Cebolais de Cima, a história da destruição massiva de populações que perderam interesse para o sistema de exploração capitalista


(fonte)

Através da minha corajosa amiga Maria Teresa Goulão fiquei a saber que a Escola Primária de Cebolais de Cima iria encerrar.
As fábricas que empregavam centenas de pessoas (maioritariamente mulheres) foram encerrando. A falta de trabalho e o desemprego crescente levou a que muitos tivessem de migrar (ou emigrar) para centros urbanos, fazendo com que só permaneçam os mais velhos (primeiro desempregados e mais tarde reformados e pensionistas). O Censos de 2001 revela que a população residente já decresceu para os valores da década de 40 e não haverá grandes dúvidas que o de 2011, remeter-nos-á para os valores da década de 30, provando que não são preciso guerras para destruir povoações.


(fonte)

Também o Estado tem desertado e ajudado neste processo de destruição. Primeiro encerraram os CTT, as carreiras de autocarro são um desastre no que diz respeito ao serviço público, ontem soube que apesar do envelhecimento da população a farmácia também encerrou (a uma determinada hora da manhã passa um empregado da farmácia de Castelo Branco para recolher os pedidos e trazer à tarde) e para Setembro, a ministra da comissão liquidatária que se instalou na Av. 5 de Outubro, decretou o fim do mais emblemático edifício público da povoação – a escola primária.
Um desastre repetido em abundância, para o qual apenas alguns exemplos de luta e resistência como a que o Renato tem acompanhado ainda abrem uma ou outra porta de esperança.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

9 Responses to Cebolais de Cima, a história da destruição massiva de populações que perderam interesse para o sistema de exploração capitalista

  1. Maria R. diz:

    Tiago
    Um grande bem haja pela forma lúcida, inteligente e inconformada como expoe os conluios, os escandalos e as situações irracionais que minam este país. Posts objectivos, informados e corajosos como os seus, há poucos.
    Continue. Força!

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Obrigado Maria R.

  3. Diogo diz:

    Precisamente quando as tecnologias de comunicação começam a possibilitar o teletrabalho, o teleensino e a telemedicina, permitindo a um número cada vez maior de pessoas o abandono dos grandes centros e a migração para as pequenas cidades, vilas e aldeias, é que a sucessão de governos assassinos que temos tido (com realce para este último), pretende matar a “província”. É difícil perceber o que vai na cabeça daqueles animais!

  4. RML diz:

    E pensar que os Cebolais já deram nome aos Onion Fields From Above…

  5. am diz:

    estão todos (os agente de “desenvolvimento” local…) mais interessados em que os habitantes de cebolais se hipotequem até ao tutano junto da banca e que se mudem para um T3 em Castelo Branco (com “garage”, video-porteiro e antena “paranoica”…)
    é o “pugresso” a que assistimos desde Cavaco (Cavaco I)
    Portugal está a mudar, muito depressa, quase sempre para pior – quase que aposto que as pessoas que “trocaram” cebolais por CB ou outro lugar qualquer perderam qualidade de vida… – mas isso parece que não interessa a quase ninguém…
    e muito menos a políticos da/o capital
    um abraço

  6. ana diz:

    O desplante
    A ministra da educação está, neste momento, em directo nas televisões e não posso crer no que ouço: ela está associando o abate de um só golpe de setecentas e uma escolas básicas à comemoração da I República! Pobres republicanos de então, agora às voltas no túmulo: a República, a Coroa liberal antes e o Estado Novo, depois dela, praticaram, precisamente, a política oposta.
    http://www.cachimbodemagritte.blogspot.com/2010/08/o-desplante.html

  7. Pingback: cinco dias » Ministra da Educação encerra tudo?

  8. Pingback: Tweets that mention cinco dias » Cebolais de Cima, a história da destruição massiva de populações que perderam interesse para o sistema de exploração capitalista -- Topsy.com

  9. Tonho da Aldeia diz:

    Caros,
    Simplesmente prova a ineficacia do que leva as pessoas ao poder:
    “votos”.
    Com sinceridade vos transmito o que tentei apregoar há muitos anos, o povo deixa-se comprar por um porco no espeto e por uma excursão a Fatima…
    Cebolais só mesmo pelos meus pais, essa terra onde nasci e que tem á sua frente pessoas indefinitivamente reprovaveis.
    O que falta são valores as escolas que fechem!!!!

Os comentários estão fechados.