MANTENHO a fórmula e ideia aqui explicitada sem subterfúgios em dois recentes posts (aqui e aqui): o estado de Israel é um estado pária sem possibilidade de futuro. Pelo seu carácter artificial, pela sua invenção apoiada única e exclusivamente na força bruta do seu – por assim dizer – exército (que é, com efeito, uma força de ocupação sem lei – bastaria para tal provar conhecer-se a impressionante e infindável lista de condenações do Conselho de Segurança da ONU que sobre ele e essa, por assim dizer, “nação” recaíram, resoluções tornadas nulas pela mão americana); a isso devemos acrescer o mais importante: o facto de que essa brutal, cega e sádica ocupação de terra estrangeira (a Palestina árabe, a sociedade palestiniana), da forma como se processou, tornou impossível e inviável toda e qualquer forma de um futuro “estado palestiniano”. E é esta impossibilidade da Palestina que acarreta a própria impossibilidade de existência de Israel (demore o tempo que demorar, o futuro por vezes parece muito tempo, mas não é).
Somos chegados ao início, portanto: se um estado palestiniano é impossível de ser edificado (não há território para tal, nem qualitativa nem quantitativamente, como veremos), como é que será possível continuar a existir o estado de “Israel”? “Como” é de facto a questão, e por mais quanto tempo nos moldes actuais?
Comecemos esta demonstração pelo caso exemplar dos colonatos.
Condenados pela chamada “comunidade” e “leis internacionais” (às quais Israel é o único estado contemporâneo não obrigado a cumprir), vejamos três tópicos: 1) O que é um colonato; 2) Como e quando começaram a surgir, analisando suas etapas de expansão (contra tudo e contra todos); 3) Por último, veremos como entre eles comunicam (ligações económicas e vias de comunicação) com o objectivo único de rasurar a existência de outros povos e gentes, reduzindo estes à inexistência visual, orgânica, física, espacial; tudo o que se sabe da política, função e funcionamento do colonato, ou redes de colonatos, faz parecer o antigo apartheid sul-africano um regime de obediência e exaltação dos chamados “direitos humanos”.
1. Ora bem, como se sabe, um colonato é uma comunidade israelita aparentemente civil construída em território estranho e estrangeiro, território ilegalmente pilhado por Israel aos seguintes países vizinhos: Egipto, Líbano, Jordânia e Síria. A sua instalação e profusão são posteriores a 1967 (“Guerra dos 6 Dias”), sacrificando em particular a Margem Ocidental, a Cisjordânia. Tratam-se de cidades autónomas (autarquias) com governo próprio (mas são “Israel”), têm vida agrícola, produtiva e estudantil, mas também suburbana (os bairros roubados em Jerusalém Leste), são pseudo-cidades que chegam a possuir dezenas de milhares de habitantes.
Essencialmente, podemos constatar que a população destes locais, rodeados de arame farpado e isolados do mundo (bom, eles são “o mundo”, o “único” que existe), é constituída por fanáticos religiosos, armados pesadamente e pesadamente defendidos pelo “seu” IDF; é mesmo no seu fanatismo religioso (que não é monopólio da Al Qeida) que vão alicerçar o seu “direito” natural de ocupação. Veja-se, clarificando a caracterização, que por exemplo para, em 2005, desalojar cerca de 7 000 colonos da Faixa de Gaza o estado teve de mobilizar “metade” do seu exército (exagero, claro, mas não muito); imagine-se então o que seria necessário para desalojar 300 000 indivíduos desta têmpera da Cisjordânia (necessário para fazer cumprir a lei internacional): tal é uma impossibilidade directamente proporcional à impossibilidade de criar um estado palestiniano.
2. Para termos uma pequena ideia do irresolúvel absurdo desta situação, basta sabermos que hoje vivem ilegalmente na Cisjordânia entre 250 000 e 300 000 israelitas, e em 1948 apenas 500 (!!). Entretanto, convém ainda sublinhar que estes colonos não vivem em solo ocupado em 3 ou 4 ou 5 blocos de cidades ilegais, mas se espalham por cidades fortificadas em toda a Cisjordânia, a terra de um “futuro” estado (??) palestiniano.

MAPA 1: não há que confundir – as cidades fortificadas que se chamam “colonatos” são as cidades do futuro “estado palestiniano” (o absurdo dos absurdos)

MAPA 2: as manchas verdes são o futuro “estado palestiniano” (serão 1 país ou 50 bocados de países??); as linhas verdes ligam colonatos, como se mais nada existisse – circulação proibida para “não-colonos”
3. Mas o mais refinado sadismo não reside apenas nestes dados. Reside antes na forma como estes colonatos entre si comunicam, por estradas racicamente controladas “exclusivamente para colonos”, construídas em lugares e forma descrita no Mapa 2.
