Estaline bem nos avisou: atenção aos desvios de direita (em que os provenientes da “esquerda” são os piores)

(Sobre a estreia de Inês de Medeiros na blogosfera)

Bom, parece-me que a deputada (e ex-actriz?) Inês de Medeiros enfim se estreou esta semana no blogue dos deputados do PS, com um texto tão longo e banal que, confesso, o tentei ler dez vezes sem nunca ter chegado ao fim. Essencialmente, serve o seu texto para criticar aquilo que a deputada chama de esquerda à esquerda da sua “esquerda”, facto que não concebe poder existir e, a existir, só pode ser indigna (uma esquerda que, por acaso, é a minha). Às tantas pergunta pelas nossas referências deste modo: “só Alain Badiou?” Não, também, claro está, as referências do mesmo Badiou. Estas: Robespierre, Saint-Just, Babeuf, Blanqui, Bakunine, Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Lenine, Trotsky, Estaline, Mao Tse-Tung, Enver Hoxha, Guevara, Fidel…

Mas não era aqui que eu queria aportar (até porque a deputada considera esta lista proibidíssima!). Não era aqui que eu queria chegar, era a outro ponto do seu magnífico texto; leio-a, releio-a e quase não acredito:

Só não concebo nem aceito mais o domínio absoluto da lógica financeira que esteriliza o próprio pensamento económico. Não aceito a sua falta de visão. Não aceito mais esta permanente gestão do presente, este imediatismo sem projecto nem perspectiva. Sem ideias, sem valores, sem ideal. O permanente diktat de quem não tem qualquer problema em assumir que não é uma ciência exacta mas mesmo assim exige ser tratada como tal. “Não há outra solução” repetem incansavelmente. E sobretudo não aceito, como cidadã portuguesa e europeia esta total e absoluta ausência de pensamento politico no que ele tem de mais nobre.

Diz isto a deputada e eu não sei a quem se refere, pois diktat exclusivamente financeiro (e sem pensamento económico) é o do seu “partido” desde a sua fundação (anos 70, malvados anos 70). O défice, cara sra., o défice de 3% (!!). Essa obsessão única!

Poderia, a este propósito, citar António Vilarigues, ontem, sexta, no “Público”: “Andam por aí uns sujeitos que insistem em não nos explicar o porquê do limite de 3% do PIB para o défice das contas públicas. Qual é a lei que dita tal barbaridade?” Saberá Inês Medeiros responder. NÃO, por certo. Não sabe mesmo. Até porque o tempo em que o ex-presidente Sampaio dizia mais ou menos em nome do mesmo “partido” que “há vida além do défice” há muito morreu, às mãos de Teixeira e J Sócrates.

Mas afinal que partido é este em que tudo se pode dizer (como por exemplo fazer críticas à “gestão financeira corrente”, simular uma postura política crítica e, no fundo, não saber sequer o que isso é)? Este partido é a demonstração de que há um lugar, um “partido”, de onde tudo pode vir e tudo instalar-se; e se de lá tudo pode vir ou tudo instalar-se, o que devemos criticar acesamente é o “partido” em causa e não as pessoas. Os protagonistas não interessam, claro – já o sabia Estaline. O que interessa é este caldo de onde vêm ou se instalam Jorges Coelhos, Sócrates, Vitorinos, Vitais, Ricardos Rodrigues (e porque trabalhou com Pedro Costa e Rivette, poupo Inês a esta lista). Que “caldo de cultura” é este? Tinha razão Estaline (vê, Inês, uma referência) quando dizia que não são as pessoas, os nomes, o problema. O problema é o que ele chamava “desvio de direita” e eu chamo “caldo exótico de cultura” (o PS, em resumo). Caldo de oportunismo de fachada social-democrata. Não gostam do georgiano, pois cá vai, e sempre que necessário:

Erram igualmente os camaradas que na discussão do problema do desvio de direita orientam a sua atenção para aqueles que representam este desvio. Mostrem-nos, dizem eles, os homens de direita, digam-nos os nomes, a fim de que os possamos liquidar. Esta maneira de pôr a questão não é justa. De acordo, as pessoas desempenham um certo papel. Mas não se trata aqui de pessoas; trata-se das condições, das circunstâncias que engendram o perigo de direita (…). [Discurso de 1928]

Resumindo, o problema não é J Sócrates, é mesmo o PS todo e a sua “escola”.

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48 Responses to Estaline bem nos avisou: atenção aos desvios de direita (em que os provenientes da “esquerda” são os piores)

  1. Não te metas com a rapariga, aquilo vai ser sol de pouca dura, é um génio, a sua obra única e permanente, o seu valor económico é fruto da veracidade da sua autoria e da reconhecida e merecida fama do seu criador, melhor, apenas mais um dogma da fé.

  2. Saulo diz:

    AH!!….O “Paisinho dos Povos”!!

    Inesquecível!

    Grandes ensinamentos!

    “Melhor” (vai com aspas por respeito ao Glorioso Líder da inesquecível e saudosa CCCP) do que Dzhugashvili só mesmo esse grande vulto da Democracia participativa (do género “ou-participas-a-bem-ou-participas-a-mal-mas-participas”) e da Liberdade chamado Lavrentiy Pavlovich Beria!

