Lev Davidovich Bronstein 1879-1940

A 20 de Agosto de 1940, Trotsky foi atacado selvaticamente por um agente a mando de Estaline. Morreria no dia seguinte.

Ao cabo destes setenta anos a sua obra e o seu legado político estiveram longe de convencer as grandes massas de trabalhadores e poucas foram as correntes que conseguiram reconstruir a Quarta Internacional além da força de um determinado partido nacional. Muitas erros justificaram a marginalidade da corrente. A entrada no governo Mitterrand dos Lambertistas, o Guerrilheirismo dos Mandelistas e o Leninismo dos Morenistas são algumas das acusações que se trocam com vista a justificar as derrotas ou a traição das suas convicções. No presente, estas e outras correntes do trotsquismo, oscilam entre os círculos de opinião com uma dúzia de pessoas, partidos de meia centena de militantes e federações cheias de partidos mas vazias de influência na vida concreta do movimento operário. Perdidos no oportunismo dos novos partidos de esquerda, o programa de transição e a revolução permanente continuam órfãos daquela que é a sua principal ferramenta: uma internacional.

As novas gerações de revolucionários não têm só a opção de continuar a fazer como as velhas, a culpar, a caracterizar, a expurgar, a depurar uma linha e uma organização política imaculada, ou simplesmente a resignar-se à rotina eleitoral a que a união de facto  com a  nova esquerda obriga. Isso levará irremediavelmente aos mesmos erros. Se querem sair do obscurantismo ao qual se remeteram precisam de uma vez por todas procurar perceber onde é que erraram e começar tudo de novo.

Podem e devem lembrar nesta data os crimes da revolução traída mas devem perder o vício de encontrar sempre  nos outros a desculpa para os seus próprios fracassos.

Três obras fundamentais e de inquestionável actualidade:

“The completion of the socialist revolution within national limits is unthinkable.”

Theory of Permanent Revolution

“The ancient philosopher said that strife is the father of all things. No new values can be created where a free conflict of ideas is impossible. To be sure, a revolutionary dictatorship means by its very essence strict limitations of freedom. But for that very reason epochs of revolution have never been directly favorable to cultural creation: they have only cleared the arena for it. The dictatorship of the proletariat opens a wider scope to human genius the more it ceases to be a dictatorship. The socialist culture will flourish only in proportion to the dying away of the state.”

Revolution Betrayed

“The democratic regime is the most aristocratic way of ruling.”

Discussions on the Transitional Program

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37 Responses to Lev Davidovich Bronstein 1879-1940

  1. helder says:

    Não há erro na foto?

  2. A miríade de partidos, de correntes dentro dos partidos, das fracções dentro das correntes, todos/as reclamando-se puros/herdeiros da IV Internacional ou que pugnam pela construção de uma nova Internacional, descredibiliza qualquer organização.

    – O que os divide:
    1 – apoio ao Lula;
    2 – apoio ou não aos sandinistas;
    3 – apoio ou não a Chávez;
    4 – apoio ou não a Cuba:
    5 – Até se inventa para cindir:)

    O trotskismo não é entendido pelos trabalhadores.

    O melhor momento de uma lista trotskista em Portugal foi a inteligente coligação POUS/PST com os seus símbolos (punhos) em 1980, que assustou o Soares, obrigando-os a alterarem os mesmos.

  3. augusto says:

    A verdade é que os herdeiros do leninismo, os chamados partidos comunista, não estão em melhor situação, cisões e cisões, perca total de influência, casos do partido francês , espanhol e italiano, os maiores da Europa , aí estão para o comprovar, em suma a esquerda dita revolucionária, encontrasse numa encruzilhada neste inicio do seculo XXI, afinal nada de novo , há 100 anos era estava na mesma situação, e a Primeira Guerra Mundial provou-o de maneira trágica.

  4. Eu cá, se fosse aV.exas, sobre o assunto em epígrafe perguntaria ao Chico Louçã (Lambert) ou ao Cabral F. (Mandel) se o conseguirem descobrir.

    Nota de rodapé:

    Se isto é sobre o ‘fulano’, o que é que o VIL está aí a perorar do palanque ???

    :-)

  5. Ah, okies, já vi… com mais atenção.
    O ‘home’ está ali ao lado, de farda, na direita baixa…

    :-D

  6. Renato Teixeira says:

    Alvega, a corrente do Louçã é o SU, Mandelista portanto. A questão sobre ele será no máximo o tempo verbal.

    augusto, lá está você a olhar pró telhado do vizinho… quanto à tragédia, tem toda a razão.

