Vuvuzelas pela escola pública

Porque há cada vez menor preocupação pela qualidade de ensino e se considera a educação como uma despesa e não como um investimento…

Porque, com os ataques sucessivos que a docência tem sofrido e com o seu progressivo descrédito, há cada vez mais colegas a pedir a reforma e a mudar de profissão e menos estudantes a seguir a via de ensino…

Porque desta avaliação de desempenho ao Estatuto do Aluno, passando pelos mega-agrupamentos e pelo encerramento das escolas, os últimos governos têm cometido um conjunto de disparates e de perversidades que estão pouco a pouco a enterrar a educação pública em Portugal…

Porque o sistema educativo é cada vez mais uma farsa administrativa e estatística, em que os professores tendem a ser meras marionetas…

MANIFESTAÇÃO DE PROFESSORES EM LISBOA (em frente ao Ministério da Educação), BRAGA (à frente do Governo Civil) E FARO (à frente do Governo Civil), 13 DE SETEMBRO, 18H.

APARECE E TRAZ A TUA VUVUZELA (vamos dar utilidade a este insuportável objecto)

P.S. Participarei nesta manifestaçao numa altura em que já devo ter dado o fora do ensino público, rumo a uma outra actividade em que o mérito e a competência sejam minimamente valorizados.

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12 respostas a Vuvuzelas pela escola pública

  1. albarquel diz:

    Descobriram provavelmente a única utilização que se pode dar a esse instrumento tão irritante.

  2. Jorge Paulo diz:

    É um facto que a generalidade dos governos e dos partidos politicos, teem tratado mal o ensino, e a Escola Publica em Portugal.
    A Educação deveria ser um investimento posto ao serviço do desenvolvimento do país. Infelizmente em vez disso, tem sido um dos sectores mais politizados, transformando o que deveria ser uma oportunidade para todos, numa arma de arremesso politico.
    Os resultados estão à vista, e não vale a pena estar a culpar os partidos que teem governado o país pelas politicas de educação erradas que implementaram, porque o PCP, controlando a maioria dos sindicatos dos professores, tambem tem a sua quota parte de responsabilidade no caos que é a Educação em Portugal.

  3. “P.S. Participarei nesta manifestaçao numa altura em que já devo ter dado o fora do ensino público, rumo a uma outra actividade em que o mérito e a competência sejam minimamente valorizados.”

    Gestor publico?

  4. luis Moreira diz:

    parabéns, se vai embora é porque tem méritos e alguem o quer noutro lado. Os professores querem que se pense que não têm culpa nenhuma na má escola que existe, os sindicatos têm co-governado a educação, têm tantas culpas como os burocratas do ministério. Há uma certeza, e o seu caso é paradigmático. Com o igualitarismo imposto pelo PCP através dos sindicatos os melhores, porque têm alternativa, saem do ensino. Os que fazem barulho estão sentados à espera que passem os anos para progredir na carreira.

  5. luis Moreira diz:

    Ver aqui:http://estrolabio.blogspot.com/2010/08/os-professores-sao-joguetes-nas-maos-do.html

    Um texto de uma professora desiludida mas que não atira fora “o menino com a água do banho”…

  6. Daniel Santos: talvez numa instituição de ensino superior (era melhor mas será francamente mais difícil) ou numa consultora financeira. No que se refere a este último caso, mais vale trabalhar para o sistema financeiro de forma assumida do que o fazer, de forma dissimulada, para uma fraude política chamada “sistema educativo português”. Pode não ser ideal, mas é bom uma pessoa ter uma profissao onde se sinta minimamente util.

    “Os que fazem barulho estão sentados à espera que passem os anos para progredir na carreira.” Discordo. Colocando de parte os sindicatos, os professores que fazem barulho ainda são aqueles que se vão preocupando com a qualidade de ensino. Preocupante são todos aqueles que assistem de forma comodista a tudo, que não se preocupam e que esperam que, tal como lhes é permitido por esta pseudo-avaliaçao, a incompetência lhes permita progredir na carreira. Sim, que muitas vezes a incompetência facilitista é francamente premiada.

  7. João, o desânimo e a divisão tomaram conta dos docentes.

  8. Oops… não me consigo lembrar das manifs. em que estive ou deixei de estar, mas sei que saí ao fim de dois aninhos dois, a coisa mais esperta que alguma vez fiz…

    🙂

  9. luis Moreira diz:

    Quem tem valor tem alternativa. Não é a fazerem manif. todos os meses que passam a ter razão. A maioria está sentada à espera da progressão, mas há gente muito boa que gosta do ensino e querem mais autonomia. Os sindicatos co-governam a educação há 33 anos, têm tanta culpa como os burocratas do ministério. Tirem-lhes as escolas e deixem-nos a falar sozinhos, sem uns não existem os outros.
    Vejam no estrolabio o que diz uma professora…

  10. M coutinho diz:

    Começo com uma pergunta: Porque razão os sindicatos nunca puseram na agenda, a proibição de professores reformados, a lecionarem no privado? eram mais de 10000, postos de trabalho.Quando vejo as escolas, em Angola, Guiné, Timor etç com as suas péssimas condições e ao sol muitas vezes, lembro-me dos burgueses dos Prof. Portugueses (os melhores clientes das agencias de viagens pertencem a esta classe de “coitadinhos”) com todas as condições para atingirem os objectivos: formar bons alunos. Há ,felizmente professores e escolas competentes.Não pode haver é emprego para toda a vida, mesmo para os incompetentes que são muitos infelizmente. e, também não pode haver lugar, para toda a gente que se forma. Por último um conselho: vale a pena formarem-se, pois num universo de 100% dos desempregados só e digo só 10% é licenciado. 90% não o são, repito vale a pena portanto ser licenciado. O que não cabe, a nenhum governo é colocar toda a gente. No Brasil de Lula em franco progresso (eX. sindicalista) ainda são permitidos os despedimentos sem justa causa. Contradições….

  11. M Coutinho: se é uma classe assim tão privilegiada, porque é que não se torna professor? Digo-lhe eu por experiência própria que o mais provável era arrepender-se em um ou dois meses.

    De resto, os seus comentários revelam uma ignorância atroz. Nao há tanta gente desempregada (no fundo nem há tanta assim como os números indicam) por haver mais procura que oferta, mas apenas porque, tal como disse no texto, a educação é hoje considerada uma mera despesa e não num investimento. Por exemplo, boa medida seria naturalmente diminuir o número de alunos por turma, mas pense lá porque é que isso não acontece. E pense lá porque é que há tanta gente sem profissionalização no ensino…

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