses, de reclamar a si o que o Zé Mário não reclama (e note-se que o poeta-cantor é ele e não quem o cita) devo dizer-te que a citação é adequada ao tema mas pouco simpática para o PCP que como deves saber é e foi vezes demais adepto de remendos e côdeas. A citação é legitima (até na boca de social-democratas como o Daniel Oliveira e quejandos que votam o FMI para a Grécia mas citam o FMI do JMB) mas umas vezes é mais justa que outras. Reconhecerás? Era essa a tua intenção? A de fazer uma dupla crítica?

  14. Rafael Fortes diz:

    Renato

    o PCP ao longo da sua historia teve muitos acertos e tambem teve erros, as direcçoes e o colectivo partidario sao compostos por homens e mulheres e logo sao faliveis. Mas creio que todas as decisoes de vulto de intervençao nas diversas lutas, foram sempre tomadas com a maior auscultaçao possivel, com a maior consulta de opinioes possivel, com a maior democracia interna possivel. Eu creio que o balanço é francamente positivo, diria mais generosamente positivo. Mas uma coisa é certa: em nenhum momento terás visto o PCP e os seus dirigentes perder de vista a superaçao do capitalismo. E é isso que me assusta no BE.

    Cada vez vejo menos essa visao, esse objectivo de construir uma nova sociedade e cada vejo mais o contentamento com a esquerda possivel e é essa linha que separa um reformista de um revolucionario. Um social democrata de um socialista, comunista ou libertario. E a mim, o que me parece, é que está a tentar desenvolver um processo de re-ideologizaçao, de re-definiçao estrutural no BE em que as posiçoes mais radicais, as criticas de fundo a um sistema, a uma forma de funcionar sao claramente deixada de fora do discurso dominante- agora se isso corresponde à vontade dos “aderentes”, já nao faço a minima ideia…

  15. Rui F diz:

    Raul

    A minhas desculpas por ter mencionado o arrastão em vez do 5 dias.

    O texto denuncia-te de certa forma.
    Há alguma tentava de branqueamento (ou esquecimento) do Estalinismo. É esse o meu NÃO SOCIALISTA.
    Isso de apregoar a Liberdade tem muito que se lhe diga e muito “democrata” de Esquerda – pelas afirmações, atitudes e condescendência – não tem moral sequer para a citar.

  16. cd diz:

    Que dizer dos comentários intoxicados e preconceituosos contra o PCP, que revelam nada conhecerem sobre o PCP. E quão ridículo o sistemático recurso à Coreia, à China e ao raio que os parta a todos… de gente inteligente e farta de argumentos e intrujices?
    Percebo bem o que está a negritoque para inúmeros seguidores do BE, nada diz e para alguns nada dirá nunca, como melhor revelam as suas impacientes mensagens e práticas.

  17. Rui F diz:

    Raul é evidentemente Rafael Fortes

  18. Rafael Fortes diz:

    donde depreende que eu branqueio Stalin? Por falar em revolucionarios? E é assim, ou sao todos ou nao é nenhum? nao me dá o direito de me identificar com aqueles que foram cruciais e que contribuiram de forma mais positiva para o que hoje podemos entender como socialismo? Entao, e os defensores do capitalismo? Do Adam Smith ao Keynes comem tudo? Nao há diferença de matiz, pelo menos entre um social democrata e um neo-liberal? ora que porra, e eu é que sou o sectário…

  19. Rui F diz:

    cd

    Tens que dizer ao comité para fazer uns esclarecimentos de vez em quando.
    É que cá fora, estamos todos convencidos que o PCP é adepto fervoroso desses sistemas que citaste.

    Já agora o Rafael Fortes, o Tiago, etc, é sempre que metem a colher no BE trazem ao baile o PCP.

    A malta do BE até simpatiza com os comunistas…eu por exemplo.

