“Hamas: os senhores de Gaza

*[A fotografia está publicada sem créditos (assinatura; agência), não tem nenhum representante do governo citado na notícia (os membros do governo e do Comité Legal usam fato e gravata) e é pouco provável que sejam forças ligadas ao Hamas (usam insígnias verdes - o vermelho não é a sua cor de eleição). Agora o texto é magnífico apesar de algumas incorrecções históricas. Uma verdadeira aula para quem ainda não percebeu que, para o bem e para o mal, é o Hamas a força política escolhida, democraticamente, pelo povo palestiniano. Fico à espera de ler o que pensa "o filho do Hamas" do Delito de Opinião, por tão rasteiro ataque à qualidade do jornalismo em Portugal. Devo extrapolar profissionalmente o horror deste blogue (ou será um salão de chá?) à verdade dos factos?]




Tanta história neste conflito que seria um milagre que metade da história sobre ele não fossem mentiras ou egos de “bloguistas” despedaçados. Eu não percebo muito deste conflito mas esses gajos do hamas gostam do vermelho do sangue e os israelitas também, mas não podemos defender o hamas porque combate com pedras e armas oferecidas pelos árabes ou defender israel porque ninguém reconhece o seu estado e então faz ali um gueto. Bem, parece que actualmente custa muito mais ver morrer um criança pobre da palestina do que uma de israel atingida por um bombista. O que é de lamentar é a diferenças de mundos, toda a criança despedaçada do lado de gaza aparece em todo o lado sem escrúpulos para o mundo ver, para o mundo chorar, do lado de israel não aparecem porque são civilizados e porque agora há o isolamento. Israel tem medo do passado e o hamas tem medo de que? será que o hamas pensa nos seus habitantes como israel pensa nos dele? eles dizem que pensam e então lutam contra o mal(israel), enfim.
Este post é irrelevante porque coexiste num mundo onde há fotos de Estaline e não se demarca dele (do mundo).
Caro renato,
V.exa. ainda não conseguiu perceber que o Hamas, per si, não é problema algum; o povo que os elegeu que trate bem deles e se não os quiserem que abram novas eleições, o que eu duvido. Enfim, façam o que quiserem e que lutem pelas suas próprias vidas. Se pedirem cá estaremos para ajudar e denunciar praticas abjectas de eliminação de todos aqueles que se opõem ao Hamas. Voçe não sabe, mas é pratica comum do Hamas fazer calar a população discordante, matando, batendo ou atacando os familiares aqueles que conseguem fugir. Mas não é exclusivo do Hamas.
V.exa. não percebeu aquilo que é básico… o Hamas pode continuar a dominar Gaza enquanto o povo assim o quiser, mas não pode é suscitar a apologia de eliminação de Judeus, nem reconhecer o estado de Israel. Este ponto é fundamental para se poder chegar a algum acordo.
Repare que, por mais que nos doa, olhar para os colonatos expostos pelo seu colega de Blogue, estes servirão apenas para forçar uma troca; Israel não quer a Cisjordania (já saiu) e já desmantelou imensos colonatos. Mas foram feitos para uso politico posterior. Bem ou mal é essa a ideia. É a mesma lógica de prender o maior numero de adversarios e depois troca-los por outros.
Sabaerá concerteza que o Hamas, hoje em dia, é talvez o responsavel por Isarel e AP ainda não terem declarado a paz definitivamente. Já o podiam ter feito na Cisjordania e estava tudo a postos para o efeito, mas Abbas acha que a Palestina na deve ficar partida em dois e quer esperar que Gaza estabilize e tenha maior moderação.
Infelizmente Gaza tem fanaticos, alimentados essencialmente por outros fanaticos vizinhos, à excepção do Egipto que os odeia porque o hamas está na tentativa de assassinado do então presidente do Egipto; e da Jordania e da Turquia que em face das negas da União Europeia começõu recentmente a resvalar para o fundamentalismo islamico. Os lideres do Libano está aflito com outros terroristas do Hezbolah e não pode falar muito senão…
A solução para isto, caro Renato, passa por conseguir que o Hamas aceite o direito à vida dos Judeus de Israel. Mas para o conseguir lideres como o do Irão tem que ser afastados ou derrotados de uma vez (já que atraves de eleições Allah terá decidido o desfecho eheh)
RB
Ok, quanto ao comentário de alguém que dizia que os Palestinianos não podiam ter propriedade, sou a envia-lhe o seguinte:
« Como nos diz José Arbex Jr.:
Os palestinos residentes em Jerusalém que estavam fisicamente presentes na área anexada, de acordo com os resultados do recenseamento promovido por Israel logo após a Guerra dos Seis Dias, ganharam o direito de residência permanente, a posse de um registro de identidade israelense e um salvo-conduto (que não tem validade de passaporte). »
Portanto meu caro, chove um chorrilho de mentiras acerca de Israel, que eu tenho obrigação de desmascarar.
