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O Governo diz já saber o número de escolas do primeiro ciclo que irá encerrar mas há pais que ainda não sabem em que escola os seus filhos estarão matriculados daqui a um mês. Assim acontece na escola cuja situação foi relatada aqui. Há alguma alma caridosa que diga à tutela que isto assim não pode ser? Haverá alguém que lhe explique que o que vai poupar não compensa o que se vai perder?

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5 respostas a 701

  1. ah diz:

    Estatísticas oficiais disponíveis na Agência Nacional para a Educação da Suécia, que equivale ao nosso ME. Dados publicados este ano:
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/da-ausencia-de-insucesso-escolar-no-norte-da-europa-a-suecia/

    “Já Agora… Os Ratios Pela Suécia…
    … serão como?
    E, já agora, uma questão que me é muito estimada, será que por lá só há educadores/professores ou existe pessoal com diferentes tipos de funções e responsabilidades, logo desde o pré-escolar.
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/ja-agora-os-ratios-pela-suecia/
    Cinco crianças por cada funcionário empregado anualmente…
    interessante… e olhem que na página 37 do documento se explicita que está excluído destes totais o pessoal da limpeza e dos refeitórios…”

    “A Dimensão Das Escolas Na Suécia
    Porque não estebelecem por cá uma relação entre o desenvolvimento educacional na Escandinávia e a dimensão das escolas?
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/a-dimensao-das-escolas-na-suecia/

    “Estes Noruegueses São Loucos
    Do site do Ministério da Educação norueguês, formado por uma cambada de incompetentes que não percebem o mal que estão a fazer ás suas crianças ao não as enviar de autocarro municipal para um caixote, desculpem, centro escolar:
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/estes-noruegueses-sao-loucos/
    Imaginem isto lido à nossa ministra da Educação e ao seu secretário Trocado da Mata!”

    “Estes Noruegueses São Loucos – 2
    Desculpem não usar os dados da OCDE e ir directamente às fontes. No documento do ME norueguês com o título Education – from Kindergarten to Adult Education encontramos os seguintes números sobre o equivalente ao nosso Ensino Secundário:
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/estes-noruegueses-sao-loucos-2/
    Façam as contas: isto dá 500 alunos (e formandos) por escola e o ratio é de 8,2 alunos (9,7 incluindo os formandos) por professor. Agora digam-me lá: é assim um ratio tão diferente do nosso?”

    “Estes Noruegueses São Loucos – 3
    Então não é que a dimensão das escolas é de um disparate tal que aquilo só pode dar um enorme insucesso? Já sei… são pequenas porque a demografia assim o obriga a ser… O que me faz lembrar um pouco… mmmmm…. estou aqui a esforçar-me…. será que é o interior de Portugal?
    Pois, mas eles por lá preferem equipar as escolas pequenas e mantê-las junto das comunidades do que deslocar a petizada toda para os grandes centros…
    São tão, tão, tão retrógrados…
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/estes-noruegueses-sao-loucos-3/

    “Estes Noruegueses São Loucos – 4
    Mas então não é que eles têm estatísticas em que não contabilizam nos ratios o pessoal que não dá aulas? É só ler a pequena nota de rodapé e percebemos logo como se fazem as contas de modo sério.
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/estes-noruegueses-sao-loucos-4/

    “Da Ausência De Insucesso Escolar No Norte Da Europa – A Noruega
    Nem vale a pena comentar muito… basta explicar que eliminar
    repetências não significa que os ciclos de escolaridade sejam
    completados no intervalo de tempo mínimo regulamentar. Mas para entender isso, seria preciso… sei lá… alguma capacidade de… bem… eu calo-me.
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/da-ausencia-de-insucesso-escolar-no-norte-da-europa-%e2%80%93-a-noruega/
    Bom… eu abro o teclado só para afirmar que, numa perspectiva bastante simplória como a minha, isto significa que 44% dos alunos não completam o equivalente ao nosso Ensino Secundário (nas diversas variantes) no tempo mínimo esperado.”