  20. Renato Teixeira diz:

    Rafael, a acelerada degeneração do BE é mais veloz do que a do PCP. Certo. Achas isso motivo de grande festa? A velocidade a que passou a ceder nos pontos essenciais também. O facto de ser hoje visto como o aliado natural do PS é a prova mais evidente.
    Estes factos no entanto não ilibam o PCP e os PCP’s. Pelo número de anos de vida e pelo número de oportunidades perdidas têm no seu percurso mais responsabilidades nos remendos e côdeas em detrimento da superação da sociedade capitalista e da dita democracia burguesa, do que qualquer fenómeno de esquerda maionese (Do Die Linke ao BE). Neste campo das duas uma, ou contaram-nos histórias diferentes do Verão Quente, da URSS (politica e organicamente) e da guerra civil de Espanha, só para citar os mais conhecidos casos de capitulação, ou temos noções diferentes do que é a superação da sociedade capitalista. Abraço.

  21. antónimo diz:

    desculpem transcrever para aqui, mas acho que dá mais luta

    A forma como se organizaram os congressos da esquerda e os convites à participação (com BE e Alegre) e o arrastão das agressões a Vital Moreira propaladas no 1º de Maio pela linha social-democrata do BE tornam clarinho como água que o BE não procura pontes nenhumas com o PCP – antes procura tirar desforço em todas as oportunidades.

    A primeira vez que aquilo que o Rafael Fortes diz me pareceu claro foi na sequência de intervenções do NRA, que andou nos dois lados da esquerda portuguesa.
    Certas linhas do BE – que me parecem dominantes – parecem dar-se por satisfeitas com alinhar em soluções governamentais e/ou parlamentares com uma esquerda do PS (que ninguém sabe onde anda), próxima de uma certa ética social. E o PCP é para deixar de fora dessa equação. E é-o sempre nas soluções propostas pelos publicistas social-democratas do BE (aliás, acho que é a única corrente/tendência com peso na comunicação social).
    Mesmo na criação de cenários pela comunicação social, a solução tripartida (uma frente popular PS+BE+PCP, que gostava de ver) nunca é posta em cima da mesa. Alianças à esquerda, sugerem-se entre o PS e o BE.
    Agora, também acho que o PCP não procura pontes que não possa enquadrar em termos de confiança política (e esse enquadramento, nalguns casos é de abraço de urso)

  22. LAM diz:

    Valhamedeus. Não haverá aí no 5dias alguém que deite uma mãozinha ao texto do Rafael Fortes? O moço calça os patins e vai por ali fora ó tio ó tio completamente desgovernado. Ele acredita no BE, mas depois houve ali qualquer coisa e…continuou a acreditar, só então se apercebeu que não seria bem assim mas acreditou na mesma, prá frente é que é o caminho, eis senão quando, tempo impreciso, vulgo flash, caiu em si contra um muro. Aí vieram-lhe umas interrogações a bold que o Belmiro Azevedo costuma usar para distinguir o homem SONAE do homem vulgar, e termina, poética e elegantemente, coisa bonita “Eu, um dia, tive um sonho bonito e depois acordei… “. (contive as lágrimas).
    O N.R.A., por exemplo, a propósito das utopias, bem que podia balizar-lhe o discurso. Tu, Renato, davas-lhe uma ajuda na táctica que, segundo esse teu camarada blogocoiso, é mais risonho para o BE do que a Joana Amaral Dias algum dia suspeitou. Vamos dar as mãos, ajudar-nos uns aos outros. Ámen.

    (Rafael, no bad coisos.)

  23. Rafael Fortes diz:

    Nao, nao acho, Renato. Muito pelo contrário. O BE passar para o “outro lado” ou a andar a “saltitar” de lado em lado só pode ser visto com desalento…
    Quanto ao restante, acho que além de nos terem contado historias diferentes, o PCP ja fez a grande maioria da auto-critica e critica aos regimes de leste. Abraço

  24. LAM diz:

    Renato, um partido que cresce em tão pouco tempo tanto como o bloco cresceu, é quase inevitável que não sofra permeabilidades que outros partidos instalados há muitos anos, e ainda por cima bloqueados a discursos cuja realidade não terminou com a queda do muro de Berlim, não sofrem. Penso que o bloco está a passar por uma fase dessas e, de certa maneira, é o preço a pagar.
    (sobre isto saberás mais do que eu que, contrariamente ao que se possa pensar, não sou nem nunca fui militante ou aderente ou lá como se chama, do bloco).