Mas eu já sabia porque conheço pessoalmente arabes Isarelitas com propriedades em Israel, mas quis que soubesse por outros autores.
RB
Israel é um “gueto” milionário construido com carne de imigrante importada e gerido a partir de fora por dirigentes com interesses globais, que sempre delegaram o poder local em politicos conotados com a extrema direita religiosa de modo a conservar o status de Estado criminoso (pq não tem fronteiras legalmente estabelecidas, existindo ali sempre perspectivas expansionistas)
Gaza é um campo de concentração de nativos locais gerido democraticamente a partir de dentro por dirigentes que se incorporam na sua própria população e na génese da resolução dos problemas da sua libertação
l.rodrigues não vejo que o cu tenha que ver com as calças, mas já por diversas vezes me demarquei do património estalinista.
Ricciardi, o que você não percebeu é que são os israelitas que não querem um Estado de pleno direito para todos.
Xatoo, nem mais, nem menos.
ok ó xatoo, leva lá a bicicleta…
RB
Renato Teixeira,
Era ironia e não era dirigida a si.
“Israel não quer a Cisjordania (já saiu) e já desmantelou imensos colonatos”
Ricciardi é um mentiroso nato:
http://www.juancole.com/2010/03/israel-humiliates-biden-announces.html
Pois é, realmente não quer; assassinos e terroristas ‘não passará’ camarada Renato.
Talvez um dia venha a ter algum bom senso e cair na realidade e verificar que está a apoiar gente fanática que festeja a morte, sejam civis ou militares palestinianos da oposição, sejam judeus, sejam americanos ou outros quaisquers que se oponham aos ideiais fundamentalistas.
Quem não se lembra dos gritos de festejo daquela gente quando se deu a queda do world trade center?
Talvez já não se lembre, mas assemelha-se no caso portugues ao gritos de alegria, da extrema-esquerda, que se ouviam pelas ruas portuguesas quando morreu Sá Carneiro. Com anedotas sobre o repasto de ‘carneiro assado’ que se contava amiúde nas festas do avante.
É gente da mesma indole, com doses lunáticas de frustação, total incapacidade de viver em paz, uma espécie de alucinação ou psicose que configura o principio de uma doença, se não mental pelo menos espiritual. O que nos vale é que pesam pouco na sociedade, quer em numero, quer em qualidade e as pessoas na Aldeia Global vão apercebendo-se das campanhas de propaganda demagógica e falsa que estes profectas do terror vão tentando semear. As pessoas não são estupidas e eliminaram as extremas-esquerdas de quase todos os países do mundo e aonde as há são os locais mais degradantes economica e socialmente falando. Espero que as extremas-direitas se mantenham ao mesmo nivel de insignificancia social, porque estes serão os principais aliados dos comunistas fanaticos de hoje e de amanha.
RB
Meus caros,
Não adianta radicalizar as ideias. Bem sei que é prática comum aos fundamentalistas; na ansia de terem razão num determinado assunto passam a defender TUDO relativo ao mesmo. Pois eu, não embarco nisso… sou claramente contra os colonatos e as construções em Jerusalem Oriental, embora compreenda o espirito POLITICO subjacente, não concordo com a essencia.
Posto isto, de notar que, pese embora discorde dos colonatos entendo que serve de arma para negociação para a paz, uma vez que enfraquece o oponente. Mesmo assim, policamente enquadrado, discordo do modus operandi israelita nesta matéria.
Bom, mas the main issue é a aceitação do estado de Israel… este sim, é o assunto do qual derivam todos os outros e para o qual existe de facto legitimidade internacional, quer gostem ou não.
Não fora o ódio à raça, ao povo judeu e o desejo de o eliminar e nada disto teria acontecido; aliás a guerra dos seis dias é disso exemplo cabal.
Portanto, primeiro os adversários tem que reconhecer o direito à existencia de Israel. Mais nada.
Não podemos andar aqui a atirar culpas, por motivos subsequentes ao motivo principal; já sabemos que ninguém é isento de culpas no desenvolvimento do processo, culpas há de ambos os lados; uns atacam outros respondem num circulo vicioso interminavel; mas o que deu origem a isto não é claramente culpa de Israel.
Imaginem que querem fazer realmente a PAZ naquele espaço, o que é que v.exas. fariam?
