A manhã em que o Público me fez tremelicar as pernas

Há dias assim.

Uma pessoa vai à casa de banho com o jornal do dia, até rezingando que a 1ª página parece da Bola ou do Record, e sai de lá de pernas dormentes e correndo a gastar dinheiro num taxi, para não chegar atrasado a uma reunião.

O Público pregou-me hoje essa partida – e, sendo muito mais habituais os dias em que só me serve para preencher o Su Doku, aqui fica registado o acontecimento.

Primeiro, foi o iminente casamento, entretanto concretizado, de Helena Paixão e Teresa Pires. E vá de ler com satisfação e de matutar um pouco na aparente falta de solidariedade, durante estes 4 anos, por parte das pessoas a quem elas começaram a abrir publicamente essa porta.

(E, já que também eu estou neste momento a escrever publicamente, aqui lhes deixo expressão da minha admiração e desejos de felicidade.)

Folheando as gordas, para me levantar, dei com uma entrevista interessante e acutilante do Paulo Pedroso, demolindo educadamente a vacuidade no seu partido e, implicitamente, as gentes do O Rosa e o Laranja. Mais à frente, a minha colega Ana Benavente dinamita a política direitista do partido de ambos.

(E quer-me parecer que, para além de a aparente coincidência ser muito significativa, alguém vai ser linchado pelo nosso primeiro. E, dado o seu relacionamento com os media,  não serão estes seus dois correlegionários.)

Quando pensava que a coisa tinha acabado, ainda dei com um artigo do Domingos Lopes que, não trazendo propriamente nada de novo, não deixa de ser interessante.

E com a bolsa criada pelo Rui Tavares – em que, ao contrário de outros residentes aqui no estaminé, não vejo nada de reprovável ou pouco inteligente. Antes pelo contrário, talvez por também eu dever muito a bolsas (essas, estatais) e verificar, por bons projectos de colegas mais novatos que vão ficando pelo caminho, que elas nunca chegam – mesmo na área estritamente académica, a que esta do Rui não parece resumir-se.

Ainda tinha passado, entretanto, por uma entrevista de Jacinto Nunes sobre a “vida para além do défice”, estimulante por juntar coisas com que concordo muito e outras com que não concordo nada.

Mas, disso, falar-vos-ei mais tarde,  já que está a chegar a hora de uma nova obrigação laboral.

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9 Responses to A manhã em que o Público me fez tremelicar as pernas

  1. LM r diz:

    O Domongos Lopes escreveu algo de remotamente interessante? Será que agora reparou na Perestroika?

  2. Carlos Fernandes diz:

    Não se percebe como é que um sociológo, seja ele de esquerda de direita ou do centro, sabendo certamente melhor do que a maioria de nós, os graves problemas de natalidade em Portugal e da consequente sustentação futura da segurança social, pode estar de acordo com uma medida destas … Quem é que nos pagará a reforma, com leis inteligentes e `avançadas` diria mesmo ´avançadas não ao quadrado mas ao cubo, de rubik furado no meio´ destas… A menos que a razao seja pela mesma fama, porventura injusta, que os e as artistas e actores têm, de serem quase todos uns rabetas e uns gays, logo têm de se defender uns aos outros.

    • paulogranjo diz:

      Carlos Fernandes: não vou adjectivar, porque vou dar uma aula daqui a uma hora e pouco e tenho que lá chegar bem disposto.
      E, de facto, o seu argumento apela à boa disposição e, no mínimo, a um sorriso.

      Depreendo por ele que, a bem das nossas reformas, os homossexuais deveriam ser obrigados a procriar e a manter uma saudável família papá-mamã. Depreendo também que os heterossexuais também deveriam ser obrigados a fazê-lo, quer aqueles que se armam em esquisitos e não têm filhos, quer os que não têm a produção filhícola suficiente para repor a demografia na próxima geração (como é o meu caso), quer ainda aqueles que não estão para aturar um(a) conjuge, ou se armam em esquisitos para escolhê-lo(a).

      E, já que a tal aula é sobre Estudos de Caso, autoriza-me a utilizar o seu comentário para um exemplo de aplicação? A academia e a ciência agradecem.

