Manipulação da opinião pública nas estatísticas do desemprego e pobreza

Uma  das  formas  clássicas  de manipulação  da  opinião  pública  é  tomar  como  a  totalidade  de  uma noticia apenas uma parte dela, por vezes uma parte acessória, e depois, como a opinião pública não tem  a  acesso  à  totalidade  e  por  isso  não  a  pode  controlar,  divulgar  essa  parte  como  fosse  a totalidade, escondendo desta forma o essencial da noticia. É isso precisamente o que tem acontecido nas  últimas semanas em Portugal a propósito da redução do direito aos apoios sociais e em relação ao subsidio de desemprego, cujo  direito e valor foram também reduzidos.
O governo lançou uma gigantesca operação de manipulação da opinião publica com o objectivo de convencer esta, que a legislação que publicou recentemente (Decretos Lei 70/2010; 72/2010, e 77/2010), visa apenas introduzir maior rigor na atribuição dos apoios sociais excluindo apenas aqueles que não necessitam e não têm direito a eles. E a campanha, que assentou em múltiplas declarações de membros do governo, nomeadamente do Ministério do Trabalho, centrou-se fundamentalmente na obrigação agora dos beneficiários, para terem direito a esse apoio, de autorizar o acesso às contas bancárias e de passarem a serem considerados a totalidade dos seus rendimentos. Muitos órgãos de informação, intencionalmente ou por não terem estudado a legislação publicada, acabaram por participar nesta campanha de manipulação da opinião pública ao reduzirem a noticia apenas a este aspecto referido pelo governo, “esquecendo” de acrescentar também na noticia que divulgavam, as alterações mais graves constantes dos Decretos-Lei 70/2010, 72/2010 e 77/2010. E as alterações mais graves introduzidas pelo governo na legislação que estava em vigor não são as mencionadas pelo governo e por muitos órgãos de informação de uma forma repetida.

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4 respostas a Manipulação da opinião pública nas estatísticas do desemprego e pobreza

  1. antonio diz:

    Como eu adoro ouvir comunistas a falar sobre manipulação da opinião pública. É uma espectáculo digno de ser visto e revisto vezes sem conta….

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Será que o corajoso ouvinte me pode informar onde se encontra o “play”?

  3. Marota diz:

    Realmente é triste ver um povo que já nada tem que possa ser roubado, mas continuar ininterruptamente a ser depenicado. É como se já só estivesse em cuecas e mesmo essas as quisessem roubar-lhe. Perante esta realidade, é sem dúvida um castigo ter-se nascido português – eu sei, há piores destinos, mas o mal dos outros não torna o meu mais aprazível. A relação entre “Estado Social” e Portugal tem para mim o mesmo valor que a relação entre “Estrelas do Guia Michelin” e o “Mac Donalds” – Portugal nunca foi um estado social – pelo menos quando comparado com o que se passa no norte europeu.

    Num país europeu ocidental, todos os individuos, mesmo aqueles que por qualquer razão perderam o direito ao subsídio de desemprego, é-lhes garantido outras subvenções. Na Alemanha por exemplo, o Hartz IV, que permite-lhes ter um nível de vida quiçá superior ao de muitos portugueses que trabalham mais de 42 horas por semana. O que nos falta para começarmos a a reagir a estes abusos? Digam! Eu apareço.

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