A mais emblemática das fotos e um “texto” memorável


A FOTO, celebérrima, pois toda a gente sabe do que se trata, ou tratou. Mas eu ajudo: Lisboa, 1974, 25/4.

O texto por mim lido há pouco (de antologia):

(…) não vislumbrei um único elemento identificável da comunidade islâmica de lisboa nem, já agora, da representação portuguesa dos inimigos ajuramentados do irão (os judeus, pois então — para disfarçar, dirão alguns pobres idiotas).

dos partidos, havia gente. o daniel oliveira e o rui tavares (deputado europeu independente pelo be). edite estrela e ana gomes, eurodeputadas socialistas; ana catarina mendes e inês de medeiros, deputadas do grupo parlamentar do ps. do governo, elza pais, secretária de estado para a igualdade, que foi ostensivamente ignorada por todos os jornalistas presentes (aposto que por não fazerem ideia de quem se trata).

vi ainda a presidente da comissão da igualdade e o director geral da saúde — ambos discretos, apesar de francisco george ter sido ‘lobrigado’ pelo dn, e a sub-directora da rtp-2 paula moura pinheiro. e não vi, mas esteve lá, o dirigente sindical antónio avelãs.

ninguém do pp e do psd, que se tenha reparado — se estavam lá, desculpem, não os vi. e do pcp também moita — embora uma das organizadoras da manif, a juju inês meneses, seja militante. a ausência de membros notórios do pp é talvez compreensível (…) mesmo se me recordo bem que em 2005, aquando da crise das caricaturas, o pp se mandou como gato a bofe a freitas do amaral, então ministro dos negócios estrangeiros, por ter feito um comunicado (absolutamente inadmissível e patético, por sinal) a ‘contextualizar’ a reacção dos que em nome de deus andaram a matar como reacção a desenhos. como será compreensível a de gente grada do pc, toda decerto a construir a festa do avante. (…)

nem um candidato presidencial para amostra; nem um alto representante de uma amnistia internacional. (…)

(F. CÂNCIO)

Não sei se quem escreveu esta trampa tem consciência do que escreveu. Creio que este “texto” arrepia até mesmo quem apoiou e participou na manifestação.

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34 respostas a A mais emblemática das fotos e um “texto” memorável

  1. andre diz:

    Arrepia mesmo! Parece qua não estava lá ninguem do PC. Arrepiante!!

  2. Renato Teixeira diz:

    Ou seja, para lá do Daniel Oliveira e do Rui Tavares ninguém do BE lá meteu os coutos, do PCP pelos vistos havia uma e o resto eram amigos do PS. Não podia haver melhor resumo. Afinal as grandes massas não andam assim tão estúpidas. Contra a guerra no iraque eram perto de 100 mil e contra a guerra do Irão serão seguramente mais do que as duas centenas de psicotrópico socialistas. Afinal há esperança. Continuemos pois.

  3. Carlos Vidal diz:

    Sr. andré, useiro e vezeiro da desfaçatez, famoso por estas bandas (quer dizer, dos meus posts – se vai a outros, borrifando estou; agora aos meus, mantenha-se ao largo, sff; e tem sempre outros blogues para fazer queixas, não será grave).

    Como leu, estava lá uma importantíssima dirigente do PCP e organizadora da manifestação, a Juju Inês Meneses.

  4. Leo diz:

    Mas quem é a Juju Inês Meneses?

  5. Carlos Vidal diz:

    Meu caro Leo, a Juju…

    É uma Jugular que milita no PCP (diz ela e é verdade). Acho que lá ninguém deu por aquilo (“aquilo” é a rapariga, a Juju, claro).
    Acha que a sra. tem futuro?