  3. sergio diz:

    nosso senhor livre homens como oCV de algum dia chegarem ao poder
    este estaline tuga passava tudo o que é do pc à direita a fio de espada “Mostrem-nos, dizem eles, os homens de direita, digam-nos os nomes, a fim de que os possamos liquidar.”
    carlos grande homem….

  4. Saulo diz:

    ““Mostrem-nos, dizem eles, os homens de direita, digam-nos os nomes, a fim de que os possamos liquidar.”

    O Sérgio está completamente equivocado.
    Como “revisionista menshevik” está a intepretar mal as palavras do grande “Paisinho dos Povos”.
    Esta expressão apenas demonstra o profundo humanismo de base renascentista (e Iluminista) do líder da nossa querida CCCP, a sua infinda benemerência (em prol do proletariado selvaticamente explorado pela burguesia (eternamente) decadente) e a sua profunda moral. Sim, MORAL! (ou Ética, para os menos dados a associações com coisas tão reaccionárias e/ou fascizantes* como a Religião…)

    *só não digo Nazis porque estes, segundo se diz, eram mais dados ao Paganismo.

    Deixo aqui um “presente” aos leitores deste blogue:
    http://www.islamdenouncesantisemitism.com/thepagan.htm

  5. Von diz:

    O problema é reduzir-se a humanidade a um cruzamento: direita, centro e esquerda.

  6. Marota diz:

    Estaline não só avisou muita coisa, ele também é responsavel pela morte de mais de 20.000 pessoas. A irmã da minha amiga, que é cubana, anda à espera de autorização para poder sair do país há muitos anos, mas ainda não conseguiu autorização. Será que ser-se do PCP é a mesma coisa que ser-se do Benfica? Cumps – Marota

  7. simples diz:

    Saulo não te esqueças que o paizinho(é assim q se escreve português!)dos povos, era judeu e,mandou os seus filhos lutarem contra a barbárie capitalista nazi-aliás,seu filho Isaac(porquê este nome,sr. Saulo?) foi assassinado pela corja nazi devidamente apoiada pela elite financeira e industrial(Ford,….)

  8. simples diz:

    CV,os braganzamothers é que lhe ‘canta’,eheheh….

    http://braganzamothers.blogspot.com/

  9. Abílio Rosa diz:

    De facto o actual problema do PS não se resume à má influência e prestação do actual PM.

    O grande problema reside no grupelho proto-ideológico que tomou conta daquele que já foi um partido «socialista».

    A «entourage» que rodeia o Admirável Líder dos «Sucialistas» é fundamentalmente oriunda duma ex-ruidosa e nefanda extrema-esquerda (sem esquecer os oportunistas e renegados que vieram do PCP) em alegre convívio e santa aliança com sectores oriundos da Direita mais neo-liberal (sem esquecer os omnipresentes camaleões dos negócios e do mercado).

    A juntar e colorir esta amálgama adiciona-se alguns «artistas», alguns «pulhitólogos da treta», alguns uns «jornalistas avençados», algumas umas personalidades «bué de fracturantes» mais uns «jovenzinhos» à procura de carcanhol e ascensão social meteórica, e aí temos, em todo o seu explendor o actual PS.

    Um partido que renegou as suas preocupações sociais. Um partido que com a sua nefasta acção governativa agravou as injustiças sociais. Um partido que tem mentido descaradamente e explorado as populações mais humildes, pobres e excluidas.

    Não tenho dúvidas algumas que o PS (Partidos dos Sucialistas) terá um fim trágico.

    Não merece outra coisa.

    E que Deus nos oiça!

  10. Carlos Vidal diz:

    Sim, espero que sim, Abílio Rosa, que Deus o oiça.

    Sempre me interessou esta ideia: não é forçosamente original nem originária em Estaline, mas foi nele uma obsessão. Certeira:

    A esquerda tem na esquerda o seu maior inimigo.
    Goste-se ou não disto, a realidade está sempre a confirmá-lo.

  11. É lamentável que tenha apagado o meu comentário que lhe indica o regulamento do Conselho Europeu onde estabelece os limites de endividamento dos Estados-Membros… é revelador do Estalinismo apregoado. Enfim…

  12. tenho cá na horta dois bons amigos que procuram por ti.
    Cá estão:
    http://almajecta02.blogspot.com/2010/06/panico-no-5-dias.html

  13. augusto diz:

    Depende é o que o Carlos Vidal entende por esquerda….

    Mas quem viveu os anos de brasa de 74 e 75 , sabe que o grande inimigo para o PCP, era a esquerda…. com a direita confraternizava alegremente , nos vários governos provisórios mesmo depois do 25 de Novembro.

    Nessa altura Estaline era nome quase proibido no PCP, hoje pelos vitos já não….

  14. “Sim, MORAL! (ou Ética, para os menos dados a associações com coisas tão reaccionárias e/ou fascizantes* como a Religião…)”

    Sim, porque não só a moral é uma coisa religiosa, como é sinónima de ‘ética’..

  15. miguel dias diz:

    A velha táctica do Carlos.
    Nada como uma foto do grande Koba e uma citação fora (ou dentro) de contexto para excitar as mentes mais sensíveis.
    Para quem é bacalhau basta (e não há Pedro Costa que a valha), mas
    quem não te conheça que te compre!
    (querias comentários não querias?)
    abraço para o Soul.

  16. Carlos Vidal diz:

    Jecta, sinceramente. Grande foto!

