A guerra perdida do Iraque

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11 respostas a A guerra perdida do Iraque

  1. Leo diz:

    Os limites da força como instrumento da política estrangeira. Eles, os militares britânicos até tinham como se vê no filme, alta superioridade militar e numérica. E contudo desde há muito foram obrigados a sair totalmente do país. Pela simples razão de que os iraquianos não os queriam lá e lutaram com as armas que tinham e não tinham.

    Do mesmo modo acabarão por sair de lá os norte-americanos.

  2. Se isso é verdade (gostava que não fôsse…) it’s as much as my shame as my doom.

  3. Oh, caraças, podia ter escrito esta em ‘tuga’…

    O que eu quis dixer (e tenho ‘razões particulares/próprias’ para isso..) é que se fôr verdade então é tanto a minha vergonha quanto a minha maldição.

    🙁

  4. xatoo diz:

    os americanos declararam vitória e também deixam o Iraque. E isto é tanto verdade quanto a “mission accomplished” do Bush em 2003, porque permanece na antiga colónia britânica do Iraque a indústria mercenarizada assente em bases militares e quartéis de seguranças civis que assegurarão uma economia de exportação militarizada de petróleo, disfarçada para uso dos simples pela presença de fantoches locais mascarados de governantes

  5. Renato Teixeira diz:

    Os americanos declararam vitória? Onde? No campeonato do mundo de basquetebol?

  6. Leo diz:

    O que nos comprova o filmezinho?

    Que a força como instrumento da política estrangeira tem limites! Que apesar da sua superioridade militar e tecnológica os USA a a Grã-Bretanha perderam no Iraque e continuam encalhados no Afeganistão.

    Este fiasco levanta a questão da eficácia da força militar como instrumento da política estrangeira e para induzir mudança política. E como apesar do seu fracasso como instrumento de política no Iraque e Afeganistão há ainda quem acredite na capacidade mágica da força militar para atingir objectivos políticos, há que questionar este mito. Se não se questionar, USA e aliados podem embarcar noutra experiência custosa, possivelmente no Irão.

    Está mesmo na hora de aprenderem que a força tem limites e nas questões de política externa, a força é um instrumento muito limitado.

    Os USA deixam 6 batalhões de combate no Iraque, o dobro dos mercenários e 95 bases militares. Por enquanto. Desconfio que terão de tudo largar mais cedo do que gostariam.

  7. Há uma coisa que devia por esta altura ser consensual.

    Ninguém odeia mais guerras que os militares.

    Adivinhem porquê…

    Civil e político adora guerras.

    A chatice: militar cumpre ordens.

    Adivinhem de quem… (e por acaso, com todos os defeitos que possa ter, é assim que tem que ser)

    Portanto, se é p’ra ser resolvido, faxavor de não o pedir à tropa, ok ?

    🙁

  8. Leo diz:

    Uma das razões para a persistência na crença da eficácia da força militar como instrumento político é a confusão entre poder e influência.

    O poder de um Estado pode ser medido combinando as suas capacidades na área militar, económica ou noutras.

    A influência é a capacidade para usar este poder para levar os outros a fazer o que queremos que façam ou a comportarem-se como queremos que se comportem.

    Se o poder não se traduzir em influência, tenha esse poder a dimensão que tiver, para pouco serve como instrumento político ou meio para produzir a mudança desejada.

    É óbvio que um país poderoso tem maior potencial do que um país fraco para influenciar outros países e actores internacionais e uma força militar forte é uma componente importante desse poder.

    Contudo, mesmo o país mais poderoso tem dificuldades em persuadir outros a comportar-se como ele deseja se estes virem as suas exigências como excessivas ou como uma ameaça à sua própria existência.

    Tendo esgotado todos os elementos do seu poder sem sucesso, resta sempre ao país poderoso usar a força militar.

    Mas enquanto a força pode destruir o que existe, não consegue forçar o antagonista a aceitar as suas exigências se ele resistir. E paradoxalmente, o uso da força militar muitas vezes elimina os incentivos para aceitar exigências, porque depois de ser atacado, o antagonista pouco tem a perder.

    Por isso a força militar pode perder a sua utilidade como instrumento de persuasão logo no minuto em que é usada. A força militar torna-se ainda menos eficaz como meio para mudar crenças e ideias, pode, pelo contrário, fortalecê-las.

    E o que se passa no Iraque e Afeganistão é um bom exemplo dos limites do uso da força como instrumento de política estrangeira. Nada aprenderam afinal com o Vietname.

  9. xatoo diz:

    Renato disse:
    “Os americanos declararam vitória? Onde?”
    parece-me óbvio: na estabilidade que as referidas bases militares e as empresas de segurança privada lhes conferem

  10. Renato Teixeira diz:

    No Iraque? Estáveis? E porque estão a zarpar apenas com o sangue nas mãos? Não estarão as algibeiras mais vazias do que o “investimento” fazia pensar?

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