Cavaquices

O que será que têm em comum os seguintes escritores?
Christian Matthias Theodor Mommsen; Bjørnstjerne Martinus Bjørnson; Giosuè Carducci; Rudolf Christoph Eucken; Gerhart Johann Robert Hauptmann; Jacinto Benavente; Grazia Deledda; Erik Axel Karlfeldt; Pearl Buck; Saint-John Perse; Giorgos Seferis; Eugenio Montale; Vicente Aleixandre; Derek Walcott; Odysseus Elytis; Elfriede Jelinek; Herta Müller.
Ganharam todos o Prémio Nobel.

E o que unirá estes outros escritores?
Leo Tolstoy; Fernando Pessoa; Jorge Luís Borges; Thomas Mann; Marguerite Duras; James Joyce; Iris Murdoch; Salman Rushdie; Ian McEwan; Jorge Amado; Rafael Alberti; Mario Vargas Llosa; Andrè Malraux; Marcel Proust; Ezra Pound; Vladimir Nabokov; August Strindberg; Henrik Ibsen; Émile Zola; Mark Twain; Anton Chekhov; Eugène Ionesco.
Nenhum deles conseguiu ganhar o Prémio Nobel.

Não seria altura de olharmos com menos veneração para um Prémio que frequentemente tem passado ao lado de grandes escritores e preferido autores que os ventos da história já varreram da memória?
José Manuel Fernandes, Blasfémias

Também acho que há péssimos premiados, como Churchill. Mas basta ver a listagem do Nobel da literatura para perceber que o escritor José Saramago está em boa companhia: TS Eliot, Eugene O’Neill, Faulkner, André Gide, Yeats, Camus, Hermann Hesse, Camilo José Cela, John Steinbeck, Samuel Beckett, Neruda, Gabriel García Márquez, Elias Canetti, Ernest Hemingway, Octavio Paz, Anatole France, entre muitos outros.
José Manuel Fernandes garante-nos que Thomas Mann não ganhou o Nobel. Deve ser um lapso ideológico, mais uma prova mais da abnegação cavaquista. O escritor alemão ganhou o prémio em 1929. O antigo director do Público devia estar a referir-se, como Cavaco Silva , ao escritor da Utopia , Thomas More. É pena ter morrido antes do prémio… em 1535.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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9 Responses to Cavaquices

  1. simples diz:

    Eheheh,este jose manel fernandes é um ponto.Ainda bem que não se virou para a música senão teria invocado os célebres concertos de Chopin para violinos…Eis,como os media privados têm o papel de fazer o jogo dos interesses e,não o da verdade!

  2. Niet diz:

    Bom Dia: Quem é que sabe quando chegará a Bruxelas, o JMF1957, para servir JM Durão Barroso? De qualquer das formas, sobre tabelas de classificação ad-hoc , JMF1957 era bem melhor a comentar os artigos dos Neo-cons publicados no WS Journal…Niet

  3. augusto diz:

    Mann ganhou o Nobel e na altura em que viveu Tolstoi ainda não havia Nobel….

  4. Antónimo diz:

    Não há Setembro nenhum em que os fãs ideológicos do Roth, Philip; McEWan, Vargas Llosa e Salman Rushdie não entrem em desvario por o galardão sueco ir parar a um autor que por qualquer motivo (embora o não tenham lido) não apreciam – sejam o Fo, o Pinter o Grass ou o Saramago (e os três últimos mais do que têm nome e currículo, sendo aliás vencedores óbvios.

    A coisa é ideológica e as justificações absurdas. É preciso roçar o analfabestimo e cultivar uma presunção saloia para excluir autores cuja fortuna crítica e de público prossegue como os dois gregos, o poeta espanhol o venceu o Nobel em 1997 ou o italiano Montale.

    Passou ainda demasiado pouco tempo sobre a atribuição à romena/alemã e à austríaca (ainda para mais uma que conta com livros adaptados a filme de culto) para se dizer que são autores menores. JMF, num trend discursivo que tem aliás, amplos admiradores, já exarou um sentença de morte sobre a sua morte literária.

    Tanto mais curiosa a coisa quando do seu discurso mais do que se subentende a crítica aos membros do comité (académicos de literatura e gente do meio lietrário) que não conseguem ter percepção do que é verdadeiramente um grande autor mas ele acredita-se fadado para fixar eternidades.

    Na lista dos grandes que não venceram a coisa, esquece-se ele que por cada um que vence o prémio há pelo menos centenas de competidores em condições de o vencerem também. Pelo menos um em cada país do mundo. A quantidade de autores da lista fernandiana que marginam os primeiros anos de atribuição da coisa é comovedora. E morreram quase todos sem ter tempo de o prémio aquecer. Teria sido impossível dá-lo em tempo útil a Strindberg, Ibsen, Tolstoi, Tcheckov, Zola. E sabemos bem que à altura que um prémio destes, internacional, começou a ser atribuído muito provavelmente a circulação de nomes e objesctos culturais não era feita com a velocidade e representatividade de agora . Temos verdadeira percepção do que representava à época Tchecov?

    Isso é bem visível no eterno elencar de Pessoa que como bem sabemos até por cá era tido como autor meio desconhecido e que só depois de morto se alçou onde se alçou. KAfka, outro que tal, não vem na lista do Fernandes de Bagdad, mas podia vir.

  5. O dia da morte física de José Saramago foi ocasião aproveitada por alguns para o criticar, a ele, José Saramago, escritor e Homem. o Zé Manel, aquele, o outro, já se sabe; o Anibal, esse, o tal; o Vativcano, o dito, o afinal. E que têm em comum os referidos? No Vaticano pairam vultos medonhos vestidos de negro como é a cor da mentira;
    em Belém, suspiram vozes de uns tempos salpicados de sangue; na cabeça do sr. Zé, habitam temores cobertos de arrependimento e de vergonha. Ou de mediocridade?

  6. Tantos bons jornalistas no jornal e logo este é que andou por lá artilhado de director. Depois falavam de jornalismo referencial.
    Referencia, claro que sim! Para o patrão, pois claro…

  7. Antónimo diz:

    No meu comntário acima, ao referir “o poeta espanhol o venceu o Nobel em 1997” queria dizer “o poeta espanhol que venceu o Nobel em 1977”

  8. Antónimo diz:

    De qualquer forma é triste manter num jornal um gajo que foi director a escrever lugares-comuns.

    Basta irem já em setembro aos jornais e blogues na época de atribuição do nobel para verem que dizem todos a mesma coisa: Desde os albertos gonçalves, aos pedros correias, passando pelos pintos mascarenhas, davids dinises, pereira coutinhos, e a acabar nos zés manéis fernandes e viegas. É uma cartilha que tem anos, anos e anos.

    Acho que veio lá no programa da reunião da internacional NeoCon onde fizeram a formação.

  9. Carlos Fonseca diz:

    Os resíduos de vingança do PREC, em que JMF era assumido MRPP, associados à ignorância revelam o carácter do artista – e que artista!

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