Ora, estas estradas destruíram por completo todo o território palestiniano, separando para sempre as cidades árabes umas das outras. Mas o facto mais alucinante de todos, a raiar a ficção científica, é que estas estradas não apenas retalharam toda a Cisjordânia como a furaram em dezenas ou centenas de túneis, cujo único objectivo é o de proporcionar ao colono a ideia certa de que eles são os únicos habitantes daquela terra: ali apenas há estradas, desertos e paredes de túneis, nada mais. Espero pois que os sionistas de serviço aqui no 5dias (Ricciardi e Ezequiel, os mais assíduos) me expliquem ou nos expliquem como se pode sair desta emaranhada “coisa”. Até já.

De túnel em túnel, apenas me vejo a mim e ao meu veículo, a ninguém mais




Bem… quem sabe? Quem sabe se amanhã Israel não é trespassado aos chineses e se assim o negócio não continua? Quem sabe? O que já se sabe desde há um bom tempo a esta parte é que com um sionista, cego ou não cego, aflito ou não aflito, pode-se falar do tempo que faz e que vai fazer, de futebol (não sei se sabem muito de futebol, mas eu também não) mas, claro está, não se pode falar de Israel ou do conflito israelo-palestiniano. Não se pode! Não se pode e não se deve. Sobre este tema há que evitá-los (como se evita uma testemunha de jeová quando anda em busca de almas para salvar). É dar-lhes os bons dias, as boas tardes ou as boas noites ou desejar-lhes um bom fim de semana e passar adiante.
de túnel em túnel a autêntica conversa de esfincter, bravo o nosso bom povo.
por toutatis.
insistem em considerar-me um fanático, um “sionista aflito”, quando já aqui escrevi dezenas de vezes que não concordo com os colonatos. a retirada de israel dos territórios ocupados em 1967 é condição sine qua non de qualquer acordo de paz duradouro.
Tzipi Livni defende precisamente esta fórmula.
refiro-me aqui à questão dos colonatos e não às extrapolações despropositadas de Vidal (de que um estado Palestiniano é coisa impossível bla bla)
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1021408
http://www.cfr.org/publication/19331/conversation_with_tzipi_livni.html
http://www.huffingtonpost.com/richard-greener/israeli-settlements-what_b_510890.html?view=print
eu n simpatizo com a direita (religiosa e não religiosa) Israelita.
OK? Perceberam. porque raio contestaria eu um argumento (contra os colonatos) com o qual eu concordo. ou, mais interessante ainda, porque raio insistem os senhores (Vidal e LT Neves) em considerar-me um fanático com quem n se pode conversar, um “sionista aflito”, quando já aqui escrevi dezenas de vezes que NÃO CONCORDO com os colonatos. querem colocar-me numa boxezinha?
passem bem.
Não, meu caro ezequiel, não é “querem”.
Fui eu, apenas eu, que cunhei a expressão que se lhe aplicou. Ou melhor, que lhe apliquei. E mantenho: sionista aflito.
A sua posição sobre os colonatos não me faz alterá-la.
Tzipi Livni ?
Conheço mal.
Lamento, ezequiel, prefiro Amit Friedman (ou Freidman, por vezes).
eis o que meshal tem a dizer sobre um estado (pré-1967, o que significaria a remoção de TODOS os colonatos)…
http://www.nytimes.com/2009/05/05/world/middleeast/05meshal.html?_r=1&pagewanted=print
1-n reconheceria Israel
2-Israel continuaria a ser o Inimigo
3-em troca, Israel, como diz Livni na entrevista ao CFR que aqui deixei, beneficiaria de umas TRÉGUAS, uma mera interrupção das hostilidades…
4-em suma, é isto, e pouco mais, que dá força eleitoral aos falcões da direita israelita, vidal.
se n der para ler o artigo no formato acima, experimente aqui.
http://www.nytimes.com/2009/05/05/world/middleeast/05meshal.html
ezequiel, continuo a preferir a Amit Friedman (não me fale na Livni, sff).
Não esteja aflito, homem, eu não tenho poder nenhum.
Mas, agora a sério: V. não leu bem o meu post. Para quê voltar às fronteiras de 1967 (ou anteriores)??
O território está destruído, estripado, reduzido à não-vida pelos seus, pelos que V. defende.
Pense bem.
Meshal tem razão. Agora é tarde.
Como se vê/ouve num belíssimo filme de Straub/Huillet (“Sicilia”), é grave ofender a terra, é grave ofender o mundo.
eu n estou a escrever isto para si, Vidal.
OK.