  25. Rafael Fortes diz:

    LAM,
    os dogmaticos e os sectarios têm certezas, objectivos claros, sao uns clarividentes do caraças. Eu nao, nao acredito em pontos de nao retorno por isso acho importante fazer a critica ao Bloco. Porque a sua propria indefiniçao ideologica neste momento nao garante que o seu caminho para a social-democracia seja inevitavel, embora me pareça que seja esse o que esteja a ser traçado…
    Quanto às criticas à narrativa, táticas e essas merdas, passar bem, tá?

  26. Rui F diz:

    Rafael

    Quem costuma saltitar, normalmente para fora, são os camaradas no PCP.

    Posto isto, não confies muito nos concelhos do Renato Teixeira. Se o BE degenera com a magnitude que só ele vê, não se percebe muito bem porque é que tem mais deputados na assembleia. Deve ter havido batota dos gajos da direita e dos sociais democratas, numa de tirar força ao PC!

    Além disso não ligues muito ao que ele diz…essa do BE se aliado natural do PS, mas votar a moção de censura ao governo com o PCP, é palhaçada dele. Já nem falo nos PEC’s e nos orçamentos de Estado.

  27. diogo silva diz:

    a propósito do bloco e do seu carácter reformista social-democratizante, aqui partilho:

    http://anti-trollurbano.blogspot.com/2009/01/louca-rachada.html

  28. Rafael Fortes diz:

    Pois, F. se acha q esta discussao é sobre o peso eleitoral ou a oposiçao do be a este governo especifico, tem toda a razao. Fico é um pouco parvo em ver tantos bloquistas fugirem à pergunta: reformista ou revolucionario? O BE até podia ter 230 deputados, mas a questao central é está interessado o BE em superar o capitalismo ou em apenas reformá-lo?

  29. Rui F diz:

    Rafael

    Digo-lhe já de caras o que EU espero: Reforma.
    Já reparou que ninguém em Portugal está interessado na revolução como você a entende?

    Do ponto de vista económico – é aí que tudo se passa – os que os revolucionários preconizam, apodreceu e caiu definitivamente com o muro de Berlim, por muito respeito que nos mereçam os seus seguidores do início do séc XX.
    Respeito muito o meu pai e a minha mãe, que me passaram os valores e ensinamentos.
    Os tempos hoje são outros.

    Melhor Estado na economia;
    Dinamização da economia com investimento público;
    Melhor e mais formação e educação publicas;
    Serviços de saúde públicos;
    Investimento do estado para dinamizar a economia;
    Banca pública forte em concorrência com a privada;
    Energia, telecomunicações, água com forte presença pública;

    Em Portugal ou se colocam as coisas do ponto de vista prático, ou os liberais comem este povo até ao tutano.

    “ Mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Muda-se o ser muda-se a confiança. Todo o mundo é composto de mudança…” JOSÈ MÁRIO BRANCO a cantando Camões, esse revolucionário da língua.

  30. Uma espécie de resposta a: “Mas, afinal, o que quer, o que é o Bloco de Esquerda?”

    http://adeuslenine.blogspot.com/2010/09/uma-especie-de-resposta-mas-afinal-o.html

  31. Abílio Rosa diz:

    O BE foi uma moda que já deu o que tinha a dar.

    Daqui a um dois anos já ninguém se lembrará do BE, assim como já muita pouca gente se lembra do PSR,da LCI, da UDP ou da FUP….

    O BE é uma espécie de GRIPE A socialismo. Muito espavento e pouca consequência.Felizmente…

  32. Rui F diz:

    Abílio

    Deixe-se de tretas.

  33. Antónimo diz:

    Rui F, a sua tem sido a receita do PS, mais coisa menos coisa e com distâncias entre o propalado e o feito. Não vejo que nos tenha trazido longe. Será o BE capaz de alterar assim tanto a alma do PS quando chegar à tão desejada coligação.

  34. Leo diz:

    “Mas, afinal, o que quer, o que é o Bloco de Esquerda?” O que sempre quis e o que sempre foram os seus antecedentes. Dividir. Pôr democratas contra democratas, trabalhadores contra trabalhadores, pobres contra pobres. Continuam a ser divisores. Nem o escondem aliás. Até fazem disso coisa muito fashion, muito in.