    José Manuel Faria, é verdade que tudo isso dividiu, mas no centro das divisões esteve a forma como se encarava a URSS.
    Uns viam-a como um Estado capitalista e organizavam a sua estratégia em função da demarcação, equidistante, no eixo do “nem Washington nem Moscovo”. Outros, percebendo que não havia como contactar com a classe operária fora dos tradicionais PC’s optaram pelo entrismo, caracterizando a URSS e sucedâneas como Estado Operários ainda que degenerados e burocratizados.

    Hoje as diferenças são mais fáceis de definir. Faz-se entre aqueles que deixaram de achar possível uma via revolucionária para o projecto de uma sociedade socialista (rendendo-se por isso ao socialismo democrático), e os que consideram essa via a razão primeira para o fracasso da própria revolução.

    Todos dirão que se mantêm fiéis ao Programa de Transição, mas o facto de este estar em permanente “actualização” permite que todos o reescrevem de acordo com o seu campo de razões. Actualmente e reivindicando o Programa de Transição há correntes que defendem o apoio às teses do FMI e do BM para a Grécia (PSR – Portugal) e os que entendem que ainda há cinco ou seis estados operários no mundo, a saber: Cuba, China, Vietname, Laos e Coreia do Norte (POS – México).

  7. Uma coisinha de que tenho difilculdade de me esquecer: a revolta dos marinheiros de Kronstadt (que por acaso até tinham ajudado os bolsches a fazer lá o que fizeram…
    O “camarada” Bronstein pegou no “Exército Vermelho” (os desgraçados só queriam um pouco mais de pão…) e fuzilou aquela gente toda, os que não morreram ali foram enforcados, há imagens…

    Portanto a vida dá voltinhas e o gajú levou com a mesma coisa com que se cozeu, só tenho pena de não ter estado lá p’ra dar uma nos cornos desse georgiano assassino horrível… (o ‘outro’)

    :-(

  8. Renato Teixeira says:

    Kronstadt, sempre Kronstadt. Se os erros do trotsquismo fossem apenas aqueles que os anarquistas lhe apontam, viveríamos em revolução permanente. ;)

  9. Renato. ao lado, e isto é possível de encontrar.
    Por uma vez, sem exemplo aqui fica um linquito.

    O Dziga Vertov é um cineasta muito mais interessante que o Eisenstein…

    Pamyati Sergo Ordzhonikidze (1937) In the Memory of Sergei Ordzhonikidze

    Rating: 7.9/10
    Runtime: 55 min
    Language: Russian
    Country: Soviet Union
    Color: Black and White
    http://www.imdb.com/title/tt0029537/

    Director: Dziga Vertov
    Cast:
    Sergei Ordzhonikidze … Himself

    Description:

    The film is about the life and work of Grigory Ordzhonikidze Konstantinoviche, an important personality in both the Communist Party and the Soviet state.
    The film includes speeches by his bereaved friends who attended his funeral.

    In 1937, after the unexpected death of Sergo Ordzhonikidze, Vertov received an urgent order from the government to produce a film about the life of Ordzhonikidze.
    He was ordered to work together with Yakov Bliohom and the director of the film “Battleship Potemkin” distributed by Goskino (Soviet State Committee for Cinematography).

    http://d01.megashares.com/index.php?d01=30d9859

    no subs, and quality isn’t that good…

  10. E já agora… (isto é de 2005, entretanto já deve haver mais…)

    http://www.broadleft.org/trotskyi.htm

    :-D

  11. Basteu says:

    Renato, o Trotsky foi alvo de um ataque no dia 20 de Agosto mas só morreu no dia 21 de Agosto.

    http://litci.org/pt/index.php?option=com_fjrelated&view=fjrelated&layout=blog&id=2001&Itemid=98

  12. Renato Teixeira says:

    Basteu, boa dica, pensava que tinha morrido no dia do ataque. Vou corrigir. Boa compilação sobre o assunto da LIT.