“força bruta do seu – por assim dizer – exército”
“brutal, cega e sádica ocupação de terra estrangeira (a Palestina árabe, a sociedade palestiniana)”
“Ora bem, como se sabe, um colonato é uma comunidade israelita aparentemente civil construída em território estranho e estrangeiro, território ilegalmente pilhado por Israel aos seguintes países vizinhos: Egipto, Líbano, Jordânia e Síria.”
“hoje vivem ilegalmente na Cisjordânia entre 250 000 e 300 000 israelitas, e em 1948 apenas 500″
“estradas racicamente controladas”
“o mais refinado sadismo”
“cujo único objectivo é o de proporcionar ao colono a ideia certa de que eles são os únicos habitantes daquela terra”
“primeiro, não sou dialogante e acho insuportável a argumetação desviar-se do essencial”
Quem precisa de tantos adjectivos e advérbios tem falta de confiança na solidez dos seus argumentos.
Ou bem que houve a ocupação da palestina árabe ou bem que os territórios foram pilhados ao Egipto, à Síria, ao Líbano e à Jordânia. As duas ao mesmo tempo parece-me demais.
Iniciemos com a Palestina árabe. Qual delas? Israel pré-1967 tem apenas 20% da Palestina do mandato. O Eretz Israel dos extremistas revisionistas almejava os 100%. Sabe onde estão? Não, e nem me parece que isso lhe interesse.
Deverá esclarecer qual dos colonatos se encontra em território libanês, jordano ou egípcio.
No final de 1948 não havia algum judeu nas Cisjordânia: foram todos expulsos pela forças da Transjordânia. Sim, houve árabes que foram expulsos de Israel. A maioria fugiu. Mas a totalidade dos judeus da Cisjordânia foram expulsos. Mesmo de localidades onde residiam desde o tempo dos primeiros judeus. O mesmo aconteceu com a esmagadora maioria dos judeus dos países do Magreb e dos países árabes vizinhos: foram expulsos na sequência da Nakba árabe ou da vitória da guerra da independência, conforme a perspectiva.
“cujo único objectivo é o de proporcionar ao colono a ideia certa de que eles são os únicos habitantes daquela terra”
Sério? E você consegue dizer isso sem se rir?
“primeiro, não sou dialogante e acho insuportável a argumetação desviar-se do essencial”
Não é dialogante?! Então, o que está para aqui a fazer, discutindo e insultando quem não concorda consigo??
“De túnel em túnel, apenas me vejo a mim e ao meu veículo, a ninguém mais”
Se era essa a imagem que queria transmitir escolheu uma má fotografia. Porque de viaduto em viaduto lá terei que acordar para a realidade. Para quem trabalha com imagens…
Quem disse que aqueles mapas são as propostas finais dos estados israelita e palestiniano?
As últimas propostas incluíam mais de 90% do território da Cisjordânia e de Gaza e propostas de troca de territórios contíguos israelita, de modo a que, globalmente, a dimensão fosse igual ao território pré-1967. Não foi por isso que falhou, antes por outras questões, como a de Jerusalém.
“Implícito e explícito está que nunca poderá realizar-se ali o slogan (não passa disso): “dois povos, dois estados”. Ideia abjecta, rácica, segregação pura.”
Hmmm… ideia curiosa. Para Israel e Palestina não serve.
Serve para Rep. Checa e Eslováquia; Croácia, Eslovénia, Sérvia, Montenegro, Macedónia, Bósnia-Herzegovina, relativamente à ex-Jugoslávia; todas as antigas repúblicas socialistas soviéticas; para a Eritreia, relativamente à Etiópia; para o Bangla-Desh, relativamente ao Paquistão; para Timor-Leste, relativamente à Indonésia. Isto só para falar dos casos mais recentes. Não me parece que, em qualquer destes casos, face à ideia da separação salte a imagem de ideia abjecta, rácica, segregação pura. Mas, para Israel sim. Curioso.
“Aliás, ezequiel, fico muito satisfeito por enfim o ter calado.
Nem uma palavra mais.
Caladinho, como eu gosto.”
Sente-se bem assim? Dá-lhe gozo? Para quê então argumentar? Não é da troca de argumentos que se aprende, que se avança? Para si não decerto. Será mais adepto da escolástica.
Você diz-se professor. Na realidade será um assistente. É feio dizer-se o que não se é.
Para quem ensina, tem pouco rigor nos seus argumentos e demasiada necessidade de colorir a sua narrativa e argumentação com adjectivos e advérbios. A força dos seus argumentos deveria fornecer-lhe a tranquilidade suficiente para não ter que tentar menorizar e insultar os seus oponentes.
Mas, não é o caso.
