Beirute: burguesa, boémia e armada. [versão em bruto]

Versão editada (e com melhores fotografias) até hoje nas bancas, na Visão.

Por estes dias tudo acontece em Beirute. O amor e a cólera, a festa e as armas, os guetos e os condomínios, as avenidas e as vielas, as velhas Volkswagen e os novos Mercedes. Da excêntrica diáspora libanesa do Corniche aos impenetráveis bairros xiitas do subúrbio, a cidade fervilha como Paris, Londres ou Berlim já fervilharam na Europa. No ar, porém, respira-se o cheiro da pólvora.

“Old pirates, yes, they rob I; Sold I to the merchant ships; Minutes after they took I; From the bottomless pit; But my hand was made strong; By the hand of the almighty; We forward in this generation; Triumphantly; Won’t you help to sing; These songs of freedom?; ‘Cause all I ever have; Redemption songs; Redemption songs…” A noite parecia no fim no Bo-Bo, abreviatura do bar “Bourgeois Bohème”, mesmo no coração do Hamra, o “Bairro Vermelho”. Uma música cansada do Bob Marley, “Redemption Song”, parecia fechar a noite como fecham todas as noites reggae no Bo-Bo. Puro engano. De um momento para o outro pequenos grupos dão nova vida ao bar. Num canto um dois católicos parecem fascinados com a dança inebriante de duas drusas. No centro, em galopante e pecaminosa euforia, etíopes, palestinos, norte-americanos, sírios e claro, um francês, misturavam-se numa dança que perdia pruridos à mesma velocidade com que se esvaziavam as garrafas de tudo. Não se julgue contudo que o deboche acontece em todos os bares do Hamra. Mesmos nos locais em que é sabida a sua procura, tudo acontece com o bar virado do avesso, com o barulho para dentro e sem desacatos à porta. A discrição é o melhor aliado da luxúria apesar de por estas bandas a libido exigir poucas horas de ócio. Um jovem estudante libanês, a pretexto de mais uma bebida, desabafa como é difícil ir além do erotismo da pista de dança. “Já me aconteceu de tudo. Estás a ver aquela ali ao fundo? Linda! Namoramos vários meses, mas quando ao fim de muito tempo conseguimos finalmente uma noite juntos, ela apenas quis ficar nua abraçada a mim durante toda a noite, pois queria continuar virgem até ao casamento. Consegues imaginar o sofrimento?” desabafou desolado. “Para além das ateias, que são poucas, só algumas católicas e islâmicas filhas de famílias muito pouco praticantes é que procuram na noite algo mais do que copos e conversa fiada.”

No Corniche, a outra zona cosmopolita da cidade, onde a avenida marginal disputa elegância, aparato e parque automóvel com qualquer Beverly Hills, consta que as melhores festas são muito, mas mesmo muito, privadas. Na rua, alguns homens banham-se no mediterrâneo mais preto do que azul a estas horas e vários grupos de amigos musicam e saltam à volta de um Narguilé. Aqui e ali, claro, uma garrafa de pecado escondida. Um casamento interrompe a rotina. Param carros às dezenas, e entre cantos e palmas aplaude-se o casal que se abraça e encosta naquele embaraçado típico de todos os casamentos. Entre os convivas, algumas deixam perceber o último grito da Versace nos intervalos do véu islâmico.

Entre o Hamra e o Corniche percebe-se a fama da cidade sofrer de insónias, mas fora destes bairros e depois das horas da calada, a falta de sono tem causas bem mais explosivas.

Dos bares aos bunkers

Chego a Beirute atrás da história das próximas “flotilhas” contra o bloqueio israelita e egípcio à Faixa de Gaza. Acabam de chegar ao aeroporto Rafiq Hariri nomes sonantes para um encontro do Viva Palestina (organização ligada à coligação internacional contra o bloqueio), e alguns dos piores pesadelos da auto-denominada “segurança interna de Israel”. George Galloway, ex-MP inglês, e Norman Finkelstein, académico judeu norte-americano, animam aquilo que se pode chamar de Universidade ou Escola de Quadros do movimento. No Vale do Bekaa, o celeiro do Líbano, cerca de duas centenas de jovens vindos de todos os cantos do mundo aparecem entusiasmados com o impacto da “Flotilha da Liberdade” e com a organização de “uma nova armada humanitária” rumo a Gaza.

