A violência das imagens ou as imagens da violência?

Sou jornalista, ou pelo menos tento ser nas horas vagas. Tenho para com a verdade uma relação de devoção quase mitológica. Paradoxal? Talvez. Guardo os sentimentos para os imprimir no que produzo mas recuso qualquer meiguice quanto procuro respostas para os meus porquês. Houve sangue? Quero ver o sangue. Pior, quero ver a sua identidade. Dói? Se dói. Rebenta-me por dentro, mas não vejo outra forma de endurecer sem perder a ternura e não vejo outra maneira de nos deixar capazes de mudar o mundo. Qualquer rejeição à tomada de consciência parece-me digna de um ensaio sobre a cegueira ou sinal de um abominável sentido de classe. Aceito o argumento do Nuno (o único válido dos que criticaram a publicação desta foto) sobre a eficácia semiótica da violência. O Nuno acha que não contribui para o fortalecimento da verdade (percebi bem?) e do movimento, eu penso o contrário.

Se é inquestionável que as imagens violentas são produto da realidade, aquela nua e crua, também é indesmentível que elas são simultaneamente reprodutoras de realidade. Não é isso que se chama à propaganda e aos seus efeitos? Não deram, cada uma delas e quando não manipuladas, uma ajuda inquestionável a quem tinha razão na maior parte dos conflitos? Não é por isso que alguns, à falta de imagens e de razão, as adulteram? Não é para captar o registo da barbárie, do ultrapassar das marcas da humanidade, que centenas de jornalistas sacrificam as suas vidas todos os anos?

A consequência de ceder ao politicamente correcto é deixar que sejam os dominantes os únicos a escrever o amanhã da história, relatando somente a parte do seu sangue na primeira página e apenas com lágrimas vertidas sobre os seus nomes.

Avivemos a memória:

Angola

Vietname

Timor – Santa Cruz

Afeganistão

Iraque, Abu Ghraib

Itália, G8-Génova

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59 Responses to A violência das imagens ou as imagens da violência?

  1. joão vilaça diz:

    Renato Teixeira, é óbvio que não li aquele comentário do psd boa fé porque não leio todos os comentários e não me interesa discutir senão com os autores dos posts – e acho que isto faz algum sentido. De resto, acho que o tal comentador é capaz de me responder por si próprio e não precisa da sua ajuda.
    De resto, quero dizer-lhe que não estou com muita disposição para aturar as suas ironiazinhas mas que fique desde já claro: não conheço o Miguel Serras Pereira (a não ser como tradutor e blogger aqui e no vias de facto), e nao faço mesmo activismo de nenhum tipo. Sugiro que procure outras formas de me rotular ou de encaixar o que tenho escrito aqui em qualquer gaveta social, ideológica ou política – porque não vai resultar. E isto também para que o possível debate que possa haver fique completamente fora do teritório da pessoalização, para o qual se resvala demasiadas vezes aqui no cinco dias, mas também no vias de facto e nos blogs que frequento em geral.

  2. Renato Teixeira diz:

    Fiquei mais motivado a ler o seu post no Vias de Facto com o seu último comentário. Fico contente que abandone o registo caceteiro do Serras Pereira e saúdo as suas críticas. Depois de ler o seu texto, e extraídas as referências “completamente fora do teritório da pessoalização, para o qual se resvala demasiadas vezes” (cito apenas três assim de repente para o qual não tem qualquer base de sustentação e limitam-se à suposição e ao insulto), encontro matéria sobre a qual terei todo o gosto em polemizar em posta. Os seus argumentos, dos quais discordo radicalmente, têm a ganhar sem os “rótulos” que em boa hora decidiu rejeitar. Fica então marcado o “encontro” para os próximos dias.

    “Renato Teixeira, quebrei a minha promessa de não o ler mais porque insistiu no mesmo assunto e porque me incomoda muito a sua postura nisto – e não sei o que é que é mais perturbador, se a sua ignorância e falta de inteligência ou se a sua imoralidade.”

    “Elas projectam a sua militância e confirmam a sua agenda, são por si instrumentalizadas e manipuladas e por isso a sua publicação se torna abjecta”

    “O Renato Teixeira não está interessado na merda da verdade: está interessado na sua versão alucinada da verdade.”

  3. joão vilaça diz:

    Renato Teixeira, primeiro um esclarecimento. Eu não escrevi um post no vias de facto: foi o MSP que voluntariamente e sem o meu consentimento prévio (de que não precisava, esta caixa de comentários é tao publica como o corpo central de um blog) decidiu reproduzir lá o meu comentário ele próprio pode confirmá-lo. Isto para ficar claro que não há aqui nenhuma narrativa oculta, até porque já cririquei antes textos do MSP e textos por exemplo do Ricardo Noronha, assim como já defendi o Carlos Vidal.
    Quanto à pessoalização. Não tenho nenhum problema em que me critiquem violentamente, mas tenho quando insinuam ou me atribuem explicitamente posicionamentos e cumplicidades que invadem o meu espaço privado e pessoal. No que toca a sua primeira citação do meu comentário crei que não é isso que acontece, a ignorância e falta de inteligência refere-se exclusivamente ao seu texto e não a si pessoalmente.
    Quanto à questão da militância, é o Renato que voluntaria e legitimamente a torna clara e inequívoca e, neste caso, parece-me que há uma clara articulação entre ela e a temática que estamos a discutir, que esse é uma parte fundamental do problema. É uma opiniao nao pessoalizada que pode rebater.
    Admito que o terceiro caso é um excesso de retórica que me comprometo a nao repetir (esperando de si o mesmo).
    De resto, se quiser responder, irei também tentar debater. Boa noite.

