Mais um navio para Gaza bloqueado

Na madrugada de Sábado (5/Junho), as forças militares Israelitas (IDF) bloquearam mais um barco do movimento Free Gaza – sediado no Chipre;  seguir no Twitter) – que transportava ajuda humanitária para Gaza, forçando-o a atracar no porto Israelita de Ashod. O navio, alcunhado Rachel Corrie – em homenagem à activista Estado-unidense assassinada por uma escavadora Israelita, em 2003, defendendo um povoado Palestino em Gaza – transportava apenas onze passageiros. incluindo a Prémio Nobel da Paz Mairead Corrigan (este Prémio às vezes é atribuído a pessoas corajosas que defendem activamente a paz), tencionava desembarcar em Gaza, recusando os apelos de Israel para dirigir-se a Ashod (a 56km de Gaza) e ser inspeccionado. O Director de Política Estrangeira Israelita, Yossi Gal, prometeu transferir toda a carga, excepto armas (!), a Gaza: estou para ver.  O ex-coordenador de ajuda humanitária das NU no Iraque, Denis Halliday, informou, a partir do navio,  que sindicatos e oficiais de governo já haviam inspeccionado a carga. Os tripulantes recusaram-se e resistiram pacificamente a abordagem naval.

Este incidente difere do assalto ao Mavi Marmara, alcunhado Freedom Flotilla, que envolveu comandos do IDF a descerem de helicópteros militares, e que resultou na morte de vários passageiros. O IDF alega que os tripulantes resistiram com facas e machados. Bom, resistência pacífica é muito bom, mas se eu estivesse num navio em águas internacionais transportando ajuda humanitária para um povo diariamente alvejado de forma indiscriminada e visse comandos a descerem de rapel armados até aos dentes talvez pegasse numa faca para me proteger. Vejam bem, tal era a ameaça, que entre os tripulantes – cerca de 700 – houve mortes, mas entre os comandos apenas li que três foram atingidos, ficarem inconscientes, foram momentaneamente presos, voltando depois para junto dos IDF, ilesos. Segundo Israel vários tripulantes pertenciam ao grupo Turco “Fundação pelos Direitos Humanos, Liberdade e Ajuda Humanitária” (IHH), que consta da lista Israelita de organizações terroristas por alegadas ligações ao Hamas. [Note-se que o IHH não consta da lista análoga do Departamento de Estado dos EUA, que não é propriamente exclusiva.]

A não-violência desta última intersecção Israelita sublinha  que o mais repreensível por parte de Israel não são os mortos, ainda que lamentáveis, do Mavi Marmara mas o bloqueio ilegal a Gaza, o desrespeito de Israel pela Lei Internacional, o cerco e lento massacre de um povo. Esse sim é o crime mais profundo.

(Informações extraídas do jornal Israelita Ha’aretz)

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
Este artigo foi publicado em André Levy, Imperialismo & Guerra. Bookmark o permalink.

13 Responses to Mais um navio para Gaza bloqueado

  1. Augusto diz:

    Israel considera que cimento, azulejos, pregos, lanternas,por exemplo não são ajuda humanitaria , e por isso impede a sua entrada em Gaza..

    Em suma Israel destrói casas, escolas, hospitais, e impede a sua reconstrução, como é que alguem no seu juizo perfeito pode defender semelhante aberração.

  2. simples diz:

    A NU,uma cambada de palhaços!A puta que os pariu pq tamb+em são cumplices.Ondce esta o artg 5 da NATO?Ah!a organizar a ingrincultura do ópio do Afeganistão

  3. simples diz:

    Gostaria também dizer,sr.Levy(!) q o estado de israel é algo parecido com a alemanha nazi e que toda a corja direitista está com esse estado teocrático.O anti-semitismo é só com os palestinos ,de facto os descendentes dos antigos judeus.Pq há muita gente q confunde judeus com semitas!Como pode ser tão convencida a ignorância e,tão democrática?

  4. Abílio Rosa diz:

    Por aqui se vê que a NATO só serve os interesses imperialistas dos EUA.

    Se a intersecção fosse feita por um navio de bandeira iraniana ou egípcia era muito capaz de ser declarado guerra.

    E Portugal, membro da NATO, não tem nada a dizer?

    Os portugueses têm que lembrar-se que o Estado de Israel sempre conspirou contra os interesses de Portugal em África, antes e depois das independências de Angola e Moçambique.

    Não era por acaso que Portugal até ao 25 de Abril nunca reatou relações diplomáticas, pois sabia que aquele estado tinha sido constituidio à revelia do direito internacional e na base do terrorismo.

    Que o digam os ingleses!

