Os meus direitos valem sempre mais do que os direitos dos outros

O 31 armado Vasco Campilho aproveitou a boleia do blasfemo JMF para indagar sobre o que penso das posições reaccionárias do Hamas no que diz respeito aos direitos da mulher, em particular na mais recente proibição do fumo de nargilas (cachimbo de água tradicional) em público. Não tenho como deixar mais claro a minha posição: tudo pelo fumo e tudo contra a roupa, em Gaza, em Washington ou em Lisboa.

Compreendem-se as dúvidas pois a direita caceteira não consegue perceber que há quem não mude de posição consoante o local geopolítico em que se dá um determinado debate. Eram contra o muro de Berlim mas já gostam do que segrega a Palestina; Eram (seriam?) contra o Gueto de Varsóvia mas são fervorosos adeptos do de Gaza; São contra os golpes de Estado mas só se forem eles os estadistas ou se não forem eles próprios os golpistas; Querem o mercado livre para manter a impunidade fiscal dos especuladores embora clamem pela ajuda divina da mão do Estado para sanear as suas empresas da falência em tempos de crise; São contra o uso obrigatório da hijab mas também são contra o seu uso voluntário.

Enfim, querem para os outros o que não querem para si em praticamente cada discussão pública e as suas posições ideológicas são unicamente definidas pelo tacticismo da sua agenda de interesses e jamais pelo seu plano moral ou nível de consciência. Gostavam de ser conservadores mas são apenas oportunistas.

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