Habil Hallak, é uma das figuras de proa da organização. Responsável pela ponte entre a caravana terrestre e os barcos, Israel está bem ciente da sua capacidade organizativa pois, quando o prendeu depois do ataque ao Mavi Marmara, levou-o com os presos mais considerados “mais perigosos” para uma prisão militar secreta na região do Negev. Habil contou-nos a sua experiência mas afirma ter percebido mais do nervosismo israelita a partir dos interrogatórios do que Israel terá obtido informações nas suas respostas sobre os próximos passos das flotilhas: “É indescritível. O custo político que Israel está a pagar por ter perdido a cabeça é incalculável. Agora temos dezenas de pessoas a juntarem-se à próxima iniciativa que vai ser uma verdadeira armada humanitária. O bloqueio tem os dias contados”. Habil é ainda mais feroz a criticar Israel do que fora o relatório produzido pelo IHH (İnsani Yardım Vakfı), a organização turca da coligação. “Houve um assassinato selectivo. Aquilo foi um verdadeiro esquadrão da morte e estou certo de que havia um conjunto de pessoas para abater.” Para a próxima frota, cuja data só será anunciada poucos dias antes da partida dos barcos de modo a “evitar a infiltração de agentes ao serviço de Israel ou mesmo que os serviços secretos tentem boicotar as embarcações”, Habil diz estarem preparadas várias surpresas: “haverá a bordo ex-deputados, membros de governos, atletas de alta competição, Prémios Nobel, enfim, personalidades de relevo de todos os quadrantes, e serão pelo menos o triplo das embarcações. Estamos a organizar também alguns barcos temáticos, uns só com judeus, outro só com enfermeiras. Virão de todos os mares e de muitos países diferentes e levarão acima de tudo materiais de construção e de cariz humanitário para reconstruir a Faixa de Gaza.

George Galloway é um dos fundadores e figura de proa do Viva Palestina. Está seguramente entre os ocidentais que mais conspira contra Israel. Ficou conhecida a sua simpatia pela vitória militar do Hezbollah aos ecrãs da Sky News (o vídeo é recorde de audiência no youtube com centenas de ligações e mais de um milhão de visualizações), e é assumida pelo próprio a sua proximidade com as direcções nacionais árabes, em particular com o Irão. A Press TV, um projecto do governo de Teerão para a criação de uma estação de televisão internacional capaz de fazer frente à CNN ou à BBC, tem em Galloway a sua grande aposta: “Pretendemos derrotar o bloqueio e o número de aliados cresce todos os dias. Israel nunca esteve tão isolado e revela sinais de grande nervosismo principalmente pelas recentes posições da Turquia”, outrora aliado de Israel. “Acredito que será a maior iniciativa alguma vez feita pelo movimento internacional de solidariedade com a Palestina”, remata.

“A radicalização da política externa de Israel com a chegada de Lieberman”, é o grande factor para que o académico judeu Norman Finkelstein, pressagie um novo conflito entre o Líbano e Israel a curto prazo: “acredito que uma nova guerra é inevitável. Israel está pressionado a esmagar numa qualquer campanha militar. O Hezbollah não vai virar a face pois acredita que pode vencer novamente o exército israelita.” Como judeu, lamenta “que Israel se tenha transformado num estado racista” e é dos poucos que encontrei a defenderem por estas bandas uma solução de dois Estados. “Não vejo outra maneira embora não tenha resposta para o que fazer com os refugiados que percam o direito de regresso”.

Como Finkelstein, Robert Fisk considera que está por meses o próximo conflito: “os dois lados estão desejosos de ir para a guerra. Israel não pode estar tanto tempo sem uma vitória militar que lhe garanta a continuidade do medo nos restantes países árabes e o Hezbollah quer provar que está mais forte com o corredor até Teerão a funcionar desde 2006”. Fisk sabe do que fala. Histórico correspondente do Independent em Beirute, dizia-me a propósito que estamos ante “uma segunda cortina de ferro”, e sublinha que Israel até pode ser a parte a dar início a novas hostilidades “a partir do início de 2011”. Provavelmente ninguém como ele tem via directa para todas as fontes relevantes no tabuleiro político do Médio-Oriente e por isso o questionei sobre o que pensará a administração americana duma escalada que facilmente pode chegar a um conflito de escala mundial. “Lieberman, é um verdadeiro Armadinejad israelita, não se vai importar com a vontade de Obama, por mais que uma guerra com o Irão seja o seu pior pesadelo. Veja o que aconteceu no Afeganistão ou no Iraque. Acho que Obama é um bluff e que Israel está convencido que o terá sempre a seu lado.” Fisk acredita que o assassinato de Hariri pode ser o pretexto mas se não for isso “inventa-se um pretexto qualquer. O Hezbollah quer experimentar as novas armas vindas de Teerão e Israel também tem novos brinquedos, desculpe-me a expressão, para brincar, da industria militar americana. Nada os vai parar”.