  6. João Tiago Sousa diz:

    O seu problema, Renato, é delirar tanto e sentir-se tão cheio de si para julgar infalíveis e incomensuravelmente óbvios os balanços e interpretações que faz sobre as coisas. Acha mesmo que “as grandes massas não andam assim tão estúpidas”, uma vez que não compareceram em grande volume na manifestação de ontem (que não foi menor nem maior do que 99% das manifestações em nome de causas que se fazem neste país)? Acha que essas “grandes massas” faltaram com intencionalidade decorrente de uma decisão consciente de não estar? É comovente ver nos seus textos e comentários a cegueira do seu wishfull-thinking (que o cega mesmo, porque você, quando quer, até consegue discernir e dicutir as coisas com um mínimo de seriedade).

  7. tric diz:

    só existe uma solução para essa senhora, médico…

  8. José Pinto diz:

    Um resumo da ala taliban do 5dias, Renato Teixeira e o inenarrável Carlos Vidal, o que pelos vistos até pode ser um elogio.

    “…milita no PCP (diz ela e é verdade). Acho que lá ninguém deu por aquilo. Acha que a sra. tem futuro?” Caro C. Vidal, se nem o PC está livre de purgas, saneamentos, desvios, como pode considerar um país ou um mundo como aquele que defende, e que não seja um modelo ainda mais sanguinário e persecutório que o da ex-URSS, que caiu e que já ninguém defende?

    “Contra a guerra no iraque eram perto de 100 mil e contra a guerra do Irão serão seguramente mais do que as duas centenas de psicotrópico socialistas”. R: Teixeira, se isto é um argumento, se isto é comparável, uma guerra vs uma execução, ok, simplesmente deixo de o ler. Coisa que o C. Vidal faz questão de frisar a cada comentário com as costumeiras tiradas ao estilo de …”mantenha-se ao largo, sff; e tem sempre outros blogues para fazer queixas, não será grave).” Só para os puros portanto. A arrogância na primeira pessoa.

    Este tipo de esquerda em cada voto que ganha, perde mil. C. Vidal sonha com a revolução armada. A impossibilidade da democracia representativa assim o obriga. De preferência na cama, no sofá ou na poltrona, qual Pacheco Pereira, que o 25 de Abril está longe e a tropa obrigatória acabou. A oportunidade de sangue, essa esfumou-se a 25 de Novembro. Não será agora. Ainda gostava de o ver armado em Rambo, versão URSS. Dava um filme bonito.

    É só um lamento.

  9. fortuna diz:

    Em compensaçao a beata prof Palmira nao faltou e ouviu missa inteira

  10. Manuel Monteiro diz:

    Mas esta chanfrada estava a comentar uma manifestação contra um acto bárbaro ou estava a escrever uma crónica sobre o jetset?
    Manuel Monteiro

  11. Eu também não fui lá.

  12. jose.almeida diz:

    Renato: Essa dos números, da esperança e da validação das causas pelo número de manifestantes é interessante.
    A causa da luta contra Israel é manifestamente desesperada, tendo em vista as dezenas de manifestantes contados pelos jornais na manifestação de 31 de Maio passado. http://www.publico.pt/Mundo/reportagem-em-lisboa-tambem-houve-protestos-contra-israel_1439934
    http://noticias.pt.msn.com/Internacional/article.aspx?cp-documentid=153603063&_p=773f6203-f380-4137-8f19-95adbddf9b1f#uc2Lst773f6203-f380-4137-8f19-95adbddf9b1f

    Há esperança! E eu continuo.

  13. Leo diz:

    Eu não entendo é que futuro a Juju e amigas querem ter.

  14. Abilio Rosa diz:

    Como é que essa Jujú – ao que dizem militante do PCP – colabora nesse antro de decadência pequeno-burguesa, refractário e esotérico que é o blogue dos jugulares?

    Um processo despedimento com justa causa, é o que ela está a pedir…

  15. Abilio Rosa diz:

    Convido a Jujú dos Jugulares a ouvir a valsa das valsas como tributo ao grande Estaline e que como muita maestria soube lidar com os povos muçulmanos da Ásia Central, ao contrário dos «ocidentais» que só criaram problemas e alimentaram muitos ninhos de víboras (vide Irão, Iraque, Afeganistão, Paquistão):

    http://www.youtube.com/watch?v=LFn-QoGxVug&feature=related

    Esta valsa é interpretada por Joseph Kobzon, de origem judia, e que foi considerado o Frank Sinatra da Rússia.

