Vivo em Espanha há dois anos (e, com grande pena minha, estou quase a ir embora). Tenho a certeza de que já sou um bocadinho Andaluza, porque passei a gostar de flamenco e de pão com tomate e azeite a meio da manhã.
Na hora dos balanços, apercebo-me de que aprendi muito, muitíssimo, sobre este país. Não sabia nada dele, além dos caramelos de fronteira e dos tradicionais ditos parvos sobre os espanhóis, que supostamente não mandam bom vento, nem bom casamento.
Em primeiro lugar, aprendi que há muitas Espanhas. Há as duas Espanhas políticas, “as esquerdas” e “as direitas”, plurais entre si, que não se compreendem, pouco comunicam e a maior parte das vezes se odeiam. Na política deste país, está sempre presente a Guerra civil, a memória da guerra e da violência. Aqui, na minha cidade, um terço das coisas (parques, escolas, ruas) chama-se Garcia Lorca, Francisco Ayala, Juan Rámon Jiménez. É impossível esquecer a Guerra quando se tropeça a cada passo com o nome de um fuzilado ou de um exilado político. Está também sempre presente o medo, ou pelo menos a memória do medo, e isso paralisa as pessoas. Por outro lado, a pacífica Transição espanhola (em que, desconfio porque não os contei, deve ter morrido mais gente do que na Revolução de Abril) e o seu “consenso” continuam a eterna chantagem quanto à capacidade de decisão política dos cidadãos. A sério esta Transição foi uma treta e uma vergonha. E impediu o mais importante dos consensos sociais. Aquele que nos trouxeram os cravos, e que permanece, mesmo que se vão desgastando as conquistas de Abril: o que diz que o regime anterior foi um crime, uma merda, que se vivia mal e que estamos muito melhor. Aqui, a associação de malfeitores que se diz partido político (o PP), nunca rompeu com o franquismo e isso é visível. A cada proposta surge um “ah, e tal, mas foi o consenso da Transição”. A mudança é difícil, porque apesar de haver já várias gerações (a começar pela minha, que nasceu nessa altura) que se está positivamente nas tintas para “o consenso da transição” e para o que os comunistas acordaram com os herdeiros do generalito, quase tudo dentro do sistema exige acordo entre psoe e pp, nomeadamente para se rever a constituição (que nunca sofreu uma reforma, facto que a torna – ao contrário da nossa, como muitos querem fazer crer – verdadeiramente incompleta ou inadequada, 30 anos depois), acordo esse que é raro e muitas vezes dá asneira. Ainda dentro deste consenso, está a questão da monarquia, tabu absoluto mesmo para os intelectuais socialistas, que estão à espera que o Juan Carlos morra para se lembrarem que supostamente são republicanos, e do sistema eleitoral, desenhado para favorecer um sistema de dois partidos, favorecendo também, pelo caminho, os partidos “nacionalistas” e impedindo que uma esquerda nacional decente tenha representação parlamentar proporcional.