    Claudio Carvalho,
    O seu comentário anterior não vinha com nenhuma indicação, que agora nos providenciou.

    De qualquer modo, a que propósito fez esse envio para esta caixa de comentários?
    Explique-se melhor: quem é “estalinista”? Eu? A União Europeia?
    (A vuvuzela? quem, afinal?)

    Grande miguel, construtor de países,
    Então o tema da “esquerda versus esquerda” não é coisa interessante e premente?

  17. antonio diz:

    Será que as pessoas não sabem ser sintéticas hoydia ? (Já dê cursos sobre o assunto, não pensava ter que voltar a fazê-lo…) 🙂

    Desisti de ler ao fim do 3ºparágrafo de auto-justificação, tenho mais o que fazer, a môça que se vá entreter nos Jardins du Luxembourrg, ou em Nation, ou num arrabalde (Juvisy ?)

    Parvalhona…

  18. Manuel Monteiro diz:

    Não sei se será boa táctica, a propósito das bocas disparatadas de uma pequena-burguesa desaustinada, meter o Stalin ao barulho para, como diz o Miguel Dias, “excitar as mentes mais sensíveis”.
    Gostaria de falar de Stalin e do Stalinismo num debate mais sério e aprofundado, mas isto sou eu a falar que me considero da velha escola…

  19. miguel dias diz:

    Pois, pois. Duda ou Fábio Coentrão, eis a verdadeira questão à esquerda.
    Que poderia o grande pai dos povos nos dizer a propósito?

    (olá Alma, tás bom e a família tudo jóia?)

  20. Carlos Vidal diz:

    Deixe-me que lhe diga, Manuel Monteiro, tem toda a razão, ou quase toda.
    Eu tenho-me limitado a introduzir temas ligados a Estaline, outros têm aqui deixado textos/comentários (em caixas minhas) francamente interessantes, importantíssimos (destaco o Pedro Pousada).
    Introduzi vários temas:
    – devem ser os comunistas a discutir Estaline, e não deixar aos do costume a criminalização do costume (mais velha que o mais velho dos “socialistas democráticos”)
    – a vitória da II Guerra, a rapidez da vitória, deve-se à URSS
    – a ideia de que a esquerda (ou uma dita “esquerda”) é a maior inimiga da esquerda comunista

    Por agora, vou continuando propondo temas soltos, sem prejuízo de um longo debate (assunto que mereceria um blogue próprio, confesso).
    Cumprimentos solidários.
    CV

  21. ezequiel diz:

    aprox. 20 anos depois desta grandiosa afirmação, aqui colocada por V Exa, o georgiano transformou o campo Buchenwald num gulag…

    “Qual é a lei que dita tal barbaridade?”

    seria uma seca se a a sensatez se manifestasse sob a forma de uma lei.

  22. lucklucky diz:

    “a vitória da II Guerra, a rapidez da vitória, deve-se à URSS”

    O início da Segunda Guerra e as dimensões que tomou devem-se à criminosa URSS, a mesma que durante a Guerra Civil em Espanha andava a negociar navios de guerra com Mussolini.

    Sem a Industria dos EUA nada teriam conseguido.

  23. sergio diz:

    ò carlos
    o Pacto Molotov-Ribbentrop não te diz nada?????
    é que morreram uns quantos polacos….

  24. Carlos Vidal diz:

    E o pacto anglo-franco-alemão, directa e indirectamente para destruir ou “dobrar” a URSS, realizado no ano anterior, diz-lhe alguma coisa?

    Quer comentar?

  25. antonio diz:

    O Stalin era um tipo tão nojento que até a filha dele se exilou e depois se suicidou, em calhando para não ter que o aturar mais.

    No dia em que o meu filho tiver essas intenções, sou eu que me defenestro
    🙂

  26. Abílio Rosa diz:

    Não fosse a URSS e os 30 milhões de russos mortos na II Guerra Mundial, esses «liberais» da treta e «neo-conservadores» a esta hora estavam todos sob a pata do III Reich.

    E esses «sionistas» ingratos e oportunistas nem se quer andavam por aqui a contar histórias da carochinha.

    Razão tinha um padre ortoxo russo em elevar José Estaline a santo da Igreja Ortodoxa.

    Salvou os povos eslavos e da Ásia Central de escravidão certa!

  27. Manuel Monteiro diz:

    Carlos
    A questão do Staline sempre me interessou muito. Devido a esta questão afastei-me do PC, logo a seguir ao 25 de Abril, e participei na fundação da UDP e do PCP(R), que tinham o Staline como o grande dirigente da revolução bolchevique, o libertador dos povos, o iminente teórico. Mais tarde, com o Francisco Martins Rodrigues, na revista Politica Operária, encetámos uma análise sobre a degenerescência da União Soviética e chegámos à conclusão que o Staline teve um papel importante nesta degenerescência.
    Claro que não alinho na crítica burguesa aos “crimes”, mas parte da constatação que a revolução estagnou, burocratizou-se, liquidou os sovietes e deu todo o poder ao partido, ao estado, às polícias porque não tinha condições objectivas para seguir o seu caminho. Faltou à revolução Bolchevique as revoluções nos países industrializados, onde havia um forte proletariado – o que não acontecia na União Soviética, que era um país feudal, maioritariamente camponês – como era o caso da Alemanha, da Inglaterra, da França.
    Manuel Monteiro

