Pequeno contributo

Esta posta do Carlos (Guedes) peca por alguns erros de análise que terei todo o gosto em discutir/escrever assim que tenha um pouco de tempo. Por agora aqui ficam algumas observações soltas e rápidas:

– Independentemente das razões que possam assistir ao Carlos ou a outros ex-militantes do PCP, a linha política do partido é/foi subscrita e discutida pela maioria dos seus militantes.

– Haverá dúvidas se a actual direcção do PCP tem o apoio da esmagadora maioria do colectivo partidário? Eu não tenho, por isso não compreendo a tese do assalto ao poder.

– Se é certo que, em vários momentos históricos, houve saídas de muitos militantes pelas mais diversas razões, isso não invalidou que o PCP continuasse a ter a sua acção e representatividade política. Hoje (e no passado) quem saiu do PCP, sempre pensou que este partido se acabaria por desaparecer. A história contradiz esta ideia.

– Os termos em que Domingos Lopes coloca o seu texto (sobre o qual escreverei qualquer coisa noutro dia) é insultuoso para aqueles seus ex-camaradas que continuam a militar no PCP. A ideia que saíram os bons e competentes e ficaram os idiotas e seguidistas assassina qualquer análise séria que se pretenda fazer do partido e, corresponde a uma mera campanha de propaganda anti-PCP coerente, aliás, com o seu texto de opinião em vésperas de eleições.

– O “Novo Impulso” ou o “Pacto de Insubmissão” (na minha opinião, um documento bem mais interessante que o NI) faz parte da vida e acção do PCP. O Vítor Dias escreve sobre o assunto.

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30 Responses to Pequeno contributo

  1. a diz:

    Diz Jerónimo no i: “É muito mais seguro ouvir a opinião do Comité Central, opiniões conhecedoras da realidade, e conseguirmos a solução para onde convirjam mais opiniões”

    Digo eu: O CC pleno de funcionários está um pouco fora da realidade. Funcionários burocratas com 800 euros, casa e carro, trabalhando em média uma horitas por dia, têm uma vida bem mais generosa que a maioria dos que dizem defender.

    Pergunta o TMS: Haverá dúvidas se a actual direcção do PCP tem o apoio da esmagadora maioria do colectivo partidário?

    Respondo eu: Também eu não tenho dúvidas. Mas também não tenho dúvidas que as bases, pelo menos as que conheço, que formam essa maioria são na sua maioria mais um colectivo religioso que professa uma fé que um colectivo político. Bases muito pouco qualificadas (em matéria de política e acção de massas e não só académicamente) que vão passando também essa pouca qualificação para a direcção que não vai muito mais além da retórica balofa e do espuma do descontentamento dos dias de hoje. Se amanhã o poder chegásse às mãos do PCP teriam quadros para governar este país?

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    a, a coragem do anonimato, dá-lhe para avançar ainda mais.
    O PCP não será apenas um partido de quadros mentecaptos, como também de “bases” desqualificadas. Em matéria de fé, estamos conversados.

  3. Vítor Dias diz:

    Não me choca nada que o Tiago considere o «Pacto de Insubmissão» um documento «bem mais interessante» que o «Novo Impulso».

    Ponto é que não se compare o que não é, de nenhuma forma, comparável.

    De facto, o «Novo Impulso» é um Comunicado do Comité Central formulando um importante conjunto de orientações para actividade, organização e intervenção do PCP num determinado contexto político. E o «Pacto de Insubmissão» é algo completamente diferente pois trata-se de uma iniciativa do PCP através da qual cerca de um milhar de intelectuais exprimiram um conjunto de valores e ideias em relação à situação e problemas da sociedade portuguesa convergindo, na parte final do texto, num apoio expresso ao PCP e à CDU nas eleições legislativas que se seguiam.

    A maior aldrabice e trafulhice intelectual que durante anos e anos foi feita por certos círculos foi espalahares que o «Pacto de Insubmissão» tinha que ver ou se referia ou se debruçava sobre as divergências internas ao tempo existentes no PCP ou continham veladas críticas à orientação da direcção do PCP.