Lendo os comunicados que o governo israelita todas as semanas, bem como a sua jurisprudência na matéria, é fácil perceber que não vão ser eles a estragar a festa, e é provável que mesmo a contra gosto da enfraquecida administração americana, se disponham a ser eles a fazer ressoar os tambores da guerra. É a arrepiante rotina do Médio-Oriente em marcha.

A moda do Hezbollah

A vitória na guerra de 2006 deu ao Partido de Nasrallah um grande capital entre a população, mesmo entre aqueles que não seriam o seu “público-alvo” natural. No sul, aldeias inteiras de católicos votaram massivamente no Hezbollah no último escrutínio por este os ter defendido da ofensiva israelita. Por todo o lado as bandeiras do movimento islâmico agitam-se ombro a ombro com a bandeira do Líbano e quando Nasrallah fala é como se fosse o próprio presidente do país a falar. Assim foi na recentre troca de acusações com Israel a propósito do assassinato de Hariri, em que Nasrallah teve o mundo inteiro a ouvi-lo em conferência de imprensa a apontar do dedo à Mossad pelo atentado. Com quatro ministros no governo, mesmo os seus detractores se curvam em honrarias quando se trata de saudar “os heróis da guerra de 2006”. No Sul, o seu gáudio foi de tal ordem, que construiu um parque temático com os despojos do exército israelita. “Os israelitas correram pela sua vida” dizia-me dito Fisk em Beirute. No Sul, todos o confirmam. “Estamos ainda mais fortes para enfrentar o sionismo”, afirmava Nabil Kawouk, comandante do Hezbollah na região das trincheiras. “O Líbano tem o direito de se defender” afirmava o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão Manouchehr Mottaki, na sequência do mais recente confronto que vitimou três soldados libaneses, um oficial israelita e um jornalista do Al-Akbar, jornal que esteve por detrás da denúncia de que Israel estaria envolvido no assassinato de Hariri, corroborando da tese de Nasrallah.

Hussein Haidar, porta-voz de Nabil Kawouk e ele próprio responsável pelos contactos políticos e diplomáticos do Hezbollah, precisou melhor a capacidade militar do Partido: “Desta vez Israel terá uma resposta equivalente a cada um dos seus ataques. Se nos atacarem um aeroporto temos capacidade para atacar o Ben Gurion, se nos atacarem um hospital atacaremos uma hospital, se nos atacarem a população civil atacaremos os seus colonatos.”, afirmou a menos de um quilómetro da fronteira de Israel e a pouco mais de 500 metros de uma coluna do exército israelita.

Um grupo de jornalistas do Al-Akbar, o tal jornal de luto com o assassinato de Asaf Abu Rahal, na mais recente troca de tiros, contam-me que estão convencidos que a inteligência de Israel está a tentar instigar uma guerra civil entre os Libaneses, mas desdenham da estratégia: “A sociedade libanesa está unida no que diz respeito a Israel. Podemos não estar de acordo com a agenda do Hezbollah, mas eles são verdadeiros heróis de guerra e o povo olha-os como o garante da soberania e da defesa nacional”, diziam praticamente em uníssono Dima Charif e Thaer Ghandour. Thaer, oriundo das aldeias mais massacradas pelo conflito, lamenta que a resistência se limite ao Hezbollah e haja poucas alternativas políticas no campo da resistência. “Compete-nos também a nós, jornalistas libaneses, de fazer por isso”, concluiu entre dentes e sem auto comiseração.

