Coisas que aprendi no Brasil, n.º 6 (e chega).

Time, de team, mas também equipa, de équipe, nenhuma melhor que a outra, a cada um o seu barbarismo, a verdade é que a língua de Camões não tinha recursos próprios para o hodierno fenómeno desportivo – a menos que usasse delírios do tipo ludopédio, inventados por recta-pronúncias como Alfredo Pimenta, que em Janeiro de 47 passa pela Marginal quando Portugal está a ganhar à Espanha no Jamor, e da Cruz Quebrada vê de longe a multidão à chuva, e benze-se três vezes …”porque podia pensar tudo menos que houvesse gente tão falha de senso e de equilíbrio que se prestasse àquilo”… (a frase é de uma carta para Salazar, que também não mostra maior condescendência pelos “matulões” do foot-ball). Desporto ou esporte, é pois tudo a mesma coisa, a única diferença é que o palhaço que aparecia na página 12 de “As sete bolas de cristal” na edição da Flamboyant do Rio de Janeiro estava a ler um jornal que dizia, na última página, “Esporte” – e não houve menino fluminense nenhum que, aos sete ou oito anos, e ao contrário de mim, lesse uma edição lisboeta de “As sete bolas de cristal” em que o palhaço que aparecia na página 12 estivesse a ler um jornal que dizia, na última página, “Desporto”, topam?, nós estamos vacinados mas eles não, é tudo uma questão de exposição ao português do outro (e aí nós ganhamos claramente 0-0).

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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