  5. Caro simples: Tem razão que há muitos povos semitas, mas também não confunda judeu com sionista. [E porque o ponto de exclamação depois do meu nome? Tenho ascendência judaica, tenho grande ligação à cultura e história do povo hebraico, mas não sou Judeu, em termos de reconhecimento formal ou como crente ou praticante.] Há várias organizações judaicas, em Israel e nos EUA, contra a política interna de Israel e contra a existência de um Estado Judaico.
    Eu sou mais reservado relativamente a si, simples, quanto às comparações com a Alemanha Nazi. Não está em questão a minha oposição à política de Israel e aos seus crimes. Mas acho que tanto no caso de Israel, como noutros, se abusa das comparações com o Nazismo, Hitler e a sua indústria de assassínio. Apenas dos muitos outros genocídios e tentativas de limpeza étnica na História, antes e depois do Nazi-Fascismo, os crimes por este cometidos continuam a ter, para mim, aspectos singulares que estão para além da quantidade de presos, torturados, realocados e assassinados, que atingiu não só judeus, como homossexuais, comunistas, e Roma. Nunca um Estado esteve tão assente ideologicamente no objectivo de purga e mobilizou tantos sectores governamentais e privados num programa de extermínio final recorrendo à nata da sua tecnologia e combinando investigação com vista à sua melhoria. E nem esta humilde tentativa de encapsular a singularidade do Nazi-Fascismo tem sucesso. Seriam preciso ilustrar vários dos aspectos apontados para realçar a singularidade da sofisticação do programa e desenvolver a sua íntima ligação com todo o restante aparelho de Estado e sua ideologia subjacente. Tendo já visto a invocação de Hitler e da suástica nazi em tantos contextos, creio que se tornou uma analogia demasiado redutora e que acaba por contribuir para esquecermos a extensão dos crimes nazis.
    Mas esta singularidade não justifica de forma alguma a paranóia sionista, nem mesmo a constituição de um Estado judeu, criada sob o princípio “uma nação sem uma terra, uma terra sem uma nação”. A terra tinha vários povos, incluindo o judeu, árabe e cristão; e nenhuma nação tem direito divino exclusivo a uma terra, sobretudo uma terra com história tão complexa e diversificada.

  6. JS diz:

    Sr. A. Levy:
    Por acaso reparou que a sua “tradução” da fonte Ha’aretz, é discutível.
    Além das omissões (do que lhe desagrada no texto original), há invenções (favoráveis aos seus pontos de vista) e que não constam no texto original.

  7. ezequiel diz:

    André,

    e ainda respondes…
    poucos e bons*. o resto n interessa. 🙂

    * http://www.timesonline.co.uk/tol/news/politics/parliamentary_sketch/article7124607.ece

  8. ezequiel diz:

    será um caso típico de: “they are asking for it!”??

    who knows?
    🙂

    http://www.guardian.co.uk/world/2010/jun/06/gaza-blockade-iran-aid-convoy

    http://www.jpost.com/MiddleEast/Article.aspx?id=177567

    Irão e Turquia a competir pelo limelight.

  9. Caro JS: naturalmente fiz uma selecção de elementos do extenso artigo do Ha’aretz citado. Não sou jornalista, nem este blog é espaço para é uma fonte de notícias imparciais, é para a expressão de opiniões. Pelo que não é de esperar que estas opiniões não deixem de reflectir o ponto de vista do escritor. Fiz uma selecção de vários aspectos mencionados no artigo que se enquadram na minha análise da situação. Que tenha havido omissões não é caso para surpresa (coloquei o link para o artigo, para quem tivesse interesse em ter a totalidade do texto). As omissões não foram determinadas por me desagradarem ou apoiarem um ponto de vista contrário, embora como disse, não vejo que seja minha obrigação apresentar pontos de vista contrários aos meus. Quanto muito, por uma questão de honestidade intelectual, posso incluí-los criticamente.
    O meu post não se baseou apenas no artigo citado, pelo que é natural que hajam aspectos que não constem no artigo. Se considera algum aspecto como invenção minha por não vir referido no artigo, poderei tentar indicar a respectiva fonte.
    Quanto aos aspecto de tradução que põe em causa, agradecia que os apontasse.

  10. ezequiel diz:

    André,

    tu és “contra a existência de um Estado Judaico”?

    Se me permites.

    Quando se traduz ou cita um doc x, traduz-se o todo e nunca apenas uma parte. tens, por obrigação, q dizer a verdadinha. e a verdadinha é inevitavelmente plural. (o teu ponto de vista, os dos outros e o senso que consegues fazer do todo!!) tens que apresentar os outros pontos de vista. desculpa lá. o que tu escreveste acima é uma apologia do dogmatismo. limitas-te a apresentar a tua worldview. é mais do que isso, André. tens que demonstrar que a tua world view é a mais plausível. para conseguires isso, tens que considerar os outros pontos de vista. chama-lhe agonismo interpretativo, chama-lhe o que quiseres. caso contrário, a tua worldview será pouco mais do que uma simples crença.

    n te percebo.

  11. ezequiel diz:

    ” In Speech at Flotilla Protest Outside Israeli Embassy in London, Former British MP George Galloway Announces New Flotilla – With Hizbullah And Turkish Flags Waving Behind Him.”

    MEMRI
    —-

    its official. they are asking for it.
    LOL…este Galloway, que pulha de merda, um gajo que perverte todas as regras elementares da mais antiga e sofisticada democracia liberal do mundo ocidental, um hooligan de merda, oportunistazeco carroceiro, um um eu nem sequer tenho adjectivos para descrever este merdoso. 🙂

    Vê o que é que esta besta faz na sua terra natal. Faz-me lembrar aqueles gajos merdosos dos sindicatos que trabalham para os Mobsters. what a little shit!

  12. Ezequiel: então quando se faz referência a uma parte de artigo é-se obrigado a traduzir tudo? Se eu quisesse agora citar um trecho de um livro, tinha que o traduzir todo? Isso não me faz muito sentido. Quando muito tenho a responsabilidade intelectual de não citar um trecho e usá-lo de forma descontextualizada. Não me sinto obrigação de ser cadeia de transmissão da IDF ou do Estado de Israel. Isso não faz da minha opinião uma crença.
    E, sim, não sou a favor de um Estado fundado no princípio de que apenas os cidadãos judeus são considerados de pleno direito. Era isso que queria dizer quando afirmei ser contra um estado judaico.

Os comentários estão fechados.