Freud explicava

O Daniel escreveu uma piada sobre os coreanos do norte. Rezava a dita piada que o prémio do jogo era uma refeição e não castigarem a família. Eu comentei-lhe que achava a piada pouco publicável porque batia no alvo errado: os coreanos em vez dos ditadores. Dizendo-lhe que há piadas de café que ficam mal, escritas. Podem ser ditas à mesa, mas são racistas no papel: como as anedotas de judeus.
O Daniel retira disso que há pessoas, presumo que eu me inclua nelas, que defendem o regime Norte Coreano ou não o contestam publicamente. Não há pachorra! Ao contrário do Daniel, não preciso de bater no peito, todas as vezes ao dia, para apagar o “pecado” de ter sido militante do PCP. Para mim, isso não é um trauma. E ao contrário dele, que tem como o mais abjecto dos regimes o de Pyongyang, não gosto de ditadores, sejam eles na Coreia do Sul ou do Norte, de extrema direita ou dizendo-se de esquerda. Daniel, toda a gente sabe que saiste do PCP, mesmo aqueles que não sabiam que tu existias, não é preciso continuares a berrar.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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24 Responses to Freud explicava

  1. Saulo diz:

    A ler.

    http://www.lefigaro.fr/flash-actu/2010/06/16/97001-20100616FILWWW00638-jean-paul-ii-fait-polemique-a-sarajevo.php

    Agora imagine-se que era ao “contrário”!
    A indignação que, por certo, já aí andaria.
    🙂

  2. Xico diz:

    Saiu do PCP ou foi evacuado pelo PCP? Sejamos rigorosos nas informações que damos!!!
    PS: Evacuar= defecar

  3. ilídio pg diz:

    Nem saiu nem foi evacuado. O DO nunca pertenceu ao PCP. Foi apenas militante da JCP tal como muitos milhares de jovens da sua geração, mas nunca entrou no PCP.

  4. Nuno, nunca disse que defendias o regime Norte-Coreano, como fica evidente ao leres o texto. Nunca me passou pela cabeça que, sendo tu uma pessoa inteligente, achasses que a piada era para os próprios e não para o regime. Aliás, a generalidade dos comentadores entendeu muitíssimo bem e muitos reagiram mal a isso. Se a tua opinião correspondia a achares ofensivo para as vítimas do regime, as minhas desculpas. Mas, evidentemente, não fez qualquer sentido a tua interpretação do que escrevi.

  5. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Daniel,
    Acho que a piada é infeliz e dirige-se às pessoas erradas. Como tu sabes que eu não apoio o regime da Coreia do Norte. Para mim, parece-me evidente que quando se conta uma anedota do Samora Machel o que se está a críticar directamente é o próprio, mas o substrato da comunicação é o racismo. A tua anedota parece-me infeliz para ser escrita e bate nos coreanos e não no ditador.
    Vou colocar-te o meu comentário que tu citaste erroneamente no teu post para o leres:
    “Daniel,
    Acho que isto é uma piada de café que não devia ser escrita. Se quiseres, independentemente da valoração do regime Norte Coreano, bates nas pessoas erradas. É como algumas piadas sobre judeus. Não são para ser escritas. A menos que sejas judeu ou coreano. Acho que é por isso que levaste tantas reacções.”
    Onde é que isso te permitia colocar-me num post como apoiante da Coreia do Norte? Desculpa, mas considero isso abusivo.

  6. xatoo diz:

    mal ou bem ou assim-assim as pessoas têm de se adaptar ao regimes; são eles que condicionam ou descondicionam as pessoas; como termo de comparação em segurança social gostaria ver comparada nos meios de grande difusão mediática a situação do futebolista Lee Chang Myung da KDR e o nosso magriço José Torres, ambos intervenientes no mundial de 1966

  7. xatoo diz:

    voltei só pq me lembrei de dois aspectos raramente focados na desgraça onde amiúde se afogam as carpideiras da má sorte alheia, sem olhar aos fundamentos que as provocaram
    1 – o estado actual da Coreia (um só país) deve-se à intervenção armada dos Estados Unidos
    2 – quando nos referimos ao estatuto provisório da “Coreia do Norte” deve-se sempre ter em atenção que os norte coreanos são filhos dilectos da República Popular da China. E aí a coisa fia muito mais fino. Já fiou em 1953, senão o resultado não tinha sido o armisticio

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Ilídio,
    Ser militante da JCP não impede ser militante do PCP. O Daniel foi militante do PCP e saiu pelo seu próprio pé. Isso não altera nada, nem tem muita importância.