As linhas de fronteira percebem-se claramente. Do lado israelita extensas e verdejantes plantações das mais variadas árvores de fruta. Ao fundo várias linhas de casas pré-fabricadas ocupam a planície, ladeadas pela tecnologia de ponta das suas unidades fabris e agrícolas. À frente de tudo? Colonos, o exército israelita e o armamento americano.

Do lado Libanês muito do que havia sido destruído na guerra de 2006 até já está reconstruído, mas as cicatrizes das balas ainda são fáceis de encontrar um pouco por todas as aldeias a sul rio Litani. Junto ao “pomar” israelita muito pouca coisa para além de propaganda à vitória militar da última guerra, de onde se destacam cartazes gigantes com o todo-poderoso Nasrallah. À frente de tudo? O Hezbollah, o exército do Líbano e armamento iraniano.

No meio, algumas forças das Nações Unidas (UNIFIL) dão o indispensável colorido “democrático” e garantem estar a mediar conflito. Neste contingente contam-se 146 militares portugueses predominantemente integrados numa unidade de engenharia.

De regresso a Beirute

Desde que havia chegado a Beirute e antes mesmo de partir para o Sul na peugada do Hezbollah, estava interessado em perceber como se vive em Sabra e Chatila, perto de três décadas depois do massacre que celebrizou pelas piores razões estes dois bairros da capital libanesa. Sabia que seria difícil pois para além de estarem fora da alçada da administração municipal de Beirute (quem gere os campos são as próprias organizações políticas palestinianas), estes passaram a ser a morada de muitos militantes do Hezbollah, pelo que capturar fotografias pode comprometer a sua segurança. A entrada de jornalistas é por isso extremamente condicionada.

Acabo por decidir ir “desarmado”. Vou a pretexto do Festival de Verão que este ano é dedicado ao “direito de regresso dos exilados palestinianos”. À chegada, uns jovens da FPLP em nome do comité de organização aceitam que fique para as actividades. Os bairros, particularmente Chatila, são verdadeiros guetos, bocados exíguos de cidade que contam com alguns dos metros quadrados mais povoados de Beirute e do Mundo. As imagens do massacre saltam à cabeça quando nos deixamos perder nas suas vielas e custa a perceber como pode uma operação militar de alta intensidade, como a que ocorreu em 82 às mãos de Ariel Sharon e da Falange Libanesa, numa zona residencial com estas características.

O Festival de Verão, ao contrário do que acontece nas festas do Hamra ou do Corniche, dá-se sem álcool, e ao invés da música quase alegre de Bob Marley, são artistas palestinianos, praticamente anónimos, que cantam uma espécie de fado, onde o alaúde ocupa subtilmente o lugar da guitarra.

As crianças brincam alheias ao acontecimento e alguns velhos deixam escapar uma lágrima com os discursos mais acalorados. “Filistini! Filistini! Filistini!”, grita-se em todos os intervalos do programa e percebe-se em quase todas as letras.

É tarde, e como estava de regresso da fronteira o melhor bálsamo que poderia desejar encontrava-se no Bo-Bo e não nas bafientas ruas de Sabra e de Chatila. Atiro-me no primeiro táxi que me pode levar daqueles bairros que parecem ainda ter o cheiro putrefacto da carnificina. O ar fresco do mediterrâneo sobre o Hamra ajuda-me a limpar o corpo dos cheiros e do burburinho ensurdecedor dos guetos dos exilados palestinos.

De regresso ao Bo-Bo, deixo cair o corpo exausto na “Boémia Burguesa” deste verdadeiro tabuleiro de guerra. Apesar da festa que acontece ao meu redor, a minha cabeça explode ao tentar cruzar todas as informações recolhidas nos últimos dias. Terá sido a troca de tiros entre os exércitos israelitas e libaneses uma rixa de ocasião ou é já a máquina de guerra em movimento? Estará capaz o Hezbollah de cumprir com as suas ameaças? E Israel voltará a atacar? Arriscará nova incursão no momento de maior fraqueza do seu aliado histórico, os EUA, e de maior força do seu inimigo libanês, o Hezbollah?

Emancipate yourselves from mental slavery; None but ourselves can free our minds; Have no fear for atomic energy; ‘Cause none of them can stop the time; How long shall they kill our prophets; While we stand aside and look? Ooh; Some say it’s just a part of it; We’ve got to fulfill the book; Won’t you help to sing; These songs of freedom? Foi o último encore da “redenção” que nenhum dos boémios daquela noite poderá “usufruir” como acreditam aqueles que ficaram na primeira linha de fogo e de combate.

