O Pragmatismo (taticismo?) de uma esquerda moderna (moderna??)

 

“É que o que Rui Tavares bem no fundo nos vem dizer é que toda a experiência nacional e de um número infinito de outros países em presidenciais tem estado errada porque bom e razoável seria mesmo que só houvesse, em cada uma dessas eleições, os candidatos com reais possibilidades de vencerem o pleito e, em regra, pertencentes ou afins das duas maiores forças políticas da degradada «alternância». E que todas as outras forças políticas deviam nas presidenciais seguir as escolhas de terceiros, desistirem de ter vozes próprias nessa batalha política, com a óbvia consequência de, pelo menos durante quase três meses, abdicarem das suas convicções e projectos e oferecerem uma trégua às políticas que quotidianamente contestam e combatem.
E fazer exactamente o contrário desta atitude de submissão e encarneiramento é para Rui Tavares, tristemente o assinalo, «picar o ponto», expressão e fórmula que, a meu ver, aproximam perigosamente Rui Tavares daquilo que eu, sem hesitações nem punhos de renda, chamaria de grau zero em matéria de pensamento político e de muito debilitada e pobre cultura democrática.”

Victor Dias, ler na integra aqui.

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26 respostas a O Pragmatismo (taticismo?) de uma esquerda moderna (moderna??)

  1. LAM diz:

    Um como outro, Rui Tavares como Vitor Dias, tiram as conclusões que lhes apetece independentemente das realidades que lhes está à frente. Se Rui Tavares se esquece de olhar para os resultados finais de 2006, que podem pôr em causa as 2 conclusões que tira, (de que Vitor Dias chama a atenção no final,e bem), Vitor Dias sobreleva no texto de Rui Tavares o que em momento algum lá está e que ele, Vitor Dias, tem pena…

  2. André diz:

    O grau zero é o 5dias.

  3. Leo diz:

    Mas o Rui Tavares é mesmo um zero em matéria de pensamento político e sem nenhuma cultura democrática.

    Um gajo que reconhece que só aceitou a candidatura ao PE porque o BE lhe fez a proposta irrecusável de ficar como chefe de gabinete se não fosse eleito tem alguma cultura democrática? Não ele tem apenas um grande sentido de oportunismo.

  4. zé neves diz:

    Leo,

    Oportunismo é aproveitar um debate político entre duas pessoas, o Vítor Dias e o Rui Tavares, para caluniar rasteiramente uma delas como você aqui faz.

  5. Leo diz:

    Onde está a rasteira e a calúnia, Zé Neves?

  6. zé neves diz:

    Leo,

    da sua boca, só percebo que insinua que o Rui Tavares age por dinheiro e ou por “poder”. mas já agora mostre lá onde está aquilo aquilo que diz q o Rui Tavares “reconhece”.

  7. Leo diz:

    Tem a certeza o Zé Neves que não corresponde à verdade que o gajo só aceitou a candidatura ao PE porque o BE lhe fez a proposta irrecusável de ficar como chefe de gabinete?

  8. augusto diz:

    O debate politico ao ponto mais rasteiro é assim que o Leo, comenta o que escreve Rui Tavares.

    Afinal a politica reduzida ao tacho, é lógico que o Leo deve saber do que fala, possivelmente o partido que apoia, é assim que consegue apoios, e cada um fala pelo que conhece.

    Quanto ás Presidencias, veremos quem se vai realmente empenhar, na derrota de Cavaco Silva.

  9. LAM diz:

    Leo, parece-me que não cabe ao Zé Neves ter ou deixar de ter certeza. A acusação foi sua, aguarda-se a comprovação que vc vai dar.

  10. Vcs. em calhando é que o conhecem, ele é mais novo que eu, há amigos/as meus/minhas que são amigos/as dele, não tenho opinião formada.

    Se tivesse, dizia…

    Mas não o axo o ‘último dos imbecis’ e de cada vex que o leio/oiço não me dá uma irresistível vontade de desligar a ‘coisa’ Samsung, ou atirar com o jornal para o cesto dos papéis, ou sair de casa…

    Perguntinha: Têm a certeza de que estão a ‘acertar’ aonde devem ?

