Trotsquismo à Lagareiro, à Brás e à Bulhão Pato [actualizado]

Moreno, Lambert e Mandel 70 anos depois de Lev Davidovich:

Um simpático e atento leitor pediu no FB uma explicação gastronómica, pois não entendia a relação dos pratos com as correntes. Como pode estar a acontecer o mesmo com outros leitores atentos e simpáticos, segue a explicação em anexo. É só ler o resto mas ter algum cuidado se tentar fazer o mesmo em casa:

O Bacalhau à lagareiro é um prato típico operário-camponês que nasceu de algo lindo na história do movimento. Os agricultores à jorna, que apanhavam a azeitona, juntavam-se com aqueles que metiam o lagar verter azeite, e provavam todos juntos o azeite novo, com o bacalhau, as batatas e a cebola que se misturavam, um bocado à bruta, depois de assadas. A região determina a qualidade do azeite, e este, por sua vez, da lagarada.

O bacalhau à Brás é desfiado e escondido em muita batata palha e não menos ovos mexidos. Faz-se de qualquer maneira e até com alho francês no lugar do peixe salgado.

O bacalhau à bulhão pato são simplesmente os lombinhos do peixe salteados em azeite e coentros. Serve-se com limão, muito limão mas só se encontra em restaurantes requintados.

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4 Responses to Trotsquismo à Lagareiro, à Brás e à Bulhão Pato [actualizado]

  1. Niet diz:

    Caro Renato Teixeira: Esses meninos com que ilustra a diatribe, podem ser tudo…menos trotskistas. Eles já só pensam no estribinho do poder, meu caro. E o desfasamento e inoperância estratégica são tão grandes no PSR que, como vivem no entrismo e nos vapores mais deletérios do ” cretinismo parlamentar “, descuram opções tão decisivas como a Ecológica, o que é um sintoma de bárbara e baixa política politiqueira sem paralelelo na Europa…Salut! Niet

  2. Estorieta, a minha experiência pessoal com isso, não estou seguro de qual era a ‘facção’.

    IST, século passado, 25 ou 26de Abril.

    Nós tínhamos um pequeno problema lá na fac. havia para aí uma meia-dúzia de gajahs, eram todas de Química, e eram todas horríveis, dava vontade de dar em bicha imediatamente.

    (as “boazonas” andavam todas em Letras ou Arquitectura, mas eram estúpidas que nem uma porta…)

    De repente aparece um loiro (o Chico Loiça) e um moreno (o Bernardo V. e S.) aos comandos de uma data de gajah’s lindíssimas e ainda por cima muito bem vestidas, com umas bandeiras a dixer Liceus de Queluz e da Amadora, a gente tinha lá ideia donde ficava isso…

    ‘Atão os meus amigos viram-se p’ra mim e dixem “Se não deres a palavra a esses gajús mato-te.”

    Portanto eu dei-lhes a a dita.

    Nehum de nós alguma vex entendeu do que é que eles estavam a falar, ou de que proveniência eles vinham.
    Também (a falar verdade…) ninguém estava muito preocupado com isso, o “assunto” era outro…

    Peço perdão por ter sido tão ‘sexista’, mas ainda hoje me estou a rir…

    😀

  3. augusto diz:

    mais uma vez na sua cruzada…não esqueça de analisar o leninismo, nos dias de hoje, ou os partidos que se reclamam do leninismo, verá que encontrará as 1000 maneiras de fazer bacalhau, de tão diversos contraditórios que são.

  4. Renato Teixeira diz:

    Qual cruzada augusto. Desta vez, nem de diatribe se trata. Apenas e só de uma brincadeira gastronómica. Sem mais.

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