Golo da Espanha

* Desenho de Eneko

Era previsível. Tinham diante uma equipa fraca, desorganizada, sem moral, e que leva recebendo paus desde há muito. Tanto, que já nem sabe que tem capacidade para reagir. Assim foi que a equipa ganhou.

* Imagem d@s sempre geniais Sei o que nos figesteis...

Zapatero chegava com ares de lateral esquerdo reconvertido a meio-centro pelas circunstâncias do campeonato e por mandato directo do presidente. Errou de modo fatal quem subestimasse a capacidade de Zapatero. Resultou letal como avançado pela direita.

Apesar de vários cruzamentos com os recortes económicos, o número de comprimidos nos pacotes de medicamentos e fantasiosos dribles com o cheque-bebé, Zapatero não se estava a sentir cómodo. Mas o bloqueio do golo conseguido in-extremis pelo goleiro da direita catalã, deu novo impulso ao primeiro ministro. Aproveitando a briga entre sindicatos e patrões, avançou pela direita como uma bala. Os primeiro, desorganizados e inoperantes, caíram na armadilha dos segundos, que animavam ao Zapatero na sua célere corrida pela banda enquanto largavam alguma patada.

Zapatero marcou com esta reforma laboral. Por toda a esquadra (no ângulo). Facilitação do despedimento, como vinham pedindo os patrões (os quais ainda querem mais golos, agora que o adversário está atontado) e passando nas pontas dos pés sobre os delicados temas dos bancos, os especuladores imobiliários, os custos da monarquia, as grandes fortunas…

* Eneko, de novo.

Os sindicatos anunciam contra-ataque, mas sem muita convicção… depois das férias. Mas, olha, lindo era que atacassem com reforços gregos, portugueses, italianos, alemães… Pelos vistos os capitães da equipa não têm aquela estratégia concreta no seu livro de tácticas.

E assim ficou o jogo. Mais outro golo à equipa d@s trabalhador@s. Zapatero na portada do Carca e o árbitro, ladrão.

Mas o golo de Zapatero não tem mérito pessoal, comentam as mentes entendidas em futebol, pois joga na equipa mais potente do mundo… por enquanto.

* Desenho de Davila

P.S.: De que achavam que estava a falar?

Imagens:

Sei o que nos figesteis… nos últimos 525 anos.

O Bichero, de Davila.

…Y sin embargo se mueve, de Eneko.

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