  9. Leitor Costumeiro diz:

    Daniel Oliveira, o conivente com Ditadores…

  10. Ilídio PG diz:

    Não, Nuno, estás mal informado, o Daniel Oliveira nunca foi militante do PCP. É evidente que ser militante da JCP não é impeditivo de se ser simultaneamente militante do PCP, embora se precise de ter pelo menos 16 anos (julgo eu) e o processo de selecção seja muito mais rigoroso. A grande maioria dos militantes da JCP nunca chega a ingressar no PCP. Foi o caso do Daniel Oliveira. Não acredito que o próprio se atrevesse a negar, mas se tivesse essa desfaçatez, então bastaria pedir-lhe que o demonstrasse exibindo um cartão (necessariamente desactualizado) que nunca chegou a ter.
    Reitero: o Daniel Oliveira até pode dizer que, se quisesse, teria entrado no PCP, o que provavelmente é verdade, visto que, na altura, teria sido natural que o PCP o aceitasse, mas a verdade é que nunca chegou a ser militante. Essa experiência, muito diferente da da JCP, nunca teve, o que aliás se nota bem nas numerosas incongruências que profere sobre o PCP, típica de quem tem alguma familiaridade com gente que milita ou militou no PCP, mas que não conheceu directamente a organização e o funcionamento do Partido (típicas também de quem emprenhou muito pelos ouvidos, mas essa é outra história que para aqui não é chamada).

  11. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Ilídio,
    Eu entrei no PCP com 15 anos. Enquanto estive lá (23 anos), encontrei por lá o Daniel Oliveira. Não estou enganado.
    Se reparar, confere com o seu perfil da http://pt.wikipedia.org/wiki/Daniel_Oliveira em que diz que foi militante seis anos.

  12. Leitor Costumeiro diz:

    PCP a organização popular que reserva o acesso a uma oligarquia…

  13. Ilídio PG diz:

    Nuno, sei que foste militante do PCP, lembro-me de ti, mas estás completamente enganado. O Daniel Oliveira, mais novo que nós, nunca entrou no Partido (nem julgo que tenha tido sequer actividade na organização do ensino superior da JCP, pelo menos ninguém reparou). É natural, depois destes anos todos, que a memória te traia. O que me surpreende é a tua ausência de sentido crítico, quando me invocas a wikipedia. Mas eu preciso de explicar a um jornalista como é que é feita a wikipedia? Olha, a mim, bastou-me ler a primeira frase da biografia que me recomendas para perceber logo a monumental confusão entre PCP e JCP.
    Não, Nuno, de todo. O Daniel Oliveira nunca foi militante do PCP e, para um razoável conhecedor deste partido, como tu, isso deveria ser imediatamente evidente nas suas intervenções.

  14. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Ilídio,
    Sendo tu, um anos mais novo do que eu, não vou usar contra ti a tua juventude e fazer um argumento de autoridade. 🙂 Eu cito a wikipedia, pq é óbvio que foi o próprio Daniel que fez a sua entrada. Acharia muito estranho que ele inventasse essa militância. Não foi da organização do ensino superior, pq só frequentou o ISCTE um ano e creio que já não era militante.
    Obrigado pelo “razoável”. Mas conheço tantos que tem intervenções piores que o Daniel.
    Adenda: Podes ter razão, pq ele na sua autobiografia do Arrastão só fala da JCP. Embora tendo ele militado na CASMO seria normal que tivesse sido do PCP.

  15. Pingback: cinco dias » Diz quem sabe: Daniel Oliveira não saiu do PCP – Daniel Oliveira foi evacuado pelo PCP

  16. Ricardo Noronha diz:

    Esta conversa é perfeitamente lamentável. Mostrar o cartão?

  17. Antonio Cunha diz:

    Daniel Oliveira mostrou ter inteligencia ao contrário dos ainda continuam a vegetar pelo pcp.

    Eu que trabalhei durante 10 anos na Soeiro Pereira Gomes, mais propriamente no edifico América coladinho ao edificio do pcp e em frente da bolsa de valores e hotel metropolitan tenho várias histórias para contar. E das centenas de conversas que ouvi no restaurante dona Maria algumas eram capaz de deixar o Marx borrado de vergonha.

  18. Uma precisão histórico-sindical: não se “militava” na CASMO; era-se sócio da CASMO.
    Aliás, quando o Daniel foi eleito para a direcção dessa associação já tinha saído do PCP – embora não quando começou a colaborar com ela e se tornou membro.

    Quanto ao cerne da discussão, concordo com o comentário de Ricardo Noronha.
    Mas sei, também, que o Ilídio PG está equivocado. E não explicarei porque e como é que o sei.

  19. TheGoodSon diz:

    “não gosto de ditadores, sejam eles na Coreia do Sul ou do Norte, de extrema direita ou dizendo-se de esquerda”. Ou seja, é possível ter ditadores de extrema direita, mas ditadores de extrema esquerda já não? Porque é que faz tanta confusão assumir que a Coreia do Norte e Cuba são duas ditaduras?

