Como se diz “tristeza” em kuvale?

Nesta quentura que nos cerca, parecem só chegar notícias de fogos e de mortes que não queríamos ouvir.

Faleceu Ruy Duarte de Carvalho, um desses homens que tiveram a felicidade de ser muita coisa (poeta, artista plástico, cineasta, escritor…), entre elas antropólogo.

É essa a faceta que mais recordo, agora. Sobretudo, aquele livro quase tão sensível como o seu título – Vou Lá Visitar Pastores.

Saberão eles?

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5 respostas a Como se diz “tristeza” em kuvale?

  1. Não faço ideia, e perguntava.
    O mais perto daí que realmente conheço é Moçambique, a uns bons milhares de quilómetros e línguas bem diferentes.
    Mas é certamente alguma coisa que sentirão os tais pastores que ele “visitava”, quando souberem da notícia.

  2. Toda a obra publicada pelo Ruy vale a pena.
    O estudo que fez aos pastores, sua paixão de várias décadas, é um legado para a história de África, e de Portugal, inestimável.
    A lucidez e a universalidade com que o Ruy olhava para aqueles homens e mulheres, povo antigo, habitante dum dos mais belos territórios do nosso mundo, dá a quem quiser perder-se pelas páginas e páginas do seu Namibe, razões de sobra para pensar o mundo de forma mais completa.
    A mim ajuda-me.
    Por exemplo e lendo muito do que pelo 5dias se escreve, seja em forma de “post” ou comentário, lendo as certezas duns, os horizontes tolhidos doutros, percebendo às vezes como nos podemos perder numa irrelevante discussão, lembro-me que o Ruy poucas certezas tinha, mas via nos Kuvale a força de acabar com bastantes dúvidas.
    Morreu um homem bom.
    Morreu um pastor.

    Eis-me aqui
    eu sou Koumen.

    O céu sorri sobre a minha cabeça
    a terra freme sob os meus pés
    o meu sopro estremece os ramos.

    Estou diante do curral.
    Esta é a primeira clareira
    tecida das ramagens da maravilhosa bétula
    e do virtuoso diospiro.
    As suas flores sorriem para o meu gado.

    in Ondula, Savana Branca

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