    “Da Ausência De Insucesso Escolar No Norte Da Europa – A Dinamarca
    Para que conste, não gosto de ir à praia ao domingo em pleno Verão.
    Não gosto de mega-ajuntamentos. Pelo que acabei por me divertir a espreitar os sites dos ministérios escandinavos dedicados à Educação.
    É a vez do dinamarquês. Confesso que o relatório mais recente me parece o melhor conseguido de todos os que estive a ver hoje, pois analisa o percurso dos alunos em termos de coortes, desde que entram até que saem do sistema educativo, assim como projectam a 10-15 anos qual pode ser o percurso de quem sai do sistema.
    O quadro seguinte apresenta do lado esquerdo o número de alunos entrados num dado ano (intake) e os que se formaram (graduated).
    Embora não seja completamente explícito, o título do quadro dá a entender que se pode tratar de uma coorte (embora o valor para a primeira linha de dados seja anómalo nesse sentido). De qualquer modo a diferença entre matrículas e conclusões apresenta um padrão interessante e natural para cada ciclo de escolaridade, com o aumento da diferença entre os dois valores.
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/01/da-ausencia-de-insucesso-escolar-no-norte-da-europa-%e2%80%93-a-dinamarca/#comments

  2. ah diz:

    “A Educação Especial Na Finlândia

    Pensam que é como cá? Um ou dois professores para despistar milhentos alunos, após proposta de um DT ou Conselho de Turma? E acham que as decisões se tomam com base em
    papelada ou em exames atempados por pessoal especializado’? E quanto ao acompanhamento?

    Ficam os Conceitos e Definições da Educação Especial finlandesa, aproveitando para desde logo aqui deixar a primeira regra:

    Acceptances or transfers to special education
    In the statistics on special education in comprehensive schools, acceptances and transfers to special education refer to pupils who have been accepted or transferred to special education due to disability, illness, delayed development, emotional disorder or
    other reason. Decisions about acceptances or transfers are made by municipal administrative bodies and require hearing of experts and parents, and drawing up of plans concerning the organisation of personal teaching. If necessary, the number of subjects can be individualised and reduced from those in general education. Duration of compulsory education can also be extended where the pupil is unlikely to reach the targets set for
    comprehensive school education within nine years.

    Mas é muito útil ler mesmo tudo, para se perceberem as diferenças, desde logo os motivos para a integração na Educação Especial. Por cá muitos desses motivos são completamente ignorados pela legislação em vigor e os professores que se amanhem nas aulas (e no Estudo Acompanhado, claro, e diferenciando pedagogias numa sala com 24 ou 28…):

    Grounds for special education

    In the statistics on special education in comprehensive schools the grounds for acceptance or transfer to special education have been as follows since 2001:

    1. Severely delayed development

    * The grounds for acceptance or transfer to special education are moderate, severe or very severe delay of development. Pupils’ courses are always partly or completely individualised.

    2. Slightly delayed development

    * The grounds for acceptance or transfer to special education are slight delay in the pupil’s development.

    3. Varying degrees of cerebral dysfunction, physical disability or similar

    * The grounds for acceptance or transfer to special education are pupil’s neurological disability or developmental disorder, such as ADHD, or physical disability, such as the CP syndrome.

    4. Emotional disturbance or social maladjustment

    * The grounds for acceptance or transfer to special education are pupil’s emotional disturbance or social maladjustment.

    5. Learning difficulties related to autism or the Asperger’s syndrome

    * The grounds for acceptance or transfer to special education are pupil’s autism or Asperger’s syndrome.

    6. Learning difficulties caused by impaired linguistic development (dysphasia)

    * The grounds for acceptance or transfer to special education are pupil’s impaired linguistic development (dysphasia).

    7. Visual impairment

    * The grounds for acceptance or transfer to special education are pupil’s visual impairment.

    8. Hearing impairment
    -The grounds for acceptance or transfer to special education are pupil’s hearing impairment.

    9. Other than reasons listed above

    * The grounds for acceptance or transfer to special education are some other reasons not listed above.

    The grounds for special education are based on the decision concerning acceptance or transfer to special education.
    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/02/a-educacao-especial-na-finlandia/

    PS: Em Portugal, a percentagem de alunos apoiados no âmbito da Educação Especial é
    1,8%!!!!!!!!

  3. ah diz:

    Os Equívocos Graves De Isabel Alçada – 4

    Por entre as declarações confusas e atabalhoadas de Isabel Alçada durante o fim de semana acerca da proposta do fim das retenções no Ensino Básico e de controlar os danos que causou a sua entrevista ao Expresso, foi possível perceber que a ministra considera que já existem entre nós medidas de apoio destinadas a “ajudar os que têm um ritmo diferenciado” de aprendizagem.

    Embora as formulações tenham variado de ocasião para ocasião, acho que será pacífico identificar que a ministra se referiu, pelo menos, às seguintes: aulas de apoio, estudo acompanhado e pedagogias diferenciadas na sala de aula. Estranhamente, ignorou os planos de recuperação e acompanhamento.