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23 Responses to Beirute: burguesa, boémia e armada. [versão em bruto]

  1. digam lá que o ministro da defesa não é o "máior" diz:

    isso é o diário de um espião ?

  2. Renato Teixeira, isso acima dix quase tudo, e portanto vou ser curto.

    Essa minha amiga (agora vive em Chaves, of all places…) tinha uma casa na Corniche.

    Nesse tempo podia-se jantar em Beirute nas calmas, sem estar a ver se o céu nos caía em cima.

    Há algo mais aí, pergunto a mim próprio se realmente os ‘sunnis’ são a burguesia islam eo os ‘xiis’ a classe operária, ou se a guerra vem mais detrás, por causa de qualquer legado do ‘profeta’, ou das filhas do profeta, ou dos genros do senhor…

    Não sei como exactamente eles se distinguem uns aos outros, mas quando começam aos tiros uns aos outros, o melhor é sair da frente.

    Que pena…

    🙁

  3. Escaldante, Renato. Escaldante.

  4. José diz:

    “do mais recente confronto que vitimou três soldados libaneses, um oficial israelita e um jornalista do Al-Akbar, jornal que esteve por detrás da denúncia de que Israel estaria envolvido no assassinato de Hariri, corroborando da tese de Nasrallah.
    “Um grupo de jornalistas do Al-Akbar, o tal jornal de luto com o assassinato de Asaf Abu Rahal, na mais recente troca de tiros,”
    “À frente de tudo? Colonos, o exército israelita e o armamento americano.”

    Não sou dos que pensa que os jornais e os jornalistas são, ou devem ser, imparciais. A vida é feita de valores, convicções, ideologias, e cada um deve defender os seus. O Renato defende o seu lado nesta reportagem. Nada a dizer.

    Já penso que os jornalistas têm o dever de serem rigorosos, independentemente das suas convicções e ideologias. Os exemplos acima extraídos, numa leitura rápida, demonstram a falta de rigor.

    O confronto armado que vitimou os dois lados passa a assassinato do jornalista do Al-Akbar. A dupla valoração insinua a mensagem de que uma vítima teria sido intencionalmente assassinada.

    Esta “mensagem” é acentuada com a a afirmação de que o jornalista trabalha para o jornal “que esteve por detrás da denúncia de que Israel estaria envolvido no assassinato de Hariri, corroborando da tese de Nasrallah.”, insinuando na mente dos mais distraídos que poderia ter sido uma retaliação israelita, que os israelitas sabiam que um jornalista desse jornal se encontrava naquele preciso local, juntamente com três soldados libaneses, e que o alvo era o jornalista e não os soldados na troca de tiros que houve então.

    Os jornais num país como o Líbano não são neutros. A informação de que o Al-Akbar é comummente tido como próximo do Hezbollah enriqueceria a reportagem e criaria um contexto informacional mais rigoroso.

    Os termos colonatos e colonos são utilizados quando se trata de implantações em terreno estrangeiro. Os “colonos” de que fala são habitantes de territórios integrados nas fronteiras históricas do estado israelita, não na Cisjordânia. A carga pejorativa é evidente, mas pior do que isso – trata-se aí dos valores e ideologias – é a mensagem falsa que é transmitida.

    Não li a Visão, pelo que pode ser que estes “erros” hajam sido corrigidos nessa publicação. Julgo que essa será a diferença entre ler jornais e blogs.

  5. Renato Teixeira diz:

    Caro José, qualquer que seja a matéria escrita deve falar verdade, e em nenhuma vírgula das que sublinha isso acontece. O que escolhemos escrever ou não escrever parte sempre de um ponto de partida, evidentemente, mas seguramente que na maior parte das matérias que lê na região a palavra mais escrita é terrorismo. Julgo que desta vez não se terá enfastiado do termo.

  6. José diz:

    “Caro José, qualquer que seja a matéria escrita deve falar verdade, e em nenhuma vírgula das que sublinha isso acontece.”
    Renato: lapsus linguae freudiano?

  7. subcarvalho diz:

    José,
    cheio de razão mais uma vez!!
    Entre 3 soldados, um oficial do exército e um jornalista, não há dúvidas nenhumas que os 4 primeiros é que são danos colaterais!!
    O jornalista assassinado?? Que raio de ideia mais maluca…vou mas é ver o “south park”!