  13. Pedro Pousada says:

    Já sei que me vão “trucidar” mas dissipem as ilusões sobre o “revolucionário” Lev Trotsky que em 1930-40 já não era um bolchevique (se alguma vez o foi) e que nas vésperas da invasão nazi da URSS apelava à destruição do Estado Soviético- a uma nova revolução desencadeada no palco dos avanços revanchistas do fascismo na Europa e na impressionante alucinação de que as classes operárias europeias destroçadas, desorganizadas pela decapitação e prisão dos seus elementos mais comprometidos com a luta revolucionária -os comunistas- se ergueriam contra a máquina capitalista e o seu instrumento terrorista- o fascismo; leiam o que Harry Haywood, dirigente comunista norte-americano escreveu sobre o período de 1927 e as tentativas golpistas de Trotsky, consultem também Curzio Malaparte e descobrirão que era muito plausível uma conspiração organizada por Trotsky para derrubar a liderança de Estaline. Estava no seu quadro mental a hipótese conspirativa, fazia sentido num homem de acção como ele explorar essa oportunidade. John Arch Getty demonstrou que os arquivos de Trotsky foram adulterados (a hipótese levantada é que o seu secretário pessoal ou mesmo Isaac Deutscher extraíram elementos comprometedores sobre os contactos que Trotsky (por via do seu filho) mantinha com os alemães e japoneses e com a oposição interna-Trotsky possuia as moradas de exílio interno de muitos dos seus apoiantes e sabe-se documentalmente que até 1932 manteve correspondência com eles); recomendo a leitura atenta e sem preconceitos de Grover Furr, “Evidence of Leon Trotsky’s Collaboration with Germany and Japan.”
    Outra coisa, os revoltosos de Kronstadt em 1921 eram em termos demográficos e sociológicos os mesmos marinheiros de 1917? e quem eram os aliados naturais destes revoltosos?Os trabalhadores empenhados na revolução soviética ou os seus inimigos entre eles as potências estrangeiras e os seus agentes provocadores (e há elementos documentais que demonstram a infiltração de agentes contra-revolucionários e anti-soviéticos na fortificação)?Os revoltosos poderiam ter razão nas suas reinvindicações e inquietações mas não era aquele o momento oportuno- em pleno cerco anti-comunista o motim só poderia ter um rumo contra-revolucionário.É o mesmo que num período de greve alguns elementos grevistas organizarem o derrube da liderança do movimento grevista- quem esfrega as mãos de contente e beneficia com estas dissensões e crises? O movimento operário ou o patronato?

  14. Renato Teixeira says:

    Pedro Pousada, no seu ponto de vista a luta política do trotsquismo para releninizar a URSS justifica a pena capital. Para Estalinismo também. Mas está enganado relativamente à disposição de Trotsky de se aliar ao fascismo para derrubar a URSS. Foi precisamente ao contrário. Mais tarde, apoiaram-se na social-democracia para lutar contra os regimes estalinistas, mas nem eram fascistas nem Trotsky estava vivo.

    Sobre Kronstadt consigo entender as fronteiras do problema na forma como o coloca, como compreendo os motivos que levaram a liderança soviética (e não apenas Trotsky) a definir a estratégia que definiram. Contudo, pergunto-me se não terá sido o ataque pior do que um soviete de marinheiros provocadores e desobedientes…

  15. Pedro Pousada says:

    1-Não justifico a pena capital mas o assassinato de Kirov não foi também uma pena capital? Investigue as conclusões a que chegou John Arch Getty sobre os verdadeiros manipuladores do caso Kirov.
    2- também Gorbatchov quis releninizar a URSS e foi o que se viu, Trotsky queria fazê-lo nas vésperas da segunda guerrra mundial quando a segunda maior formação comunista europeia o KPD cessara a sua vida legal e estava em refluxo e os regimes anti-comunistas vigoravam em toda a Europa vizinha da URSS.
    3-quanto a Kronstadt não nos esqueçamos que 1921 é também o ano dos desaires militares soviéticos na Polónia e o fim do sonho (partilhado também por Estaline) de unificação geográfica da revolução alemã com a revolução soviética.Havia muita coisa em jogo.

  16. Renato Teixeira says:

    Gorbatchov quis releninizar a URSS?