Há quem apenas junte umas imagens e alguns argumentos alheios e, coberto pela ideologia – que motiva mas impede a reflexão – tem, como resultado, um conjunto de meias falsidades e ideias pré-concebidas, cimentadas por muito veneno emocional. Dirá que não é o seu caso. Pois, mas bem que parece.
Bom, se calhar, eu deveria antes colocar como nome uma dessas pérolas que você gosta de chamar aos seus oponentes: sionista, mercenário, mossadista…
Só agora reparei na esterqueira do comentário acima.
Professor (nunca tal me chamei!), assistente, auxiliar, doutorando, doutorado, uma coisa eu não sou: canalha.
E com canalhas lido eu bem. Fica o aviso (e o registo) feito.
Professor, artista plástico, um blogue francês sionista já me chamou também “crítico de arte”.
Mais ou menos verdadeiras as três considerações.
Estarei atento, da próxima vez, à canalhice da utilização das minhas actividades e trabalho.
Fim de diálogo e de linha para o indivíduo que acima comenta.
Talvez os que de ‘vocexelências’ não viram ou não leram isto aqui:
http://www.imdb.com/title/tt0443448
devessem acalmar e fazê-lo (é muito ‘informativo’) e os autores são todos franciús.
para continuar mais uma vez com o chórinho futurista, será que o nosso grande manequim Rosa & Teixeira já descobriu aqui os nossos e altamente qualificados estrategos?
Parece-me bem que sim, despe despe despe, diz ela.
Tudo falso começando pelos mapas, nem vale a pena ir ás mentiras históricas, o “roubado” então é extraordinário, por essa ordem de ideias muitos dos Judeus vão declarar guerra a Marrocos, Tunísia, Líbia, Irão, Iraque, Síria de onde foram expulsos.
Ou começar Guerra na Europa, França vs Alemanha?
Regressar à guerra dos Balcãs de 90, ou por exemplo só a Itália vai começar a guerrear pelo Monte Chaberton, Zara, Fiume, Pola e as ilhas do Egeo etc…
…ou a limpeza étnica feita pela Esquerda dos Portugueses de África quando estavam lá há 500 anos. Carlos Vidal defende o lançamento de rockets contra o “roubo”?
Para começar com o “impossível e inviável” Estado Palestiniano:
1-os Palestinianos não demonstram querer um Estado, estiveram sempre mais preocupados em tentar destruir Israel.
Sempre que as coisas melhoraram declaram uma guerra. Agora parece que Abbas está a lidar com a situação de maneira diferente. Já houve mais de 2 milhões de turistas na Palestina no ano passado. Veremos se não é apenas ganhar forças para mais outra rodada.
Segundo- Só na cabeça da esquerda, para sempre mercantilista e com mania das grandezas, DNA da espécie, é que Hong-Kong, Macau, Singapura são países inviáveis. Nunca perceberão a economia.
Terceiro- Só a ignorância de Carlos Vidal não lhe permite saber que milhares de Palestinianos voltaram a trabalhar nos colonatos com a melhoria da segurança.
Ou que aproveitando a boleia da boa situação económica israelita a economia palestiniana ainda cresce mais.
Resumindo Carlos Vidal além de ignorante do local quer guerra.
A pergunta que fica é porque é que quer esta guerra e não quer outras.
Porque é que não quer a Guerra dos Judeus roubados pelo Irão, Iraque etc.
Por exemplo?
A resposta mais provável é: Israel é um símbolo da falência da esquerda. Mas devido à desproporcionalidade de população é a única onde a esquerda ainda tem sonhos de ganhar alguma coisa na Guerra Fria.
Para nada obviamente, já há muito que os próprios palestinianos abandonaram a esquerda.
lucklucky, que nome abstruso, e mais um Anónimo Anónimo.
Bons defensores tem a coisa “Israel”!
Entretanto, nem um único argumento aproveitável e bem formulado (era pedir muito, a um facho-colonialista).
Mas gostei do que disse sobre a benévola autorização dos colonos para que os palestinianos trabalhassem nos colonatos.
Também na África do Sul se permitia que os pretos trabalhassem nas “ilhas” da riqueza branca, não era verdade?
A propósito, lucklucky veio da África do Sul não foi, é um nostálgico do apartheid, não é?
Bom, como provou ser racista quanto baste, não lhe aprovarei mais comentários.
Passe bem.
O mais inacreditável nestes sionistas de pacotilha é que eles fazem a guerra todos os dias e ainda têm a lata de dizer que os outros é que querem sangue.
Eu também já deixei de aprovar barbaridades caluniadoras e racistas a esta meia-dúzia de comentadores anónimos e parasitas.
finalmente o comment de nº pitagórico ditado pelo grande estratega pulpo paul.
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