Salvar mulheres

Tráfico de pessoas para a Europa, com fins de exploração sexual:

Rota: Vários países do mundo, especialmente da região dos Balcãs e ex União Soviética

Destino: Europa ocidental e central

Número anual de novas vítimas: cerca de 70000

Mercado (número de vítimas): cerca de 140000 vítimas

Volume de negócios: 3000 milhões de dólares anuais

Segundo estimativas da OIT, em 2005, havia pelo menos 279000 pessoas vítimas de tráfico para diversos fins na Europa e América do Norte. Com base nos dados reunidos pela UNODC, em 2006 havia um total de 7300 vítimas identificadas na Europa ocidental e central. Considerando que se identifica cerca de uma em cada 20 vítimas de tráfico, o seu número na Europa ascenderia a 140000, aproximadamente.

Cruzando estes dados com os números de mulheres que se prostituem em toda a Europa (calcula-se que sejam cerca de um milhão), conclui-se que uma em cada sete é vítima de tráfico. É um valor elevado, mas verosímil. Segundo investigações sobre o período de exploração, o ciclo de rotação é, em média, de dois anos. Isto significa que é necessário recrutar todos os anos 70000 mulheres para substituir as que deixam o mercado.

É frequente o recurso à violência para controlar as vítimas. Os grupos de traficantes com base nos Balcãs são extremamente violentos. De forma idêntica, os grupos organizados da Federação Russa utilizam métodos de controlo especialmente cruéis. Com frequência, antes de as oferecer aos clientes, os próprios traficantes violam as mulheres, para iniciar o ciclo de mau trato e degradação. Algumas são drogadas para impedir a fuga.

Apesar de existirem diferentes mercados de sexo (como o turismo sexual, a prostituição trans-sexual e a prostituição masculina) quase todos os clientes dos serviços sexuais comerciais na Europa são homens e, na sua maioria, as mulheres são as fornecedoras.

(ver o o Relatório da UNODC sobre o tráfico de pessoas para a Europa com fins de exploração sexual, divulgado aqui em Espanha no âmbito da campanha Coração Azul)

Confesso que sabia que o problema era grande, mas não tinha uma ideia real dos números. Não tenho soluções mágicas, e estou aberta a tudo o que os grupos que trabalhem na área possam sugerir. Isto é o expoente máximo da violência de género e, como se vê, temos um longo caminho a percorrer.

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3 respostas a Salvar mulheres

  1. liliana diz:

    Que bom foi para as mulheres ter acabado a URSS…

  2. Abílio Rosa diz:

    Para muita gente a queda do «muro» significou «libertação».

    Para mim, no seu impulso inicial,significou o regresso à democracia iniciada pelos regimes das democracias populares, abastardadas por direcções autoritárias e social-fascistas, mas a partir desse momento, também significou muita injustiça, regresso à fome, guerra, à miséria, às doenças, à exploração sexual, às máfias, à droga, à sida, à pornografia, ao capitalismo selvagem e a todo um leque de maravilhas «civilizacionais» importadas do Ocidente.

    E disto o Ocidente e os arautos da «liberdade» nunca falam.

  3. Morgada de V. diz:

    Tb desconhecia estes números. É monstruoso.

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