Entrevista de Álvaro Cunhal à Polítika (7 de Maio de 1990)


Capas do números quatro e cinco da Polítika

A segunda entrevista de Álvaro Cunhal à revista Polítika foi dada ao número quatro desta publicação. Tinha a foice e o martelo na capa, acompanhada pela frase: “Ainda cá estamos”. O design da capa foi feito pelo Jorge Silva. O grafismo e as imagens da revista – numa altura que não havia computadores, todos os tipos de letra eram escolhidos em fotocomposição e as páginas montadas em mesa de luz – foi obra de um colectivo bastante vasto: Álvaro Rosendo, Paulo Valente, Pedro Ruivo, Pedro Rosa Jorge Nogueira, Luís Carlos, Nuno Fonseca, Daniel Blaufuks, João Tabarra, Pedro Cláudio, Nuno Fonseca, Rogério Gonçalves, Manuel António e eu, entre outros. Quando arranjar um scanner com tamanho suficiente vou digitalizar algumas das páginas. Para essa diversidade de colaborações foi fundamental o trabalho do Manuel António. No trabalho de redacção, para além de muitos dos “gráficos”, tínhamos também a militância da Joana Ribeiro e da Levina Valentim.
No outro dia, a propósito de uma publicação de um livro sobre a revista Combate do PSR, Combate Ilustrado, uma jornalista do Público convenientemente ignorante escrevia, na Pública de 14 de Fevereiro de 2010, que o Combate tinha mostrado o cinzentismo das publicações do PCP e garantia que para além do Combate só tinha existido uma outra experiência interessante na imprensa militante portuguesa:”O Combate fez parte do renascimento da ilustração na imprensa portuguesa nas décadas de 80 e 90, juntamente com o Contraste (outro jornal de inclinação trotskista, mas com uma existência curta)”.
Para que conste, Contraste nasceu de uma revista de económicas que foi fundada pelo Miguel Portas, pelo Luís Carlos, por mim e outros activistas do ISEG. Na altura, muitos de nós militávamos no PCP. A passagem do Contraste a revista cultural foi feita pelo Miguel Portas, e gente desse colectivo, a maioria deles militantes do PCP. A revista alargou-se a muitas pessoas de esquerda e tornou-se, durante um ano, uma grande experiência jornalística e política para todos. O Contraste durou muito pouco tempo, mas é justo dizer que isso teve uma visível influência na evolução do Combate Operário para Combate e no surgimento de um publico e de uma militância que permitiu o aparecimento da Polítika e até no aparecimento da excelente revista, dirigida pelo João Paulo Cotrim, a Lua Cheia. As várias revistas eram tentativas de reformular a lógica das publicações políticas, mas tinham formas substancialmente diferentes: o Contraste e o Combate viviam da ilustração, enquanto o Polítika escolheu sempre o grafismo com base na fotografia.
A Polítika tinha, muitas vezes, mais de 100 páginas. Para além da discussão dos assuntos políticos, a revista privilegiava, desde o seu segundo número, grandes dossiers temáticos: a moda, o cinema português, a arquitectura e o erotismo, etc.
Seguem os PDFs das 11 páginas da entrevista:

ABC1
ABC2
ABC3
ABC4

ABC6
ABC7
ABC8


ABC11
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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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3 Responses to Entrevista de Álvaro Cunhal à Polítika (7 de Maio de 1990)

  1. idi na hui diz:

    Ka granda jornaleira…

  2. Enquanto leitor (para além de amigo de vários dos intervenientes), foram duas experiências interessantíssimas e às quais, creio eu, muito deve a actual comunicação “esquerdo-militante”. Mesmo se esta última me parece, nalguns pontos, ter regredido – pelo menos se tomarmos em conta os constrangimentos da altura.
    Os “Politika” ainda devem andar todos aqui por casa, protegidos pelo seu formato quase impossível de arrumar decentemente. Isto porque as “Contraste”, mais maneirinhas, levaram um valente rombo de uma ex-namorada, há uns bons anos atrás…

  3. Força, amigo! Conta mais do que sabes, porque há aqui muita ignorância.
    Incluindo a minha. Um grande e sincero abraço deste Joaquim

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