Nudismo ou barbárie

O texto da Mariana sobre a primazia da liberdade de escolha e da cultura, em detrimento do totalitarismo normativo, é um contributo raro, de grande alcance e de maior coragem, para o debate sobre a “roupa e a vida das mulher”, ensimesmado há demasiado tempo.

Se sou solidário com aqueles que têm repulsa ao uso de fardas em geral e de uniformes em particular, da burka ao véu, do bibe à capa e batina, do fato e gravata ao vestido de noite, da bondage-mask ao mais subtil ou espartilhado under-bra, o último aliado que me interessa ter é o livre arbítrio do Estado nas poucas opções individuais que restam.

Entre a indústria que entende que só as mamas em riste são sensuais e o clero que entende que as mulheres estão bem é debaixo de panos, escolherei sempre algo despido de tudo. Para o conseguir, o maior inimigo com que podemos contar é a insensatez da lei a escolher como vestimos o nosso cadáver.

A batalha terá que ser ao nível das consciências, da inteligência, porque quando os códigos entram na última esfera da vida, é porque deixou de ocupar o tempo a fazer o que devia andar a ser feito, quanto mais não seja garantir que cada um tenha meia dúzia de metros quadrados de casa, para guardar o seu armário de escolhas.

Espero ter sido claro, camarada Morgada.

Importa não esquecer que na penumbra deste debate, está a agenda que motiva o poder político ao proibir o uso de véu em França.   Na senda xenófoba e segregacionista dos minaretes suíços, mais não se pretende do que aprofundar o projecto de tornar a Europa num espaço apenas aberto a assimilados, continuando a transformar o “islamismo” na “negritude” do século XXI.

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33 Respostas a Nudismo ou barbárie

  1. psd da boa-fé diz:

    Sr. Teixeira,

    Não me lembro de alguma vez ter estado tão de acordo consigo como quando afirma: “A batalha terá que ser ao nível das consciências, da inteligência.” Bela formulação!
    (Esta batalha e quase todas as outras, acrescentaria eu.)

    O tema em discussão é delicado, mas o seu modo de raciocinar convenceu-me. Pelo menos desta vez…

  2. Renato Teixeira diz:

    Boa fé, ainda bem que estamos de acordo, porque se vier para aqui insinuar sobre a minha vida privada, para lá do confesso gosto pelo nu, dar-lhe-ei o caminho que por estas bandas se vai dando aos inusitados.

  3. psd da boa-fé diz:

    Óh diabo, não tarda despedem-me de vez e desço para a liga Blog-Vitalis: sou despromovido e passo a comentador do 31 da Armada, do Blasfémias, da Radio Miami ou do chat da Bola (onde entre outras coisas se podem aprender novas maneiras de pontuar frases e acentuar palavras)… Já imaginou o sacrilégio?

    Já percebi que aprecia o nu… Mas fique sabendo que prefiro sonhar com homens em pijamas de cetim, bem macios e lustrosos… (só p/ confirmar: isto é o chat da revista Maria não é? ou voltei-me a enganar no link?)

  4. Renato Teixeira diz:

    Logo vi que o acordo seria de pouca dura.
    Boa Fé, por agora continuarei a ter algum tempo para editar os seus comentários, retirando o que já lhe disse que não aprovo… Não costumo, contudo, ser uma pessoa tão despida de tempo como lhe possa parecer. Fique com o cetim que eu permaneço fiel ao pecado original.

  5. psd da boa-fé diz:

    Monsieur Teixeirra,
    Sejamos sérios que o tema merece. Anteontem proibiu-se no parlamento francês mais do que o uso da burqa e do niqab: o que se proibiu foi, como noticia o Le Monde, “la dissimulation du visage”.
    Ou seja, aquelas marcas de óculos de sol que fazem moda no Ocidente com as lentes enormes que dissimulam completamente a face do portador estão tramadas na França. A lei veio dar cabo da moda.