    Os que porventura pretenderem continuar a insistir nessa bafienta milonga, ficam desde já desafiados a uma coisa muito simples: publiquem as passagens do «Pacto de Insubmissão» que consideram que teriam alvos internos no PCP ou alguma coisa a ver com a vida interna do PCP.

    Vou esperar sentado.

  4. idi na hui diz:

    a,ou lá o raio:os dissidentes agora estão na ‘maior’ a chafurdarem na corrupção e a serem uns idiotas(o deserto jámé!) úteis a armando vara,jorge coelho, e a toda a escória do partido súcia lista,ie,aos empregados da finança q passam no governo e logo aparecem nas empresas vendidas ao desbarato.Aliás, a vossa contribuição para o estado a que isto chegou é demonstrativa do vosso ‘ideal’ Soprano!!!
    a,idi na hui!!!!!

  5. Ricardo Noronha diz:

    Tiago, desculparás a franqueza mas, se bem me recordo, não estavas por cá quando aconteceu tudo isto de que se fala. Espero não estar a ser injusto, mas acho que isso é relevante quando se tem este debate. Até porque o ambiente que se viveu dentro do partido, desde o Verão de 2000 até ao XVI congresso, foi irrespirável e só mesmo vendo se poderia acreditar que aquilo aconteceu mesmo. As duas primeiras frases com que teces objecções ao Carlos parecem-me laborar em equívoco, precisamente porque não estavas aqui para testemunhar o que se debateu e em que condições se debateu.
    Já agora, quando saí do PCP não achava que o partido ia acabar. Apenas que se encaminharia numa direcção política que me parecia então (e agora ainda mais) perniciosa.
    Os comentários do Vítor Dias parecem-me um pouco sonsos, mas a eles voltarei, eventualmente, se o tempo mo permitir.

  6. i.tavares diz:

    O ex. D. Lopes,também poderia ter chegado à conclusão,que os que saíram
    são oportunistas,ou que acreditam na tese,que, só os burros é que não mudam.

  7. Bernardino Aranda diz:

    Eu concordo com o Vitor Dias quando escreve: “A maior aldrabice e trafulhice intelectual que durante anos e anos foi feita por certos círculos foi espalhar que o «Pacto de Insubmissão» tinha que ver ou se referia ou se debruçava sobre as divergências internas ao tempo existentes no PCP ou continham veladas críticas à orientação da direcção do PCP.”

    Quer dizer… Não é propriamente a maior… mas ele tem toda a razão. Muito tive eu que repetir isso mesmo a quem se recusava a distribui-lo ou a organizar distribuições do dito, com argumentos que às vezes roçavam o ridículo de dizer “só diz PCP uma vez e é no fim”.

    De qualquer forma, e para que não haja confusões, foram esses “certos círculos” que acabaram por “vencer” o 16º Congresso e instalar-se na Direcção do Partido

  8. Vítor Dias diz:

    Eu não me passa pela cabeça negar que possa ter havido quem, naquelas circunstâncias de elevada tensão e crispação, desconfiasse do «Pacto de Insubmissão».

    Agora o que Bernardino Aranda também não pode negar é que não foram poucos os que, politicamente próximos dele ( bem assim jornalistas por eles «soprados»), a seguir ao XVI Congresso, alinharam na indevida instrumentalização para efeitos internos do «Pacto de Insubmissão». A este respeito, e para maior folga de B. Aranda, esclareço que não me vou dar ao trabalho de consultar os recortes de imprensa desse tempo.

    Por outro lado, parece que os, segundo Bernardino Aranda, «vencedores» do XVI Congresso, foram estranhamente generosos ao manterem na Comissão Política vários camaradas que, tal como eu, tinham precisamente a visão do «Pacto de Insubmissão» que aqui enunciei.