Em segundo lugar, há a Espanha das autonomias. Eu vejo este país pela lente da Andaluzia, a região pobre, dos mouros, dos ciganos e do sotaque esquisito (e do segundo melhor sistema de saúde, atrás da Catalunha, mas a anos-luz da Madrid neoliberal, governada pelo PP), a que muitos habitantes de Castela torcem o nariz. Mas, por outro lado, vou percebendo que também eles dão um passo atrás quando se fala do País Basco ou da Catalunha (da Galiza não tanto, acho que devido a solidariedade de classe com as regiões pobres; ou então só porque os galegos são simpáticos). Quando um Andaluz fala de um amigo ou parente que vive em Barcelona ou Bilbao, diz que está emigrado. Assim, como se fosse outro país. Se calhar, porque é outro país. Nesta distância e nesta incompreensão têm um papel decisivo (acho eu) as línguas. A relação dos castelhano-parlantes com as línguas é estúpida. Imbecil. Esta gente tem, em geral, dificuldade em aprender línguas. Claro que o facto de a televisão falar espanhol o tempo todo, mesmo quando passa a Missão Impossível (por certo, o Tom Cruise castelhano tem uma voz bastante mais bonita e masculina), não ajuda. Mas isso não justifica que as transformem em barreiras, em vez de serem pontes. As línguas são pontes para o mundo e para os outros, quantas mais soubermos melhor. Mas aqui não. Aqui são uma espécie de armadura “dos diferentes”, os que querem dificultar-nos a vida. Por isso (e ao mesmo tempo que põem os miúdos de 3 anos a aprender uma coisa que supostamente é inglês – eu até queria que o meu filho não tivesse tais aulas, dadas, obviamente, por professoras espanholas, mas não era possível) levanta-se meio país para chatear os Bascos, os Galegos e, acima de tudo, os Catalães por causa das suas línguas. Em Espanha têm que falar espanhol!!! A questão é que eles (pelo menos todos os meus amigos catalães) escrevem e falam perfeitamente espanhol. Só não gostam. E não querem. Não o usam, na vida diária. E isso não devia ser um problema. Mas é, porque há quem queira viver em Girona como se nunca tivesse saído de Madrid, não aprendendo a língua que a maioria usa. Por outro lado, a língua é usada, às vezes, como factor discriminatório, porque sem o grau não-sei-quantos (que é alto, não basta um domínio razoável do idioma) de catalão não se pode aceder a uma série de empregos na administração pública. Ora, tudo isto é uma estupidez, e não devia sequer ter espaço no debate político. Mas, infelizmente, tem. Muito. E, no caso especial dos Bascos, a malta está convencida de que são todos terroristas. A sério. Só os terroristas falam basco. Tive conversas inacreditáveis sobre Euskadi com gente de esquerda, educada, interventiva. Mas que, chegando a este tema, desliga totalmente a inteligência. Não percebem de que falo quando lhes digo que os partidos e as candidaturas não se proíbem, combatem-se, na rua e nas urnas. Respondem-me que as pessoas votam neles, nos amigos dos terroristas, que depois lhes dão dinheiro. É um diálogo impossível. Estou convencida que, se perguntassem ao resto de Espanha o que fazer ao País Basco, a resposta seria “tudo o que eles quiserem desde que a ETA desapareça de uma vez”.
Esta é a minha España. Um relato completamente subjectivo e pessoal. Este é um país fabuloso. Alegre. Lindo de morrer. Rico em cultura, em línguas, em gastronomia, em festas, em arquitectura, em gente. E, para responder ao Renato, sim, eu acho que Espanha deve existir. Uma Espanha republicana, no sentido mais lato da palavra, assumidamente federal, com comunidades fortes que preservem a identidade e o património cultural de cada uma. Com comunidades solidárias, porque o discurso de queremos-ser-independentes-porque-somos-ricos é tudo menos de esquerda. Sim, são divertidos os falsos referendos e, se calhar, nesses, até eu votaria que sim senhor, vamos embora. São divertidos os concertos em que se queima bandeiras do Estado-castelhano-terrorista. E é indispensável manter a pluralidade de línguas, tradições e modos de vida. Mas eu, nisto dos povos, sou normalmente pela união. Ficou-me daquela coisa do “proletários de todos os países, uni-vos”. E não há motivo nenhum para estes povos não viverem unidos. Mesmo o argumento da violência de Estado não me convence. Sejamos sérios, isto não é Marrocos. Há violência da polícia, pois há, mas será substancialmente diferente da que temos no resto da Europa? E, acima de tudo, é mais uma violência de classe que de identidade, porque a polícia não bate nos grandes empresários catalães ou bascos, mesmo que eles falem as suas línguas em casa. Serei lírica, talvez, mas é que estou mesmo convencida de que, aqui, o todo é mais e melhor do que a soma das partes.