Obviamente que, se insitirem na eliminação de Israel não chegarão a bom porto, sem que, pelo menos, milhões de pessoas tenham que morrer na disputa. A solução portanto passa pelo BOM-SENSO e começar desde logo pelo principio… aceitar Israel e os Judeus de Israel. E verão, que se tal for decidido Israel rapidamente retornará às fronteiras estabelecidas pela ONU. Israel precisa apenas de confiar que a vida da sua população não corre risco quando abandonarem os pontos militares estratégicos que ocupou. E isso, até agora, não tem sido fácil. Cada vez que Israel recua enviam morteiros e rockets indiscriminadamente para a população. Dúvido, meus caros, que existam pessoas no Hamas que estejam interessados na PAZ… o fomento da discordia é-lhes mais proveitoso.
RB
Ricciardi é um mentiroso compulsivo: diz que houve “gritos de festejo daquela gente (os árabes) quando se deu a queda do world trade center”
poderia ter havido algumas manifestações nesse sentido, porém de forma desconexa. Mas pelo lado contrário comemorou-se segundo um método prédeterminado.
De facto quem foi detido pela policia nas imediações do WTC a festejar e a recolher dados logo após o evento foram os judeus. Como souberam esse grupo de espiões para levar toda a panóplia de câmaras com antecedência para um telhado vizinho? Está escrito pelos próprios americanos, num órgão que nem sequer tem nada a ver com radicalismo ou anti-semitismo:
http://abcnews.go.com/2020/story?id=123885
e Ricciardi, na boa tradição da trapaça judaica, tira conclusões baseadas em suposições da “eliminação de Israel” – de facto nem o próprio Ahmadinejad empregou a expressão “varrer Israel do mapa”, que foi uma tradução mal-intencionada feita pelos pró-Sionistas. O que Ahmadinejad disse em boa verdade sobre Israel foi “”vanish from the pages of time” varrer das páginas do tempo (histórico) este tipo de Estado racista e intolerável
http://en.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Ahmadinejad_and_Israel#.22Wiped_off_the_map.22_or_.22Vanish_from_the_pages_of_time.22_translation
Não tenho a mesma opinião que Ricciardi sobre a política dos governos israelitas e não creio que se possa atribuir a sua responsabilidade às organizações palestinianas. Do mesmo modo que não creio que se possa atribuir o fanatismo do Hamas, a sua prática despótica, etc. apenas à política dos governos de Israel. Embora seja verdade que os dois nacionalismos expansionistas se reforçam e acabam por ser cúmplices na destruição sistemática das condições de um acordo.
Dito isto, acho inacreditável que o xatoo possa escrever aqui, num blogue onde escreve também gente decente, sem que ninguém lhe caia em cima ou lhe recuse o comentário, comentários anti-semitas do tipo do “Comentário de xatoo Data: 15 de Junho de 2010, 13:03″, onde podemos ler: “e Ricciardi, na boa tradição da trapaça judaica, tira conclusões baseadas …”. Ou isto não é racismo puro e simples, tão repugnante como o que seria o de quem escrevesse: “e Fulano, na boa tradição da selvajaria africana…”, ou “e Sicrano, na boa tradição da cobardia italiana…”, ao referir-se aos actos criminosos do africano Dos Santos ou do italiano Berlusconi?
Aqui há dias o RT aconselhava a leitura de um ensaio do João Bernardo onde podemos ler:
“Não é exclusivo dos judeus o facto de entre os perseguidos se ter gerado uma reacção nacionalista que, encontrando oportunidades de desenvolvimento favoráveis, se converteu em imperialismo. Esta é a armadilha que todo o nacionalismo coloca às pessoas de esquerda, que apoiam o nacionalismo quando ele aparece como uma defesa de povos oprimidos, sem verem que, se conseguir efectivar-se na prática, esse nacionalismo inevitavelmente se desvendará como um imperialismo. O meu receio é que aquelas mesmas correntes ideológicas que ontem apoiavam o nacionalismo sionista dos judeus, com o argumento de que eles eram perseguidos pelos nazis, apoiem hoje o nacionalismo árabe, com o argumento de que os palestinianos são perseguidos por Israel − para apoiarem quem amanhã e com que argumento?”
Desafia a compreensão que o mesmo RT deixe hoje passar sem uma palavra, na caixa de comentários do seu post, este tipo de “teses”, que rivalizam com as dos Protocolos dos Sábios de Sião. Tudo o que se pode concluir é que o fanatismo – sempre reaccionário, seja qual for a cor de que se pinte – obnubila a inteligência (como os católicos diziam do pecado).
msp
E ainda, não vi por aqui ninguém indignado acerca dos milhões de Judeus expulsos dos paises arabes e que o recem-criado estado de Israel acolheu. Os Sirios, o Egipto, a Arabia, a Jordania expulsou do dia para a noite TODOS os judeus que ali viviam; estes perderam TUDO o que tinham, as casas, os negócios, as propriedades… Israel acolhe-os a TODOS. Não vi que fizessem o mesmo pelos seus compatriotas que moravam na Palestina; ainda hoje os deixam em campos de refugiados sem os acolherem.