  9. miguel serras pereira diz:

    Vítor Dias,
    não sei se se deu conta de ter cometido um lapso bastante comprometedor. Você, com efeito, antes e depois de chamar a um dos importantes documentos a que se refere o nome canónico “Pacto de Insubmissão”, acaba por chamar-lhe “Pacto de Submissão” – o que, para alguns, será de resto uma expressão mais adequada e mais justa.
    Seu leitor atento

    msp

  10. miguel serras pereira diz:

    Há pouco esqueci-me de mencionar um documento importante – a carta de desvinculação do PCP de Henrique Sousa – que aborda o núcleo dos problemas levantados pelo Carlos Guedes e constitui uma análise política perspicaz e bem argumentada: http://www.dotecome.com/politica/Textos/Carta_de_desvinculacao_do_PCP.pdf

    saudações democráticas

    msp

  11. JP diz:

    Caro Tiago,

    Completamente de acordo com o texto ao qual acrescentaria mais algumas ideias:

    1) Verificando hoje o percurso da maioria dos “renovadores” só se pode concluir que o que queriam era colocar “o partido” numa deriva social democratizante com resultados trágicos lá fora e que acabaram a defender os mesmos que antes criticavam (vide a Zita, o Magalhães, o Judas e tantos, tantos outros);

    2) A sua presença no espaço mediático só existe quando é feita para atacar o PCP. Note que o sujeito até pode ser alheio a esta realidade mas o que é facto é que cada palavra de um suposto “renovador” é artificialmente amplificada pelos media para servir um e um único propósito, enfraquecer o PCP. Conscientemente ou não, estas personagens, debatendo fora dos locais e canais que poderiam verdadeiramente alterar o rumo do partido e utilizando os mesmos media que, hoje, os ignoram serviram interesses contrários aos do partido que diziam defender;

    3) Não tendo conseguido impor a sua visão ao restante partido pelas vias democráticas e pela discussão interna tentaram utilizar meios que não estão ao alcance dos restantes para pressionar uma agenda mediática hostil à vontade da maioria do partido. Esta posição foi imediatamente aproveitada para “insuflar” uma suposta divisão e cisão nos órgãos do partido, facto que lhe foi prejudicial;

    4) Como verificámos em comentários anteriores o seu snobismo é de tal ordem que se consideram superiores à restante massa do partido a quem apelidam de “rebanho” achando por isso que têm sobre os demais direitos superiores à sua representatividade.

    Em suma, houvesse noutros partidos o nível de discussão, debate e análise que há no PCP e estaríamos todos vivendo uma democracia mais avançada e madura. É claro que o ego é uma coisa tramada…

    Cumps

  12. Ricardo Noronha diz:

    Em «Havemos de trocar umas ideias sobre o assunto», Mário de Carvalho (esse sibilino revisionista social-democratizante…) escreveu sobre uma reunião em que é discutida a adesão ao partido de um simpatizante, que acaba por não ser aceite porque em tempos alguém o viu a rasgar um cartaz. O camarada que o propôs antecipa então o que se seguirá. Desiludido pela recusa, fácil será que este aspirante a militante venha, mais cedo ou mais tarde, a revelar-se hostil de alguma maneira para com o Partido, devido ao compreensível rancor. Será então fácil a quem vetou a sua entrada no grande colectivo partidário apontar-lhe o dedo e dizer – «Estão a vêr? Eu bem avisava que ele era um reaccionário!»
    É um pouco essa a história do que se passou com a maioria das pessoas que se afastaram do partido a seguir ao XVI congresso e foram depois «limpas» na actualização dos ficheiros. Insultadas e caluniadas (pelas costas e fora das reuniões, como convém) durante dois anos, quando acabaram por sair e continuar a sua intervenção noutros sítios (mas não no PS, por mais que isso custe a engolir), logo houve quem dissesse – «estão a ver, a mim nunca me enganaram».
    E entretanto, o curioso é que a principal causa para o meu afastamento e o de muitos outros, foi a nomeação de um responsável nacional do sector do ensino superior da JCP, que comprovadamente passou o Verão a caluniar os elementos da organização regional de Lisboa como «vendidos e social-democratas» e que, vim a sabê-lo há um ano, foi entretanto para a JS. É seguir o link: http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=5450&Itemid=111
    Esta história está portanto muito mal contada.

