Morreu António Dias Lourenço, um operário da história

Era do tempo em que os operários tomavam a sua emancipação nas suas próprias mãos. Nada que era humano lhes era estranho. Combatiam a ditadura e tinham uma ânsia infinita de viver e aprender. Mesmo na cadeia aprendiam álgebra, línguas, história, português. Queriam mudar o mundo. Tinham a imensa coragem de dizer não ao fascismo. Conheci Dias Lourenço, na Santos Dumond, logo depois do 25 de Abril. Apesar da agitação da altura e do enorme trabalho que era lançar os primeiros números do Avante legal, arranjou tempo para um grupo de jovens com menos de 10 anos que queriam falar com ele sobre o partido. Partilhou connosco histórias da sua vida, contou-nos a sua fuga de Peniche e conversou sobre a revolução. Respondia às nossas questões, de catraios, com o olhar vivo de sempre e o sorriso aberto. Dias Lourenço era uma pessoa que nos fazia sentir a fraternidade daqueles que lutam e a coragem de uma geração que, apesar de temperada na dura fornalha que faz o aço, transportava consigo todos os sonhos de felicidade dos homens e mulheres.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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17 Responses to Morreu António Dias Lourenço, um operário da história

  1. António Figueira diz:

    Poucas perdas ou nenhuma, na política, incomodam tanto como esta. O Dias Lourenço foi um grande homem – justo, solidário, modesto – impossível tê-lo conhecido e não chorar a sua morte.

  2. koshba diz:

    http://www.youtube.com/watch?v=f06LvRjKD90

    De Sacavém.E também para Colélia…

  3. Ana Paula Fitas diz:

    Bonito, Nuno.
    Obrigado pela partilha.
    Abraço.

  4. Nuno os meus sentimentos, nada mais.

    🙁

  5. Eu sou anarquista, e liberal. Não me consigo esquecer das ‘coisas’ que os detentores da verdade nos fizeram, um pouco por todo o lado, quando se apanharam na mó-de-cima (Do I really have to tell ya’s ?)

    Em qualquer caso um gajú com 17 anos de prisa e mais o resto, por muito que nos quisesse matar (e quereria…) “chapeau”, porque a diferença entre nós e vosmicês é que a gente não se ajoelha nem se rebaixa em frente de coisa nenhuma.

    🙁

  6. Ricardo Machaqueiro diz:

    Fomos uns priveligiados, no melhor sentido do termo, ora não fomos, Nuno? Penso em ti com frequência desde que nos revimos na visita ao M. Podíamos tentar conciliar agendas e ver-nos um destes dias…
    Não percebo aquele comentário sobre Colélia… Como também não percebi a referência que lhe faz o ADL numa entrevista em que tropecei ontem e na qual o António se refere à Colélia como sendo do MRPP. Ora, como sabemos, o MRPP é um fenómeno da década de 70 e a Colélia (da qual pouco sei) foi um acidente nos anos 40… Terá o DL feito alguma confusão, mais que compreensível na medida em que já tinha 90 anitos na altura da entrevista, ou a Colélia, decerto já velhota, aderiu tardiamente ao MRPP?

  7. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Olá Ricardo,
    Claro. Estou de regresso ao trabalho a 12. Marcamos a partir dessa data.

    Abraço,
    Nuno

  8. Niet diz:

    O PCP perdeu um dos seus emblemas mais extraordinários, com um passado de luta e uma coragem moral fascinantes. Não percebo muito bem o que quer dizer o anarco-liberal Alvega, de sua gracinha…Só em Portugal parecem existir anarquistas partidários do Friedman. O sr. Alvega não sabe do que fala e está a iludir os incautos. Niet

  9. Ricardo Machaqueiro diz:

    Deu-me uma enorme vontade de rir, essa do anarquista e liberal e fá-lo-ia, não fossem as circunstâncias. O Alvega é um brincalhão que se inspirou n’ O Falcão, versão tamanho reduzido, onde foram publicadas as aventuras do piloto luso-britânico da RAF, Jaime (e não James) Eduardo de Cook e Alvega. Claro está que o nome original, criado em meados da década de 50, não era esse, mas Battler Britton. Mas no Portugal marialva e pequenino desses tempos, havia que conferir uma outra origem ao aviador e lá se lhe arranjou um pai ribatejano ou alentejano (já não me recordo), estilo abastado lavrador. Já mais estranho é o comentário do Alveguinha que aqui se segue: “Não me consigo esquecer das ‘coisas’ que os detentores da verdade nos fizeram, um pouco por todo o lado, quando se apanharam na mó-de-cima”… Em cima de quem, ó fotaleza voadora? E a que “coisas” se refere o prezado e tão esclarecido comentador? Abençoada largueza, a das costas do Dias Lourenço e de outros como ele…

  10. António Figueira diz:

    Boa malha, Ricardo.

  11. Isabel Galacho diz:

    Também eu , claro muito mais idosa que tu, ouvi contada por ele directamente a sua fuga de Peniche.Momentos para nunca mais esquecer e exemplos para toda a vida.

  12. Ricardo Machaqueiro diz:

    Olá Tó. Como vão essas actividades? Tenho saudades dos nossos papos e dos “mimos” com que prendávamos os papões deste nosso universo português que, bem vistas as coisas, continua pequenino…
    Abraço.

  13. António Figueira diz:

    Olá Ricardo. Pois as actividades vão bem activas: depois da nossa última conversa à volta de uma pizza, as coisas avançaram, confirmaram-se, e o resultado é este – trabalho para burro, até em Lisboa, em Agosto, ao calor. O que vale é um vodka polaco porreiro que o Pingo Doce vende a seis euros e picos, com muito gelo e água tónica… Abração, AF

  14. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Olá Isabel Galacho,
    Há tanto tempo que não te via.

    bjs

  15. Ricardo Machaqueiro diz:

    Pois é, amigo. Fico feliz. Quando a criança tiver nome e se puder visitar, dá notícias. Mas atenção: quando o Agosto é um mês sem férias, não é de todo um Agosto. É mais um Agostinho…
    Esta minha queda para a piada fácil, ainda me perde…
    Quando tiveres oportunidade, hás-de explicar-me o que é esta coisa da Tag Cloud. Perdoa a ignorância…

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