O genérico da “esquerda moderna”: acabe-se com o sindicato!

Provocou um profundo incómodo a muita gente que aqui tenha lembrado que, no Ministério Público, o sindicato dos magistrados ainda é o organismo com uma estrutura de representação democraticamente eleita. Para o João Galamba isto serve para dizer que “o Tiago defende que a investigação criminal deve ser dirigida por um sindicato, que é democraticamente eleito apenas pelos próprios procuradores. Ou seja, o Tiago assume que gostaria de ver uma classe de magistrados não eleitos a fazer aquela política que lhe está vedada por, digamos, ‘meios democráticos convencionais’“. Para o João esta é uma ideia que não lhe provoca surpresa num “revolucionário do PCP, sempre à procura de uma nova classe universal“. Já para o João e todos “os democratas, defensores do Estado de Direito e da separação de poderes” o que ele diz que o tal Tiago defende é um sacrilégio.

Caro João, bem sei que na doutrina da esquerda moderna o único sindicalismo “sério e democrático” é o afiambrado pelo Proença – mas olhe que nem sempre todo o PS pensou assim. O sacrilégio que reconheço ter cometido é o de recordar que os sindicatos se baseiam em estruturas de representação democraticamente eleitas, num momento em que estão a ser violentamente atacados. É certo que a eleição é feita entre pares, não é universal, mas será que o João queria os dirigentes sindicais eleitos por voto universal ou por nomeação governamental como os antigos sindicatos corporativos?
Agora essa declaração que a “investigação criminal não deve ser dirigida” pelo sindicato tem graça. Quem a ler até pode ficar a pensar que o João entende que o sindicato teve um papel determinante no desfecho do Caso Freeport que o primeiro ministro elogiou. Se assim for, repito a pergunta que fiz no referido programa ao Rodrigo Moita de Deus. Em que medida é que o sindicato influenciou o Caso Freeport?

(… e não vale responder que mandou uma carta aberta ao Passos Coelho.)

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8 respostas a O genérico da “esquerda moderna”: acabe-se com o sindicato!

  1. António Figueira diz:

    A ânsia de mostrar serviço do João Galamba é imparável, ainda acaba ministro do Mar.

  2. Repara que no actual PS, as coisas são mais afiambradas pelo de Carvalho do que pelo o João. É o socialismo dos interesses em todo o seu esplendor.

  3. João diz:

    Diz a constituição que “são órgãos de soberania o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais”. faz sentido a existência de um sindicato dos ministros ou dos deputados? E dos magistrados? Com intervenção pública que não se atina às questões laborais mas vai ao exercício concreto das competências?

  4. simon'eil diz:

    Caray, digam lá o que é, o MP foi democraticamente eleito para encobrir toda a cagança de primeira. E mais não seja, como na Pide, façam uso das metáforas.

  5. simon'eil diz:

    Mas não, que tudo o que se diz, hoje em dia, prova o medo do poder aparceirado de sionista e maricano, se não se diz só a meias, ponderado.

  6. Tiago Mota Saraiva diz:

    Nuno, há sempre um Proença ao serviço.

  7. Fernando Simões diz:

    Ó Galamba, João (há, apesar de tudo, outros Galambas no PS), se queres acabar com o SMMP tens de arranjar uma nova pide (vontade não te falta, não é?). Desculpa lá mas tens de nos gramar.
    É de facto asquerosa a gangrena ética e política que cobre estes neo-xuxas.

  8. Joaquim Mota diz:

    Ao ver postal do galamba coloquei um comentário relativo sobre o tresler empreendido relativamente ao que o Tiago Saraiva disse, sublinhando que não vi qualquer referência ou insinuação a uma direcção sindical da investigação criminal. E perguntei, em termos urbanos, quais os poderes acrescidos que o sr. joão galamba queria para o pgr, já que no caso ele além de ter atribuído o processo (depois de ter marinado 4 anos na pj de setúbal e mp do montijo) ao dciap, teve o poder de fixar um prazo para o encerramento do inquérito pouco depois do relatório da pj, teve o poder de designar a directora que propôs esse prazo, tinha o poder de dar ordens para o processo, tinha o poder de avocar o processo, só não tinha o poder de roubar a consciência dos procuradores… (percebe-se que o galamba se choque com quem não se comove com o que chefe quer, o sô galamba é de “outro género”).
    O neófito galamba não publicou o comentário! e obviamente não esclareceu o motivo da exegese da frase do Tiago Saraiva revelando para mim de forma clara a integridade de quem com tanto empenho tanto deputa (realmente a forma como esses procuradores são escolhidos, por concurso público, provas escritas sem revelação da identidade dos candidatos, júris sem ratos não tem nada a ver com a selecção e os empenhos de quem muito pretende deputar…)

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