A REFER decide

S. Pedro do Estoril é uma povoação dividida pela linha de comboio há mais de um século. Até há um ano, havia uma passagem de nível que permitia a circulação automóvel e pedonal entre os dois lados, ainda que com elevados custos, pelos sucessivos acidentes que massacraram a sua existência. Nos últimos anos, depois de muitas vidas tolhidas, a REFER terá sido obrigada a fazer uma passagem desnivelada que se encontra em execução.

Contudo, a obra em curso é um símbolo da demissão do Estado (neste caso a Câmara Municipal de Cascais) e do desprezo pelos mais elementares direitos dos cidadãos e dos trabalhadores. Estando a passagem de nível encerrada, a única comunicação que a REFER permite entre os dois lados da povoação é um perigoso e estreito trajecto entre os operários da construção a realizar trabalhos de corte sem as condições mínimas de segurança exigidas por lei (separados dos traseuntes por uma fita vermelha), e o comboio. De permeio duas rampas com pendentes ilegais, num território com muita população envelhecida e dificuldades de mobilidade.

Uma das soluções para este problema seria simples: uma ponte provisória. Mas esta seria, certamente, uma opção mais cara para o empreiteiro e para a REFER, e não deveria caber nos ardilosos 4.998.800€ adjudicados, no limite dos valores que permitem a evasão ao concurso público – curiosamente, ou talvez não, este contrato não se encontra no portal dos concursos públicos.

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5 respostas a A REFER decide

  1. agent diz:

    Fosse S. Pedro do Isaltino e não só tinham a pontezinha como um SATU que levava-vos directamente a casa.

  2. Cascais é um exemplo de como não se gere um município.
    Desde o crescimento de parques de estacionamento no lado mar da Marginal, à falta de controle de velocidade nessa via, zonas verdes transformadas em parques grátis, passeios e ruas com péssimo pavimento, espaços verdes revistos apenas nas vésperas das eleições… enfim!
    O mamarracho “Estoril Sol” define ao serviço de quem está quem em Cascais governa…

  3. Morei em S.Pedro do Estoril durante anos. Vou lá muitas vezes porque tenho família que ainda mora lá. Aquilo virou um verdadeiro far west e durante o inverno nem te falo. De qualquer modo, para além do problema que referes, haveria que ir mais atrás e explicar como é que aquele mamarracho urbanístico chamado Jardins da Parede (e que na altura levantou as maiores dúvidas sobre a gestão do Judas) pôde impunemente matar uma pequena vila de onde até a farmácia foi “deslocalizada”.
    Quanto às obras (que não são só na estação, muito longe disso), era ver as velhotas de galochas pelo pescoço no inverno e agora é vê-las a espirrar pó. Uma vergonha.

  4. Tiago Mota Saraiva diz:

    Olá Ana, eu vivi em S. Pedro durante muitos anos e está irreconhecível. O consórcio Judas/A. Santo repetiu o exemplo de sucesso da Reboleira dos idos 80, nos Jardins da Parede – construção densa sem equipamentos públicos.
    Entretanto, Capucho (ainda assim, com uma acção autárquica 10 vezes melhor que a de Judas), vai cedendo. A tonta substituição do alcatrão nas estradas por blocos de cimento é um desafio à inteligência, mas um excelente negócio para os construtores.

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    agent, estivessem os Isaltinos deste país onde deviam estar e muitas destas coisas não aconteciam.

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