  28. sergio diz:

    isto é melhor que ir ao museu do comunismo

  29. Carlos Vidal diz:

    Permita-me, Manuel Monteiro, que lhe cite dois excertos do “Anti-Dimitrov” do Francisco Martins Rodrigues (que certamente conhece melhor do que eu, pelo menos conheceu o autor pessoalmente):

    – “Em 1927, a revolução russa chegara a uma encruzilhada (…) ou, para manter a economia em funcionamento, se alargavam as cedências à pequena burguesia nepista, engordada à sombra da NEP (…) ou se declarava guerra á burguesia nepista e nesse caso a única saída era substituir rapidamente a economia kulak por uma agricultura colectivizada e uma grande indústria a servir-lhe de base”

    Repare, a opção de Estaline é a segunda; Martins Rodrigues critica Estaline, mas vê-o como uma inevitabilidade, a sua era a única opção possível (ou qualquer das duas, Bukarine ou Estaline, eram más, mas a segunda era uma derradeira tentativa para salvar o possível da revolução).

    Ainda:

    – “Esta experiência ajuda a compreender que a stalinismo não foi uma aberração, mas uma tentativa de romper o laço pequeno-burguês que estrangulava a revolução russa”.

    Mas, conclui depois o autor:
    “Tentativa tardia”.

    Enfim, poderá aqui começar uma discussão. Estamos de acordo, à discussão nada serve a criminalização barata.

  30. Nhá sonho Semita!!!!
    ‘m crê dançar cum bô ao som di música di Mao!!!!
    Roça, roça em nha cintura!!!!

  31. antonio diz:

    Abílio Rosa, está tão ao lado que até faz pena….

    Esse fulano demitiu/executou uma boa parte dos militares que fizeram a guerra por ele (poix, ele estava lá refugiadinho num safe place qualquer, a dar ordens ou algo que o valha, pior que Napoleão B.).

    Depois resolveu “reorganizar” lá aquilo, de modo que houve milhões de pessoas mudadas de uns sítios p’rós outros, e agora há problemas à conta disso.

    Só me pergunto, na minha ingenuidade, se tu e a tua família gostariam de ter estado quer na primeira quer na segunda das situações…