    Eu pensava que estávamos a ter um debate sério…

  17. Carlos Carapeto says:

    Oh Renato desculpe imiscuir-me na conversa , até porque neste aspecto sou um autentico azelha.
    No entanto quero lembrar-lhe que o filho de Trotsky (Sedov) se deslocou à Alemanha para recolher fundos e manter conctatos com a oposição Bolchevique. E analizar a proposta de Sminov da criação do Bloco da Oposição Unificada, que mais tarde atraiu o grupo de Safanov e Tarkhonov.
    Também que Trotsty quando rebentou a guerra apelou que tinha chegado momento de unir todas as forças para derrubar os Bolcheviques.
    Se tem duvidas leia Victor Serge.

  18. Renato Teixeira says:

    Carlos Carapeto, as suas afirmações não correspondem à verdade na sua ligação que faz do trotsquismo ao nazismo ou ao fascismo. Ir à Alemanha não é sinonimo de ir buscar dinheiro ao cofres de Hitler nem ao ouro roubado dos dentes dos campos de concentração. Quer continuar esse debate apresente provas que esta polémica está farta de ser feita em cima calúnias.

    A estratégia do Trotsky em muitos sítios passou por infiltrar os partidos alinhados com Moscovo (táctica do entrismo) e não através de uma política de aliança com a burguesia europeia encantada com o Fuhrer.

    Não obstante a maioria dos partidos da 4ª organizavam-se autonomamente sendo que a táctica entrista foi caindo em desuso até praticamente à década de 90, onde o Morenismo o fez no Partido dos Trabalhadores.

  19. João Valente Aguiar says:

    Renato,

    O comentário do Pedro Pousada é correcto. Penso que quando ele fala do Gorbi é por causa das tretas que em 85 e 86 ele procurava justificar a Perestroika como um retorno ao leninismo e ao poder operário democrático. Evidentemente, nada disso se passou, bem pelo contrário.
    Acrescento apenas o caso do Tukatchevsky, número dois do Exército Vermelho, e que em 1937 estava embrenhado até ao pescoço, por um lado, com o Trotsky e, por outro, com os serviços secretos nazis. O propósito na altura era derrubar a liderança soviética e mediante um acordo tripartido entre nazis, Trotsky e Tukatchevsky dividir o território soviético entre as partes. O embaixador norte-americano na URSS confirma isso mesmo nas suas memórias “Mission to Moscow”. Escusado será dizer que esse embaixador estava mto longe de ter qualquer tipo de simpatias comunistas ou de qualquer coisa que possamos chamar de esquerda.

    Por outro lado, o Programa de Transição do Trotsky em 38 é uma vergonha e um exercício dirigido a levar a classe operária da altura ao abismo. A tese de que os fascismos, em cada país em que vigoravam, estavam putrefactos e à beira de ser derrubados por uma classe trabalhadora em ascenso e que o importante não era a luta anti-fascista mas a luta “para a frentex” pelo socialismo, no imediato, só demonstrou o “génio” estratégico e táctico do senhor.

    Para terminar meu caro Renato. Você acha mesmo que se ele não fosse perigoso para o futuro da URSS o Zé se preocuparia com ele? Claro que o Trotsky valia menos pela sua influência nas massas e mais, muito mais, precisamente pelo que foi aludido acima: as ligações privilegiadíssimas dele com as secretas nazi e japonesa.

    Abraço

  20. Renato Teixeira says:

    João Valente Aguiar, vai ter que citar alguém com mais créditos do que o embaixador dos EUA em Moscovo.

    Conheço mal o percurso de Tukatchevsky mas parece-me exorbitante analisar o trotsquismo à luz dos seus erros ou acertos. Pelo menos como estratega militar tem umas quantas honrarias a receber…

    A crítica ao Programa de Transição já me parece mais justa, por conter alguns impressionismos que levaram a erros graves de caracterização como aquele que referiu. Agora o acerto global da obra, particularmente no que diz respeito à compreensão de que não se voa do feudalismo ou mesmo de uma sociedade industrial para um estado socialista acabado, bem como da necessidade de um programa compreensível pelo movimento operário capaz de alimentar o processo revolucionário, há que reconhecer que é acertado.

    Desse ponto de vista, Lenine terá sido o primeiro a compreender essa necessidade com as teses de Abril, uma espécie de esboço de um Programa de Transição. Já sei que me vai dizer que Trotsky levou tempo a perceber que estavam acertadas tendo num primeiro momento votado contra elas no CC, mas para mim o trotsquismo está longe de ser uma religião ou um clube de futebol.

    Quanto ao facto de ter dado razões ao “Zé” para lhe limpar o sebo, interrogo-me se isso acaba por ser um mérito de menor monta, tão fácil que era deixar o homem paranóico com os alegados opositores internos.