    (ps: o Ricciardi manda cumprimentos)

  6. Renato Teixeira diz:

    http://pe360graus.globo.com/obj/101/69454,700,80.jpg
    Esta imagem fará finalmente parte do passado. Começo a ser convencido…

  7. mamene diz:

    Metam,mas é mais fotos destas edeixem-se de merdas!Uau,que tusa!

    psd,de boafé que gosta de:“A batalha terá que ser ao nível das consciências, da inteligência.” ?Ou é maluco ou está a brincar

  8. psd da boa-fé diz:

    Enfim, quando a proibição francesa de dissimular o rosto (pelo uso de indumentária ou acessórios) em espaços públicos vigorar neste Ocidente das liberdades e dos dtos. humanos, as burqas-fashion [ http://www.sunglassesfashion.com/ ] terão finalmente os dias contados…

  9. Renato Teixeira diz:

    mamane, é maluco ou está a brincar? Não bastava querer resolver na internet o problema da sua tesão e ainda visita o 5dias para o efeito?
    Se é esse o seu leitmotiv, mude rapidamente de tasca: http://www.youporn.com

  10. carmo da rosa diz:

    @ Renato Teixeira: Se sou solidário com aqueles que têm repulsa ao uso de fardas em geral e de uniformes em particular, da burka ao véu, do bibe à capa e batina, do fato e gravata ao vestido de noite,…

    Renato, você ainda não percebeu que este conflito nada tem a ver com a moda! Estas leis patéticas são apenas uma tentativa desajeitada para resolver um problema civilizacional que é apenas causado por um grupo ligado a uma ideologia disfarçada em religião – e só por ele…

    Todos os outros grupos – veja-se o comportamento entre outros dos portugueses em França – não dotados de uma ideologia de conquista, chegaram, trabalharam, adaptaram-se, integraram-se ou foram-se embora (evidentemente com uma grande vuatúre). De qualquer forma não criaram (nem criam) situações em que alguma vez fosse necessário fazer um apelo à jurisprudência para salvar a democracia.

    A partir da Brasileira no Chiado é muito fácil dizer que “a batalha terá que ser ao nível das consciências…” – confesso que soa muito bem mas não diz grande coisa. Experimente dizer isso à família de Theo van Gogh: degolado como uma cabra em dias de festa muçulmano, depois de ter levado o filho de bicla à escola; ou aos intelectuais, políticos, jornalistas e desenhadores que por essa Europa fora têm que ser (fisicamente) protegidos pelo Estado! Assim como os dissidentes: Ayaan Hirsi Ali, Wafa Sultan, Salman Rushdie…

    @ Renato Teixeira: Importa não esquecer que na penumbra deste debate, está a agenda que motiva o poder político ao proibir o uso de véu em França.

    Em França isto é verdade em relação a uma facção do poder político, mas infelizmente não pode ser de outra maneira, a sombra de Le Pen é quem obriga o poder político a tomar medidas, mesmo que frouxas, desajeitadas e por vezes contraditórias. Mas qual seria a alternativa? Se os franceses contassem só com a esquerda para defender as suas liberdades estavam bem tramados… A esquerda, que é quem deveria tomar a iniciativa nesta luta emancipadora pelas liberdades individuais balda-se, quando não colabora abertamente com o islamo-fascismo!!!

    Bom, não quero parecer tão pessimista. Também há gente de esquerda na Europa que já abriu os olhos e em relação a esta problemática tem uma postura decente: como por exemplo Oriana Fallaci na Itália, com o seu corajoso livro A Raiva e o Orgulho; Paul Scheffer (intelectual de esquerda ligado ao partido trabalhista e Prof. catedrático na Universidade de Amesterdão) na Holanda, que em 2000 escreveu o famoso panfleto O Drama Multicultural e em França temos as pessoas ligadas ao movimento Riposte Laïque.

    Mas mesmo no nosso pacato jardim à beira-mar plantado, onde normalmente tudo acontece 50 anos depois, o vosso bem conhecido Daniel Oliveira antecipou-se corajosamente no tempo e afirmou há tempos o seguinte:

    ”Há uma parte da esquerda que passou para o lado de lá e nem sabe. Apoia o capitalismo sem democracia chinês, a cleptomania dos milionários de Angola, o capitalismo mafioso e nacionalista da Rússia, a monarquia coreana e a teocracia de extrema-direita no Irão. E acham que isto é tudo normal para pessoas de esquerda.”

  11. mamene diz:

    RT,já vivo numa tasca chamada de Portugal.Quer maior ‘choldra’ do que esta?