  13. rafael diz:

    Caro Ricardo,
    nao é minha intençao encetar esta discussao uma vez mais, mas a tua acusaçao de calunias pelas costas de alguns membros do Partido por outros, deixando passar a ideia de que era uma atitude normal, generalizada e aceite por todos (como se todos os militantes fossemos carneiros formatados por qq diapasao ortodoxo ou como queiras rotular os que ficaram) trouxe-me à memória várias declaraçoes da altura dos auto-denominados renovadores.

    Nestas declaraçoes, o ataque pessoal e a mentira sobre os seus camaradas, na grande maioria das vezes de forma injusta e implacável, substituiu a discussao politica sobre as formas de intervir e agir, catalogando todos aqueles que nao estivessem de acordo com a sua linha de pensamento como dogmáticos, empedernecidos, no fundo, umas bestas. Só a titulo de exemplo, lembro-me de alguém (nao me recordo quem em concreto) ter afirmado que a escola do Partido era uma casa secreta e os militantes eram para lá levados de venda nos olhos. Vê bem o ridiculo…

    Um segundo caso, mais grave na minha opiniao, prende-se com acusaçoes, por exemplo, de que uma camarada nossa, que agora tem elevadas responsabilidades na direcçao do Partido, tinha defendido de forma acérrima numa reuniao a pena de morte em Cuba (se nao estou equivocado). Ora bem, como privei nao só em trabalho mas na minha vida pessoal com esta camarada sei que tal seria impossivel pelas suas convicçoes pessoais.

    Por isso, antes de criares anátemas sobre os militantes do PCP dos dias de hoje, nao te esqueças que os de ontem que já lá nao estao também nao sao um conjunto de santos ou mártires perseguidos.

    Pessoalmente, eu – e sei que muita gente na direcçao do PCP -consegue fazer a distrinça entre diferenças de opiniao e a instrumentalizaçao pura e dura da verdade com o objectivo de impôr uma posiçao. Desse lado, vejo poucas vezes essa capacidade de reconhecer a diferença…

    Um abraço
    Rafael

  14. Ricardo Noronha diz:

    Caro Rafael.
    Para veres bem como as coisas são, a pessoa de quem falas e que terá dito à «Visão» (se a memória não me escapa) que a Margarida Botelho terá dito num acampamento que a pena de morte em Cuba era aceitável (ufa), era, penso, um jovem do Porto com quem nunca me cruzei fora das reuniões do partido. Não vejo por isso por que razão deveria eu responder por esta ou aquela afirmação sua.
    Já o que o Joel Vasconcelos andou a fazer foi avalizado pelo secretariado da JCP e pela Luísa Araújo, que tiveram a peregrina ideia de fazer dele o responsável pela organização nacional do ensino superior. Os elementos da DCES foram «auscultados» por chamada telefónica. Há mais exemplos concretos e bastante objectivos de tudo isto. A parte da carneirada, desculparás, estás tu a acrescentar à discussão. E não há aqui qualquer anátema.
    Quanto aos santos ou mártires perseguidos também não entendo bem o que queres dizer. Falo apenas por mim e por quem me é próximo. Não tínhamos sequer ideias muito parecidas quando nos demitimos das tarefas que ocupávamos e continuamos a não ter. Basta começar pelo Carlos Guedes e acabar no Zé Guilherme Gusmão, passando por mim ou pelo Bernardino Aranda, e encontrarás provavelmente mais opiniões do que cabeças. Mas sei que nenhuma destas pessoas andou a caluniar ninguém e que o contrário não é verdade.
    Aliás, há no que escrevem o Tiago e o Vítor Dias, parece-me, algo mais do que uma visão própria do assunto. Sinto que há um rasurar do que aconteceu e, repito-o, uma história mal contada.
    O curioso é que eu e tu dizemos praticamente a mesma coisa mas em lados diferentes. Porque eu também sinto que houve “a instrumentalizaçao pura e dura da verdade com o objectivo de impôr uma posiçao” e também me parece que demasiadas vezes “o ataque pessoal e a mentira sobre os seus camaradas, na grande maioria das vezes de forma injusta e implacável, substituiu a discussao politica sobre as formas de intervir e agir, catalogando todos aqueles que nao estivessem de acordo com a sua linha de pensamento como” social-democratas, revisionistas e vendidos.
    Uma vez que ambos estamos com a luta, veremos se a luta nos permitirá continuar a debater isto e se alguma conclusão se poderá extrair desse debate.
    Um abraço vermelho 😉