    A campanha persecutória deu mais para que a classe operária chegasse ao abismo do que todas as edições do Programa de Transição juntas. Para usar uma imagem sua.

    Cumps.

  21. Niet says:

    Magnífico texto e debate. Cheguei ontem de férias. Para lá de posteriormente acrescentar mais alguns sinais diferenciantes e diferenciadores coloco, à partida, este
    ângulo de visão: Trotsky evoluiu de menchevique a herdeiro do testamento estratégico de Lénine de Janeiro de 1924. Para a ascensão de Estaline- que se tornou irresistível a partir de 1928-não podemos perder esta análise de hiper-lucidez de Trotski na ” Revolução Traída “, a par da tomada do poder de Estado total e da destruição dos Sovietes em 1918: ” Antes que Estaline ” encontre ” a sua via, a burocracia já a tinha encontrado.(…)Uma ligação indissolúvel com os gabinetes sempre o norteou, a única fonte da sua influência pessoal. Estaline ficou surpreendido ao princípio com o seu sucesso. Constituido acima de tudo pela aprovação unânime de uma nova classe dirigente que procurava libertar-se dos velhos princípios bolcheviques bem como do controlo das massas, e que tinha necessidade de um árbitro seguro para os seus negócios internos “. Salut! Niet

  22. Carlos Carapeto says:

    Renato por favor reveja as datas. Em 1932 quando Sedov se deslocou à Alemanha ainda o partido nazi não tinha assumido o poder, mas que nesse tempo já existia uma convergência “suave” anti-bolchevique entre eles, não vai poder negá-lo.
    Sobre Tukatchevisky, quem o denunciou foi Benés. Primeiro aos Serviços Secretos Franceses. Os conctatos com os Nazis passavam por a embaixada Soviética em Praga.
    Se tiver oportunidade leia as memórias de Jukov. Tokáev também faz algumas confissões nesse sentido.
    Cumprimentos

  23. Carlos Carapeto says:

    (A estratégia do Trotsky em muitos sítios passou por infiltrar os partidos alinhados com Moscovo (táctica do entrismo) e não através de uma política de aliança com a burguesia europeia encantada com o Fuhrer.)

    Renato onde foi retirar isto? Ignora o que disse Henri d´Man um aliado de Trotsky quando os Alemães invadiram a Bélgica.

    Por favor tenha mais cuidado com aquilo que escreve.

  24. Renato Teixeira says:

    Sempre saudoso Niet, obrigado pelo elogio.

    Devo começar por dizer que concordo consigo na lucidez que a Revolução Traída comporta.

    Já terei mais dúvidas em justificar o “sucesso” do camarada com: a “aprovação unânime de uma nova classe dirigente que procurava libertar-se dos velhos princípios bolcheviques bem como do controlo das massas, e que tinha necessidade de um árbitro seguro para os seus negócios internos”.

    Bom regresso.

  25. Renato Teixeira says:

    Carlos Carapeto, para quê cuidado com as datas se lhe falta cuidado com o resto, em particular com a critica à corrente pela referência de seus alegados aliados.

    A tese de colagem do trotskismo ao nazismo é pouco séria e encontra pouco mais que rumores para a sustentar.

    Serviu à burocracia durante anos para ostracizar quem queria recolocar a revolução no trilho leninista que a pariu. Salvo seja e para simplificar.

    Não aceito portanto que se diga que Trotsky alinhou por estratégias anti-bolcheviques, ainda por cima quando este pagou com a vida o seu objectivo de voltar a bolchevizar a URSS e o mundo.