    Tudo,o que seja menos de mexer,não ‘mexe’ comigo… :)
    Foi só ‘um apontamento’ erótico matinal.

  12. Marota diz:

    Olha… enganei-me e vim dar ao chat do namoro.

  13. Luis Rainha diz:

    No Canadá, são os muçulmanos a pedir a interdição das burkas: «The tradition of Muslim women covering their faces in public is a tradition rooted more in Middle Eastern culture than in the Islamic faith, Ms. Hassan added.
    There is nothing in any of the primary Islamic religious texts, including the Koran, that requires women to cover their faces, she said — not even in the ultra-conservative tenets of Sharia law.
    Considering the fact that women are in fact forbidden from wearing burkas in the grand mosque in Mecca, Islam’s holiest site, it hardly makes sense that the practice should be permitted in Canada, she said.»

    http://viasfacto.blogspot.com/2010/07/grupo-muculmano-pede-ao-governo-do.html

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  16. Renato Teixeira diz:

    Luis Rainha não vejo onde é que o facto de haver muçulmanas a pedir a interdição das burkas, torna o debate sobre o assunto mais ou menos justo.

    Insisto no que me parece essencial: a proibição do uso público de trajes é um inimigo ou um aliado da burka?

  17. Renato Teixeira diz:

    Que grande confusão Carmo da Rosa… Da “moda” da “Brasileira do Chiado” ao “islamo-fascismo”, acabando nas fronteiras esquerdistas do Daniel Oliveira…
    Falamos de panos, não de garrotes.

  18. ezequiel diz:

    viva as islamo fascistas (rebeldes)!!!!

    renato, que falta de sensibilidade: as imagens dos espartilhos leva-nos para o imaginário formulaico yankee doodle dandy das mistrX dominatrix…ainda por cima, meteste lá uma com chicotin…naah…naah.. lol lol

    mas as meninas rebeldes fascistas…yeap? seria quase como ver uma paraquedista brunette, fantástica, vestida de mao…uma luta é sempre muito mais interessante do que uma rendição patética, sem qualquer propósito. ainda por cima, as coquettes de espartilho n sequer aguentam dormir ao relente. são meninas finas. mind games but weak. naah. what a pain in the arse.

    lol

    o Daniel Oliveira de burqa na tv. só as sobrancelhas do lado de fora. o resto, todo coberto. uma burqa com sobrancelhas. lol LOL

  19. Marota diz:

    O uso da burca não é uma questão de moda nem uma opção da mulher muçulmana. Esta camisinha de vénus às preguinhas é imposta à mulher para que oculte toda a sua feminidade. Só assim o fanático muçulmano ficará imune a tentações diabólicas. Eu como mulher exijo a abolição universal da burca e para estes adeptos, a mutilação do membro masculino responsável por este mal entendido.
    Se fosse por natureza devota e até gostasse de chicote, penso que emigrava lá para a terra deles, mas como não sou, dou-me por muito sortuda por poder mostar os mamilos quando me der na gana.
    Tenho uma amiga que gosta muito que mandem nela e adora que lhe dêm uns estalos na cara, vou-lhe perguntar se ela não quer ir para lá.

  20. carmo da rosa diz:

    @ Renato Teixeira: Que grande confusão Carmo da Rosa…

    Renato, não há confusão nenhuma e você sabe-o bem… O problema é que você não faz parte da esquerda a que pertencem Oriana Fallaci, Paul Scheffer e Ayaan Hirsi Ali, mas infelizmente faz parte da outra, para quem o ‘cri de coeur’ de Daniel Oliveira é dirigido…

  21. Renato Teixeira diz:

    Marota, mas a questão é precisamente essa. Levar as mulheres a largar “as burkas”. A questão, uma vez mais, é se a lei ajuda ou desajuda.

    Carmo da Rosa, continua a confusão… mas explique-se, explique-me. Faço parte de uma esquerda para quem o Daniel Oliveira é um “cri de coeur” dirigido???

  22. Renato Teixeira diz:

    Ezequiel, desfrute. Desconfio que no fundo apreciou a selecção de imagens. Pergunto-me qual das três séries terá chamado mais a sua atenção…

  23. carmo da rosa diz:

    @ Renato Teixeira: ”Faço parte de uma esquerda para quem o Daniel Oliveira é um “cri de coeur” dirigido???”