    Não sendo todas elas medidas erradas na sua concepção, a sua aplicação prática está longe de ser satisfatória ou de corresponder ao que é necessário para combater, de forma séria, os défices de aprendizagem dos alunos ou a sua menor apetência pelo envolvimento nas tarefas escolares.

    Vamos lá por partes:

    Aulas de Apoio: existem quase exclusivamente em Língua Portuguesa, Matemática e Línguas Estrangeiras. Só excepcionalmente em outras disciplinas. O que significa que o seu alcance é limitado. Com o tempo, em vez de aulas destinadas a um apoio individualizado a alunos com dificuldades ou então a pequenos grupos com alunos com um perfil semelhante de dificuldades, tornaram-se uma espécie de estratégia defensiva dos professores quando dão uma classificação negativa a dado aluno. É uma forma de declarar que se preocupou e propôs apoio para o aluno. Consequência: atendendo à escassez de crédito horário para estas aulas não é raro que, em muitas escolas, as aulas de apoio se tornem aulas semanais de 45 minutos com mini-turmas tão ou mais heterogéneas dos que a de origem. Com a agravante de ser perfeitamente impossível dar um apoio adequado e individualizado quando se têm 6, 8, 10 alunos e 45 minutos semanais. Há uma meia dúzia de anos cheguei a ter APA de LP com 12 alunos, nenhum deles meu, muitos estando lá pelo simples facto de terem tido 2 no 1º período e ser melhor começar a prevenir a fundamentação de uma possível repetência. Pior ainda quando o professor de apoio nem é o professor da disciplina e precisa de se aperceber das situações em presença, algo que não se resolve com um pequeno relatório ou uma folha com cruzinhas. Este tipo de apoio deveria ser sempre atribuído com critério, individualmente ou em pequenos grupos (3-4 alunos, no máximo dos máximos), ao professor da disciplina que propôs o referido apoio e com mais de 45 minutos semanais quando os défices são mais acentuados. Ahhh… e quando os problemas exigem um apoio mais técnico (dislexia, disfazia, disortografia…), não chega esperar que o professor de apoio faça milagres, sem um diagnóstico capaz e um apoio específico por técnico qualificado para o efeito. Que quase nunca existe… ou existindo não tem tempo para isso, porque está assoberbado(a) pela imensa burocracia dos PIA, dos POA, dos PUA e dos P-qualquer coisa que agora existem por tudo e nada…
    Estudo Acompanhado: quando surgiu, integrado nas ACND, pareceu ser a área menos supérflua de todas, porque parecia destinar-se inicialmente a funcionar como espaço para aprendizagem e desenvolvimento de técnicas de estudo, de organização dos materiais e de apoio à realização de trabalhos de casa e outras tarefas solicitadas para realização fora das aulas regulares das diversas disciplinas. Nesses moldes, e com a presença de dois professores de áreas curriculares diversas (um de letras, outros de ciências ou matemática), pensou-se que talvez resultasse daí algo útil. Mas isso não passou de mera ilusão porque, perante a pressão dos maus resultados nos exames PISA e nos exames e provas de aferição a nível interno, desviou-se o objectivo central do Estudo Acompanhado para uma espécie de aulas suplementares de Matemática e Língua Portguguesa. E não se pense que isso foi algo que as escolas inventaram, pois existiram directrizes claras do ME ou dos seus serviços para esse efeito, mesmo antes das que explicitamente aqui se assumiram. Mas mesmo assim as coisas poderiam fazer ainda sentido, caso não se tivesse optado por manter nessas aulas todos os alunos das turmas e não apenas os que precisassem das actividades propostas para apoio aos alunos e para o combate às suas dificuldades. Se tivesse sido possível manter nas aulas apenas os alunos com maiores dificuldades – sem a necessidade de entreter todos os outros com actividades redundantes ou desnecessárias – as coisas poderiam ter ganho eficácia, mas não. Optou-se por uma solução que não adianta a quem não tem problemas e que de pouco vale a quem os tem. Nos anúncios variados que foram feitos ao longo deste ano lectivo, surgiu a ideia de tornar o EA opcional ou apenas obrigatório para os alunos com dificuldades maiores de aprendizagem, estudo e organização dos materiais. Era uma boa ideia que generalidade da classe docente apoiaria. Só que… infelizmente… ou foi abandonada ou está em banho-maria. Como está a funcionar actualmente, o Estudo Acompanhado é muito pouco rentável para os alunos, em especial para os que dele mais precisariam.
    Pedagogia Diferenciada: esta é uma das coisas mais divertidas ao cimo da terra pedagógica em que nos movemos, uma matéria que está plasmada (como é giro dizer) em imensos discursos, artigos e livros. Por cá, em termos discursivos funciona como panaceia retórica global e, para alguns eleitos (leia-se escola da Ponte e outros projectos que abandonaram os referenciais de espaço e tempo em que a maioria dos comuns mortais docentes vivem e ai deles se os desrespeitarem…), é a fórmula garantida do sucesso, para que todos o atinjam ao seu ritmo e pelos caminhos mais adequados. O problema… pois, o problema é que entre 95 a 99% das escolas e agrupamentos não funcionam assim, porque as directrizes superiores o não permitem e obrigam um professor a estar 90 minutos numa aula com 24, 26 ou 28 alunos e a diferenciar estratégias nessas condições, o que só no Absurdistão é possível como regra. Saberão os expertos que diferenciar pedagogias não se limita a dar fichas diferentes aos alunos? Que implica explicações e demonstrações individualizadas, conforme as necessidades de cada um? Acham que isso é possível em aulas, onde as regras básicas de civismo não são cumpridas e basta um(a) professor(a) virar as costas para o circo completo se instalar? Acham mesmo que se tivermos 1 ou 2 alunos a quem é necessário dar um acompanhamento indicidualizado na aula, em regra, os outros 25 vão ficar sossegadinhos à espera, enquanto fazem pacificamente a sua tarefa? A sério? Acham que não aparecem logo uns focos de agitação, uns sms, umas fotos e filmes pelo telemóvel no youtube a servirem de argumento para as câncios, os daniéisoliveiras e os emeéssetês começarem a desancar nos profes que nem sabem controlar uma sala de aula? Mas em que mundo vive todas esta gente? Quem acha que é possível diferenciar pedagogias e metodologias numa sala de 25 ou 28 alunos, de modo a integrar 4 ou 5 com problemas de aprendizagem específicos, ou não sabe o que é pedagogia diferenciada ou não coloca os pés em nenhuma sala de aula do mundo real há muitos anos…
    Ahhh… já agora… perguntem aos iluminados dos projectos de sucesso da pedagogia diferenciada quais são os critérios de ingresso nas suas escolas… se entra qualquer um… ou se neste momento não há um apertado processo de selecção e controle das admissões… por causa do excesso de procura e tal mas que…. na prática… funciona como útil mecanismo para só entrarem aqueles alunos cujas famílias e contextos garantem que, mesmo com problemas e dificuldades, o sucesso tem uma rectaguarda onde se basear… Não nos gozem, por favor!