  15. Tiago Mota Saraiva diz:

    Ricardo, apesar de estar fora do país na altura do congresso, lembrar-te-ás que fui participando na sua preparação. Sobre o que se passou durante e depois, tive muito mais referências e ouvi muito mais relatos dos que se foram embora do que dos que ficaram.
    Talvez por isso, penso que a análise que faço sobre o PCP (e enquanto comunista) é um pouco mais política e menos pessoal do que a tua.

  16. Vítor Dias diz:

    Com o Miguel Serras Pereira, em pollémicas comigo, nunca é de fiar e portantio quando ele escreve em cima que acabei por chamar ao «Pacto de Insubmissão» de Pacto de Submissão» não sei se está a gozar ou o quê.

    Até podia ter acontecido (quem em posts e comentários nunca tenha cometido lapsos dactilográficos que levante a mão) , mas a verdade é que até recorri à funcionalidade «localizar palavra nesta página» e em tudo o que escrevi parece-me estar sempre e só «Pacto de Insubmissão».

    Mas, mesmo que assim não fosse, ficava patente o devastador interesse e alta qualidade do comentário de M. S. Pereira.

  17. miguel serras pereira diz:

    Vítor Dias,
    que falta de sentido de humor, inesperada em si.
    A verdade é que a transcrição do seu erro dactilográfico, que aparece no meu comentário, foi feita através de copy/paste. Se, entretanto, o lapso – por demais evidente – foi corrigido, nada a objectar: faz parte do trabalho de edição, e eu próprio, quando transcrevo algum texto com gralhas ou faltas semelhantes, corrijo com perfeita boa consciência esse tipo de coisa. Só peço ao Tiago, ou a quem corrigiu o seu texto, que, já agora, complete o trabalho, pelo que autorizo e solicito a eliminação do meu comentário ao seu lapso já sanado.
    Aprova assim?

  18. Vítor Dias diz:

    Afinal, ainda desejo acrescentar que, se Miguel Serras Pereira, apesar de escrever «Pacto de Submissão» com aspas, acaba por dizer que esta «para alguns, será de resto uma expressão mais adequada e mais justa» então temos mesmo caldo entornado.

    E, a este respeito, basta-me inventar uma história no passado cuja «moral é fácil de tirar : é que, se antes do 25 de Abril, algum democrata e antifascista me dissesse que «derrube da ditadura fascista muito bem mas centenas de intelectuais a declararem o seu apoio a um partido já será um indigno acto de submissão» eu responder-lhe-iasecamente : «eh pá, vai à m…. que a democracia que tu queres não é aquela porque eu ando a lutar.»

  19. miguel serras pereira diz:

    Vítor Dias,
    quer continuar a discutir o assunto? Se quer, o mínimo que posso pedir-lhe é que não comece a fazer juízos de intenções. Achou ofensivo o meu comentário -que não passava de um à-parte – numa discussão que, entretanto, se tornou bem mais séria e substancial, e na qual não voltei a intervir porque os principais interlocutores discutiam as suas experiências (e conclusões a tirar delas) enquanto ex- ou actuais militantes do PCP -?
    Está convencido de que forjei o lapso a que me referi? Não vê que seria de uma inépcia para além das marcas a que posso aspirar forjar uma coisa tão insignificante? Se eu quisesse forjar declarações que você não fez e atribuir-lhas para o entalar ou difamar, acha que me ficaria por tão pouco?
    Já propus que ficássemos por aqui – sendo o meu comentário e a sua resposta eliminados. Também já lhe disse que não quis ofendê-lo nem o acusei fosse do que fosse quando me referi à troca de palavras. E espero que você não queira agora ofender-me a mim. Ou temos o caldo entornado, o que será muito desagradável e em nada contribuirá para a discussão dos problemas de fundo levantados pelo post do Tiago e pelo do Carlos.
    A bola está no seu campo.

    msp

    P.S. Claro que a minha proposta de eliminação do comentário implica eliminar também o seu – ou, aliás, eliminar todos os comentários que os dois trocámos nesta caixa. Entendido?