    Eu acho que você trocou (de propósito!?) o lugar de “cri de coeur” na frase para precisamente não entender…

    Mais uma vez: o “cri de coeur” do Daniel Oliveira dirige-se a uma parte da esquerda de que você, tendo em conta o seu discurso, faz parte.

    Pelo que tenho lido e por muita boa vontade que tenha acho que a sua posição nesta temática difere bastante dos exemplos que eu nomeie, ou seja: Oriana Fallaci, Paul Scheffer e Ayaan Hirsi Ali…

    Ou não será assim?

  24. Rezaf diz:

    “Importa não esquecer que na penumbra deste debate, está a agenda que motiva o poder político ao proibir o uso de véu em França. Na senda xenófoba e segregacionista dos minaretes suíços, mais não se pretende do que aprofundar o projecto de tornar a Europa num espaço apenas aberto a assimilados, continuando a transformar o “islamismo” na “negritude” do século XXI.”
    Segregacionista? Xenófoba? Como? Ninguém os impede de construir mesquitas. Se não estou em erro, nem os sauditas constroem minaretes. Estes não são nada mais do que uma afirmação de domínio. Já o outro disse que os minaretes eram as “espadas” deles. Sim, eu sei: o que se passa nos países islâmicos não é da nossa conta, blah blah blah. Estranhamente, esses mesmos países acham que podem arrotar postas de pescada sobre as nossas politicas domésticas em relação ao Islão. Lembra-se do escândalo que houve por aquelas bandas aquando da proibição dos minaretes?Era o Cadafi numa de “agarrem-ne, senão vou-me a eles”.
    Sabe, ainda estou à espera daquela linda catedral em Meca. Continuo com esperança de a ver um dia. Mais certa será a existência de porcos com asas e galinha com dentes antes desse fabuloso acontecimento.

    “Marota, mas a questão é precisamente essa. Levar as mulheres a largar “as burkas”. A questão, uma vez mais, é se a lei ajuda ou desajuda.”

    Será que ninguém faz uma lei que obrige os maridos e/ou a família dessas mulheres a respeitar a liberdade de decisão das mesmas sobre o uso do véu? Não me parece que seja difícil para essas mulheres adquirir a cultura ocidental. O problema é garantir que ninguém lhes prive da liberdade de não usar um saco de pano da cabeça aos pés.

  25. Renato Teixeira diz:

    Carmo da Rosa, o debate sem ser ancorado em citações avulsas tem muito mais piada. O que lhe agrada na lei francesa e em que medida vê o Estado como um bom aliado em matéria de costumes?

    Rezaf, os minaretes afirmam tanto domínio como as torres das igrejas ou os chão das sinagogas. É xenófobo e segregacionista dar licença a uns para explorar a fé alheia e não a outros. É, digamos assim, concorrência teológica desleal.

  26. carmo da rosa diz:

    @ Renato Teixeira: O que lhe agrada na lei francesa e em que medida vê o Estado como um bom aliado em matéria de costumes?

    Acerca da lei francesa já dei a minha opinião quando disse que:

    “Estas leis patéticas são apenas uma tentativa desajeitada para resolver um problema civilizacional que é apenas causado por um grupo ligado a uma ideologia disfarçada em religião – e só por ele…”

    E disse-o também por outras palavras:

    “a sombra de Le Pen é quem obriga o poder político a tomar medidas, mesmo que frouxas, desajeitadas e por vezes contraditórias. Mas qual seria a alternativa? Se os franceses contassem só com a esquerda para defender as suas liberdades estavam bem tramados… A esquerda, que é quem deveria tomar a iniciativa nesta luta emancipadora pelas liberdades individuais balda-se, quando não colabora abertamente com o islamo-fascismo!!!”

    Mas você não quer ouvir, porque ideologicamente não lhe convém. Prefere ‘ancorar’ (e daqui não saio e daqui ninguém me tira) o debate da burka ao mesmo nível da mini-saia, dos cabelos compridos e dos pearcings!

    E é por isso que afirma em resposta a Rezaf que os minaretes afirmam tanto domínio como as torres das igrejas ou o chão das sinagogas! Para si é tudo igual ao litro. Todas elas são religiões. Esquece-se que apenas UMA delas é responsável pelas enormes medidas de segurança no mundo inteiro, a começar nos aeroportos…

    Concorrência teológica desleal!!! Não me faça rir?