    Em 1983 Kobzon foi expulso – e a meu ver, muito bem expulso!- do PCUS por ter interpretado canções judaicas de apoio a Israel, país com o qual a URSS tinha cortado relações diplomáticas, em virtude das actividades terroristas e párias perpetrados pelo Estado de Israel.

    Em 1984 – e após o seu arrependimento – Kobzon voltou aos palcos soviéticos e foi agraciado com o importantíssimo Prémio de Estado da URSS.

    De facto, o arrependimento é meio caminho para a salvação, e aconselho a todos os refractários e desertores a considerarem este caminho.

  16. Não é !!, mas para quem olhar repentina e desatentamente para a foto, a criatura vistoriada parace o Toni-do-Benfica.

    Quanto ao comentário da F.Câncio: está conforme a autora, seus seguidores e (alguns ainda) dependentes.
    Opinião própria dum fim-de-regime já pré-dormente.

  17. Carlos Vidal diz:

    Pseudo-Liberato, cuidado, a brincadeira pode sair-lhe cara. Eu não sei se V. é o verdadeiro, se não é, se pode ser descoberto ou não, destas (ciber)tecnologias de detecção nada percebo. Tem piada, o seu trabalho, um tanto “situacionista” (“situ”, sabe o que é?), mas modere-se.

    Leo, caro amigo, o futuro da Juju Inês e das outras jujus… boa pergunta… A vidinha delas está a acabar-se, não é? Mas há sempre qualquer coisa para elas tudo bem espremidinho, uma alazinha do BE, linha RTavares, quem sabe…
    Se calhar, podia escrever para a antiga revista “Plateia”, dactilografar os preciosos “manuscritos” da Rebelo Pinto, fazer cartas astrológicas, se ela soubesse… enfim…
    De qualquer forma, por mim, não teria futuro nenhum.

  18. LMR diz:

    Deixaste de fora a inolvidável e pidesca passagem que nos garante que ela esteve “muito atenta aos silêncios e às ausências”.

  19. António Figueira diz:

    Porra, e ninguém conhece a dr.ª Elza Pais! Como é possível?!

  20. António Figueira diz:

    Ninguém me tira que o “lobrigado” do texto foi um discreto piscar de olho ao blogger Luís Miguel Rainha (que detém em Portugal os direitos do verbo lobrigar).

  21. Para mim, a única curiosidade dessa pic. é se a arma apontada lá é uma G-3 ou uma FN…

    🙂

  22. Carlos Vidal diz:

    Quiçá, António.

  23. Já agora… em relação à referida Menezes estou a branco, mas tenho a quem perguntar…

    🙂

    Da Ana Gomes lembro-me, de quando era difícil e tínhamos que pôr a cara e a coragem para a frente.

    E nunca me passaria pela cabecinha ter sido da EDE/MRPP ou frequentar Direito, o que não me impede de ter tido amigos e cumplicidades por lá…

  24. Há outra coisa que posso dixer: o nosso armamento eram umas merdas da segunda guerra mundial, creio que as G-3 eram fabricadas sob liceça na Fábrica de Braço de Prata (axo que agora é um “espaço”, ou uma livraria, ou um bar, não sei bem, nunca mais lá pús os pés.
    As FN’s eram de origem belga, fabricávamo-las (e ensaiávamo-las…) na FNMAL, axo que isso definitivamente já não existe, devem lá estar prédios.
    Depois também havia FBP’s (significa Fábrica de Braço de Prata), umas metralhadoras curtas muito mal enjorcadas que eram um perigo para quem as tinha que utilizar.

    Ainda havia umas outras franciús, nem me lembro da marca.

    Nunca entendi como é que este povinho aguentou uma guerra estúpida em três frentes com este armamento de m”#$%a…

  25. oo diz:

    ” a ala taliban do 5dias, Renato Teixeira e o inenarrável Carlos Vidal”… é isso mesmo.