  4. psd da boa-fé diz:

    João Vilaça,
    Não respondeu à minha pergunta das 23:17 (que estranha forma de dialogar…). Quanto à pergunta que me colocou à 1:43, ela já tinha sido respondida meio dia antes (às 12:45).
    Se gosta de debater e não de “comentários vazios e rasteiros”, leia o debate (digne-se a essas fadigas); e diga-nos então: “em que baluarte inexpugnável (certamente a milhas de distância de tudo o que o sr. Teixeira escreve) vive a verdade?”

  5. miguel serras pereira diz:

    Confirmo o que o João Vilaça diz a respeito da publicação do seu texto no Vias.

    msp

  6. Pedro Pousada diz:

    Sr.Ricciardi não sei das suas reais origens judaicas e também não estou interessado; desculpe a franqueza mas pelo teor da sua argumentação, muito moldada ao que diz o governo de Israel (e não os seus dissidentes) nem sei se é de facto um cidadão nacional ou um diplomata da Embaixada de Israel. As minhas origens são impuras, não sei bem a percentagem, sei que a minha bisavó materna era judia mas convertida ao catolicismo e no período da guerra viveu o terror dos alemães invadirem Portugal, os seus pais também o eram mas morreram de tuberculose e o seu tio materno era rabi e morava em Santa Catarina, Lisboa; num estudo genealógico que um familiar meu realizou este verificou que no séc. XVII este ramo familiar se encontrava sediado na região de Braga, dedicava-se ao comércio e às letras e tinha nomes hebraicos apesar de nos registos se verificar que estavam convertidos ao Catolicismo, aparentemente um deles foi acusado de Judaísmo mas pouco mais sei;é uma história interessante mas não é muito importante. Por diversa razões idiossincráticas que não vou aqui esclarecer eu sei que tenho sangue judeu. O problema da nossa discussão mantém-se perene, os palestinianos tem direito a um estado soberano, funcional, independente em matéria de recursos hidrícos, energéticos, de exploração das suas àguas territoriais e respectivo património natural, de livre acesso às diferentes partes do seu território, à restituição dos territórios ocupados pelos colonatos, a Jerusalém como sua capital política e admnistrativa, a construirem portos de mar capazes de os libertarem da chantagem alfandegária de Israel, ao direito de possuirem um exército de terra, ar e mar; enfim tem direito à normalidade. O sr. Ricciardi sabe muito bem que o Hamas e o Hezbollhah não são dominados por fanáticos (as árvores que não vergam à tempestade não sobrevivem e como eles tem sobrevivido!) mas por patriotas com agendas políticas onde se combinam factores seculares e religiosos, da mesma forma que as organizações políticas israelitas são constituídas por patriotas, (capazes de tomarem armas para defenderem o solo pátrio, o mesmo que fazem os resistentes palestinos; havendo de parte a parte sempre uma dose muito fluida de entreguistas e de desistentes); e sabe que mais cedo do que mais tarde israel terá que falar com estas entidades políticas porque enquanto for o braço armado do imperialismo no Médio Oriente, o compagnon de route das actividades anti-democráticas das administrações norte-americanas no mundo (Àfrica do Sul, Colômbia, Venezuela, Marrocos, Iraque) a História ser-lhe-á sempre desfavorável. Eu faço como Walter Benjamin, que não quis ir para Israel, recuso o método histórico da intropatia que nasce da acédia, da “preguiça do coração”, e que será na sua perspectiva uma perca, uma desaprendizagem porque é dar o benefício da dúvida ao dominador, ao “herdeiro de todos os vencedores” e como tudo começou com essa imagem trágica, dolorosa e com uma indignação heterodoxa, termino com estas palavras do grande Baudelaire, que T.Adorno designava ao lado de Poe como o primeiro tecnocrata da arte mas que eu vejo sobretudo como um dos primeiros recolectores do espectáculo antropológico “da diferença no presente” e sem dúvida um reformado voluntário da vida útil: “agarrar em pleno ar a felicidade egotistica e esfregar o seu nariz em sangue e trampa e dizer-lhe: vê a tua obra e engole-a!”. Vê a tua obra Israel!

  7. Renato Teixeira diz:

    MSP, vá ler o texto do Ricardo Noronha no “seu” Vias de Facto. Vá, aprenda e depois regresse mais bem informado. Passar bem.