  35. O debate até é interessante, mas pensava que a maioria dos comentadores soubessem da diversidade ideológica no BE:correntes/tendências desde a social/democrata à comunista/leninista. A actual direcção enveredou por um caminho de aproximação táctica ao PS, obedecendo a uma estratégia delineada pela comissão política de crescimento à sua direita com apoio maioritário da direcção nacional. Obviamente um caminho reformista. As correntes revolucionárias têm internamente de contestar esse ou outro caminho que não aprove; nas concelhias, distritais e Mesa nacional.
    Há vários conceitos de socialismo dentro do BE, e ainda bem.

  36. andre diz:

    “…um sitio onde todas as esquerdas anti-capitalistas…”.Assim não vale a pena tentar agregar o que quer que seja. Vc já defeniu qual a sua esquerda e não é concerteza a da maioria das gentes de esquerda

  37. caro rafael (e fabian, já agora),

    o BE, do qual sou militante de base quase desde o seu início, tem, de facto, um cariz reformista, no sentido em que se bate, no actual clima de refluxo e de crise capitalista, pela manutenção e aumento dos direitos sociais ou pela inversão da perda de força do trabalho relativamente à especulação financeira, propondo medidas concretas de alteração do mundo-que-temos.

    Não há que ter medo de combater em todas as frentes, parlamentar, sindical, e todas as outras ao dispor das forças políticas organizadas, negociando necessariamente com o poder, em nome da defesa dos que não têm poder – o PCP também o faz, e bem.

    Pôr ‘pauzinhos na engrenagem’ do avanço da direita é reformista? Defender o ‘estado social’, que é tão social-democrata na sua génese, é reformista? Deveríamos antes cruzar os braços e fazer política da terra queimada, esperando o cataclismo total, para depois organizar o mundo do zero, quando chegasse o ‘tempo do socialismo’? Quanto tempo, quantas gerações estamos dispostos a esperar até termos a necessária revolução de mentalidades, mundial, a mudança deste paradigma, que impele neste momento as pessoas para o elogio do individual, para a satisfação imediata e para o consumismo, para um outro, socialista?

    Quanto às presidenciais (e a mim interessa-me bem mais a discussão sobre o trabalho de base em comum que podemos fazer, nós todos, pela defesa dos direitos dos trabalhadores, do que sobre as presidenciais, confesso) o que interessa é que Cavaco não tenha mais de 50% dos votos, para haver segunda volta. Nessa altura, contamos (todos nós, BE e PCP) que a base social portuguesa vote mais à esquerda do que à direita.

    Espero que fosse este o sentido em que Louçã falava, em Braga – que a briga final é entre Cavaco e Alegre, e que o BE estava do lado da esquerda. E parece-me simplista e erróneo dizer que o BE se está a aproximar do PS – se na segunda volta o PCP der o seu apoio ao Alegre, está a aproximar-se do PS?

    Eu, por meu lado, gostaria muito de ter visto o PCP apresentar Carvalho da Silva como candidato às presidenciais, e o BE a apoiá-lo. Mas isto não aconteceu. E eu gostava de ter visto esse dar as mãos das esquerdas portuguesas, sem estas querelas tão típicas do-meu-partido-é-melhor-que-o-teu, ao qual se pudessem juntar, em força, as esquerdas restantes no PS, depondo Cavaco. Mas isso não aconteceu. Temos todos responsabilidades por isto – a nossa divisão levou a que tenhamos, na melhor das hipóteses, um ‘menos-mau’ em Belém. Uma pessoa que acredita que ‘capitalismo, tá bem, desde que tenha regras’. E não um sindicalista apostado em construir um outro mundo como símbolo, por exemplo, da recusa da população portuguesa da precarização do trabalho e da perda de direitos dos trabalhadores.

    Por agora, tentemos todos não entrar em críticas estéreis aos partidos dos outros – as nossas linhas políticas são diferentes, e quando chegarmos mais pertinho do tal socialismo discutiremos como o levar à prática. Para já, não somos inimigos políticos, estamos do mesmo nado da barricada, a nossa luta é a mesma e temos é que impedir o sonho Sá Carneirista – e não é só em Belém.