São posturas…
Esses refugiados não tem BI ou Passaporte Palestiniano pois isso não existia de facto. Ninguém era Palestiniano; os refugiados eram Arabes com nacionalidades especificas dos paises vizinhos. E ninguém os quis acolher.
Mas não vejo que v.e.xas se indignem perante essa barbarie humanitaria provocada pelos próprios arabes. A determinação da ONU era clara, teria de haver uma ‘partilha’ de propriedade em terras de Israel. Nenhum habitante da Palestina seria prejudicado; ninguém, até que os arabes vizinhos resolveram atacar Isarel na guerra dos seis dias e precipitaram a fuga dos residentes, que com medo da guerra e represalias, abandonaram as suas casas. Pois bem, além de provocarem a fuga dessas gentes para os seus paises (de nacionalidade), esses mesmo paises não os aceitaram.
Quanto ao Xatoo, pá estás atacado pelo virus do ódio e isso cega-te e colhe-te o descirnimento. Ouve, eu ouço não preciso que me contes os canticos de morte aos Judeus.
RB
muito bem,
o miguel serras pereira, como professional e “experiente tradutor”, retira uma frase avulsa do contexto (destinada a pôr ênfase no facto histórico que a doutrina religiosa judaica aliada ao capitalismo selvagem é de facto uma sucessão de fraudes e mistificações. Os progroms medievais não nasceram do ar, sem causas históricas directas) e a partir dessa false flag produz o relambório habitual e recusa-se a discutir o que quer que seja do essencial que ficou dito integrado no contexto. É um truque que lhe fica mal, muito mal – por último MSP insulta o oponente com a desgastada e bronca arma do anti-semitismo
Senhor Ricciardi: Uma sugestão de leitura para si: “História da Palestina moderna: Uma terra, dois povos”, de Ilan Pappe, historiador, israelita, judeu. Em português está disponível na Caminho.
Um psiquiatra palestiniano entrevistado pela Alexandra Lucas Coelho após a última operação punitiva israelita a Gaza perguntava: “Sim, reconhecer Israel, mas com que fronteiras?”
Viva msp, viva a cacetada fácil e barata, mil vivas para o rei da mocada!
(não terá o homem sido polícia de choque, ou pelo menos cão-polícia-pateta, noutra vida?)
Assistimos ainda recentemente a uma sabotagem do reinício do processo de paz por parte do governo israelita com o anúncio da construção de novos colonatos em Jerusalém Oriental.
“na boa tradição da trapaça judaica,”
Cautela ó Xatoo.
Olhe lá, não ofenda o autor do “Das Kapital”!
É que Karl Marx era………..judeu.
(é curioso como malta como o Xatoo, e não só, vêm judeus em tudo quanto é sítio e, se lá estão, é uma conspiração. ainda mais curiosamente não aplicam o mesmo raciocínio a gente de muitas outras proveniências étnicas/religiosas quando envolvidas nos mesmos ou em outros acontecimentos históricos. aí já não há conspiração. Bravo!)
“Os Sirios, o Egipto, a Arabia, a Jordania expulsou do dia para a noite TODOS os judeus que ali viviam; estes perderam TUDO o que tinham, as casas, os negócios, as propriedades… Israel acolhe-os a TODOS. Não vi que fizessem o mesmo pelos seus compatriotas que moravam na Palestina; ainda hoje os deixam em campos de refugiados sem os acolherem. ”
Pois é.
Porque será?
“Os progroms medievais”
Onde já vamos!!
Fantástico!!
Pelo que vejo estamos a um passo da defesa da Santa Inquisição, das Monarquias Absolutistas, do Primado do Papado, do Concílio de Trento, as Cruzadas, a expansão do Islão a golpes de cimitarra, o fanatismo Calvinista e Luterano, as Guerras Religiosas, etc, etc…
É preciso cautela nestes e noutros assuntos para não começarmos a defender tudo e mais alguma coisa.
Não vale tudo!
O xatoo reincide no anti-semitismo: “a doutrina religiosa judaica aliada ao capitalismo selvagem é de facto uma sucessão de fraudes e mistificações. Os progroms medievais não nasceram do ar, sem causas históricas directas) e a partir dessa false flag produz o relambório habitual e recusa-se a discutir o que quer que seja do essencial que ficou dito integrado no contexto”.