    Como é que o blog do António Figueira e do Nuno Ramos de Almeida ficou entregue a esta gente???

  26. António Figueira diz:

    Como diria o Cohn-Bendit, nous sommes tous des talibans!

  27. Carlos Vidal diz:

    o ooooooooooooooooooooooooo,

    você já contou quantas vezes a sua pergunta foi feita?
    (Sim, o António já lhe respondeu)

    Do Minho a Beijing, esse clamor sobre o taliban e o inenarrável ouve-se e sente-se como um anseio dos povos.

  28. oo diz:

    ‘ala taliban’ é um bocado infeliz, na verdade. ‘ala maluca’ é bem melhor.

  29. Carlos Vidal diz:

    Não, não, ooooooooooooooooooooooooooooo,

    Qualquer um de nós, aqui, prefere “ala taliban”.

  30. Fazendo as Contas: 10 000 000 de Portugueses – 230 Deputados Manif. 150 Y 6 políticos … Ora fazendo as contas 🙂

    Deveriam ter estado lá 0,0345% de deputados!!! Logo estiveram 5, 9655% de deputados em “excedente”.
    Conclusão: A manifestação contra a pena de morte na República Islâmica do Irão foi um sucesso em termos de representantes.
    Ou seja: A Manifestação Portuguesa – no fundo Y estatisticamente – significou que 259369, 565 Portugueses a ela aderiram. Claro, todos do PS Y BE.
    Os Portugueses do PSD & CDS & PCP que se considerem, por esta via molestados pelos números da estatística que demonstrem o seu desagrado juntos das sedes dos seus respectivos partidos … ou outra forma.

    Lembrei-me que no Dia do meu Aniversário farei uma Festa Paralela: A Abolição da Pena De Morte na Rússia Faz Um Ano. Esperemos que por aqui as saudades das boas Práticas Russas sejam de facto Outras que não a da Pena de Morte. “Avante”!, como o Escreveu Gogol. Almas Mortas de Colecção para enriquecer/ entreter os dias em blog, Carlos Vidal ? Já vai sendo altura de fazer o Update. Se a Morte é Igual para Todos a Pena de Morte Não deveria ser exercida por nenhum Estado a Ninguém. Pensa nisso.

  31. Rosa Luxemburgo diz:

    Fui lá espreitar. Frente à embaixada da Dinamarca, em Lisboa, eram meia-dúzia de gatos pingados a protestar contra os atentados aos direitos humanos que estão a ser cometidos em nome de Alá. Poucos mas bons. Quem estava? O Rui Zink, o Manuel João Ramos, a Luísa Jacobetty. Mais o Pedro Mexia, o José Júdice, o Augusto Seabra, o Paulo Pinto Mascarenhas. Do PSD, vi o Vasco Rato. Do PS, o Pedro Adão e Silva e a Ana Sara Brito. Quem mais? Fernando Lopes – esse mesmo, o cineasta. E uns quantos jornalistas, em serviço ou à paisana.
    Movimento cívico? Não sei que outro nome lhe devo chamar.

    Pedro Correia Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

  32. Leo diz:

    Certo, certo, é que o cartaz sob o qual se juntaram não deixa margens para dúvidas. Dizia claramente: “28 de Agosto – 100 CIDADES DE TODO O MUNDO CONTRA A LAPIDAÇÃO. PROTESTO CONTRA A LAPIDAÇÃO e a Selvajaria da República Islâmica do Irão. Parem a Matança Já. Junta-te a nós a 28 de Agosto. DIZ NÃO Á LAPIDAÇÃO”.

    Bem podem vir agora tentar justificar-se que estavam “contra os atentados aos direitos humanos que estão a ser cometidos em nome de Alá”. O cartaz era bem explícito e não ouvi nenhum deles a contrariar essas aldrabices.

  33. ah ah ah, antologia da terra do pouco-mais-ou-menos, porreiro pá.

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