Essa dos ” proletários de todo o mundo, uni-vos” é bem lembrado, mas temos que ver quem detém o poder; se é a burguesia capitalista ou os trabalhadores…
A luta pela autonomia e pela independência enfraquece o estado centralista, repoe as independências do tempo da república, coloca na ordem do dia os crimes do franquismo, relança o debate monarquia-república. Esta a primeira fase. Na segunda fase agudiza a luta de classes entre o proletariado e as burguesias nacionais porque esta já não se pode desculpar com o estado centralista e tem que enfrentar as reivindicações do mundo do trabalho
Por isso sou pela independência da Catalunha, da Galiza, do país Basco, não como um fim em si para favorecer as burguesias nacionais destes paises, mas para melhor acirrar a luta de classes, na luta pela sociedade socialista, onde se cumpra-aqui sim- a consigna ” Proletários de todo o mundo, uni-vos!”
Manuel Monteiro
Manuel Monteiro, eu percebo. E até concordo com a maior parte do que diz. Só que autonomia e independência não são a mesma coisa. Eu acho importantíssima a luta pelas autonomias em Espanha, pelas razões que aponta e outras ainda. É vital o reforço de competências das comunidades autónomas (que são hoje mais e com bastante mais poderes do que no tempo da República). Mas a independência não me parece adiantar nada em relação à autonomia e ao auto-governo.
Mariana, quando reformulei a questão que o Carlos Vidal endossou a Israel, relativamente a Espanha, foi de forma retórica e não afirmativa. De resto, estou de acordo com a defesa da terceira República, desde que esta seja feita de acordo com a vontade expressa dos povos da República. Bom regresso.
Renato, apenas respondia à pergunta que formulaste num comentário ao teu post sobre o anti-espanhol, e que sei que era retórica: “a reflexão que proponho é outra: será que a España “tem” ou “deve” existir”? Eu acho que sim (que deve). Depois deste tempo, de alguma reflexão, e acredita não foi uma resposta fácil, porque eu tenho uma reconhecida debilidade em relação a folclore esquerdista-nacionalista-independentista e a malta que defende línguas impossíveis. Quando for grande, ainda hei-de aprender basco. E mirandês.
Obrigado Mariana pela descrição. Foi bom para todos nós compreendermos um pouco melhor a complexa realidade espanhola.
Tenho uma sensibilidade semelhante à da Mariana em relação às Espanhas (conheço melhor a Catalunya e Euskadi porque estive lá mais tempo…) , Também gosto de pão barrado com tomate pela manhã e de ga’pacho (em Barcelona há em todo o lado) e de pão — uma única fatia — com o jamón que eu escolher em cima.
Acho que a base social da ETA hoydia são putos excitados nas cidades e velhos altos, loiros, reaccionários, e que odeiam ‘emigrantes’ andaluzes nas aldeias.
Excelente texto Mariana Canotilho , tenho pena (por si…) se realmente tem que se ir embora.
Caros:
Estou a gostar muito do debate e dos textos que chegaram depois da vitória da Espanha… se chego a saber até puxava por eles!!
Concordo com muito do que disse a Mariana e é um prazer ver que alguém de fora consegue dar melhor visão que muitos dos envolvidos.
Espero poder contribuir com alguma posta nos próximos dias (quando tenha de novo uma conexão digna).
Abraços e bons comentários!
A “uma Espanha republicana, no sentido mais lato da palavra, assumidamente federal, com comunidades fortes que preservem a identidade e o património cultural de cada uma” até eu queria que Portugal pertencesse.
António, obrigada pelo elogio. (e o salmorejo? Eu sou viciada em salmorejo, estou a pensar seriamente levar daqui uns bons litros).
António Mira, uma das coisas que mais me espantou foi a boa vontade dos espanhóis em relação a Portugal: que é bonito, que somos gentis e acolhedores, que nos esforçamos sempre para que nos compreendam (lá está, o trauma das línguas). E os tugas aqui, virados para o mar, de costas voltadas para a fronteira. Já é tempo de nos conhecermos.