Os massacres do KKK nos Estados do Sul dos Estados Unidos “nasceram do ar, sem causas históricas directas”? O extermínio e segregação das populações (amer)índias “nasceram do ar, sem causas históricas directas”? As caçadas assassinas dos skins “nasceram do ar, sem causas históricas directas”? A opressão das mulheres e/ou a sua inferiorização sistemáticas “nasceram do ar, sem causas históricas directas”?
Quanto às questões de fundo, subscrevo as palavras do João Bernardo citadas no meu comentário anterior. São mais do que suficientes.
MSP, vá ler o texto do Ricardo Noronha no “seu” Vias de Facto. Vá, aprenda e depois regresse mais bem informado. Passar bem.
sr. Silva
Marx tinha tanto a consciência de ser judeu que escreveu um ensaio sobre “A Questão Judaica” na Alemanha onde defendia que os judeus se integrariam naturalmente nas sociedades para onde migrassem. Foi o que aconteceu depois com a grande vaga para os Estados Unidos no virar do século XIX onde assumem hoje posições prepoderantes nas finaças e na politica
Marx tinha tanto a noção de ser judeu e anti-semita que amiúde criticava Lassale (outro judeu) chamando-o de “preto asiático”
De facto a história do anti-semitismo está mal contada, tendo os brancos caucasianos (oriundos do Cáucaso) arianos alemães interiorizado que “os judeus” seriam os… negros etíopes. O que é verdade. Porque razão teria o Estado de Israel na década de 80 feito uma autêntica operação militar de salvação (com ajuda e meios americanos) de milhares de judeus etíopes durante a guerra civil na Etiópia que levou como colonos para os territórios ocupados na Palestina. Mas os judeus caucasianos de Israel não reconheceram esses negros como judeus, tendo o caso gerado conflitos étnicos internos. Isto apesar da tradição original de Israel se fundar no mito de Beta-Israel (a tribo de Moisés, que era um principe egipcio, etc)
Afinal quem é que são aqui os anti-semitas?
nota à margem: eu acho que o anti-semita nesta problemática é o Miguel Serras Pereira, auto reconhecido islamofóbico e notório apoiante do Santiago Mata-Mouros português, um beato-guerreiro que o Cavaco Silva adora. Mas MSP depois enche o teclado de “teorias&emancipações multiculturais”, diga-se fardos de palha
Miguel Serras Pereira
Sou amigo pessoal do João Bernardo – estive com ele, o Zé Mário Branco, o Renato e outros no projecto Mudar de Vida – e estou, no essencial, de acordo com as suas teses sobre esta questão. Só acho que o João Bernardo comete um erro: critica de fora a direcção do movimento popular, não apresenta alternativas, ou não procura no seio desse movimento de resistência forças de vanguarda com uma visão progressista. Aliás, esta é uma pecha muito vulgar nos intelectuais: têm muita clareza teórica, mas, depois, perante as forças em confronto não têm uma alternativa para a luta concreta. Concordando eu que o Hamas é uma força nacionalista retrógrada neste momento é o braço armado de um povo que está a ser massacrado. Apoio o seu nacionalismo retrógrada? Não. Mas apoio a sua luta de resistência. Se eu fosse palestino, ou se tivesse condições físicas para participar na resistência não sendo árabe- o que infelizmente não posso porque o coração deu o berro- procuraria, dentro do movimento popular, uma alternativa progressista e revolucionária ao Hamas.
Mas também lhe digo: perante um inimigo cruel, que utliza os mesmos métodos dos nazis, como o são os sionistas, a minha forma de actuar e combater não seria muito diferente da do Hamas.
Para que fique claro: nada nos impede de produzir e discutir têxtos como o do João Bernardo, porque isso seria limitar a nossa contribuição teórica para a questão palestiniana, até porque essa discussão, se ajudar um ou outro palestino que porventura os leia, já é uma ajuda à causa dessa liderança progressista que ambicionamos. Mas isso, para mim, não é impeditivo de apoiar o Hamas na sua luta de resistência. E, Miguel, digo-lhe com toda a franqueza: mil vezes o Hamas do que esse vendido do Abbas ( creio que se escreve assim)
Com amizade
Manuel Monteiro
Xatoo,
Tome lá dois dos discursos do presidente do Irão acerca de Israel:
1º
“Se durante uma guerra nuclear cair uma bomba atômica sobre Israel, finalmente todos os 5 milhões de judeus serão mortos de uma só vez. Caso Israel ainda consiga revidar antes disso, lançando mísseis nucleares, talvez serão mortos em torno de 15 milhões de árabes – o que importa? Então teríamos simplesmente mais 15 milhões de mártires no céu, mas na terra continuarão vivos mais de um bilhão de muçulmanos para conquistar o mundo”
2º
“Os dias de Israel estão contados… Um dia Israel será aniquilado, do mesmo modo como aconteceu com a União Soviética”
3º
“Não tenham misericórdia dos judeus, não importa onde estejam,
em qualquer país. Lutem contra eles, onde vocês estiverem.