    Just a thought.

  11. LAM diz:

    “Têm a certeza de que estão a ‘acertar’ aonde devem ?”
    pois, esse é o ponto. Desde que há candidato “operário” (LOL) tudo que cheire a bloco é o inimigo principal. Estou calhado a começar a concordar com o Louçã.

  12. Leo diz:

    Parece que ninguém se arrisca a desmentir que o gajo só aceitou a candidatura ao PE porque o BE lhe fez a proposta irrecusável de ficar como chefe de gabinete, caso ele não fosse eleito. Sugiro que lhe ponham a questão directamente e que decidam por vocês.

    Quanto à questão que o Vítor Dias levantou (“A caminho do grau zero de pensamento político?”) receio que o Rui Tavares já chegou ao fim desse caminho, e que dali nada de relevante virá quanto à cultura democrática, quer do país quer da UE. Quanto muito mais umas passeatas de braço dado com a Edite Estrela e Ana Gomes.

  13. zé neves diz:

    leo,
    assim é fácil (e cretino): ninguém se arrisca a desmentir a sua hipótese, portanto a sua hipótese é verdadeira. você é que fez uma insinuação manhosa e se tiver um pingo de vergonha na cara você é que deve provar o que insinuou.

  14. António Figueira diz:

    Não dá, leo, chama-se a isso a inversão do ónus da prova:
    leo é que afirmou, leo é que tem de provar – evidentemente
    (e não chega dizer que ouviu dizer).

  15. Leo diz:

    Não chega perguntar-lhe a ele? Perguntem-lhe.

  16. Rafael Fortes diz:

    duas breves notas: acho que tanto o BE como o PCP estao empenhados em derrotar Cavaco (o PS nao tenho a certeza), no entanto, seguem estrategias distintas. A meu ver, apoiar um candidato que teve sempre com Sócrates faz com que a sua credibilidade se veja afectada no que é um combate pela transformaçao social. O BE, na minha opiniao, afasta-se assim de um projecto de transformaçao, do rumo a uma utopia para um projecto do possivel, do menos mau. Isso servirá para dar um animo aos seus militantes, para ter um sentido de vitoria ou quase vitoria, mas no que é essencial parece-me um afastamento do “caminho justo”.

    Ultimo ponto: nao foi o PCP que afirmou que era o unico partido realmente empenhado em derrubar Cavaco, pois nao? A pressecuçao de um projecto que diz que quer unir as esquerdas nao combina muito nem com a ostracizaçao discursiva, nem com acusaçoes ridiculas a grande parte da esquerda…

    De qq modo, creio que nos espera uma campanha, no minimo, suis generis…

  17. Renato Teixeira diz:

    Rafael, para me convenceres que o BE e o PCP estão empenhados em derrotar o Cavaco é preciso algo mais do que uma simples declaração. É que os seus actos desmentem categoricamente essa suposição.

    Se o BE e PCP se quisessem mesmo derrotar Cavaco teriam a coragem de lançar uma candidatura classista contra o governo PS. O primeiro correu para o colo do inimigo o segundo, à falta de melhor, correu para o seu próprio colo. É pouco. Muito pouco, para podermos concluir que qualquer um dos dois quer derrotar Cavaco.

    Eu só vejo três coisas. Um quer enlace com o PS. O outro consigo uma auto-caricia e por causa de uns e de outros o Cavaco nunca esteve tão certo que ganha e provavelmente à primeira volta.

    Enfim. Como dizia. Pouco.

    Sobre o Rui e o seu alegado oportunismo interessa-me pouco. Politicamente o Vitor Dias não está muito longe da verdade. Quanto ao problema burocrático no BE o facto de 500 militantes terem 100 funcionarios deve querer dizer alguma coisa.

    Abraço.