Guilherme, também eu. E só não o escrevi no texto porque não me apetece aturar fanáticos da restauração.
“Mesmo o argumento da violência de Estado não me convence. Sejamos sérios, isto não é Marrocos. Há violência da polícia, pois há, mas será substancialmente diferente da que temos no resto da Europa. E, acima de tudo, é mais uma violência de classe que de identidade, porque a polícia não bate nos grandes empresários catalães ou bascos, mesmo que eles falem as suas línguas em casa.”
Espanha não é Marrocos mas tem mais de 700 presos políticos. Espanha não é Marrocos mas milhares de cidadãos bascos foram torturados nos últimos anos. Espanha não é Marrocos mas há cidadãos bascos que são sequestrados extra-judicialmente e interrogados. Espanha não é Marrocos mas tem um cidadão basco preso há 30 anos, mais do que Nelson Mandela, por lutar pela independência. Espanha não é Marrocos mas há jornalistas presos por escrevem em jornais independentistas que entretanto foram proibidos. Espanha não é Marrocos mas os executores do terrorismo de Estado dos GAL já estão livres e, em alguns casos, condecorados.
O problema é que ninguém quer reconhecer que na Europa “democrática e avançada” há um Estado que reprime como outros ditos “não-democráticos e atrasados”.
João, eu não vivo no País Basco. Como tal, tenho o conhecimento possível do que lá se passa. Desses 700 presos, gostaria de saber os crimes concretos por que cada um está condenado. Porque muitos (admito que não todos, não sei, não tenho dados) estão condenados por comportamentos que são crime em qualquer Estado (nomeadamente crimes de sangue). Quanto aos Gal, estão livres, sim, como muitos altos e médios responsáveis do franquismo que, convenhamos, têm uma lista de mortos e torturados bem maior. É triste, reprovável, tudo o que quiser chamar-lhe.
Também acho uma vergonha a proibição dos jornais independentistas. E das listas eleitorais. E as outras aberrações legais e judiciais que a este propósito se têm feito. Mas não acho que isso dê razão imediata aos independentistas na questão de fundo. Mais, não me parece que a maioria dos habitantes do País Basco, ou sequer dos nacionalistas bascos, queira, efectivamente, a independência (ou não votariam pnv, psoe, pp). Acho que a esmagadora maioria das pessoas, tendo mais ou menos aspirações de autonomia, está sobretudo farta e quer viver em paz e sossego.
Na Europa democrática e avançada há inúmeros problemas de violência policial e repressão. A polícia portuguesa também mata. E não é única. Sinceramente, acho que é tempo de retirar a violência da equação e pensar seriamente as formas de luta pela autonomia. E até pela independência, se o povo basco a quiser. A violência, neste caso, é estúpida, inútil e legitima a resposta policial aos olhos de muitos, o que não favorece nem os bascos, nem os povos de Espanha.
Não partilhamos experiências sobre o carinho dos espanhois aos tugas. Na maior parte das ocasiões encontrei ignorância, insustentável superioridade e estúpido desprezo (uma miúda em Salamanca chegou-me a dizer que os tugas eram assim… não sei… mais sujos na pele do que “nos”) (o que é um lindo eufemismo para o mais comum e igualmente racista “ciganos”). Mas pronto, isto são experiências de cada um.
Discordo com o de que a policia tortura como noutros países europeus. As estatísticas andam por aí, mas acho que Amnistia Internacional denunciara em concreto o caso de Espanha.
E sobre o que querem os bascos… pois eu não o sei. Porque a ideia de perguntar-lhes foi chumbada pelo parlamento espanhol. Primeiro mediaticamente (chamar a uma proposta de referendo votada e aprovada pelo parlamento basco de “Plano Ibarretxe” para que fique como a teima de uma soa pessoa) e depois no parlamento espanhol, depois de um debate onde PP e PSOE não queriam ouvir nada e só votar “não”. Portanto: para mim é um mistério o que querem os bascos. Mas quando a via independentista não pode ter uma representação normal.