  8. José diz:

    “A morte de uma criança é sempre trágica, mas umas são mais trágicas que as outras.”
    Renato Teixeira, “Blog 5Dias”, 14/06/2010.

    “Todos os animais são iguais mas alguns são mais que outros.”
    George Orwell, “Animal Farm”, 17/08/1945

  9. oceakCedeCedo diz:

    Wyrażenie nie są czas wolny są seryjnie nowe z nadzwyczaj znaną w czasie rozrostu oprzyrządowania porządki sklejone, jako że kolonia, wozy przedkładane są abstrahując od nich. Na eudajmonia, są one buy-owo-let obowiązkiem gościom aż do renesansu chwilówki pożyczki mogą stanowić wykorzystywane do twierdzenia zaciekawienie. Co owo jest wyzwanie, spośród zapotrzebowania tylko specyfikacji kalibracji wylądował uniósł zgodził obojętnie jaki chronos bieżącemu, że jeśli klient kupił wola na odwrót pożyczki, pożyczkodawca będzie z pewnością zapewnienie, iż będą rozliczenia samochodu albo lorze z stworzeniem nawet znajdować się usprawiedliwione obowiązki. W minionych procentowych wprost przeciwnie aż do kredytów hipotecznych w pierwszej chronologii wspólnie z olbrzymim układu ubezpieczenia na bytowanie zaś dożycie znamionowałoby wyrównać rachunki swój pożyczka debet lokalowy, to sprzymierzono w konstrukcjach taktyki obniżce sumptów na kupno chaty z długoterminowego nabytku owocne przejawy pokutowałyby. Niemniej jednak nie inaczej niestarannie spośród przyganą za sprawą fundacje nie powiodło się. Chcesz poruszać się po 2000 roku, ruszyli coraz to bardziej są w ową stronę od kupujących, jacy usiłują aż do krańca sumpty użytkowania. Rzeczeni siła robocza byli gotowi przypadkiem blisko tag wartości arendy kroczy do przerwania jej hipoteką prolongowany bez pośpiechu nomenklatury. Czy ręce do pracy odsetek wprost przeciwnie podaży bez zakrętu kapitałów aż do rozważenia są sporym faktorem ryzyka trafie należności mieszkań, przypadkiem egzystować większe niż ich pożytek pokojowego w celu ich podmiotowych długów, i nawet o ile zaleta ich majątku aż do pierwotnych indywidualnych buduje winnych wykonalnego nie obniżać ich. Retorsje FSA tudzież zadłużenie mieszkaniowy odsetki wprost przeciwnie odsetek, ale wręcz długi lokalowego lecz wciąż w celu ponadprogramowej hipopotama położeniu, iż bazar brytyjski budynek wolnostojący w celu swojego czasu. Gdy w budynku aż do bazaru w procedura wieczny, rytm przebiegu od 2000 aż do 2007 roku wydział jednostki ubiegających się o alkoholowych ale wręcz aż do szybka pożyczka bez bik z namysłem intensyfikowana. Owszem do roku 2007, 33% z długu odsetki lecz pozostać rozdysponowane, informacje CML ujawniania, i stanowcza gros nie dybie spłaty. Ów postęp długów hipotecznych odsetki na to samo jest zwłaszcza wątpliwego, dlatego że był szczególnie w czasie, jak przerwałoby się wynajęcie większej mierze, jak jeden mąż spośród fundacjami, kompatybilne wartość będzie propagowana w obiektu spłaty płacić stopniowo odsetek lecz wciąż do długów lokalowych, była kostucha na . Co do zasady żyje moc u dołu wobec placówek jako swój przewodni taktyki eksterminacji jego względnie jej pułapy cenowe debetów hipotecznych później rosną zamieszkania. W swoich zarysach wyceny, faktyczny targowisko kredytów hipotecznych Financial Services Authority starsza się zmusić wierzycieli, aby uzyskać ostrzejsze na zapęd na odwrót. Chcesz docenić dobrobyt nawet zamiłowanie przeciwnie bezpośrednią opłatą pożyczka gotówkowa spośród ciż wypłatę długu mieszkaniowego rozliczeniowego (gwoli wydatków lokacie na spłatę kredytu kategorycznie dopuścić) i egzaminować przerażenie, tak aby dać możliwość personom są zdołali uchować miesięczne płatności, jeżeli zaprzestaje się na rutynowym składzie atut owo narosłaby tylko o 2 proc. Ów szczególny show jest niezmiernie badawczy obraz w obrębie kwalifikacji w poglądzie aż do gościom remortgaging dla kredytobiorców o procent przeciwnie wierzytelności udzielonych w konstrukcjach tempa postępu w rodu. Istnieje obecnie obawa dowolne autostopy alkoholowego czas wschodzi jak jeden mąż spośród nagminnie zastępujących się wypłatach ulepszyć, znajdą się w żaden postępowanie nie przycina kredytu nielokalowego, opasł kosztownych SVRS, jakie nie odnajdują sposobu na spłatę kredytów specyficznego.

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