    Abraço aos dois,
    gui castro felga

  38. Leo diz:

    “Eu, por meu lado, gostaria muito de ter visto o PCP apresentar Carvalho da Silva como candidato às presidenciais, e o BE a apoiá-lo. Mas isto não aconteceu.” Pois não. Até porque o Louçã se adiantou numa pressa esquisitíssima a dar o apoio ao Alegre mal ele acabara de se apresentar como candidato. Esquecem-se sempre deste pormenor, certo, gui castro felga? Porque será? Pense nisso.

  39. Leo:
    …nem o pcp demonstrou nenhuma vontade de apresentar o Carvalho da Silva como candidato, sendo que ele teria bem mais hipoteses de recolher apoios nas outras esquerdas e de ganhar as eleições do que o Francisco Lopes … certo? erros de parte a parte. como eu havia dito no comentário inicial.

  40. Rui F diz:

    Leo

    Esqueceram-se foi de perguntar ao Carvalho da Silva se ele queria ser candidato!
    O PCP faz ao contrário: apresenta um dentro do PCP, e Carvalho da Silva, já não é somente PC. O PCP não gosta e o Carvalho da Silva muito ralado com isso. Ele até apoiou o António Costa em Lisboa e tudo.

    Antónimo

    A receita do PS é liberal.
    Pela enésima vez, e entenda se quiser: A receita do Socialismo é Socialismo e não centralismo ou liberalismo.

    O PCP tem medo de coligações à esquerda?
    Faz-lhe confusão tantas Esquerdas dentro do Bloco?

  41. Leo diz:

    “nem o pcp demonstrou nenhuma vontade de apresentar o Carvalho da Silva como candidato” ??? É dos que gostam de ser enganados! Já há mais de um ano, em Junho de 2009 andava o Louçã em entrevistas, nomeadamente ao Rádio Clube, a manifestar o seu apoio a uma eventual candidatura de Alegre. Já há mais de um ano! Diga lá onde é que alguma vez o Louçã demonstrou vontade de que o Carvalho da Silva fosse sequer candidato?

    Era preferível que assumissem as coisas tal e qual elas são em vez de andarem a tentar arranjar desculpas parvas.

  42. A. Silva diz:

    “Digo-lhe já de caras o que EU espero: Reforma.
    Já reparou que ninguém em Portugal está interessado na revolução como você a entende?” – Rui F 1.45

    Infelizmente parece que no BE cada vez mais este é o discurso dominante, assumindo claramente que já não acreditam na superação do capitalismo e pelos vistos já meteram o socialismo na gaveta. Á força de negar o seu passado esquecem a história da humanidade.
    É triste o caminho que o BE está a trilhar, triste para a esquerda portuguesa, para quem quer e luta por um mundo sempre mais justo!

  43. Antónimo diz:

    Leo, Vá lá ler o que escrevi. Não sou, nem tenciono ser militante do PCP – embora vote bastante neles e ainda mais desde a cena triste do arrastão do 1º de Maio, quando o BE tratou de tentar cavalgar uma onda contra o PCP – onde afinal estava mais do que metido.

    Quanto aos medos do PCP, até acho que é avesso e a tentar pontes a não ser junto dos seus próprios SOS Racismo. Mesmo assim participou nos melhores executivos camarários que Lisboa teve – não por acaso interrompido com uma vitória do Santana Lopes secundada por Miguel Portas, que não foi eleito mas tirou votos.

    Quanto aos medos do BE, só os vejo ensaiar pontes com a Direita, ou seja o PS. Nunca com a esquerda. Cronologicamente, andou de braço dado com o Alegre logo após as presidenciais – há cinco anos – e parece-me duvidoso que se Carvalho da Silva (o meu candidato presidencial preferido, o que me situa logo quanto a uma posição pró-PCP) se apresentasse a eleições desse origem a um recuo do apoio presidencial já explicitado pelo Bloco.

  44. Leo diz:

    “Quanto aos medos do BE, só os vejo ensaiar pontes com a Direita, ou seja o PS. Nunca com a esquerda.” Nisto tem toda a razão. Como dizia uma camarada minha logo em 74 (referindo-se ao Otelo) os gajos olham para a direita e mijam para a esquerda.