  20. FR diz:

    Como se fosse impossível o centralismo democrático criar situações ridículas, como a promoção de Estaline: estaria realmente a maioria do partido do seu lado, ou pequenas situações de dependências internas a nível de poder pudessem levar tamanho monstro ao leme do partido? É mil vezes mais vivo um partido que ideologicamente aceite várias facções, pois é dessa discórdia que se vê o debate de ideias e uma certa chama ideológica. Coisa que, claramente, não acontece no PCP, o rei dos cadáveres políticos europeus.

  21. Tiago Mota Saraiva diz:

    msp, tem a certeza que viu escrito “pacto de submissão” nalgum comentário do Vítor Dias. Eu não o encontro.
    De qualquer forma, para apagar essa discussão teria de andar a cortar e colar comentários seus e do Vítor, o que não me apetece nada.
    Fiquemos por aqui no que toca ao lapso e avancemos na discussão.

  22. Vítor Dias diz:

    O Miguel Serras Pereira é, de facto, um incomparável especialista em, quando lhe convém,desconversar.

    Lendo a resposta que me deu, sobram para os leitores duas evidências:

    – uma é que M. S. Pereira pretendeu fazer humor com um alegado lapso que nem eu nem o Tiago M. Saraiva (quando copiou) fizemos pois, como já disse, a pesquisa na página não encontra nenhum «Pacto de Submissão», o que significa que M.S.P. delirou ou esparvoou;

    – a segunda é que MSP escreveu que «Pacto de Submissão» «para alguns, será de resto uma expressão mais adequada e mais justa» mas não quis dizer nada de especial com isso, como todos topamos.

    Conclusão: MSP imita os jornais que, mesmo quando apanhados em falso por cartas dos leitores, sempre lhes juntam uma nota da Redacção a dizer que mantêm tudo o que escreveram e que os leitores não têm nenhuma razão.
    Mas, se isso lhe dá alegria e conforto na vida, o que é que havemos de fazer ?.

  23. Rui Duarte diz:

    “Por outro lado, parece que os, segundo Bernardino Aranda, «vencedores» do XVI Congresso, foram estranhamente generosos ao manterem na Comissão Política vários camaradas que, tal como eu, tinham precisamente a visão do «Pacto de Insubmissão» que aqui enunciei”. Pela boca morre o peixe. Então e esses que acompanhavam as ideias do pacto estão agora onde? Quem eram? Um deles seria o próprio Vitor Dias que agora que responsabilidades políticas e executivas tem no partido?
    O que aconteceu nesse tragicómico congresso não se esgotou em três dias como o Vitor sabe melhor que eu, foram dois anos duros antes, inaugurados com Cunhal a dizer para fora (para a imprensa burguesa) que havia um perigo de social-democratização do partido (qual é o nome que dá a este tipo de deslises segundo o centralismo democrático?) e continuou muito para além do congresso.
    A tarefa final ficou feita quando os ainda “insubmissos” foram definitivamente arredados de tarefas fundamentais: Vitor Dias, Carlos Carvalhas, Octávio Teixeira (por exemplo, só para não puxar muito pela cabeça). Por fim, “consensualizou-se generalizadamente” colocar à frente do partido um estalinista da mais pura fibra e pronto, ficou feito.
    Já agora, e porque falamos com alguém que milita num partido com paredes de vidro, qual foi a sua posição na comissão política sobre esta “eleição” de Jerónimo de Sousa?