Onde quer que vocês os encontrem, matem-nos. Onde quer que
vocês estejam, matem aqueles judeus e os americanos que são
como eles, e aqueles que estão ao seu lado. Estão todos na
mesma trincheira contra árabes e muçulmanos, porque criaram
Israel aqui, no coração palpitante do mundo árabe, na Palestina”.
RB
Olhe, xatoo, até há pouco tempo pensei que se podia discutir consigo de boa-fé, apesar de algumas sarrafadas, etc.
O que diz do meu anti-semitismo seria ridículo, se não fosse uma vileza e uma calúnia consciente e deliberada.
A sua acusação de “multiculturalismo” é perfeitamente imbecil e contra-factual. Se há alguma coisa que certos camaradas me criticam é do contrário: devo ter herdado do movimento operário de outras décadas a desconfiança universalista perante toda a problemática “identitária” – aquilo a que outros chamam internacionalismo e que não vai em cantigas sobre o carácter intrinsecamente progressista das reivindicações nacionais. O folclore pode ser muito curioso, mas quem quer a liberdade e a igualdade quer também que a democracia dos produtores associados prime sobre todas as identidades secularmente impostas aos oprimidos, sobre todas as solidariedades nacionais ou religiosas. O que distinguiu o movimento operário, e é essa a lição tirar dele. não foi apenas o facto de lutar contra as injustiças particulares e a opressão particular que sofria: isso – lutar, protestar, tentar sacudir a carga – qualquer camada dominada faz. O que o distinguiu foi ligar a libertação dos trabalhadores à de todos os membros da sociedade e a todos os membros da espécie humana, em vez de se apresentar simplesmente como uma classe ou grupo social destinada a substituí-los.
Fique, pois, sabendo, xatoo, que, se voltar a referir-me a si, não será para falar consigo – pelo menos enquanto não manifestar claramente que está disposto a pôr de lado os seus métodos de discussão. Ponto final, parágrafo.
MANUEL MONTEIRO, passando agora a responder-lhe, o que penso é que não devemos, a menos que pretendamos cavar a nossa própria cova, a pretexto da conveniência táctica, apoiar candidatos a opressores, forças nacionalistas retrógadas, direcções supremas e intocáveis. O próprio Marx preferiu sacrificar a Internacional a reforçar os seus efectivos e a sua força imediata a alianças com o que lhe pareciam ser tendências golpistas e autoritárias de outras facções, que acusava de visarem “a reconstituição de todos os elementos do Estado autoritário sob o nome de ‘comunas revolucionárias’ … [tendo por] órgão executivo um estado-maior revolucionário formado por uma minoria […] … Estamos em plena Companhia de Jesus” (citado em Maximilien Rubel, Marx critique du marxisme, Paris, Payot, 2000). Para mim, isto é claro como água. E se o João Bernardo prefere estar isolado para não sacrificar nos altares da táctica as razões de ser da luta contra o imperialismo, a globalização capitalista, que é o combate pela democracia revolucionária, o seu isolamento – como o de Marx e Engels em certos períodos – será sem dúvida mais prometedor do ponto de vista das únicas vitórias que interessam do que o número superior de várias organizações coligadas. Honra lhe seja.
Cordialmente
miguel serras pereira
Ricciardi,
talvez fosse útil referenciar o site aonde foi buscar os excertos que cita e identificá-lo.
Isto sem pôr minimamente em dúvida a autenticidade das citações do grande líder e resistente anti-imperialista.
Saudações democráticas
msp
Ricciardi 15 de Junho de 2010, 18:30
as fontes originais por favor
Miguel Serras Pereira
não faz outra coisa senão transpirar estados de alma e juizos de valor sobre a pessoa. Quanto ao essencial, argumentos sobre factos, continua a dizer nada. Nestas circunstâncias aprovo que não se volte a meter em alhadas para onde não foi chamado
e enviar “Saudações democráticas” a um tipo que tem o discurso de Ricciardi também não abona muito a ser favor, carissimo republicano islamofóbico MSP
Não, Miguel, nessa pureza de principios não alinho. Prefiro sujar as mãos, cometer os maiores erros, mas estar lá, onde o povo resiste.