    Claro que têm todo o direito de se entender com quem bem quiserem e até têm o direito de enganar quem se deixar enganar. Eu é que já vomito quando aparecem com o paleio das uniões e unidades. Ganhem mas é vergonha e deixem-se de tolices. Assumam-se.

  45. Bruno Pereira diz:

    Apesar de eu suspeitar que esta malta da bloga é tudo “funcionário” (daqueles que recebem o vil metal proveniente das estruturas “democráticas”, rectius, como se diz por aqui no cinco dias, “capitalistas” ou “burguesas), gostaria que me respondessem a este dilema (abordando o mesmo do ponto de vista do grande chapéu de uma “sociedade mais justa”): é preferível uma vida inteira a ladrar cá fora ou, de quando em vez, morder lá dentro? É preferível esperar pelos “amanhãs que cantam” ou, de quando em vez, tentar derrubar a direita pelo voto popular?
    Se querem que vos diga, o Cavaco deve ter feito mais do um sorriso esfíngico quando o sectário camarada Jerónimo apresentou o camarada ultrasectário cujo nome já se me olvidou…coisa mais triste não pode haver!!

  46. Renato Teixeira diz:

    Bruno, não deve ter sido um sorriso diferente do que o do Sócrates quando viu o Louçã dedicar apoio “incondicional” ao Alegre. Não está em causa as possibilidades de morder por dentro, o que se fala é que elas vêem o seu efeito reduzido por não se morder cá fora.

  47. João P. diz:

    Voltando a este post que li hoje, não resisto a comentá-lo…
    Este parece-me ser um texto muito bem feito, principalmente o que está escrito a negrito.
    Curiosamente muitos dos comentários aqui feitos revelam inequivocamente que para muitas pessoas ligadas ao BE, o inimigo parece ser o PCP como o partido ortodoxo estalinista e já agora (como se dizia no tempo do PREC), um partido social-fascista revisionista. Fico com a sensação de que o suposto alvo a combater por parte do BE deixa de ser o capitalismo e todos os “ismos” de direita mas sim o raio dos comunas… É o PCP, um partido que a maioria dos bloquistas não conhece porque não quer… O BE tem portanto todo o interesse em seguir a mesma tendência preconceituosa e reaccionária da direita ao critica-lo.
    É sugerida uma discução sobre a identidade ideológica (ou falta dela) no BE e logo o primeiro comentário é dirigido ao PCP sem sequer haver uma palavra relacionada com o tema…
    A meu ver há uma grande crise de identidade idelógica no Bloco de Esquerda, devida á grande disputa entre as suas várias “vertentes ideológicas”. Isto faz o BE esquecer-se que, indepententemente de qualquer vertente, é a defesa e a luta ao lado da classe trabalhadora contra as agressões do capital e do imperialismo, que interessa. Coisa que o PCP faz, se calhar porque este partido é a genese dessa classe. O PCP é a genese do povo e dos trabalhadores portuguêses, tem um papel fundamental na história e na vida social e politica deste país e só por isso já merece respeito e consideração pela restante esquerda, que por sinal não tem esta característica. O PCP é um paritido de consiência de classe composto por muitos homens e mulheres, todos muito diferentes uns dos outros, todos com maneiras de pensar diferentes uns dos outros. É certo que há militantes e/ou amigos do PCP que se gostam de indentificar como seguidores de vertentes ideológicas controversas como o maoismo, estalinismo (que para mim não são vertentes ideológicas mas sim referências a épocas históricas). O PCP, enquanto um colectivo partidário, rejeita e critica estas atitudes, identificando-se como o partido comunista marxista-leninista. Há também quem possa ter saudades do passado mas o que os une é a esperança no futuro! Todos eles são marxistas leninistas juntos pelo mesmo objectivo…
    Vêm?! Até eu me senti obrigado a falar sobre o PCP pois, como militante comunista senti-me chocado com algúns dos comentários que aqui lí, que só revelam uma profunda falta de conhecimento, maturidade, arrogância e um puritanismo “jesuíta” por parte de alguns que se dizem de esquerda. Espero estár errado mas parece ser esta a mentalidade “doutrinada” no Bloco de Esquerda.

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