    😉

  32. Pedro Pousada diz:

    Carlos não sei se os comentários continuam mas gostava de reiterar/repetir umas observações que fiz há semanas num post deste blog e que tentei publicar no pluralista jornal Público sem sucesso; pode ser útil para a discussão e para informação (já vi que sobre Stalin há muita deformação e são precisos anti-flamatórios fortes para curar tanto preconceito).
    Aqui vai:
    Ao contrário do que escrevem os propagandistas anti-soviéticos dentro e fora da Rússia, a restauração capitalista eufemísticamente designada por período de transição, foi muito mais mortífera do que possam ter sido, (e isso é uma discussão ainda em debate), a colectivização da terra, a industrialização acelerada e o período do terror nos finais dos anos 30 (o debate a que me referi é protagonizado por historiadores sérios e não por propagandistas a soldo de agendas políticas, vide o livro de John Arch Getty de 1985, origins of the Great purges: the Soviet Communist Party reconsidered, 1933-38, e a colectânea de artigos organizado por este em 1993, Stalinist’s Terror). 3 milhões de mortes é o número que o Professor Steven Rosefield da UNC-Chapel Hill fornece sobre a crise demográfica da década de Ieltsine, o Professor Stephen Cohen estima também que nesse mesmo período houve mais órfãos do que nos quatro anos da Grande Guerra Patriótica e o relatório de 1999 do PNUD corrobora essa mortalidade salientando, o reaparecimento de doenças infecto-contagiosas (Tifo, Cólera, Sífilis, Malária) há muito desaparecidas, o aumento da população toxicodependente para números assustadores (2 milhões actualmente), o aumento do alcoolismo (não só entre os homens mas também entre as mulheres), a quebra na esperança de vida dos adultos, assim como o facto que as taxas de mortalidade na federação russa e nos territórios asiáticos na ex-URSS serem nos finais de 90 superiores aos da China e da Mongólia.
    O modelo historiográfico convencional é que a União Soviética e a experiência concreta do socialismo num só país, (e depois da segunda guerra mundial num bloco de países), foi uma colossal maré negra. A defunta URSS surge como uma segunda ontologia do mal, (sendo a primeira o Nazismo).
    Nessa glosa funérea e penitenciária cabe ao senhor Stalin, o papel de timoneiro. Assim temos que o mais famoso georgiano da história da Rússia, embarca na história da humanidade como agente fúnebre do socialismo (nota curiosa: essa acusação é referida a maior parte das vezes por empedernidos inimigos do socialismo, seja ele de que natureza for) mas sobretudo como um sociopata com uma inclinação irracional e recorrente para resolver os problemas da economia e da sociedade através de deportações, purgas e fomes planeadas (consulte-se a este propósito Mark B. Tauger um historiador que no seu artigo Natural disaster and human factors in the soviet famine of 1931-33 (2001) desacredita a tese das man-made famines).
    No fundo recuperam o arrazoado anti-soviético da chamada tendência trotskista que define o segundo líder soviético como um belzebu thermidoriano…a esse curriculum acrescentam-se as caricaturas requentadas emanadas dos aparelhos de propaganda do senhor Goebbels, dos fascistas ucranianos, dos apóstolos da democracia e da liberdade (estou a ser irónico) que foram a Polónia de Pilsudsky e do movimento Sanacja, a Hungria de Horthy ou a Roménia de Antonescu, caricaturas que por sua vez foram recicladas pelos think-tanks do Pentagono e do Mi-5 disfarçados de insignes escolásticos de sovietologia.
    A verdade é que o desempenho de Estaline, do seu Politburo e do Partido Comunista Soviético foi bem mais complexo e contraditório e que o positivo e negativo no curriculum de Estaline estão abertos a um debate e a uma investigação que ainda estão nos seus alvores; não nos esqueçamos que os arquivos soviéticos continuam a ser de acesso limitado, que as autoridades russas filtram as consultas dos elementos documentais sobre as Purgas e outros momentos trágicos da URSS, a entrada é apenas dada aos historiadores e académicos que alinham com a tese que criminaliza Estaline, e mesmo esses tem uma apreensão limitada do material de estudo; recentemente o neto de um dos generais que presidiu ao julgamento de Tukachevsky e que posteriormente seria julgado por traição por estar implicado na mesma conspiração, consultou o dossier do seu avô e o que disse foi que quando se abrissem de facto os arquivos estes teriam o efeito de um tiro de canhão sobre certas verdades adquiridas acerca de Estaline e da sua época. É óbvio houve sofrimento de inocentes, crimes, houve deportações, crises alimentares; agora é preciso colocar tudo isso no seu contexto.
    Mas ouçamos o que tem para dizer a historiografia contemporânea sobre a época soviética e sobre Estaline em particular: no seu estudo The Stalin Era, Philip Boobbyer (2000: 1-13) afirma que a extensão do poder de Estaline e a sua capacidade de tomar decisões e de as impor ao colectivo partidário e ao aparelho de estado alterou-se ao longo dos anos em que se manteve no poder. Martin Talia (The Soviet Tragedy: A History of Socialism in Russia, 1994: 235), historiador norte-americano anticomunista, disputa a tese de que a ascensão de Estaline representou um novo Thermidor (tese iniciada por Trotsky); Stephen Kotkin (Magnetic Mountain: Stalinism as civilization, 1995: 357) argumenta por seu lado de que nos finais de 1920 princípios de 1930 não houve um recuo ideológico em relação ao radicalismo dos anos iniciais do bolchevismo mas antes uma deslocação do processo de construção do socialismo para o da sua defesa em relação às ameaças externas; no contexto desse tema a Investigadora de História Contemporânea da Universidade de Paris VII, Annie Lacroix-Riz (Holodomor le Nouvel avatar de l’anticomunnisme européen) demonstrou que quer a república de Weimar, quer o Vaticano associado ao governo polaco, quer a França subsidiaram os nacionalistas ucranianos e as suas actividades anti-soviéticas e anti-semitas. A historiografia contemporânea desmente o carácter inamovível, monolítico da ideologia estalinista (distingue até dois tempos na sua dinâmica, um proactivo e outro reactivo); Reichman (1988: 74) diferencia quatro momentos: a revolução vertical de 1928-1931, o grande recuo e as purgas da década de 1930, a guerra patriótica e os anos do pós-guerra de vigência de Estaline. O controlo quotidiano que Estaline mantinha das tarefas político-económicas do Estado Soviético não afasta a evidência de que ele não era um Master plannner; muitas vezes ele reagia aos acontecimentos mais do que os planeava ou os antecipava. (Arch Getty, 1985: 203 ver também Thurston, 1996: 17). Sobre o regime de Estaline a sabedoria convencional sobretudo a que utiliza para se referir à URSS o nome de código de totalitarismo, apresenta com frequência nos seus argumentos uma visão unívoca das relações entre o Estado e a sociedade, abordando o impacto das medidas políticas e económicas do Estado nos grupos sociais, na sua formação, aniquilação ou transformação; os historiadores sociais têm analisado o mesmo regime mas numa óptica diferente, observando fenómenos inversos, isto é, chegando à conclusão que foram as forças sociais criadas pelo regime quem acabaram por definir as políticas (e beneficiar com elas); Sheila Fitzpatrick, Historiadora da Universidade de Chicago (Education and social mobility in the Soviet Union, 1921-1934, 1979: 398) argumenta por exemplo que grupos sociais de maior mobilidade e êxito social, treinados no período do primeiro plano quinquenal, foram os principais beneficiários e apoiantes das purgas de Estaline. A tese principal é que os eventos políticos podem ser interpretados em cima mas também em baixo da escada social. O estudo de Fitzpatrick (Stalin’s Peasants, 1994) reflecte sobre o tema da negociação, do push and pull que marcou as relações entre o Estado e o campesinato soviético, kholkhosiano, na década de 1930. E podia prosseguir com a lista, podia referir Grover Furr, um historiador polémico mas rigoroso nas suas análises; nenhum destes autores (à excepção de Grover Furr que se assume como um defensor do socialismo real) reabilita Estaline mas coloca-o numa escala mais humana onde a realidade é muito mais complicada e menos a preto e branco do que as construções que o anti-comunismo internacional publicou com torpeza e falsidade sobre o período da década de trinta na União Soviética. Recomendo também o livro do historiador anticomunista Ethan Pollock, Stalin and the soviet science wars 1945-53 (2006) donde retiro esta citação:

    Stalin “intervened in scientific debates in fields ranging from philosophy to physics. In 1946, when Stalin was sixty-seven years old and exhausted from the war, he schooled the USSR’s most prominent philosopher on Hegel’s role in the history of Marxism. In 1948, while the Berlin crisis threatened an irreparable rift between the United States and the USSR,” he was busy with the genetics debate. In 1950, halfway through negotiating a pact with the newly victorious People’s Republic of China, he was “also writing a combative articled on linguistics, carefully orchestrating a coup in Soviet physiology [= defending the materialist basis of Pavlovian science!] and meeting with economists three times to discuss a textbook on political economy… [He] consistently spent time on the details of scholarly disputes.”
    Ou ainda esta:
    “He took ideology seriously. He was not simply a megalomaniac and reclusive old man who used scholarly debates to settle political problems… He consistently spent time on the details of scholarly disputes… Thousands of newly accessible and previously unexplored documents from [Russian] archives reveal that he was determined… to show the scientific basis of Soviet Marxism.”
    Todos ests autores que refiro, à excepção de Grover Furr (de que aconselho uma leitura tenta dos seus artigos) insistem numa crítica da obra política de Stalin mas tentam fazê-lo dentro da realidade histórica, referindo e estudando o contexto das decisões que realmente tomou, dos actos em foi plenipotenciário ou nas decisões e políticas em que esteve em minoria, das omissões ou acções em que foi responsável directo ou das situações em que teve que responder reactivamente e sem tempo de manobra, por exemplo Marc Tauger depois de definir a fome na URSS em 1932-33 como uma combinação de factores ambientais (seca, empobrecimento orgânico dos campos, pragas de ratos e de vermes) e de factores humanos (resistência e sabotagem, inexperiência dos dirigentes políticos para tomarem decisões que exigiam conhecimento moderno de agronomia, dificuldade em ter uma percepção global da produção cerealífera, métodos empírico e falíveis de contagem dos puds produzidos) critica o facto de Stalin não ter tomado medidas mais eficazes para obstar a crise alimentar de 1932-33 sobretudo diminuindo as exportações de cereais e diminuindo as reservas alimentares do Exército Vermelho mas ao mesmo tempo salienta que era um problema complexo pois o preço internacional dos cerais tinha diminuido, a URSS não podia falhar o pagamento dos seus créditos com o risco de ver os seus bens no estrangeiro congelados e a necessária industrialização interrompida, e caso os dirigentes soviéticos decidissem avançar com as reservas do
    Exército Vermelho este ficariam apenas com comida para 3 ou 4 semanas o que no contexto de uma URSS cercada por países hostis e não desistentes de derrubarem o poder soviético era gravissimo, considerando aliás o papel promotor que o governo alemão e polaco tinham em relação aos nacionalistas ucranianos. John Arch Getty desfaz por completo o mito de que Stalin planeou o assassinato de Kirov, demonstra pelo material de arquivo encontrado que a realidade foi a que na altura se divulgou na URSS, Kirov foi alvo dos adversários da linha de Stalin.

    Para o Imperialismo a URSS representou o maior “delito de dignidade” cometido pelas classes trabalhadoras: elas conseguiram sozinhas conquistar e organizar um Estado de novo tipo. A tomada do poder pelos bolchevistas e a vitória na Guerra Civil não só tiveram custos humanos e materiais que obrigaram a direcção política a recuar nos seus objectivos como as lutas de classe, a acção desestabilizadora dos inimigos jurados do poder soviético, inimigos instalados no aparelho estatal, nas suas organizações administrativas e económicas, e mesmo políticas, a intervenção estrangeira, o chauvinismo, o anti-semitismo, os preconceitos culturais, a ignorância e a iliteracia não cessaram de existir só porque a vanguarda proletária aliada ao campesinato pobre tinha tomado o poder. A URSS não nasceu imaculada e escorreita mas foi logo nos seus primeiros dez anos de existência um processo complicado, ameaçado externamente, bloqueado, divido em tendências antagónicas, e minado por elementos cuja relação com o poder soviético era conjuntural, oportunista e que à primeira oportunidade demonstrariam efectivamente que nada queriam ter a ver com o socialismo ou com a emancipação dos trabalhadores.
    É natural que os assalariados do anticomunismo ampliem os defeitos, erros e crimes que se cometeram nessa experiência nova, diferente, difícil. A atenção desmedida, oportunista a esses aspectos trágicos servem como manobra de diversão para que o leitor incauto, o cidadão menos informado não se aperceba da dimensão da exploração e da desumanização que existia nos ¾ do planeta que não eram território soviético e agora existe na totalidade da esfera terrestre. Foi feita uma guerra de percepções contra o poder soviético. E os seus protagonistas esquecem-se convenientemente de referir que a democracia era limitada na Grã-Bretanha, na França e nos E.U.A dos anos trinta, que o direito de voto não abrangia todos as mulheres, que as potencias coloniais exerciam mão de ferro nas suas províncias ultramarinas, esquecem-se que ainda em 1946 quando Churchill faz o seu discurso em Fulton permaneciam sob a alçada de da Corôa Britânica centenas de milhões de almas que nunca foram tidas nem achadas sobre a vida económica e política do Império e que não usufruíam de instituições livres e democráticas nos seus países, a fome de Bengal na Índia tinha decorrido há 3 anos, a França cometera os massacres de Setif, Guelma, Kherrata, Bejaia, Annaba, and Souk-Ahras na Argélia, que a Holanda iniciara uma guerra sangrenta contra os nacionalistas indonésios, que a Turquia e a Persia que Churchill refere no seu discurso de Fulton como alarmadas com o poderio do seu vizinho soviético eram ditaduras ou monarquias feudais; esquecem-se que a guerra civil que ainda hoje perdura na Colômbia nasceu em 1945, que o Haiti foi governado pelos norte-americanos entre 1915-1934, que o Apartheid já não era apenas uma filosofia política nos anos vinte do século XX e adquirira a sua forma precursora das leis do Apartheid com a Pass Law de 1923.