  24. miguel serras pereira diz:

    Vítor Dias,
    bem ou mal, o meu comentário sobre o seu lapso foi uma nota de humor, sim, como você diz. E mantenho que não continha matéria ofensiva para si.
    Mas vou deixar cair o assunto, a menos que você insista. Por duas razões: não quero pôr em dúvida a palavra do Tiago, nem prejudicar a discussão.
    Suponho que, apesar de tudo, não vai pretender que eu sou um falsário e, além de falsário, um imbecil tão completo que nada arranjasse de mais substancial para o difamar se me arrogasse o direito de recorrer a esses métodos.
    Olhe, um dia destes, ponha também no seu blogue a interpretação – a meu ver notável – do Temps des cerises pelo Mouloudji: sempre seria um sinal de que nalgumas coisas pelo menos nos podemos entender. É que me custa muito a crer que tal seja definitivamente impossível com alguém que honra o seu blogue dando-lhe o nome dessa canção que o Marc Robine dizia ser a mais bela do mundo. Lembranças minhas à GG. E até melhor ocasião

    msp

  25. José Manuel - Porto diz:

    É lamentável que, no momento que atravessamos, se venham desenterrar velhas polémicas internas e antigos ressabiamentos entre camaradas que já deviam estar há muito tempo racionalizados e ultrapassados.
    O Partido é muito mais do que a soma dos militantes, nem a a atitude indivdual do militante A ou B, por muito grande que seja a sua responsabilidade.
    Nota-se em alguns comentários a tentativa de introduzir subtilmente o fraccionismo dentro do PCP, colocando o grpo A contra o grupo C, como se a questão fosse a de puro poder pessoal e protagonismo interno. Não percebem que não se trata de vencedores nem vencidos. O universo dos militantes do PCP é muito vasto e diversificado que tem que ser harmonizado numa orientaão política em que todos se revejam. O que alguns destes comentadores desejam é transformar os congressos em lutas de poleiro com grupos e os seus chefes e seguidores, o que levaria rapidamente à paralisação da actividade permanente do Partido e à sua destruição.

  26. Ricardo Noronha diz:

    Tiago, a separação entre o que é pessoal e o que é político parece-me extremamente problemática. A minha leitura pessoal do que aconteceu é eminentemente política e num partido leninista a escolha de um dirigente é absolutamente política. Por isso o affair sobre o qual escrevi esteve cheio de implicações e cristalizou tudo em seu redor.
    Sim, ter como interlocutor e responsável de uma organização alguém que não hesita em difamar os seus camaradas de partido, fora das reuniões do partido, era inaceitável e só uma leitura muito enviesada dos estatutos e regras colectivas a permitiu. Foi, na verdade, um passo táctico fundamental para quem assim decidiu.
    Quanto ao resto, parece-me evidente que havia muitos pontos de vista, mas a partir de certa altura o coro relativamente aos «revisionistas que querem descaracterizar o partido» e a utilização do Avante! para difundir a ideia de que existia um inimigo interno a abater, foi tudo tão perfeitamente orquestrado, que a existência de uma campanha organizada me parece irrefutável. Quando camaradas de Viana de Castelo têm uma opinião muito formada sobre camaradas de Lisboa que nunca conheceram, é caso para dizer que não há coincidências. Olha, comentários como o do José Manuel.
    Evidentemente, se há pessoas que acham que a orientação do partido é incorrecta relativamente a este ou aquele assunto, só podem querer “transformar os congressos em lutas de poleiro com grupos e os seus chefes e seguidores”. É lamentável ter que relembrar que o partido bolchevique teve tendências e facções em disputa interna aberta até 1920 e que dois elementos do seu comité central divulgaram publicamente o plano para uma insurreição, em pleno mês de Outubro de 1917. Deviam ser todos muito imbecis, aqueles bolcheviques, para se deixarem cair nestas esparrelas «renovadoras».
    Quanto ao resto concordo com o Nuno, no sentido em que os discursos que polarizaram o debate se mostraram ambos repletos de equívocos. Mas sobreviver não me parece em si mesmo uma grande vitória. Aliás, no limite, acho que esse foi um dos pontos em disputa – se a fase histórica em que vivíamos permitia aspirar a mais do que simplesmente sobreviver.

  27. Vítor Dias diz:

    Lá em cima, Rui Duarte pergunta «Um deles seria o próprio Vitor Dias que agora que responsabilidades políticas e executivas tem no partido?».