      Entretanto, não sou sociólogo, sou antropólogo. E, reciclando uma mui heterossexual expressão francesa (relativa a homens e mulheres), “Entre os dois há apenas uma pequena diferença. Mas viva a diferença!”

  3. Paulo Granjo diz:

    Quem sabe, LM r…

  4. Semeador de Favas diz:

    O Carlos Fernandes está aqui está a criar uma petição online a favor da reprodução compulsória…Resta saber se a medida se aplicará apenas aos «degenerados» ou também aos heteros férteis que escolheram não gerar descendentes. É a lógica da indústria de produção de cavalo lusitano generalizada à sociedade humana.

  5. Carlos Fernandes diz:

    Esteja à vontade, pode imprimir tb. o comment, se quiser, e já agora, Carlos Fernandes é mesmo o meu nome, não é nick.
    Entretanto fica por esclarecer no seu comment e resposta aqui acima em como é que se soluciona o grave problema de natalidade que temos em mãos, sim eu defendo mais procriação (embora no meu caso, solteiro e sem filhos, faça tb.mea culpa), e de preferencia, mas não só, por casais normais papá e mamã casados , mas não necessariamente casados ( defendo o casamento normal porque sou uma pessoa de fé e com crenças religiosas, é um facto, mas sou tolerante, cada um sabe de si).

    De facto, se não houver mais, muito mais, prociação e muitos cavalos lusitanos que comam muitas favas, como dizia o comentador das favas aqui acima, a demografia daqui a uns anos vai tramar.nos, esta é que é a verdade…

  6. Abílio Rosa diz:

    Do ponto de vista social e demográfico esta notícia não nos trás nenhuma satisfação.

    Quem quiser viver junto que viva, com eles, com elas, ou com todos.

    Não me interessa. Nem perco tempo com a vida pessoal dessas cidadãs ou desses cidadãos.

    O futuro de Portugal não passa por isso e não devemos elevar esta notícia aos píncaros das nossas prioridades.

    Um bolchevista tem muito mais que fazer…

  7. Semeador de Favas diz:

    Desconfio, mas não tenho a certeza (visto não ser especialista na matéria) que a demografia está desequilibrada por razões que nada têm a ver com a evolução do tipo de relações sexuais mantidas pelos animais deste território. A ter que fazer uma análise começaria por pensar na base material que os bichos “normais” em idade fértil dispõem presentemente para se dedicarem ao depósito de espermatozóides nas fêmeas (a fim de lhes fecundarem os óvulos); depois, na (re)pressão social pré-configurada no próprio modelo económico (e pela ordem vigente) que tira a qualquer um o tempo – e a tusa – disponível para actividades tão “naturais” quanto de vez em quando (quando calha) emprenhar uma jovem égua e depois cuidar do rebento potro resultante; por fim, nas cavalgaduras que tem governado esta estrebaria à beira-mar plantada e nos burros que por aqui vão pastando e que, de quatro em quatro patas, perdão, anos, se dirigem às urnas para depositar um cheque em branco aos que mantêm esta merda de tal maneira que até um gajo que se crê bolchevista articula uma frase em que manifesta a sua tristeza pela desgraça social que representa o casamento de duas raparigas: ora, merda.
    Por fim, estou-me (pelo menos teoricamente) nas tintas para o Casamento -eu sou por definição contra o casamento de toda a gente que se queira casar, ponto: apesar de abrir uma excepção para casamentos que chateiem os joões césares das neves desta vida que, como é sobejamente sabido, não fodem nem deixam foder; apesar de terem muitos filhos nos intervalos de foder a cabeça a quem fode.
    Recapitulando: primeiro: é preciso é foder.
    segundo: com quem se quiser.
    terceiro: onde der.
    quarto: o mais que se puder.
    Se concordarmos nestes pontos, pudemos começar uma conversa séria.

    • paulogranjo diz:

      Pois é, semeador de favas.
      Aliás, até acho que já descobri qual será o próximo conceito a ser citado 3 vezes em cada arigo escrito na Alta coimbrã: o “Stakanovismo Pós-moderno”.

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