“Casas sim! Barracas não! As casas são do povo, abaixo a exploração!”

A Cooperativa Semearrelvinhas apresenta este Sábado a “Festa da Pintura do Mural da História do Bairro da Relvinha”. Durante o dia vai-se pintar um mural com a história do bairro e à noite o Rebimbómalho, o Coro da Achada e a Tocata do GEFAC juntam-se aos vários grupos que se solidarizaram com o bairro, na luta por condições condignas de habitação. [10h-19h – Pintura do Mural 21h-21h30 – Rebimbómalho 21h30- 22h – Coro da Achada 22h-22h30 – GEFAC]

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Leia de seguida uma breve história da Relvilha, mas não deixe de aparecer neste bairro de Coimbra para a ver desenhada na parede e para a ouvir contada na primeira pessoa.

“Em 1954, 28 famílias foram desalojadas na zona da Estação Velha. Entre 1954 e 1974 estas famílias foram realojadas num bairro de barracas de madeira construído de raíz que procurava resolver de forma provisória a situação relativa à habitação destes moradores. As barracas de madeira, pouco tempo depois de serem estreadas, começaram a ter problemas de insalubridade. A pobreza e a fome marcavam a vida destes moradores. No final da década de 60 os moradores levam a cabo algumas acções radicais e criam uma comissão de moradores onde começam a discutir os problemas que os moradores enfrentavam, chegando a reivindicar junto da Câmara Municipal melhores condições de habitabilidade. Após 25 de Abril de 1974, com a adesão ao projecto SAAL, iniciou-se a construção de casas novas em auto-construção e substituiram-se as barracas de madeira, marcando o início de um novo tempo. Um tempo que é lembrado pelos moradores como um tempo denso em que está presente a “espoir”, conceito desenvolvido por Luísa Tiago Oliveira (2004) ao considerar que a “espoir” descrita por Malraux acerca da guerra civil espanhola se tratava de uma esperança idêntica à que se viveu e sentiu em Portugal nos dois ou três anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Neste processo de auto-construção houve uma intensa participação dos moradores do bairro da Relvinha. Os moradores, na execução da Operação SAAL da Relvinha, contaram com a colaboração de vários grupos que se solidarizaram com a luta destes moradores pelo direito a uma habitação condigna. Entre os mesmos, contam-se um grupo de estudantes de medicina, grupos culturais, grupos de jovens voluntários estrangeiros, empresas, pessoas a título individual que deram um contributo imenso para a consecução dos objectivos dos moradores.”

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