Em meu nome não! [actualizado]

Largo de Camões, hoje, às 18h*

“Estou fora de Portugal e por esse motivo não estarei presente nesta manifestação contra a iniquidade. Mas quero agradecer às organizadoras e aos organizadores por provarem que neste país ainda há pessoas sensíveis.”
“Por isso, para além de participar na mobilização prevista para o próximo dia 28 em Lisboa, achei que devia juntar-me às palavras que, um pouco por todo o mundo, estão a ser recolhidas para salvar Sakineh.”

E tu? Não vais provar que em Portugal há pessoas sensíveis? Não vais a terreiro repetir à exaustão o nome de Sakiheh? Porque hás-de preferir a inteligência à comoção se ela até vai servir a inteligência dos outros? Porque não alinhas na estratégia de f. e de Inês de Medeiros e melhoras também o estado de espírito da tua consciência?

*No desenho, troque “armas de destruição em massa” por lapidação e no lugar de Bush imagine Obama.

[Em posta posterior f. acrescenta: “aquilo que passa por esquerda mas mais não é que a putrefacção das ideias mais totalitárias, que acusa milhares, talvez milhões de cidadãos autónomos e anónimos que não suportam a ideia de execuções arbitrárias ou simplesmente de execuções tout court de serem ‘manobrados’ pela cia e pelo ‘sionismo’. gente tão desgraçada, esta, que nada mais vê que ‘instrumentalizações’ e ‘maquinações’ naquilo que há de mais espontâneo e generoso e justo: protestar contra a barbárie.”.

Com esta adenda, os das ideias putrefactas, ficam convencidos que a manifestação de hoje não é bem uma manifestação nem contra o Irão nem contra a lapidação. Trata-se antes de um divã psicanalítico para que a esquerda, a verdadeira, a madura, a democrática, a autónoma e anónima, possa descarregar a sua generosidade. Não interessa nada. Interessa curar as feridas da nossa compaixão, mesmo que sejam bestas piores a pagar a consulta. Estamos entendidos.]

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