Que se calhar não querem independência nenhuma! Não estou a afirmar o contrario… só digo que está proibido perguntar.
Mas concordo, como se pode ler na minha posta, com que agora a via deve ser social e não luta armada.
Sobre o trauma das línguas, uma piada galega:
Como se chama alguém que fala três idiomas? Trilingue.
Se fala dois? Bilingue.
Se fala só um? Espanhol.
Ahahahah, António Mira!
Se calhar a experiência positiva é por viver “cá em baixo”. Esta malta é toda meio cigana, ou meio árabe, ninguém se atreve muito a comentários racistas. Mas já os ouvi de “castelhanos” em relação aos andaluzes. Basicamente, que são feios, porcos, parasitas e falam esquisito.
Eu também acho que tem que se perguntar aos bascos (e aos catalães, já agora), de uma vez por todas, o que querem. Mas, lá está, para fazer a coisa “dentro do sistema”, tem que se rever a Constituição. Abri-la, no mínimo dos mínimos, ao federalismo. E aos referendos deste estilo. Enquanto continuar a dança entre psoe e pp, não é possível. E fazer a coisa “fora do sistema”, claramente, também não tem dado grandes resultados. Esta é uma luta a pensar. E a reinventar.
As estatísticas da polícia espanhola não são brilhantes quanto a tortura, não, pelo menos nos relatórios da Amnistia. Mas Portugal também vem mencionado por tortura e pela falta de investigação de casos conhecidos. E a Grécia e a França são mencionadas, ao lado de Espanha, como tendo situações bastante preocupantes. Acho que o que se passa em Espanha é talvez mais grave, pela dimensão do país e dos “terroristas” que aqui são investigados (hoje em dia, tanto ou mais os islâmicos que os etarras), mas não é único.
Se fosse como o Guilherme Cartaxo diz
(e a mim tanto me fax que seja monarquia ou república, desde que se dê apenas a funções de representação e não chateiem [muito] quem se faz eleger e quer fazer coisas…)
eu também lá ia.
O problema Mariana, é que os povos de Espanha estão óbviamente misturados por todos os lados (e não só, havia de ver quantos italianos — normalmente pobres, do Sul — há em Barcelona.
Portanto quando se chega a votos, os do ‘place’ votam p’ra um lado…. e todo o resto da malta é claro que vota p’ró outro, qualquer que ele seja.
Nota pessoal e marginal: há demasiados Antónios aqui, e como a a antiguidade é um posto, vou passar a comentar com a minha handle p’ra bifes, espero que esteja ainda “virgem” aqui…
Assina-se o ex-antónio.
Ó António, isso do voto é um problema porquê? Em democracia, a condição essencial é que “o povo governante” (que tem direito a voto) seja também “o povo governado” (que vai ser afectado pelas decisões, directas ou tomadas por representantes eleitos). Ora, se uma pessoa vive num lugar, se aí trabalha, paga impostos, leva os filhos à escola e vai ao centro de saúde, pertence a esse lugar. Faz parte do povo governado, pelo que deve ser povo governante. Eu admito discutir o prazo (razoável) a partir do qual se considera que alguém vive efectivamente num sítio, um mínimo de permanência. Mas, cumprido esse prazo, é evidente que qualquer eleição/referendo só é justo se toda a gente tiver direito a votar. Não têm mais direitos sobre um lugar os que lá nasceram do que os que aí vivem e trabalham há anos. Que fazem todos os dias daquela terra o que ela é. Para dar um exemplo, têm tanto direito a decidir o destino da Catalunha os meus amigos de 30 anos lá nascidos como os pais andaluzes da minha vizinha, que ali vivem há 25 anos. Que uns votariam sim e outros não à independência? Paciência, não se selecciona um universo eleitoral de acordo com as intenções de voto. Aliás, num referendo independentista, qualquer outra hipótese é, pura e simplesmente, discriminatória e até racista.