    Veja um dia o documentário muito decente, muito politicamente correcto do esquerdista belga Jan Leyers: A Caminho da Meca. Vai aprender, entre outras coisas, que na auto-estrada para a Meca existe, uns quilómetros antes de chegar à cidade santa, um desvio obrigatório para os infiéis (para si também), que obviamente nem sequer têm entrada na cidade…

    Imagine-se de carro na auto-estrada A1 na direcção Lisboa-Fátima. Aí por alturas de Tomar você é obrigado, queira ou não, a desviar-se para Torres Novas em direcção a Abrantes porque não é crente – está indicado em letras garrafaias FÁTIMA SÓ PARA CATÓLICOS….

    P.S. Não sei se reparou, mas por enquanto tenho tido o cuidado de citar/de me apoiar apenas em pensadores/cineastas de esquerda…

  27. Renato Teixeira diz:

    Carmo da Rosa, quando o instei a substituir o comentário pela citação era para nos aproximar-mos do debate particular do tema e evitar a eterna repetição de bibliografia. No campo teórico, elas têm cabimento, e devemos não limitar a nossa escolha a um campo político, na blogosfera devemos tentar resistir a essa tentação.

    Não me choca que no caminho para Meca se privilegie a passagem para fiéis. Como na via sacra, como no muro das lamentações. Acho de resto um bocado idiota o turismo teológico de não crentes.

    Quanto ao resto, sim, minaretes, igrejas e sinagogas é para meter tudo no mesmo saco em matéria de direitos. Quando a enunciados como “apenas UMA delas é responsável pelas enormes medidas de segurança no mundo inteiro, a começar nos aeroportos… ” parece-me que apenas se dedicam à nobre arte de enfiar a cabeça debaixo da areia.

    Já sobre a lei francesa parece que estamos de acordo.

  28. Rezaf diz:

    “Quanto ao resto, sim, minaretes, igrejas e sinagogas é para meter tudo no mesmo saco em matéria de direitos. ”
    Um minarete é a torre de onde se faz o “muezzin”, ou o chamamento para a oração, e é uma estrutura adjacente ao local de culto, que costuma ser uma mesquita. Os muçulmanos costumam rezar nas mesquitas. O equivalente de uma igreja é a mesquita e não o minarete. Logo, sendo o minarete uma torre e uma igreja um local de culto, não faz muito sentido metê-los no mesmo saco em matéria de direitos. Faz?
    Renato Teixeira, eu sei que estou a sair do tópico, mas se você me dissesse que as mesquitas estavam proibidas na Suiça, eu estaria de acordo consigo. Aí sim, estaria a Suíça a descer ao nível dos países islâmicos. Nestes é proibido construir/reparar igrejas, sinagogas ou qualquer outro edifício de culto que não seja uma mesquita. Se os Suíços são xenófobos, o que dirão vocês destes países?

    Cristianismo e o Islão não são a mesma coisa. Maçãs e laranjas são frutos, mas são frutos diferentes. Quando foi a última vez que alguém foi condenado à morte por blasfémia ou apostasia no mundo Cristão? A sério, quando? Além disso, o Islão possui uma vertente política considerável que o Cristianismo já não tem, os torna ambas as ideologias bastante diferentes. No Islão não há separação do estado e da religião e o Cristianismo é apenas uma religião. Enfim, isso faz com que uma torre de uma igreja e um minarete tenham significados diferentes. Faz algum sentido? Bem, não vá por mim. Não fui eu que disse que os minaretes eram espadas. Quando um turco (que agora é PM) diz isto, não sei não… Eu não acho que deva banir o quer que seja, mas compreendo a posição dos Suíços. Mas é o país deles e se ele acham que símbolos de uma determinada ideologia (que não é nativa da Suíça) não combinam com o que o país deles representa, eles lá sabem e estão no seu direito.

    Quanto à proibição dos sacos da cabeça aos pés, eu concordo que essa seja feita em edifícios públicos. Se num aeroporto temos que cumprir regras de segurança, impostas devido a certos precedentes, então, e tendo em conta que já houve notícias sobre assaltantes com burcas na França, faz sentido que proíbam tal vestimenta por uma questão de segurança. Fora disso, por mim até podem andar enroladas em cortinas, se for, de facto, a escolha dessas mulheres. Como disse, parece-me mais importante garantir que ninguém as prive da liberdade de se vestirem como quiserem noutras ocasiões.