  26. Pedro Pousada says:

    Caro Renato
    Continuas sem consultar a investigação historiográfica do insuspeito anticomunista John Arch Getty, Origins of the great purges: the soviet communist party reconsidered, Cambridge: Cambridge University Press, 1985; sobre o texto de Grover Furr também não fazes comentários, já o lês-te?Queres continuar a acreditar na inocência imaculada de Trotsky ou que o entrismo era apenas uma estratégia política e não possuía um carácter desestabilizador que se transformou progressiva e conscientemente numa tendência terrorista e derrotista? Quais foram os efeitos concretos e positivos da estratégia seguida por Trotsky? A minha proposta de debate é séria; Lénine foi e é usado como uma espécie de aval para falsos partidários da revolução e do socialismo.Quanto à burocracia, qualquer Estado moderno necessita dela para funcionar. Martin Talia historiador norte-americano anticomunista, disputa a tese de que a ascensão de Estaline representou um novo Thermidor (tese iniciada por Trotsky).No quadro de contradições e insuficiências da URSS dos finais da década de vinte e inícios de trinta o partido comunista tinha necessariamente que se transformar morfologica e sociologicamente é nesse sentido que se intrega a reflexão de Estaline creio que em 1929, sobre se deviam os bolcheviques entregarem aos especialistas (muitos deles anti soviéticos) os aspectos complexos do governo e da economia socialista e dedicarem-se apenas às questões de propaganda e de ideologia ou pelo contrário tornarem-se especialistas, adquirirem conhecimentos e formação em profundidade?Já consultaste o livro de Ethan Pollock, Stalin and the Soviet Science Wars (2006)?Ficarás esclarecido sobre a importância que a ciência e a cultura adquiriu nos anos 30 para a liderança soviética; não foi a estratégia abstrusa de Trotsky mas a crash industrialization somada ao poder dos sovietes quem salvou a URSS e o mundo do nazi-fascismo. Consulta também o livro de Stephen Kotkin, Magnetic Mountain (Berkeley: University of California Press, 1995), um estudo social da cultura bolchevique através da experiência urbana de Magnitogorsk.

  27. Pedro Pousada says:

    Se achas insultuoso colar a figura de Trotsky a uma conjura anti-soviética que tinha como fomentadores a Alemanha hitleriana e os Japoneses também eu acho insultuoso considerares que os militantes de base do PCUS partidários de Estaline, esses sim herdeiros de facto, testamentários do pensamento leninista, os comunistas anti-chauvinistas e internacionalistas que ajudaram a erguer a sociedade soviética dos anos 30 e fizeram o supremo sacríficio de a defender nos anos terríveis de 1941 e 42. É aí que encontrarás o verdadeiro bolchevismo e não no administrativismo de Trotsky mais ligado às questões formais do que aos problemas de fundo da construção concreta do socialismo. Nomeia-me um dirigente revolucionário do terceiro mundo que aderisse às teses trotskistas. Pode ser que me surpreendas mas não creio…

  28. Niet says:

    Caríssimo e para todos os admiradores de Trotski: Muito bem, ” A Revolução Traída ” é uma peça admirável do puro e duro bolchevique , magistral chefe militar e estratego sem par.Sem grande pompa nem euforias acríticas, é um dos maiores livros de teoria e estratégia revolucionária de todos os tempos. A filiação a Lénine é leal, transparente e dinâmica. Como dizia Platão, a política não é uma Arte, é qualquer coisa como a Gastronomia; dá prazer sem ser bom para o corpo…Niet

  29. Pedro Pousada says:

    correcção:
    “que os militantes de base do PCUS partidários de Estaline, esses sim herdeiros de facto, testamentários do pensamento leninista, os comunistas anti-chauvinistas e internacionalistas que ajudaram a erguer a sociedade soviética dos anos 30 e fizeram o supremo sacríficio de a defender nos anos terríveis de 1941 e 42, não eram bolcheviques.”

  30. Niet says:

    A argumentação de Pedro Pousada gira em torno dos trabalhos dos expoentes dos departamentos de Assuntos Soviéticos e Russos das Universidades de Princeton, Harvard e Oxford. Com virtudes, métodos e balizas muito definidos, baseados nas pesquizas feitas apòs a abertura dos Arquivos da Ex-URSS em 1992. O livro de Stephen Kotkin- A formação do Sistema Soviético, de 1985- tem uma tradução francesa na Gallimard. Igualmente, o ” Exame das Biografias ” dos revolucionários russos, trabalhos de impacto dirigidos por Igal Halfin, da Universidade de Harvard, criou um novo estilo no modo de pensar e reconhecer passos decisivos da Revolução Russa. Que alcance político e impacto revolucionário possuem? Há muitas desconfianças nos meios militantes da extrema e ultra esquerda sobre o seu alcance! Em França, a ” direita universitária ” da Cátedra Aron do I.E.Políticos recuperou, no essencial, as teses dos historiadores anglo-americanos. A palavra a Pedro Pousada, pois. Niet

  31. Renato Teixeira says:

    Pedro, agradeço a aula mas um método mais dialéctico de debate parece-me que pode ser mais esclarecedor.