    Informo que, por caso ou não, a vontade dos meus camaradas era que eu continuasse na Comissão Política no mandato de 2004 a 2008, naturalmente se a seguir o Comité Central estivesse de acordo com isso.

    Não fui objecto de nenhuma «purga», apenas entendi que àauele nível de responsabilidade, 14 anos não eram coisa pouca e que corria o risco de qualquer dia me considerar insubstituivel.

    Mas verdadeiramente (não é que o tenha descoberto agora), aquilo a que eu acho mais graça são aqueles «renovadores» que afinal parecem gostar da eternização das pessoas nos cargos ou, como se viu com casos pretéritos, que a «renovação» é sempre para os outros e nunca para si próprios.

  28. Ricardo Noronha diz:

    Caro Vítor Dias, estamos todos curiosos para ler o seu livro de memórias. Folgo em saber que saiu da comissão política por sua iniciativa e não, como outros raciocínios poderiam levar a crer, porque se viu convidado a sair quando o trabalho ficou completo (não o do partido, ao fim e ao cabo só acontecerá quando tiver sido eliminada a exploração do homem pelo homem, mas o de depuração do mesmo).
    Em todo o caso um episódio não me sai da cabeça e esse compromete-o a sim também, uma vez que ainda integrava a comissão política que abandonou por sua exclusiva decisão.
    Quando Edgar Correia (espero algum pudor nos comentários sobre a pessoa em causa, uma vez que está morta e não se pode defender) se viu alvo de um processo disciplinar, recebeu um texto com um conjunto de acusações relativamente a várias infracções dos estatutos do PCP. Esse texto vinha acompanhado por duas folhas extra, que por lapso acompanhavam o documento. Numa delas indicava-se o processo a seguir caso existissem alegações de defesa. Na outra considerava-se a hipótese de as mesmas não ocorrerem. E a conclusão era a mesma em ambos os casos.
    Uma vez que tive a oportunidade de ver esses documentos com os meus próprios olhos, tal como eles lhe foram enviados da Soeiro Pereira Gomes, parece-me indubitável que foi efectuado um processo disciplinar cujas conclusões estavam de antemão decididas. Uma farsa indigna de quem nela tomou parte, um logro para dar a uma expulsão uma aparência processual que não passou disso. Uma boa metáfora de tudo isto. Gostaria muito de ler as suas opiniões sobre o tema.
    Cumprimentos.

  29. rui duarte diz:

    ainda bem que, ao que contrário de muitos outros, não foi alvo de uma purga. repare, por exemplo, apesar de na altura eu ser da direcção nacional (e também da comissão política da jcp), portanto com direito a estar no congresso por inerência, fui alvo de uma tentativa de exclusão de admissão ao congresso (até os estatutos certa gente desconhecia).
    sobre a composição da actual direcção executiva do partido ser um punhado de gente que andou, à margem do partido, a fazer sucessivas campanhas, nada acrescenta.
    Mas Vitor, considera mesmo casual que um determinado grupo (bem coeso por sinal) ocupe todos os cargos? Que aconteceu à bancada parlamentar? Ao secretariado? Novos? Quem, aqueles que a Luísa Araújo formou e que, à sua imagem e semelhança, não têm o mínimo sentido crítico e de pensamento próprio?
    O que é certo é que quem, como o Vitor, apesar de se ter mantido no partido ficou bastante preocupado com a situação (relembro-lhe a seu própria intervenção no congresso – tal a melhor – sobre a unidade na diversidade) ao contrário de outros que viram isto como uma vitória, estão todos arredados do centro político do partido (por iniciativa própria ou não).

  30. a diz:

    TMS: Não é fé. É a minha militância no Partido. Nas reuniões de militantes e iniciativas em que participo é o que se vê. Não disse mentecaptos. Disse pouco qualificados.

    E o anonimato deve-se ao clima de perseguição que ainda vivemos. Tudo o que me foi atirado levou-me a prometer a mim mesmo que nunca mais me iria expor. Participo em reuniões e milito mas não dou opinião. Pode ser que um dia as coisas mudem naturalmente.

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