Não gostei de ver Francisco Louçã utilizar as cerimónias fúnebres de Saramago para salientar a ausência de Cavaco. Percebo o significado político que Louçã lhe quer dar. Com todos os silêncios e ausências de Alegre, desta vez, o candidato estava do lado certo. Contudo, por concordar com o texto da Andreia Peniche - que o Carlos (Guedes) aqui destacou, não queria ver Cavaco na homenagem a Saramago.
O apelo à presença de Cavaco é um apelo à hipocrisia, e a política, como Louçã sabe, está a travar uma batalha fundamental com a hipocrisia. Na morte de Saramago a representação do Estado foi feita pelo povo, por aquelas pessoas que ostentavam um livro ou um cravo, uma dedicatória obtida numa Feira do Livro e até por aquela senhora que, aos microfones da RTP, dizia que não sabia ler nem escrever mas que Saramago havia escrito coisas lindas.
Pouco me interessa o incómodo de Cavaco, mas sentiria como um insulto à memória de Saramago a sua presença. Cavaco fez muito bem em não estar presente e a sua ausência (tal como a de Jaime Gama) são circunstâncias que prestigiam e dignificam a homenagem.




O desfilar de hipocrisia na morte de Saramago é verdadeiramente agonizante e tu conseguiste escrever com engenho o que só apetece dizer com virulência.
De facto , a melhor homenagem que o o Prof.Cavaco fez ao Saramago, foi não comparecer nas respectivas cerimónias fúnebres.
Ele e o Jaime Gama andam nos Açores.
Que dançem bem o «baile furado da Povoação»!
Sinceramente não o entendo…
Eanes, Soares e Sampaio os 3 ex Presidentes da Republica ainda vivos , estiveram presentes.
Jaime Gama, que tinha tido uma intervenção louvável na Assembleia da Republica á época, acusando Lara, Santana Lopes e Cavaco , de censura ao livro de Saramago, fez-se representar por Guilherme Silva.
A presença de Cavaco , ou uma representação CONDIGNA da Presidência da Republica , era uma exigência, e Louçã fez muito bem em dizer o que disse, outros evitaram a polémica, mas o POVO foi claro na critica a Cavaco.
E nesta despedida a Saramago ressalto pela Positiva
-A posição da Igreja Católica Portuguesa
-O comunicado do Presidente do Partido Popular Espanhol ( de direita) Mariano Rajoy
Pela Negativa
-A atitude MESQUINHA do actual Presidente da Republica Cavaco Silva.
-E o artigo raivoso do jornal do Vaticano.
Não entendi as palmas, de militantes de um partido de esquerda, no cemitério do Alto de S. João ao seu Secretário Geral, não estávamos num comicio, mas enfim….
Texto muito inteligente, pertinente e demolidor !
Niet
Claro, Tiago (não sei porquê, lembrou-me uma certa evocação de João Amaral num debate televisivo de há uns anos).
Parece-me que Cavaco vestiu-se de revisionista de Sousa Lara!…
Mário Soares teve graves discordâncias com o escritor e nem por isso deixou de aparecer no velório.
Não, não seria um apelo à hipocrisia porque Cavaco teria ido na sua condição de Presidente da República e não a título pessoal. Saramago foi, enquanto figura pública, alguém que prestigiou o país como muito poucos, e isso nada tem a ver com política. Acho piada os seus camaradas terem a lata de ter querido de escolher quem deveria ter estado no funeral. Sim, Saramago foi dos seus leitores, do povo que nunca o leu, dos militantes do PC, mas também – e é isso que o torna maior que qualquer um de nós que escreve – do país e do mundo. Era essa honra que ele merecia do Estado português e não a teve. Pena é que a mesquinhez não seja exclusiva de quem se fica pelos Açores.
Sérgio Lavos, parece-me que o seu camarada Louçã é que quis escolher quem estava no funeral.
António, esse momento ainda foi mais triste, porque mais directo. Mas é bem lembrado.
Sérgio Lavos, Cavaco não é o meu presidente. Não há um Cavaco presidente e um Cavaco político ou um Cavaco de direita e um Cavaco independente. Espanta-me (ou entristece-me) que Louçã se junte à mole – ainda que tenha a candidatura de Alegre ao colo.
“a política, como Louçã sabe, está a travar uma batalha fundamental com a hipocrisia” ?
Aonde, em que país? No Suriname, no Laos, na Suazilândia?
Caro Tiago,
pode não ter votado em Cavaco, mas é ele o seu presidente enquanto não abdicar da cidadania portuguesa. Eu estou exactamente nessa situação, e portanto gostaria de ter visto o Presidente do país onde vivo presente no funeral de uma figura que nos engrandeceu. Não há qualquer tipo de coerência que justifique a ingratidão e a mesquinhez de alguém que não esteve à altura do seu cargo. Esperado, é certo, mas não menos censurável por isso.
Aliás Cavaco ainda desceu mais baixo quando dos Açores, e com alguma arrogância pretendeu justificar a ausência…
Parece-me é que se li nas entrelinhas, alguns comentadores terão é ficado pouco satisfeitos com a presença do Louçã….
O sectarismo cega….
Caro Tiago,
Até que enfim que vejo alguém a pronunciar-se sobre este assunto de forma clara e, sobretudo, pensada. Agora, a propósito do funeral do escritor José Saramago, Louçã exigia que Cavaco fosse para além dele mesmo. Cavaco comporta-se como chefe, não como presidente de mais nada que duma Casa do Povo, Saramago desejava que no seu funeral estivessem presentes pessoas que se respeitam a si mesmos. E foi isso que aconteceu. Estou muito grato a Cavaco pela sua não presença, porque isso mostra uma coisa que me agrada muito: Saramago não desejou ter todos como amigos, e nunca quis Cavaco nessa posição.Que bom!
-Há aqui qualquer coisa que não bate certo.
-Era a pessoa de Cavaco Silva que deveria ter estado nas cerimonias fúnebres de homenagem a Saramago ou o Presidente da República ?
O Cavaco Silva, às voltas com os argumentos de Sousa Lara, fez bem em não ir. O Presidente da República e, por isso, de todos os portugueses, incluíndo de mim que nunca votei nele, fez muito mal em não estar presente. Mas, tens razão Tiago, esteve o povo que é soberano na República!
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Que intervenção na Tv sobre João Amaral foi essa? Soa-me familiar mas estou aqui às voltas para me recordar. Podem esclarecer-me?
Obrigado