Nudismo ou barbárie

O texto da Mariana sobre a primazia da liberdade de escolha e da cultura, em detrimento do totalitarismo normativo, é um contributo raro, de grande alcance e de maior coragem, para o debate sobre a “roupa e a vida das mulher”, ensimesmado há demasiado tempo.

Se sou solidário com aqueles que têm repulsa ao uso de fardas em geral e de uniformes em particular, da burka ao véu, do bibe à capa e batina, do fato e gravata ao vestido de noite, da bondage-mask ao mais subtil ou espartilhado under-bra, o último aliado que me interessa ter é o livre arbítrio do Estado nas poucas opções individuais que restam.

Entre a indústria que entende que só as mamas em riste são sensuais e o clero que entende que as mulheres estão bem é debaixo de panos, escolherei sempre algo despido de tudo. Para o conseguir, o maior inimigo com que podemos contar é a insensatez da lei a escolher como vestimos o nosso cadáver.

A batalha terá que ser ao nível das consciências, da inteligência, porque quando os códigos entram na última esfera da vida, é porque deixou de ocupar o tempo a fazer o que devia andar a ser feito, quanto mais não seja garantir que cada um tenha meia dúzia de metros quadrados de casa, para guardar o seu armário de escolhas.

Espero ter sido claro, camarada Morgada.

Importa não esquecer que na penumbra deste debate, está a agenda que motiva o poder político ao proibir o uso de véu em França.   Na senda xenófoba e segregacionista dos minaretes suíços, mais não se pretende do que aprofundar o projecto de tornar a Europa num espaço apenas aberto a assimilados, continuando a transformar o “islamismo” na “negritude” do século XXI.

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