Bloco de Esquerda – do padeiro à aspirina

O Zé Guilherme, num artigo no Esquerda.net, preocupa-se com o “exército de comentadores políticos” que tem afirmado que o “Bloco está encurralado com o seu apoio à candidatura de Manuel Alegre” concluindo que o que estes, o Governo e a Direita, queriam era uma esquerda “metidinha no seu canto”, “segura, isolada e absolutamente inofensiva” – referindo-se de uma forma indirecta ao PCP. O Zé define a candidatura de Alegre como anti-liberal (chapéu de chuva gigante que pode acolher os fachos do PNR, Portas e até Cavaco – nos dias em que discursa nas misericórdias ou lares de idosos) e este parece-me ser um avanço significativo na definição política do BE.

O BE abdicou do anti-capitalismo, ou seja, abdicou da luta pela superação do capitalismo.

Isto não é afirmado tal como o coloco, por taticismo, para manter algumas franjas do seu eleitorado ou por marketing politico, mas é a lógica fundamental que o faz dar o braço ao PS e à sua sebastiânica ala esquerda, cortando qualquer ponto de contacto com outras forças de esquerda. Porque isto é fundamental que seja escrito. Num momento em que a crise demonstrou as vulnerabilidades da sociedade capitalista um pouco por todo o mundo e, ao contrário do que sucedeu nalguns países em que os blocos anti-capitalistas trabalharam e convergiram, o Bloco escolheu apoiar Alegre, estar ao lado dos militantes do PS no movimento sindical, nas ordens profissionais ou nas associações de estudantes. Pode-se ecoar repetidamente a lenga-lenga sobre o sectarismo do PCP, mas enumere-se uma acção unitária de convergência com as forças que estão à sua esquerda, promovida por este simpático Bloco.

O Bloco de Esquerda, em poucos anos, ficou farto de ser padeiro e quer ser a aspirina do sistema.

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