  29. carmo da rosa diz:

    @ Renato Teixeira: Não me choca que no caminho para Meca se privilegie a passagem para fiéis. Acho de resto um bocado idiota o turismo teológico de não crentes.

    Não se privilegia passagem nenhuma, nega-se a entrada na cidade a todos aqueles que não são muçulmanos! E não se trata de turismo, tratava-se de um documentário sobre o Islão com discussões em vários países com início na Andaluzia, passando por Marrocos, Argélia, Egipto, Irão e que iria finalmente acabar na Meca. Só que o ministro saudita disse gentilmente mas decididamente que não…

    A última cena do documentário mostra precisamente o desvio (para não-muçulmanos) na auto-estrada para Meca. Mas você não percebe que este detalhe é sintomático, que diz tudo! E sirvo-me dele para evitar de falar de coisas mais escabrosas, como a lapidação de mulheres, enforcamento de homossexuais, liquidações de apóstatas e os atentados diários à bomba – mesmo dentro de mesquitas! Mas é verdade, se não forem ocidentais, e de preferência capitalistas a cometer crimes, não creio que haja assim muita coisa que o choque…

    Não será você que se dedica à nobre arte de enfiar a cabeça na areia?
    Responda então à questão de Rezaf: “Quando foi a última vez que alguém foi condenado à morte por blasfémia ou apostasia no mundo Cristão? Nem Galileu no século 17!

    @ Rezaf: Não fui eu que disse que os minaretes eram espadas.

    Pois não, foi o Primeiro Ministro turco Recep Tayyip Erdogan em 1997: “As mesquitas são os nossos quartéis, os minaretes as nossas baionetas, as cúpulas os nossos capacetes e os crentes os nossos soldados.”

  30. Renato Teixeira diz:

    Carmo da Rosa, quer mesmo comparar o histórico dos credos? Quer medir a justeza deste conflito pela fundura da vala comum dos infiéis? Pense lá nisso duas vezes.

    Rezaf, mesquitas e os seus minaretes, as igrejas e as suas torres, é matéria que me causa pouco interesse. De resto, se alguém não se andasse a lembrar de as proibir eu seguramente falaria em tais monumentalidades.

    No debate da roupa julgo já não estarmos muito longe. Quer poder tirar a burka num aeroporto ou num edifício público por razões de segurança? Está muito bem. Despe, inpeciona e volta a vestir, em local privado e com agente da polícia do mesmo sexo. Assim acontece nos aeroportos e nos edifícios públicos dos países onde essas roupas são comuns.

  31. carmo da rosa diz:

    @ Renato Teixeira: Carmo da Rosa, quer mesmo comparar o histórico dos credos?

    De maneira nenhuma, apenas a ideologia. No entanto estou neste momento a ler um livrinho que tenta provar histórica e cientificamente que o Corão na realidade já existia muito antes do Maomé muçulmano – Mohammed ibn Abdollah – ter aparecido na Meca por volta de 570 d.C., e que se trata de uma espécie de catecismo CRISTÃO… Como vê, mais multicultural do que isto não é possível…

    @ Renato Teixeira: Quer medir a justeza deste conflito pela fundura da vala comum dos infiéis?

    Não! Como anti-fascista quero apenas travar o avanço do islamo-fascismo, e para isso todas as medidas e quase todas as alianças são boas…

    @ Renato Teixeira: mesquitas e os seus minaretes, as igrejas e as suas torres, é matéria que me causa pouco interesse. De resto, se alguém não se andasse a lembrar de as proibir eu seguramente [não] falaria em tais monumentalidades.

    Precisamente, caro Renato, se o Islão fosse uma religião como as outras, e não uma ideologia fascizante e de conquista que ameaça a nossa liberdade e maneira de viver, certamente que falaríamos de outras coisas…

  32. Marota diz:

    Olhem, descobri isto aqui, nenhum sem Burca, mas dança bem! Por favor vejam este grande artista. Os pelinhos do ombro precisavam da burca.

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