    http://www.educar.wordpress.com/2010/08/03/os-equivocos-graves-de-isabel-alcada-%e2%80%93-4/

  4. Pequeno desafio: citem um único ministro da educação que tenha conseguido passar por lá e fazer fôsse o que fôsse de relevante.

    Aquilo (o ministério) é uma gigantesca máquina com dezenas de direcções-gerais, centenas de “serviços”, tipografias, bibliotecas, gabinetes disto e daquilo, grupos de estudo de aqueloutro, milhentos funcionários de toda a espécie e feitio, e que funciona mais ou menos numa alegre auto-gestão, i.e. cada um faz o que lhe dá na telha ou mesmo não faz nenhum (esses são provávelmente os melhores…)

    Tive um tataravô que segundo consta dos registos foi ministro da “Instrução Publica” há muitos, muitos anos. Aguentou-se lá 2 meses a fazer o frete e depois voltou a ser médico, coitado.

    Sinceramente, não faço a mínima do que se pode fazer com aquilo. Eu de certeza que não me ofereço…

    🙁

  5. ah diz:

    “Tive um tataravô que segundo consta dos registos foi ministro da “Instrução Publica” há muitos, muitos anos. Aguentou-se lá 2 meses a fazer o frete”

    ” e depois voltou a ser médico, coitado.”

    Como vê o problema já vem de longe!!!!
    Qualquer um serve para ministro da Educação, até um MÉDICO (santo Deus!), menos um professor do sector. Parece ser esse O PROBLEMA CRÓNICO. Os portugueses, povo inculto, despreza tudo o que tem efectivamente Valor, a começar pela Instrução…

  6. Pingback: cinco dias » Não deixámos morrer a nossa escola!

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