Não troco uma luta justa por uma manifestação contra o Irão

Ler a Inês de Medeiros ou a f. no Jugular, é reconfortante. É bom saber que andamos a ser bem lidos. O argumento é só um. Ashtiani, Ashtiani, Ashtiani. “Ao seu lado e não por ela” dirão outros mais respeitáveis, mas com semelhante desacerto. A esquerda democrática parece ter encontrado as suas teses de Abril: Sakineh, Sakineh, Sakineh. Esgotados os argumentos no campo da inteligência, sim, porque esta gente toda não deve nada, mas mesmo nada, à inteligência, sobra o campo emocional para garantir que hoje mais dos dez amigos do Arrastão, do Jugular e do Bloco de Esquerda aparecem no Largo de Camões. Desenganem-se. Serão menos do que as pessoas que estarão a beber uma ginginha na tasca da Catarina.

O argumento emocional, ao qual se remeteram repetindo à exaustão Ashtiani, Ashtiani, Ashtiani ou Sakineh, Sakineh, Sakineh, pode até vir a levar bons samaritanos a terreiro mas não serve para ocultar o óbvio: a irresponsabilidade e a falta de razão. De repente perceberam que hoje vão servir de cavalgadura, mas não têm a coragem de enfrentar o espectro da fúria de um qualquer dedo em riste que os venha a acusar de cumplicidade. Tentam convencer-se à exaustão que a repetição do nome de Sakineh Ashtiani os absolve de qualquer acusação, e respondem com o seu dedo na cara de quem tão “eticamente” os alertou. Não devem alimentar a menor ilusão.

Daqui a pouco, quem se dirigir ao Camões, estará a ser pior que cúmplice. Quem para  justificar a armadilha em que caiu acaba a ceder à chantagem com sofrimento dos outros, faz por merecer outros epítetos mais violentos. A acusação de indulgência ante a República Islâmica do Irão é antes de mais uma auto-crítica de quem em boa hora percebeu que embarcou na campanha montada pelos interesses sionistas e norte-americanos. Estamos todos a tempo de dizer que não trocamos a justa luta contra a lapidação por uma manifestação contra o Irão, que como ficou claro aqui e aqui, a única coisa que pode apressar, é a chuva de fósforo branco sobre toda a população iraniana. Não o farão em meu nome.

No rescaldo de um debate que não deixou dúvidas nem sobre as consequências de se omitir a esmagadora maioria dos países e dos casos de lapidação nem sobre as intenções desta campanha, sobra uma pergunta feita por um leitor (Leo) cuja resposta tirará o resto das dúvidas: Quem organizou o certame? Quem escolheu as 100 cidades? Quem está a pagar o banquete?

PS: Sérgio Lavos – Fica-lhe bem assumir o erro, ainda que não tire daí qualquer consequência. Fica-lhe mal cavalgar a minha “ética blogosférica” (coisa que não sei bem o que quer dizer) para atacar o escriba do 5dias que muitos desdenham mas ninguém fica sem ler. Isso deve querer dizer tudo.

Largo de Camões

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