    Onde é que me leu a defender que os militantes de base do PCUS eram mais partidários de Estaline do que do projecto bolchevique?

    Para si a vitória sobre o Reich justificam todos os crimes e todos os erros. Insisto na ideia de que deve “desmascarar” o trotsquismo com factos e não com sugestões bibliográficas.

    Quantos trostquistas se aliaram ao fascismo na guerra civil de Espanha ou quantos o fizeram na segunda guerra? Onde é que caíram os seus cadáveres e sobre quem choveu o seu chumbo?

    Perguntas simples que lhe darão indicações mais claras do que qualquer palestra enviesada.

    Niet, não escreveria melhor sinopse. É isso mesmo.

  32. Niet says:

    Caro Renato Teixeira: As coisas complicam-se e a hipótese revolucionária e teórica parece colidir contra o pesadelo sado-masoquismo de revisores e seus ajudantes. Temos a missão de tentar ler tudo, no entanto. Ainda bem que os novos ideólogos e pensadores lusos aparecem com uma mais profunda linha política revolucionária. Como bem o sabemos; e, por exemplo, vão ter o Negri em Lisboa, a 8 e 9 de Setembro. De qualquer das formas,sugiro um ponto de auto-crítica formulado pelo próprio Trotski sobre a Revolução de 1917: ” Estéreis e absurdos são os trabalhos de Sísifo daqueles que tentam reduzir todos os desenvolvimentos de um periodo a alguns traços pretensamente fundamentais do Partido Bolchevista, como se um partido político forme uma entidade homogénea e um omnipotente factor histórico. Um partido político não é senão um instrumento histórico temporário, um dos muitos numerosos instrumentos da História e uma das suas escalas “. Bom vento! Niet

  33. Pedro Pousada says:

    Caro Renato
    já percebi que não nos entenderemos. Na tua análise:
    1- sou pouco sério e pouco dialéctico…
    2-estou armado em professor…
    Nada de mais errado. Não pretendo ensinar nem fazer propaganda mas indicar linhas de investigação que desmentem muitas das premissas anti-soviéticas que acompanham o discurso dos defensores de Trotsky; a revolução não foi traída mas em muitos aspectos o cadáver saído da guerra civil foi ressuscitado, reeducado e introduzido por completo na modernidade e tornou-se capaz de contribuir de um mod vigoroso para a internacionalização dos valores do socialismo e do comunismo. No livro de Stephen Kotkin, Magnetic Mountain, encontramos inúmeros sinais dessa revolução cultural e política; não disponho nem manuseio todas as respostas mas no meu caso a transição entre a imagem benigna que tinha de Trotsky e a positivação da liderança contraditória de Estaline produziu-se por muita leitura e interrogações; acho também que não me entendeste, considero os partidários de Estaline como bolcheviques, não separo as duas coisas. A linha de Estaline é a continuação do projecto bolchevique e não a sua morte. As sugestões bibliográficas são um convite à reflexão e não uma cortina de fumo; existia uma realidade concreta e complicada, marcada por êxitos e oportunismo, por avanços extraordinários e trágicos na URSS de 1930-1940-1950 que iam muito além da imagem dogmática de um país dominado por burocratas que era propalada pelo movimento trotskista. E a vitória contra o nazi-fascismo não justifica erros e crimes, contextualiza-os e coloca-os na sua escala real. Não há heróis imaculados.

  34. Renato Teixeira says:

    Claro Niet, claro, tentar ler tudo, até o Negri. ;) Veremos se consigo dar um pulo ao Povo na electricidade.

    Pedro, a gente entende-se, só não concorda.

    Para si o trotsquismo é uma ferramenta manietada pelo nazismo para derrotar a URSS. Eu entendo que é uma ferramenta perseguida pelo estalinismo por defender a rebolchevização da URSS.

  35. Pingback: cinco dias » Trotsquismo à Lagareiro, à Brás e à Bulhão Pato.

  36. João José Cardoso says:

    Depois de ter assassinado a maioria do Comité Central Bolchevique de 1917, a “linha de Estaline é a continuação do projecto bolchevique e não a sua morte”.
    Estou esclarecido.

  37. Renato Teixeira says:

    Tu e todos João José. Um must. Mas muito honesto e esclarecedor, há que se reconhecer. Aquele abraço “medieval”.

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