  18. Leo diz:

    “não foi o PCP que afirmou que era o único partido realmente empenhado em derrubar Cavaco, pois não? A pressecução de um projecto que diz que quer unir as esquerdas não combina muito nem com a ostracização discursiva, nem com acusações ridiculas a grande parte da esquerda…”

    Tem razão, Rafael. Também não foi o candidato do PCP que disse ontem, em Braga, que é necessário saber se a candidatura do PS e BE se dirige a lutar contra a sua, a derrubar o Governo ou a derrotar Cavaco Silva. «É bom que não haja ambiguidades: é preciso saber se é uma candidatura para derrubar o Governo ou para lutar contra este Governo e abrir caminho a um governo de direita, se é para lutar contra a minha candidatura ou se é para derrotar o candidato de direita que espero seja o actual Presidente da República», teve ele o topete de dizer.

    podem confirmar aqui: http://www.tvi24.iol.pt/portal-iol/alegre-manuel-alegre-tvi24-pcp-presidenciais/1188251-5281.html

  19. António Figueira diz:

    Leo,
    Não seja tolo nem faça dos outros tolos.
    Não, não basta perguntar-lhe; ninguém tem nada a perguntar, nem o Rui Tavares tem nada a responder.
    V. é que o acusou; prove o que diz, ou eu poderei dizer – qualquer leitor poderá dizer – que V. é mentiroso.
    A menos que, não podendo provar o que diz, tenha a decência de o reconhecer, de pedir desculpa ao visado, antes de mais, e aos restantes leitores do blogue.
    Sabe, eu até posso ser “talibã” (so to say), mas prezo-me de ser um talibã com princípios.
    AF

  20. Leo diz:

    “o segundo, à falta de melhor, correu para o seu próprio colo.” ??? Estranha maneira de ver a coisa, Renato, tanto mais que o PCP fez o que até hoje mais nenhum outro partido fez: apresentou um candidato alternativo forte. Forte na defesa da Constituição, forte na defesa dos interesses da maioria dos portugueses.

  21. Leo diz:

    Parece que o António Figueira ainda acredita no pai Natal. Eu mantenho o que disse, que o que o gajo só aceitou a candidatura ao PE porque o BE lhe fez a proposta irrecusável de ficar como chefe de gabinete, caso ele não fosse eleito. E caso não lhe queiram pôr a questão directamente, que decidam por vocês no que querem acreditar.

  22. LAM diz:

    Leo, vc ou é parvo ou faz-se. É o mesmo que eu dizer agora que o Francisco Lopes só aceitou candidatar-se às presidenciais porque lhe prometeram a sucessão a Jerónimo de Sousa como secretário geral. Agora prove vc que isto não é verdade. Fds, há cada uma…

    Renato, (isto sou eu a pensar alto, não tenho grandes convicções nesta matéria), penso que partes de uma premissa discutível de mais para que te possas permitir tirar conclusões tão certas. Concordo e tenho defendido que teria sido possível encontrar um candidato comum quer ao BE, quer ao PCP, quer a muitos sectores que não se revêm numa e noutra candidatura. Foi, mais uma vez, uma oportunidade perdida e, isso sim, teria permitido mesmo após o folclore das eleições, congregar grande dinâmica social que levasse a efectivas mudanças. Assim não, se uns se limitam a defender males menores, os outros jogam com o autocarro à frente da baliza. Mas daí a dizer que um deles, o BE, correu para os braços do inimigo ao alinhar numa candidatura comum com o partido do governo, vai uma grande distância, até porque e para já, o primeiro a engolir um sapo com a candidatura de Alegre foi mesmo o engenheiro e, de certeza, vai haver muitos estragos no PS.

  23. Renato Teixeira diz:

    LAM, acho que estamos de acordo no substancia. Ou seja, mais uma oportunidade perdida.

  24. Leo diz:

    Dá-me ideia que o dia não está a correr lá muito bem para o LAM. Claro que tem todo o direito de dizer os dislates que lhe apetecer e até esse de tentar convencer alguém que é absolutamente equivalente a contratação de um chefe de gabinete (que é um cargo burocrático) e a eleição de um membro do Comité Central do PCP para seu Secretário-geral.

  25. Nunca andei em Direito, mas é como dixem: venha o ónus da prova.

    Ou então seria mais avisado não vir nada.

    Apenas a minha incompetente opiniãozinha…

  26. Leo diz:

    Mais avisado ou mais conveniente?

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