  33. miguel dias diz:

    Alma,
    bo ta papia crioulo sabi

  34. Carlos Vidal diz:

    (Jecta e miguel, juizinho, vá.)

  35. Pedro Pousada diz:

    Porque sou um grande melga vou repetir um comentário que coloquei há tempos num post do Renato Teixeira; é que me irrita esta repetição de estereotipos estilo canal História sobre Stalin.Só lançam lugares comuns como se a Europa Ocidental ou os EUA fossem na década de trinta um paradigma da democracia e dos direitos humanos.
    Ao material bibliográfico que enviei acrescento também a referência a duas obras do Historiador Geoffrey Roberts, Victory at Stalingrad (London: Pearson Education Limited, 2002)e Stalin’s Wars 1939-1953(New Haven and London: Yale University Press, 2006); são trabalhos de investigação da historiografia ocidental (porque a soviética e a russa estão pouco traduzidas) que desmistificam muitas das pseudo-verdades que foram sendo veículadas pela propaganda anti-soviética e anti-Stalin (ou anti-Estaline). G.Roberts explica-nos entre outras coisas que: nas vésperas (no dia anterior mesmo) da assinatura do pacto “contra-natura” Molotov-Ribentropp os soviéticos tinham tentado sem sucesso um tratado de defesa mútua com a França e a Grã-Bretanha, que já em 1938 tinham pedido aos Polacos que abrissem um corredor no seu território para os soviéticos irem em auxílio da Checoslováquia, que a 1ª Guerra da Finlândia de 1940 não foi o aparente insucesso ou desastre militar que hoje continua a ser propalado, os soviéticos não chegaram a Helsínquia apenas porque Estaline não pretendia a ocupação da Finlândia nem a sua derrota mas apenas que o governo finlandês (de direita e anti-soviético) facilitasse bases e àrea geográfica que permitissem a defesa da região de Leninegrado na eventualidade de uma invasão inimiga, que o comando militar soviético aprendeu com os seus próprios erros, que havia uma política de relatórios e de análise de dados que tornava o comando militar e político mais consciente do que se passava e do que tinha que ser corrigido, que a invasão alemã surpreendeu os soviéticos em plena transformação organizacional do seu aparato militar, que a doutrina militar soviética era eminentemente ofensiva, era essa a teoria militar apoiada por todos os generais soviéticos (o conceito de Defesa em profundidade não estava desenvolvido em nenhum exército europeu da época, isto é, a capacidade de reagir defensivamente contra a mobilidade e a superioridade de fogo do adversário e só em Kursk é que ele atingiu o seu apogeu táctico (absorção do impacto das forças inimigas e posterior envolvimento e cerco em manobra contra-ofensiva); o desastre de kharkov por exemplo foi essencialmente um grande azar pois a ofensiva soviética localizou o seu ponto crucial de embate com os nazis no mesmo local onde os alemães acumulavam forças para um contra-ataque, ou seja os soviéticos ao contrário do que esperavam não atingiram uma saliência frágil mas uma frente adversária robustecida- G.Roberts assinala que se os alemães tivessem antecipado a sua ofensiva, que não se concretizara por problemas logísticos, teriam sofrido um desastre militar das dimensões de Estalinegrado.Ele observa que Estaline evoluiu na sua percepção dos problemas militares e logísticos, que valorizava a opinião dos especialistas e exigia dos seus oficiais a audácia de contra-argumentarem nas reuniões da Stavka e de, se necessário, o contradizerem; que ele nunca pretendeu a divisão da Alemanha (esta foi imposta pelos aliados) que tentou sempre garantir por via diplomática que os países vizinhos da URSS se mantivessem na sua esfera de influência e não fossem cúmplices de projectos de agressão contra o Estado Soviético (como agora se verifica com a Nato às portas da Rússia), que quem salvou a Europa e a democracia foram o Exército Vermelho, o Povo Soviético e Estaline. Ponto final. O estudo de Aleksander Maslov, Fallen Soviet Generals:soviet generals killed in batlle, 1941-45, (1998), relata pormenorizadamente o desempenho dos generais e do supostamente decapitado Exército Vermelho na defesa da União Soviética, milhares de oficiais soviéticos recusaram a rendição e tentaram romper o cerco, muitos morreram em combate mas muitos outros lograram a fuga e os próprios nazis admitiam em 1941 que estavam lutar em duas frentes em simultâneo; outro pormenor curioso que desfaz o mito de Estaline como um anti-semita, na segunda guerra mundial o exército com mais generais e marechais judeus era o Exército Vermelho; outro mito que tem sido desfeito é o da inferioridade do equipamento soviético que demonstrou ser mais robusto, estável e fiável que muita maquinaria state of the art desenvolvida pelos alemães. A surpreendente superioridade deste equipamento é fruto do quê? Outra coisa, o massacre de Katyn ainda não está totalmente investigado, e a Duma Russa protestou pelo facto do Primeiro-Ministro Putin ter feito o jogo da direita europeia, criou-se uma comissão de historiadores da Duma para estudar os arquivos e há provas concretas de falsificação de documentos mas os arquivos continuam inacessíveis, bloqueados mesmo a um apuramento cabal seja em que direcção fôr.E a Duma questiona por sua vez o governo polaco sobre o paradeiro dos cerca de 80 a 100000 prisioneiros soviéticos caídos às mãos das tropas de Pilsudsky em 1921.