Esses exemplos do Marx e do Engels não se aplicam neste caso, mas, mesmo que se aplicassem; nem o Marx nem o Engels eram nenhuns deuses e é de nosso livre arbitrio ver as diferentes épocas históricas, as circunstâncias, as novas teorias e actuar em conformidade
Vou-lhe contar uma história que me contou o Diógenes Arruda, que foi um heroico dirigente do PC do Brasil e que falou pessoalmente com Staline, e que foi o próprio Staline que lhe contou esta história, que eu já vi escrita, não sei se numa obra do Lenine ou de outro autor marxista:
Um padre ortodoxo, para contrariar a influência do Partido Operário Social-Democrata Russo, pregava que a miséria e a repressão que se verificava na Rússia não era culpa do Czar; que ele não sabia do que se passava. O próprio padre organizou uma manifestação de populares para se maifestarem diante do palácio do Czar e apresentar-lhe a situação de miséria em que se encontravam e como eram reprimidos pelas forças policiais. No interior do partido travou-se então uma discussão: alinhar na manifestação para, por dentro desmascarar a igreja ortodoxa e o czar ou ficar de fora numa posição de denúncia teórica do falso pacifismo. A posição de Lenine foi que os militantes do partido se deviam integrar na manifestação para disputar a sua direcção.
Quando os manifestantes se aproximaram do palácio as forças repressivas abriram fogo e mataram, não sei se dezenas ou centenas, de pessoas. Os comunistas estavam na cabeça da manifestação e foram os primeiros a cair.
Mas o falso pacifismo da igreja e do Czar foram demascarados e assim o Partido Operário Social-Democrata Russo foi ganhando a direcção do movimento popular…
É por estas premissas que me oriento
Um abraço cordial
Manuel Monteiro
Manuel (Monteiro),
isso é quase a história da Revolução de 1905 e da invenção dos sovietes. E é bem lembrada, sem dúvida – mas não resolve o nosso diferendo.
Eu não sustento – e o JB creio que também não – que não devamos participar em lutas “parciais”, abandonar a acção legal, etc. O que não podemos é participar em acções, práticas, divulgação e propaganda de ideias, com que não concordemos porque reproduzem, revigoram, consolidam os regimes e formas de poder contra as quais lutamos.
Se o Presidente do Irão protesta contra o acto de pirataria do governo israelita, nós não deixaremos de protestar também, só para nos distinguirmos dele. Se o Presidente do Irão lança a palavra de ordem “morte aos judeus”, não podemos deixar de denunciá-la como monstruosa, em vez de a repetir ou de calar a denúncia em nome de não sei que unidade anti-imperialista. Podemos estar ao lado de católicos ou de muçulmanos em muitas lutas, mas isso não nos obriga a adoptarmos as suas formas de organização e pensamento ou a agir como se as adoptássemos. É tão simples como isto. No exemplo que me dá, os social-democratas russos não publicaram um manifesto de apoio ao czar, nem exortaram a população a converter-se ao catolicismo, nem comprometeram a sua autonomia submetendo-a à hierarquia ortodoxa.
Abraço para si, Manuel
msp
O problema, Miguel, é que eu concordo-não com as ideias- mas com as formas de luta do Hamas.
Se a Espanha invadisse Portugal e esmagasse o meu povo, com o apoio da maioria do povo espanhol – como acontece, infelizmente, com a maioria da população israelista, arrebanhada no mundo inteiro para usurpar a pátria palestina-; se eu vi-se os meus filhos e netos serem mortos ou encurralados no gueto de Lisboa, eu defendia os mesmos métodos do Hamas para defender o meu povo e para expulsar o invasor…
Terrorista? Uma porra! Eu apenas me estava a defender do terrorismo do invasor.
Miguel, posso-lhe dizer isto, que me contaram amigos que estiveram em gaza: a população palestina do gueto de Gaza é muito mais radical do que o próprio Hamas em relação às acções contra Israel. O problema é, pois, se quiserem elimimar o Hamas têm que eliminar o povo palestino porque é ele que impele e apoia as acções mais radicais contra o ocupante. E então, ó ironia da história, ficariamos ao mesmo nível dos sionistas que querem uma solução final para o problema palestino: a liquidação dos árabes ou a expulsão das suas terras, porque o radicalismo, ou o fundamentalismo, é um sentimento popular generalizado contra o ocupante. Não é o Hamas que quer a expulsão de Israel das suas terras, é tudo o povo que assim o exige!
Então, extermine-se o povo que é fundamentalista!