  8. Já agora… isso de Al-Akhbar é uma simplificação grosseira, em árabe diz-se Allahu Akbar, significa qualquer coisa do tipo ‘Deus é grande’ (poix, deve ser..).

    Morram em nome disso, s.f.f.

    🙁

  9. Oh Napoleão,
    deveria ter cuidado a falar da mãe dos outros. É que deste lado o poder de censurar ou manipular os insultos pode sair-lhe caro. Como poderá perceber posso mudar o sujeito das suas acusações infantis por alguém que ao invés de brincar o processe. Assim, só para começo de conversa.

  10. José diz:

    subcarvalho: não perca tempo, verá que os desenhos animados vão fazer-lhe bem.

  11. subcarvalho diz:

    José,
    não tenho dúvidas nenhumas que me farão muito bem…pelo menos ai tenho a certeza que tudo não passa de uma ficção, coisa que o José dificilmente consegue discernir nesta realidade!…é que pelo que diz, também se deve acreditar na neutralidade dos jornais israelitas!!

  12. José diz:

    subcarvalho, vá lá ver os desenhos animados. São uma excelente iniciação à leitura. Depois disso talvez possa passar a leituras mais densas e perceber os comentários de outros.

  13. Renato Teixeira diz:

    José, se não gosta de desenhos animado, compre o Times. É também ele uma boa iniciação à leitura.

  14. Renato Teixeira diz:

    Ou o Jerusalém Post, claro.

  15. José diz:

    Qual Times? o NY ou o original? Gosto de ambos. Já o Jerusalem Post nunca li, nem online. Só li um par de vezes o Haaretz online, para tirar umas dúvidas. Mas agradeço-lhe a sugestão e vou passar pelo site do JP.
    E adoro desenhos animados. Ainda e sempre.
    O que também adoro é ler, e, como já percebeu, leio bem inconsistências e faltas de rigor.

  16. Renato Teixeira diz:

    Oh, oh! A si ninguém o toma por lorpa.

  17. subcarvalho diz:

    José,
    já percebi que as suas leituras são muito densas! De tal forma densas, que lhe adensam em demasia o cérebro. E sabe que quando se coloca demasiada massa num determinado volume, a coisa fica demasiada compactada!…e assim não lhe sobra espaço para o discernimento.
    Cá por mim, fico-me com o leite condensado e com a leitura do livro de pantagruel!

  18. Carolina diz:

    Vitória? O Hezbolah invadiu Israel? Causou mortos em Israel? Os seus arsenais de armas ficaram na mesma? Deve ter sido uma “vitória” puramente “mental”? Coisa virtual e inexistente. Resistiram. Claro que sim. Ganharam? Não. O seu país foi invadido, uma força de “ocupação” internacional (atacada diversas vezes pelo Hezb) instalou-se na fronteira (Israel conseguiu internacionalizar a questão, muito hábilmente) para supervisionar as actividades dos beligerantes. (ver relatórios da NU).

  19. Renato Teixeira diz:

    A Unifil não supervisiona pevide Carolina. Mal saem dos seus tanques e não têm direito de fazer inspecção a rigorosamente nada.

  20. José diz:

    subcarvalho: vê como os desenhos animados lhe fizeram bem? Até a sua escrita ganhou cor, laivos de humor. E fez uma excelente escolha: o pantagruel é uma sequência óptima para os desenhos animados na busca de maior literacia.

  21. subcarvalho diz:

    José,
    os laivos de humor não vieram dos desenhos animados mas sim dos seus conselhos intelectualmente paternais…vai daí regressei à infância até que a xuxa deixou de vir com o leite condensado na ponta…acabou-se a lata. Quer enviar-me uma de litro?

  22. Carolina diz:

    Verdade. Supervisiona muito pouco apesar de ter poder para o fazer. Soldado Europeu tem medo de gerar confusao ali naquele caldao de loucos.

    hezbola e’ irao em ponto pequeno. So’ que mais radical ainda. Ja leu o Documento do hezbola? Ta tudo la. Aplicacao de sharia, subserviencia a teerao etc. Voce deve pensar que nos somos imbecis.

    Nao lhe recomendo leitura. Apenas inteligencia.

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