  36. Carlos Vidal diz:

    Não é melguice nenhuma Pedro, como calculas.
    Estamos em sintonia: o inimigo não é sequer o anticomunismo (quem quiser ser anticomunista, mesmo obtuso e primário, que o seja), o inimigo é a ignorância pobre e, como diria Sartre, a má-fé.
    A burrice, em suma: o cérebro-pedra (pior que o Canal História, muito pior).
    Manda sempre.
    Abraço de iguais.
    CV

  37. Marota diz:

    Talvez eles sejam burros por não terem dinhero para irem p’ra escola… penso que ninguém tem culpa de ser burro, ou não? Ou acha que devíamos mandar estes burros p’rós GUlag’s ?

  38. Carlos Vidal diz:

    Marota,
    importa-se de repetir?

    Não percebi patavina do seu comentário.

  39. lili diz:

    Ainda bem que V. ficou vivo para contar, só na Ucrânia Estaline matou uns 4 milhões, propositadamente, à fome para poder exportar milho, e assim ter dinheiro para ”industrializar” o país, ainda bem, também, que Krustchev viveu para contá-lo.

    Os senhores não são mais que a outra face do nazismo, podem emparelhar com os skinheads, ou será que já fazem parte do skinreds?

  40. Marota diz:

    Bom dia Sr. Vidal, chamar burro ou cabeça-de-pedra, seja a quem for, é declarar que se sente superior a essa pessoa. Uma sociedade sem classes só é possível entre Deuses e Anjinhos e não entre Humanos. Era só isto que lhe queria dizer no meu comentário anterior.

  41. Bom dia Sr. Vidal, chamar burro ou cabeça-de-pedra, seja a quem for, é declarar que se sente superior a essa pessoa. Uma sociedade sem classes só é possível entre Deuses e Anjinhos e não entre Humanos. Era só isto que lhe queria dizer no meu comentário anterior.

  42. Pedro Pousada diz:

    4 milhões?pensava que tinham sido 7 milhões…os fascistas ucranianos de Stepan Bandera falam em em números mais gordos…não seja comedido…e continue assim feliz com a sua sabedoria convencional. Mas se usar, para seu bem, a dúvida hiperbólica consulte os elementos bibliográficos que lhe dei para ler.Ah e quanto a fomes no mundo essa época não poupou nem as nossas colónias nem as da Europa democrática e civilizada, estude a grande fome do Níger de 1934 ou a de Bengal na Ìndia em 1943, o extermínio entre 1928 e 1934 das populações índias no Estado de São Paulo (do tamanho da França) descritas por Levy-Strauss no seu Tristes Trópicos e depois fale-me de crueldade humana e de filantropismo. Eu orgulho-me de ter reconstruído longe dos contrastes superficiais e dicotómicos e das caricaturas por estudo e investigação e não por ler o reader’s digest a imagem que tinha de Stalin que não foi nem uma virgem imaculada nem o diabo com botas de feltro. E v.exa? Orgulha-se do quê? De insultar quem tem opinião? Nazi é você que vomita as mesmas “verdades” do senhor Goebbels.

  43. EJSantos diz:

    Ainda bem que o Staline (Tio Estala, para os mais chegados), avisou os incautos sobre os perigos dos desvios à Direita. Ele é que sabia como lidar com esses desviados! Gulag com eles.

  44. EJSantos diz:

    A Revolução continua. Sempre. Quem não se submeter à nova sociedade, será internado num campo de reeducação.
    Viva Staline.
    Viva Pol Pot.

  45. Manuel Monteiro diz:

    Este tipos de direita não querem discutir os problemas com seriedade.Metem a cassete no caralho da farinheira do cérebro e não saiem dali.
    Metam a cassete sobre os crimes do Staline no cu e vão pregar para outra freguesia…
    Manuel Monteiro

  46. Carlos Vidal, vem no sentido da sua citação:

    “Poderia, a este propósito, citar António Vilarigues, ontem, sexta, no “Público”: “Andam por aí uns sujeitos que insistem em não nos explicar o porquê do limite de 3% do PIB para o défice das contas públicas. Qual é a lei que dita tal barbaridade?” “

  47. Carlos Guedes diz:

    Foi mesmo por acidente que aqui vim parar. Comecei a ler uns comentários à esquerda e à direita, e fiquei com pena de mim,
    do HOMEM e do mundo. Realmente somos umas BESTAS, e só
    merecemos é “levar” com Estalines, Mussolinis, Salazares, Hitleres,
    Francos, Obamas e tantos outros, que fizeram e continuam a fazer
    da raça humana uma legião de carneiros, agradecida.

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