Miguel, não sou um teórico, recorro muitas vezes a exemplos da vida para sustentar as minhas posições. Sou um radical, no sentido marxista da palavra. Não sou um fundamentalista e adoro discutir com quem não pensa como eu, mas procuro ser firme na defesa de principios e práticas que julgo serem justas. E digo-lhe estas coisas para colocar nas discussões, por mais divergentes que sejam, um toque de calor humano…
Um abraço
Manuel Monteiro
Perdão pela intromissão mas parece-me, cada vez mais, que a única saída para o conflito é:
- Retorno às fronteiras de 1967
- Constituição de um Estado Palestiniano livre e soberano
- Mútuo reconhecimento entre os dois Estados
- Constituição de Jerusalém como “cidade-franca/cidade internacional” (não pertencendo a nenhum dos dois Estados), “gerida” colegialmente por autoridades religiosas das três religiões monoteístas que ali nasceram.
….se necessário (e infelizmente), nem que fosse por um determinado período) uma força militar de interposição com o apoio da ONU.
infelizmente o sr. Saulo chega mais de 60 anos atrasado ao assunto – tudo aquilo que sugere era o que estava previsto na resolução 194 da Assembléia Geral da ONU em 1947.
Mas logo em 1949, à revelia da ONU e com o compadrio dos EUA, Israel mudou a capital para Jerusalem e desde aí não mais parou o processo de judaização da cidade (e por extensão, de toda a Palestina), criando as famigeradas as Leis de Emergência sobre as “propriedades abandonadas” que espezinharam o direito natural daqueles que tinha expulso. Israel sempre foi um Estado ladrão, criminoso e por fim um pária internacional no (des)concerto das nações sob a batuta do Império
Manuel,
agradeço a sua franqueza e honestidade intelectual. Não estamos de acordo, mas podemos falar. E teremos ocasião de continuar a fazê-lo.
Por agora, pego só na sua hipótese de uma invasão espanhola. Evidentemente, os portugueses teriam o direito de se defender e contra-atacar. Mas fariam melhor se ao mesmo tempo que se defendiam tentassem mobilizar os povos de Espanha em sua defesa: apelando à deserção dos invasores, contactando as forças de oposição do país agressor, afirmando que os inimigos dos soldados espanhóis não eram as populações portuguesas, mas os seus generais, os membros da oligarquia governante de Castela, os grandes proprietários, etc. Os dois combates seriam um só, a luta seria, ao mesmo tempo, mais eficaz e mais justa.
Olhe que, com as adaptações necessárias, há quem tente adoptar esta atitude no caso que nos ocupa: Edward Said e Daniel Barenboim com os seus Concertos para a Paz, que se inscreviam numa acção coordenada mais vasta; organizações como a Jewish Voice for Peace; grupos de apoio e esclarecimento de opositores judeus israelitas que defendem os direitos dos palestinianos e lhes prestam assistência, ao mesmo tempo que divulgam os crimes e abusos das autoridades de Telavive. Trata-se, de resto, da linha clássica do internacionalismo: a confraternização da base das tropas contra os seus governos e os seus generais.
Dito isto, uma organização de combate coerente deveria saber no seu próprio interesse obter aliados no campo do adversário e, para isso, para fazer causa comum com eles, saber distinguir entre judeus israelitas e governo de Israel. É esta a via da construção da Internacional que nos falta, a via de uma mundialização democrática e assente na fraternidade e na perspectiva da federação dos povos capaz de vencer a globalização dominante.
Cordial abraço
miguel serras pereira
Saulo,
a sua proposta seria uma boa hipótese de trabalho a discutir pelas partes interessadas, com eventual mediação de terceiros acordados entre elas.
No entanto, embora talvez mais difícil, a ideia de uma só república não confessional, também não seria menos interessante.
De qualquer modo, o mais importante seria que as partes se reconhecessem e encetassem negociações. E é também o mais difícil de conseguir sem conjugação, mais ou menos coordenada, de esforços de forças e movimentos dos dois lados.
A única coisa que me parece inaceitável na sua proposta é a ideia de reconhecer poder político-administrativo às religiões. Jerusalém como cidade franca, sem dúvida. Cidade governada por três religiões coligadas, nunca.
Saudações democráticas
msp
Só me pa
Xatoo,
Essa sua tentativa de querer branquear o “querido líder” Ahmadinejad emocionou-me! [ Chuif...]
iniciativas como a de Daniel Barenboim dos Concertos para a Paz, organizações como a Jewish Voice for Peace, cuja filosofia também levou lá (não esquecer*) o Mourinho num jogo pela paz com o Betar – são todas do mesmo género de esmola caritativa que pretende substituir a plena cidadania; são sempre produzidas como correia de transmissão do Estado dominante
não esquecer* a religião e o futebol competem pelo adormecimento do povo no estado de crise permanente em que transfomaram o Médio Oriente