A democracia da democracia (nocturna): ela define o mundo e a história e, ao mesmo tempo, autodefine-se – bravo! (a começar pelas autoridades georgianas, claro)


(Sim, rasurando tudo, também eu serei anti-estalinista; é a democracia que define a democracia)

As autoridades georgianas retiraram a enorme estátua do ditador soviético José Estaline da praça central da sua cidade natal, Gori, durante a noite de ontem para hoje.

(…)

A remoção – iniciada pouco após a meia-noite e terminada antes mesmo do amanhecer – foi feita por trabalhadores municipais sob atenta vigilância de uma unidade policial.

(…) Bitchachvili [jornalista de Gori] revelou que assim que o rumor se espalhou vários jornalistas acorreram ao local para captar imagens, mas foram impedidos pelos agentes, tendo mesmo ocorrido pequenas escaramuças.

Oh, durante a noite também eu cometo pecados inconfessáveis.

Por exemplo, ouvir alguns “Nocturnos” pelo meu eleito, neste reportório, Pollini (alguém discorda de mim? Morgada, manifeste-se!):

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15 Responses to A democracia da democracia (nocturna): ela define o mundo e a história e, ao mesmo tempo, autodefine-se – bravo! (a começar pelas autoridades georgianas, claro)

  1. Morgada de V. diz:

    Gosto muito de Pollini, mas menos dos nocturnos: prefiro os prelúdios, entre os quais avulta o número 4 (ei-los aqui todos de 1 a 7). Esta resposta é só um prelúdio a outras considerações que eu poderei ou não vir a ter sobre o que fizeram ao dear Stalin na pessoa da sua estátua; agora peço desculpa, Carlos, mas tenho de ir ver Por-tu-gal dar 15 a zero ao Brasil.

  2. Carlos Vidal diz:

    15 a zero zero.
    Mas não foi nada mau.

  3. Com sorte ainda apanha uns cacos no ebay a preço de saldo!

  4. Carlos Vidal diz:

    Este Viseu E. não quer mesmo dessacralizar a democracia.
    OK.
    Politicamente, burro que nem uma porta.

  5. Carlos Vidal diz:

    (E, já agora, o que pensará Roosevelt deste “Viseu”…)

  6. antonio diz:

    Pollini é um pianista fantástico, e p’ra mim o melhor dele (creio bem) é o que ele fez com as coisas de Stravinsky:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Three_Movements_from_Petrushka

    P.S.
    Quem é esse gajú entre o Churchill e e o Djugashvili ?

    😉

  7. Jose Pinto diz:

    Suponho que o Carlos seja favorável então à criação do Museu de Celebração do fascismo que se queria construir na terra Natal de Salazar; que a ponte 25 de Abril se continuasse a chamar Oliveira S.; que avenidas, praças e ruas mantivessem as estátuas do pré-25 de Abril…

    Mas compreendo a indignação. Não se trata assim um pai, não se trata assim o PAI dos povos. Um santo na Terra. Nem na IURD existem pessoas com tanta fé.

    O Carlos faz mais pela direita do que o Machado. E se na próxima visita a leste, o Carlos trouxesse umas estátuas e uns ossinhos e uns paramentos da 2ªGM, para que assim pudesse construir um altar lá em casa a Estaline e clamar pelo seu regresso a esta terra ingrata para com tão boa e nobre pessoa?

  8. Carlos Vidal diz:

    Jose Pinto,
    Não percebi o seu comentário, nem sei quem V. representa.

    Já agora, não sabe distinguir Estaline de Salazar, é?
    Gostaria que eu lhe explicasse, era?
    Prá próxima semana, quiçá.

  9. Gorjestão diz:

    Afinal por quanto tempo ainda irá Estaline servir de paradigma à classe de privilegiados que a todo custo tentam aterrorizar a fantasia colectiva?
    Parece que ainda não compreenderam que o furacão Estaline já passou.
    Talvez por não admitirem que a peste neoliberal é mais peçonhenta e provoca mais vitimas. No entanto continuam a ameaçar com a tormenta Estaline.
    Porquê? Existem razões muito óbvias para isso.
    kamar jopá

  10. Jose Pinto diz:

    Não percebeu eu explico: enqunto v. não dessacralizar o Estalinismo que vai bajulando sempre que pode, pouco ou nada pode dizer acerca da dessacralização da DEMOcracia que odeia.

    Não represento coisa nenhuma que não seja eu próprio, mas sentindo-me politicamente à esquerda, reconheço que são estalinistas como v. que cavam fundo o buraco de onde jamais sairá algo de transformador.

    Não percebe que por mais razão que tenha (pouca, mas ainda tem alguma) perde-a toda na apologia da doença que foi o “reinado” do medo imposto por Estaline aos seus?

    Quando quiser explicar o que distingue Salazar e Estaline, eu estou cá para o ler. Para mim a maior distinção começa logo no body-count de cada um, e no bigode. Ditaduras repressivas, de esquerda ou direita, são sempre ditaduras. Salazar para manter a sua, não tirava a mão do bolso. Estaline Gulagava.

    Adiante.

    Já agora, pq é que “estalinista” dá erro no cinco dias? Novo acordo ortográfico ou purga?

  11. Carlos Vidal diz:

    Estaline é a mais radical das lições.
    Como diz a Morgada em cima, numa caixa minha, a propósito do “embate com o real”…
    Quando se tratou desse embate, Estaline nunca hesitou: é o real que tem de mudar e nunca a ideologia, o pensamento, a coisa pensada ou em forma de pensamento.
    Ou seja, há que valorizar o pensamento, o facto de pensarmos. Isso tem de ter consequências.
    O resto (falam-me do Gulag do século XIX!?)… tenho de pensar… Democraticamente, vou pensar.
    Mas, na arte como na política, é o mundo que tem de mudar, ser moldado, é barro para isso e não mais.
    Que a democracia me perdoe.

  12. antonio diz:

    Ora bem, isto vai para aqueles que ainda não sabem…
    🙁
    O Staline era um assassino (fex matar milhões de pessoas), uma ‘invejosa’, como não sabia nem queria comandar tropas demitiu ou fez matar muitos dos oficiais superiores (e outros) que ganharam uma guerra para ele, um péssimo pai (a Svetlana exilou-se e depois suicidou-se ou vice-versa, com o filho parece que ainda foi pior), um tiranete estúpido , quem não se risse das suas piadolas arriscava-se a acordar morto no dia seguinte (foi o Kruschev/Kruschov quem contou esta há muito tempo), e um campónio que escrevia longos e aborrecidos ‘soundbytes’ (sim, eu também li o ‘animal’).

    Portanto, C.V. deveria haver uma máquina do tempo que te mandasse p’rá Rússia daqueles tempos, aposto que nem voltavas nem nada…

    🙁

  13. Carlos Vidal diz:

    Ah sim, o Krushov/Krushev, essa fonte preciosa.
    Parece que tentou destituir, ou seja, eliminar o famoso Zhukov (ah não, foi Estaline quem o tentou, pois).
    O Krushov contou, eu registo, e calo-me. Pronto.

  14. antonio diz:

    Pois, nenhum de nós estava lá…
    Mas o Krush qq. coisa chegou a ‘trabalhar’ para o referido Staline, e a ir a festinholas em “datchas”.
    Alguma coisa haveria de saber…

    🙂

  15. paradoxal paradoxal são estas sensibilidades neo-realeiras assaz pollinizadas. OOOps.

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