Separar as águas

Abominar o regime ditatorial do Irão não significa gostar da ditadura do Xá. Tanto os ayatollahs como a monarquia fantoche notabilizaram-se no massacre de centenas de milhar de iranianos. Khomeni e Reza Pahlavi estavam unidos no seu ódio aos militantes progressistas e comunistas, tendo mandado fuzilar e torturar todos os que conseguiam apanhar. O facto de a ditadura iraniana se opor no plano internacional aos interesses norte-americanos e à ocupação criminosa da palestina não faz deles boa gente. Não façamos o erro de confundir a luta pela liberdade dos palestinianos e contra a dominação imperialista dos Estados Unidos com o silêncio perante a lapidação das mulheres e todos os crimes da ditadura iraniana. Para além disso, é uma confusão injusta para Washington, que só se costuma opor às lapidações quando são no Irão, tendendo a assobiar para o lado, quando a chamada lei islâmica é aplicada na Arábia Saudita.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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11 Responses to Separar as águas

  1. José diz:

    http://5dias.net/2010/08/24/olha-olha-o-rei-futil-do-vias-esta-preocupado-porque-ja-nao-invocara-badanas-mas-antes-livros/#comments
    Pergunto-me se este tipo de posts passa a ser representativo do 5dias, se é para isto que o blog existe, enfim, se você, ou o Tó Figueira, dão a cara por isto.

  2. Carlos Vidal diz:

    Vejo pois que este José é um grande admirador dos posts de Luis Rainha, sobretudo os referentes a (alguns) escribas desta página.

  3. José diz:

    CV: você, que faz censura, não mereceria uma resposta.
    E o ataquezinho insinuante que faz também não.
    Mas, aqui vai: não me refiro a outros blogs, antes a este, que aqui venho e, mesmo discordando em muito com alguns, aprecio ler.
    A sua prosa e os insultos, explícitos ou implícitos, com que a cobre, caiem melhor noutro tipo de blog.
    Não me parece que a escrita do NRA, do AF, da Morgada, do Tiago e, até, do RT mereça estar em semelhante companhia.
    Cure-se.

  4. koshba diz:

    O regime do Irão é uma democracia burguesa teocrática,tal como Israel!

  5. Nuno disseste, está dito, nada a acrescentar, escuso de ocupar mais espaço que isto, parabéns.

    🙂

  6. miguel serras pereira diz:

    Nem mais. Pela segunda vez no dia de hoje, maré alta para os teus posts.

    Reabraço

    msp

  7. Renato Teixeira diz:

    Nuno não vejo onde é que ajuda a “separar as águas” uma manifestação contra a lapidação apenas num dos países em que ela se pratica, curiosamente o mesmo sobre o qual a máquina de guerra do imperialismo já se pôs em marcha.
    Neste campo, estaremos de acordo que as bombas sobre Teerão seriam a melhor ajuda à ditadura que um dia queremos ver o povo iraniano a derrotar e que é óbvio o assobio de Washington quando o assunto é Riad.
    Já ver a esquerda maionese a assobiar em sintonia parece-me motivo para longas horas de debate.

  8. Olá Renato,
    Parece-me que concordas com tudo o que eu postei. Não perdoar aos assassinos dos militantes comunistas, não tolerar a lapidação das mulheres, não significa apoiar uma guerra contra o Irão. A libertação dos iranianos será feita pelos próprios.
    Recordo-te que nenhum de nós apoiava o regime iraquiano, uma outra ditadura sanguinária, e nenhum de nós defendeu a guerra criminosa promovida por Bush. Na altura, como agora, tínhamos razão. Mas isto não singinifica apoiar a construção de armas iranianas como grande conquista da humanidade.

  9. Já agora… se não souberem quem foi, google is your friend

    http://www.workers.org/2006/world/mossadegh.jpg

  10. Renato Teixeira diz:

    Qual conquista para a humanidade. Conquista para o sono dos que lá vivem. Reconhecerás, que quanto menos parecidos forem em matéria militar com o Iraque e com o Afeganistão menos vontade tem o imperialismo de fazer lá uma guerra. Uma conquista de soberania portanto ao serviço de quem um dia, vê o povo entrar-lhe pelo Palácio de Inverno adentro.
    E a manifestação? O que te parece?

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