  20. Marta diz:

    Já agora, Sr. Ilídio, poder-me-ia esclarecer se eu fui, de facto, militante do PCP?

  21. marta diz:

    Só para que conste e fique claro, foi o próprio DO que neste post

    http://arrastao.org/sem-categoria/10-anos-depois-na-primeira-pessoa/

    afirma que NUNCA pertenceu ao PCP. No texto referido, DO diz às tantas:

    “Olhando para trás, não me arrependo nada de ter sido militante do PCP (ou da JCP, para ser mais preciso)”

    e no comentário 108, o mesmo DO, afirma:

    “Não entrei para o Partido porque não quis (…). Com tantos anos de jota era (…) uma passagem automática” (!)

    marta

  22. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Marta, a questão não tem importância nenhuma. Ficou visto que eu não tinha razão.

    Abraço

  23. mleonor diz:

    Uma achega para a controvérsia.

    No dia 28 de Fevereiro de 2009, no seu blog Arrastao, em nota autobiográfica (“10 anos depois, na primeira pessoa”), e num envergonhado assomo de honestidade, Daniel Oliveira escreveu [cito textualmente]:

    «Olhando para trás, não me arrependo nada de ter sido militante do PCP (ou da JCP, para ser mais preciso).»

    Na caixa de comentários deixei-lhe esta observação:

    «Caro Daniel, li o seu texto até ao fim para confirmar algo de que já desconfiava. Você nunca foi do PCP, apenas pertenceu à sua organização de juventude, a JCP, num percurso semelhante a muitos milhares de jovens que participam na segunda mas nunca chegam a ingressar no primeiro. Por favor, acabe, para sempre, com essa ambiguidade de afirmar que esteve e saiu do Partido, a que, como agora confessa, nunca pertenceu, senão terei de concluir que não se distingue de muitos outros, aqui e no estrangeiro, que gostam de “puxar por galões”, que em demasiados casos não mereciam e, no seu caso particular, nem chegou a usar.»

    Daniel Oliveira, evidentemente acusando o toque e torcendo o sentido do meu comentário, respondeu-me inabilmente [peço desculpa pela extensão]:

    «mleonor, para mim a jota sempre foi o partido. E como conheço bem os dois, as suas reprimendas valem de pouco. A JCP nunca teve qualquer autonomia do PCP, sempre foi uma parte dele e nada mais. Como reparou, foi a escola de quadros do PCP, e não da JCP, que fiz. Por isso, dispenso as suas correcções sobre a minha própria vida. Que a senhora trate a JCP como coisa menor é o que vai ter de explicar aos seus camaradas de jota: que são militantes de segunda.

    »Já agora: não preciso de galões nenhuns. Não entrei para o Partido porque não quis, como deve imaginar. Com tantos anos de jota era, como advinha, uma passagem automática. Não passei pela “jota”. Fiz mais trabalho político que muitos militantes do PCP que conheço. Mas o desprezo pelos jovens é uma marca de algumas pessoas. Eles passam pelas coisas. Não contam como militantes. Eu contei e, como testemunhará qualquer pessoa que tenha feito política comigo no PCP e na JCP, com muita dedicação e horas de esforço. E sem pensar que isso dava galões ou que a militância na JCP e no PCP tinha estatutos diferentes. Descubro agora que alguns militantes do PCP acham que há divisão de classes entre os militantes comunistas.»

    Não conheço todos os intervenientes desta discussão, mas creio que isto, da boca do próprio, é suficientemente esclarecedor.

    A mim, o que me faz impressão é o Daniel Oliveira manter esta ambiguidade. Custa a acreditar no que afirma o Nuno Ramos de Almeida (às 0:16), até porque seria de bradar aos céus, que fosse o proprio Daniel Oliveira o autor da sua entrada na Wikipédia. Isso, apesar de tudo, surpreender-me-ia, mas enfim, do DO já espero muita coisa.

    Como disse alguém sobre o que o DO me respondeu na caixa de comentários a que me referi acima:

    «“ dispenso as suas correcções sobre a minha própria vida “
    DO,
    Carregadinho de razão. Mas mentir é feio.
    Ser iniciado é diferente de ser titular da equipa principal do Sporting.
    Afinal, nem chegou a passar das escolinhas do PC.
    “ não preciso de galões “
    Pois, sempre foi assim, mas hoje mais que nunca, ser ex-comunista é um posto…».

  24. António Fonseca diz:

    Paulo Granjo,

    Afinal o Ilidio PG n estava equivocado coisa nenhuma. Foi de facto prudente n ter dito como sabia de tal equivoco.

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